Alma
4 A criatura na floresta
Notas iniciais
Quando as garras caíram sobre ela, o mundo desacelerou.
A boca da garota estava semiaberta, mas o seu grito nunca veio. Cada músculo em seu corpo tornara-se tão rígido quanto os ossos debaixo deles, impedindo-a de se mover um centímetro que fosse. As garras do monstro estavam a menos de um metro da sua cabeça, coisas longas e ossudas semelhantes a lanças. Com o canto do olho, ela viu Crow saltar do galho e sumir do seu campo de visão. Então é isso? Refletiu, aturdida. É assim que acaba? Olhando os dedos que vinham em sua direção, ela viu-se imaginando se eles lhe concederiam um fim rápido e indolor ou um lento e agonizante. Dali a um segundo, talvez o seu corpo seria não mais do que uma massa de carne morta abandonada para servir de alimento aos vermes. Talvez estaria agonizando na lama, sentindo a carne queimar enquanto o sangue rubro fluía para fora de si. Fechou os olhos. Talvez a tragédia iminente fosse menos terrível se não pudesse vê-la.
Mexa-se.
A voz aflorou das profundezas da sua mente; de súbito, a garota sentiu o sangue frio voltar a fluir quente por suas veias. Os olhos se abriram, e ela se jogou para a direita com uma rapidez enervante no momento em que a criatura transformava o tronco da árvore em uma ruína. Lascas de madeira choviam sobre ela quando se virou e ergueu-se com um sobressalto; os olhos grandes e brancos como ovos, os membros trêmulos, a respiração indo e vindo com inalações e expirações rápidas e irregulares. O que acabara de acontecer? A garota recuou um passo, e depois outro. Os gritos de Crow pareciam o choro de um demônio invisível, altos e ecoantes, vindos de algum lugar próximo oculto entre as árvores. O meu corpo se mexeu sozinho, percebeu, assustada. Ela não sabia como aquilo era possível, mas havia acontecido. Tinha certeza disso. Foi como um reflexo. Contudo, aquela façanha não a salvara.
O monstro farejava a árvore, confuso com o súbito desaparecimento de sua presa, mas não demorou para encontrá-la novamente. Ele rugiu, furioso, e avançou com um trote desenfreado em sua direção. Desta vez, a garota estava consciente do que devia fazer. Correu.
Cada passo atrás de si provocava um estrondo retumbante e esguichava lama úmida para todos os lados. A garota não ousava olhar para trás. Suas pernas moviam-se sem que ela pensasse em fazê-lo; e independentemente do quão escorregadio fosse o terreno, ou quantas bolhas e cortes lhe ferissem as solas dos pés, ela continuava correndo, mais rápido, mais rápido, mais rápido, o manto dançando como uma sombra viva às suas costas. O monstro rugia com aquele desagradável som rouco, cada vez mais próximo. Não tardou para ela começar a sentir o desgaste lhe afligir os membros inferiores; cambaleou, quase caiu, e, com horror, constatou que aquela criatura era dotada de uma velocidade desproporcional ao seu porte físico. Essa coisa é mais rápida do que eu.
Ela tropeçou. Não viu no quê, talvez numa raiz ou pedra, mas antes que percebesse estava caída de bruços. A adrenalina fê-la se virar no mesmo instante, apenas para encontrar a criatura avultando sobre si com um salto, os braços esqueléticos estendidos para agarrá-la e dilacerá-la por completo. A garota não pensou duas vezes e rolou, sem saber para qual lado, até sentir a água gelada em seu rosto. A queda do monstro troou com um baque surdo, espirrando lama com tanta força que ela pôde sentir alguns respingos atingirem a sua cabeça. Ele achou-a um segundo depois, e o terceiro ataque veio tão célere quanto o bote de uma serpente. Arrastou-se para trás com um impulso desesperado, sentindo o cascalho do fundo do riacho arranhar suas mãos e pés no processo, mas seu agressor estava perto demais. A pancada na correnteza jogou água para o alto; e quando ela se levantou, a dor implodia de seu calcanhar esquerdo.
