Alma Sombria

3 Capítulo 2


Notas iniciais
Esse ficou curtinho não é? mas prometo que vou fazer-lhes viajar a cada paragrafo! Beijinhos.

PATA PARTIDA ACORDOU ASSUSTADA, AS IMAGENS TERRÍVEIS DO SONHO ainda eram bem vívidas na cabeça da jovem gata, como se ainda sonhasse. Passo ou outro ela cambaleava, tentando desesperadamente sair do local escuro, onde parecia, a cada momento, reviver as lembranças lúgrebes do sonho. Finalmente quando conseguiu sair da comodidade da toca dos aprendizes os raios calorosos do sol da manhã acalmaram uma pequena parte da gata, que, tinha a respiração descompensada e a pelagem ao longo da espinha eriçada. A clareira parecia ainda maior sem todas aquelas figuras familiares rondando-a repetitivamente. Ao ver que uma dupla de guerreiros a olhavam, curiosos, ela começou a lamber a pelagem do peito nervosamente, que começava a eriçar-se de desconforto.

— O que há com você hoje?! — Perguntou Pata de Esquilo, que saia da toca dos aprendizes, sonolento.

— Ah.. nada.. eu só.. — Ela perdia-se nas palavras, desistindo de explicá-lo. — Lua Nova irá te levar para fazer algo hoje? — Perguntou a aprendiz, passando seu olhar bicolor entre ele e a toca dos guerreiros, onde Lua Nova, a mentora do jovem, ainda dormia.

— Sim — Ele ronronou, satisfeito. — Disse que ensinaria-me técnicas de combate. — Disse ele. O entusiasmo que o amigo transmitia dava-lhe inveja.

— Ah.. legal — Respondeu a aprendiz, meia distraída.

— Bom.. você parece estar longe... vou vou te deixar em paz... até mais — Miou ele, saindo rapidamente. Pata Partida agradeceu mentalmente, para ela fora um alívio, sua mente não lhe deixava mesmo ficar no presente, pensando a cada momento no sonho, que dava-lhe pequenos arrepios pelo corpo. Com uma certa pontada de preocupação, a gata percebera que a pilha de presas frescas estava bem baixa desde a noite passada, praticamente nenhum guerreiro acordara ainda, então, ainda não havia sido enviado patrulhas de caça. Por conta própria a aprendiz resolveu ir caçar, para talvez, afastar as lembranças incômodas que lhe irritava a espinha. O sol quente começava a irritar a pelagem da gata, que começou a ofegar ao chegar na entrada da toca de Aveleira. De repente, algo lá em cima chamou sua atenção, múrmuros baixinhos ecoavam e o cheiro crescente de medo era bem sentido por quem se aproximasse. Caminhando com cautela, a aprendiz se aproximou sorrateiramente das samambaias mais próximas da entrada da toca e, contraindo as orelhas cuidadosamente tentou ouvir melhor. Seu pai, Estrela de Rocha, conversava com Aveleira, obviamente não era uma conversa normal, o gatão, invejavelmente corajoso, agora tremia, expondo seus medos. Parecia impossível falar ao menos três palavras sem gaguejar ou perder-se em pensamentos. Era difícil ouvir a conversa, mas, com a emoção tomando conta, possibilitava-a de ouvir parte dela.

— V...você está entendendo? É minha filha! isso não pode acontecer.. qu.. quer dizer.. o Clã das Estrelas NÃO PODE deixar isso acontecer. — Ele miava. Soando frio, uma mistura de medo e nervosismo faziam a pata da aprendiz pinicarem. O que Aveleira respondeu logo em seguida não pode ser ouvido pela aprendiz, que, inclinou a cabeça mais a frente. A pequena curandeira abaixou o olhar diante do líder, e, voltando a levantá-los, tentou transmitir confiança.

— Não se desespere, Estrela de Rocha, o Clã das Estrelas sabe o que faz, e cabe a eles decidir sobre isso. — Miou, por fim, o olhar congelante do líder a fitava, indecifráveis.

— Não! eles não sabem o que fazem, isso não pode acontecer! ou melhor, não vai! — Ele fez uma pausa, ofegante. — Minha filha nunca será uma assassina!

Notas finais
Comentem, assim saberei que vocês estão acompanhando e postarei cada vez mais capítulos! Divirtam-se!