O monstro estava a menos de dois metros de distância, seu torso erguido mais de um metro e meio acima do riacho. Naquela posição, ele parecia muito maior do que ela havia imaginado; e o rosnado ameaçador que saía do fundo da sua garganta soava como um sussurro demoníaco. A visão daquela monstruosidade tão próxima de si era aterrorizante. A garota recuou, mancando, o coração palpitando em um frenesi incontrolável enquanto a criatura farejava o seu cheiro. Estava com medo, mais do que pensava ser possível sentir, e não apenas do monstro à sua frente. Ter conseguido desviar de cada investida até ali também a assustava de certa forma. Seus braços e pernas haviam se mexido como se possuíssem vontade própria, reagindo automaticamente à aproximação do perigo mortal que a ameaçava. Foi quase instintivo, ela pensou, uma reação natural… minha. Mas como isso é possível? Ela não tinha tempo para ponderar sobre aquilo. Precisava encontrar uma maneira de sair dali, e depressa, pois, por mais rápido que pudesse evitar os ataques, sabia que não conseguiria fugir daquele jeito. Ela já estava ferida e cansada, e aquela coisa era muito mais ágil.
Não fuja, ela ouviu a voz sussurrar, lute.
O monstro se abaixou, rosnando, e correu até ela. Impossível, pensou enquanto fugia, mas a palavra permaneceu em sua cabeça. Lute. Mas de que jeito? Ela escorregou e voltou a cair. Estou morta, imaginou, horrorizada, até que os gritos de um corvo chegaram aos seus ouvidos. Um instante depois, a criatura também estava gritando.
Crow assolava o rosto do monstro com uma fúria irracional, bicando, arranhando e batendo as asas; uma treva sombria lutando em um fundo vermelho. Seu adversário – muito maior e mais terrível –, pulava e golpeava o ar a fim de se livrar dele, urrando e esguichando água, fazendo chover sobre a garota. O chilro do pássaro e os rugidos da criatura misturavam-se no ar, originando uma cacofonia ensurdecedora que expulsava o silêncio do mundo. A garota ficou estarrecida, e, por um segundo, ela não se mexeu.
— CORRE! – Crow gritou. – SAIA LOGO DAQUI!
Ela quase o obedeceu. O medo a fazia desejar, mais do que qualquer outra coisa, escapar daquele pesadelo. Mesmo assim, a garota ficou. Não fuja. Lute, lute, lute… Não sabia o porquê, mas seus olhos arregalados estavam fixos no monstro. Tateou a água, afastando-se do violento combate, até que os seus dedos encostaram em alguma coisa dura e comprida escondida entre a lama e o cascalho. Agarrou-a, e, ao tirá-la da água, descobriu que era um galho pequeno com uma afiada ponta quebrada.
Lute.
De repente, ela estava de pé e segurando aquele galho; a água pingando do cabelo prateado e escorrendo pelos seus membros. Um estado súbito de fria calmaria apossou-se do seu corpo e desanuviou seus pensamentos, lhe aquietando o coração. Crow gritava algo para ela entre chilros e bicadas, mas ela não o ouviu, os ouvidos atentos à própria respiração e surdos para todo o resto. O monstro encontrava-se alheio à sua presença, toda a sua atenção direcionada ao corvo irritante que atacava-lhe o rosto. Ela olhava diretamente para aquela face horrenda, as mão tremendo. Lute, a voz dizia, você tem de fazê-lo.
Que estranho, pensou a garota, eu não estou mais tão assustada.
Aconteceu depressa. A criatura arranhou o ar meia dúzia de vezes, sem sucesso, até que na sétima tentativa ela finalmente atingiu o seu alvo. Crow soltou um esganiçado grito de dor, mas sua aflição calou-se abruptamente quando ele afundou nas águas frias do riacho e desapareceu. E então a garota gritou – talvez de medo, raiva, ou ainda tristeza por seu único companheiro – e investiu contra o monstro, o galho erguido sobre a cabeça tal como uma lança. Quando a distraída criatura virou-se para enfrentá-la, ela enfiou a arma improvisada em seu olho esquerdo com tanta força que prendeu-a lá dentro. A coisa gritou de dor e ergueu-se com um impulso repentino, debatendo-se violentamente ao passo que um filete de fumaça escura desprendia-se do ferimento em sua negra cavidade ocular. A garota, recusando-se a soltar o galho, foi içada no ar e chacoalhada como uma boneca de trapos. Houve um estalo, e o galho por fim cedeu ao seu peso.
Quando caiu de costas na água, a criatura arranhou o rosto, arrancando o fragmento que jazia preso no olho, juntamente de um pedaço da própria face, e depois olhou para ela. O ronco gutural que escapou por entre os seus dentes ressonava com uma fúria cega. Novamente desarmada, ela sabia que, agora, lutar não era uma opção. Tinha de correr.
As garras a alcançaram antes que pudesse se afastar o bastante.
Uma escuridão nefasta encobriu o vermelho quando uma das mãos agarrou-lhe o rosto e desceu. A dor abrasiva explodiu em sua face; quente, lacerante, e o seu grito reverberou por todo o silêncio lúgubre do bosque. Estava então caída no riacho, esperneando e agarrando o rosto com as mãos, sentindo o sangue quente escorrer entre os seus dedos como uma torrente rubra. A água já havia se tornado carmesim quando dedos compridos fecharam-se em torno do seu tornozelo, erguendo-a no ar, e, subitamente, ela não tinha mais peso. A garota sentiu o mundo girar vertiginosamente por um instante, e tão rápido quanto subiu, ela voltou a descer, chocando-se nas águas rasas com uma pancada brusca que deixou-a sem ar.
Arfava de agonia, e cada centímetro do seu corpo latejava. Estava cega de dor, e quando tentou abrir os olhos, descobriu que agora só conseguia enxergar com o olho direito. Seu rosto estava pegajoso, e a água suja fazia as feridas arderem como se estivessem pegando fogo. Ela sentia o repugnante gosto metálico do sangue fluir, indesejado, para dentro dos seus lábios rasgados, provocando-lhe uma náusea terrível. A garota teve vontade de vomitar, gritar, chorar. Por que aquilo tinha que acontecer? Despertar em um mundo destruído, sozinha, sem memórias, e então ser atacada e morta por um monstro daqueles… nada daquilo era justo. As primeiras lágrimas chegaram ao seu olho restante e ela não teve forças para impedi-las de cair, o pranto fundindo-se ao sangue e tornando-se vermelho conforme ia descendo por sua bochecha. Então isso é tudo o que eu posso fazer? Já não tinha certeza de mais nada, exceto do medo selvagem que matraqueava no fundo de seu coração, um sentimento frio e assustador que a acompanhava desde que abrira os olhos pela primeira vez e agora eclodia sem que ela pudesse contê-lo. Eu estou com medo. Oh, por favor, alguém… isso é tão frustrante.
Ela ouviu um passo perigosamente próximo vindo de algum lugar à sua direita. Ergueu a cabeça o suficiente para contemplar a criatura aproximando-se dela, e mesmo este pequeno esforço fê-la gemer de dor. Ver aquela aberração alimentou o seu choro; lágrimas de medo e raiva serpenteando rosto abaixo. Por favor, alguém, Crow, eu não quero morrer.
Algo queimou em seu pescoço, e só então ela recordou-se do colar de prata. Seus dedos estavam tão trêmulos que mal conseguia senti-los, mas ela ainda assim conseguiu encontrar o adereço e segurá-lo com eles. O metal, antes frio, agora irradiava um estranho calor que se espalhou pela pele molhada da sua mão ao tocá-lo. De repente, ela sentiu o medo diminuir um pouco, afastando-se para as profundezas do seu ser como sombras fugindo da luz. Mesmo em um momento como esse, este colar consegue me trazer conforto. Ao menos àquilo podia sentir-se grata, embora a proximidade do monstro a lembrasse de que tal sentimento era inútil e efêmero.
A prata ainda queimava quando ouviu a voz alertá-la: Você precisa lutar.
Como, se eu mal consigo me mexer? Ela tentou se reerguer, como havia feito tantas outras vezes, mas o seu corpo parecia mais pesado do que nunca fora, e a dor acompanhava cada pequeno movimento que fazia. Eu não consigo.
A voz insistiu: Você consegue, é mais forte do que pensa ser. Erga-se para enfrentar o mal que se aproxima. Não fostes feita para render-se, tampouco para fugir, mas sim para lutar, pois tu és uma guerreira. Aquelas palavras reverberavam como ecos em sua cabeça, a voz estrondando mais alta e mais firme do que antes. Ouvindo-a com mais clareza, a garota percebeu que, na verdade, eram duas vozes sobrepostas conversando consigo em perfeito uníssono, uma masculina, a outra feminina. Elas eram maiores, mais fortes, e, principalmente, mais convictas do que qualquer um dos seus próprios pensamentos; de repente, ela estava ouvindo-as mais do que a si mesma. O colar ficou quente como se estivesse em chamas, forçando-a a soltá-lo, mas aquele calor começou a se alastrar por todo o seu corpo. Inicialmente assustada, ela acalmou-se ao perceber que aquilo não a machucava, mas parecia abrandar as dores que a afligiam e enchê-la de uma renovada força. O que está acontecendo?
Com esforço conseguiu sentar-se na água corrente; a criatura a pouco mais de três metros de distância. A garota sentia-se atônita, porém, seu coração estava estranhamente calmo. Lute. Você pode fazer isso, e quer fazê-lo. Desta vez, a garota sabia que o que as vozes diziam era verdade. Ou, pelo menos, ela queria acreditar que fosse. Não tenhas medo, nós estamos com você.
As orbes vazias do monstro estavam sobre ela, a esquerda ainda expelindo aquela estranha fumaça. Ele grunhiu e pareceu momentaneamente confuso em vê-la ainda viva, mas sua atitude habitual logo retornou, e os longos dedos mais uma vez caíram sobre ela. A garota levantou-se com um impetuoso sobressalto, mas estava perto demais para evitar o ataque. Ela cruzou os braços na altura do rosto para proteger a cabeça, e, no instante em que as garras da criatura estavam para alcançá-la, um lampejo cegante explodiu subitamente entre eles, derrubando-os em direções opostas.
Estava novamente de costas para o riacho, a cabeça latejando. Em suas mãos, havia agora uma foice. Estática, a garota não sabia dizer de onde ela havia surgido, mas não pôde deixar de admirar o quanto a arma era magnífica. A foice era enorme, maior do que ela própria, constituída por um longo cabo de ferro negro de dois metros de comprimento terminado em uma grande e ameaçadora lâmina prateada em formato de meia lua. Usou-a como apoio para se levantar, sentindo o molhado manto negro agarrando-se à pele, e para a sua surpresa, descobriu que, apesar do tamanho, a foice não tinha peso. É tão leve quanto uma pluma, pensou, fascinada.
A criatura debateu-se desajeitadamente com os seus longos braços até se pôr de pé, sacudindo a cabeça, atordoada, e rosnando. Ela atacou, as garras rasgando o ar em direção à presa, e a garota ergueu a foice em frente ao rosto mutilado. As enormes mãos do monstro fecharam-se ao redor do cabo negro com um poderoso solavanco, uma força tão opressiva que fê-la ceder e cair de joelhos. Ele rugiu, o detestável som rouco ferindo os seus ouvidos com a proximidade. A garota rangeu os dentes, sentindo os braços e joelhos gritarem de dor com o esforço para conter o perigoso inimigo. Uma fina cortina de fumaça começou a flutuar entre eles e, de repente, o rugido se converteu num agonizante guincho de dor. A coisa abruptamente largou a foice e caiu de costas, espirrando água, e só então a garota notou que as suas mãos esqueléticas estavam queimando onde haviam segurado no cabo. O monstro lutou para se reerguer, sem sucesso, as palmas feridas abalando o seu equilíbrio.
A garota tinha uma arma em mãos e um inimigo vulnerável à sua frente. Ela não precisou pensar, seu corpo moveu-se sozinho, e agora era ela que investia contra a criatura, correndo com a foice desleixadamente erguida acima da cabeça. Percebendo sua aproximação, a coisa balançou um dos braços contra ela, e a imensa lâmina desceu com um reflexo. Ela está mais lenta do que antes, a garota percebeu. O monstro gritou, e os seus dois dedos decepados foram levados pela correnteza. Então, ele esqueceu-se da dor e contra-atacou.
Os sons da luta provocaram uma algazarra por toda a quietude do bosque, mas apenas as árvores podiam ouvi-la. A criatura lançou uma saraivada de tapas enfurecidos com as garras, contudo, com ambas as palmas das mãos queimadas e uma delas mutilada, seus movimentos mostravam-se muito mais lentos e previsíveis. A garota evitava a maioria deles, outros, ela bloqueava com o cabo da foice, e o monstro grunhia sempre que tocava no ferro. Apenas isso não basta, ela pensou enquanto parava uma investida com a comprida arma, preciso atacar e acabar logo com isso. Ela não sabia por quanto tempo ainda conseguiria continuar lutando. Àquela altura, já era um milagre que a fadiga não a tivesse nocauteado.
As garras da mão mutilada vieram, ela girou o corpo e sentiu uma delas arranhar superficialmente o seu antebraço esquerdo, fazendo um filete de sangue escorrer pelo membro, mas foi a criatura quem mais sofreu com o ataque. Ela vacilou e perdeu o equilíbrio por um segundo, abrindo uma brecha para o ataque, e a garota levantou a foice. Embora brandisse a arma de um modo um tanto desleixado, sua leveza facilitava o manuseio. A lâmina curvada caiu sobre o monstro indefeso, rasgando da omoplata até o peito com tamanha facilidade que ele parecia ser feito de papel. Uma densa névoa escura desprendeu-se do ferimento simultaneamente ao grito ensurdecedor da criatura; o braço soltou-se do corpo e ela caiu sobre o único membro que lhe restava. De repente, aquela aberração grotesca já não parecia mais tão assustadora. A garota cambaleou, sentindo as pernas tremerem, mas manteve-se de pé. Segurou a foice com ambas as mãos trêmulas, ergueu-a e fê-la descer. Subitamente, o bosque voltou ao silêncio.
Está acabado, ela pensou, exausta, enquanto via o cadáver decapitado do monstro desvanecer em fumaça. Eu venci. Arrastou-se de volta para a margem e desabou de costas na lama, enfim derrotada pela exaustão e pela dor. A foice fora tingida de vermelho por um segundo, depois voltou ao prateado habitual e então desapareceu de suas mãos, esvaindo-se em névoa tal como o derrotado inimigo. Aquilo a surpreendeu, mas estava esgotada demais para pensar a respeito. O que eu faço agora? As vozes haviam se silenciado, e ela não tinha mais ninguém para pedir ajuda. Até que um fraco bater de asas aproximou-se dela.
O corvo de olhos vermelhos pousou ao seu lado, as penas arrepiadas e encharcadas, olhando-a com um misto de alívio e preocupação. A garota sentiu o coração bater mais rápido.
— Crow – sussurrou.
— Não fale – ele disse baixinho. – Apenas descanse.
Não teve forças para discutir. Sua visão ficou turva, o vermelho dando lugar ao negro, e ela enfim apagou.
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