Allyssa. In the name of love
2 Saudade
Notas iniciais
Bebês choram. Bebês sujam as coisas. Bebês sujam a fralda. Eu nunca troquei uma fralda na vida. Eu nunca cuidei de um bebê na vida. Tommy deveria mesmo estar fora de si quando me designou a guarda dela. Sim, ela é uma bebê linda, mas ainda é um bebê. O que eu vou fazer um bebê, cara?
Bom, eu ainda tenho um tempo até ela chegar. Vou me arrumar para o enterro. Não acredito ainda que meu irmão se foi. Não vai existir ninguém melhor que ele no mundo. Inteligente, parceiro, confiável.. Uma infinidade de elogios.. Sua esposa, Caitlin, era um doce, não faz o meu estilo, mas ela era uma excelente mulher. Tão maravilhosa quanto Tommy. Ambos faziam um belo casal. Lembro-me como se fosse ontem quando me deram a notícia de que estavam “grávidos”. Me chamaram para ir até seu apartamento. Quando chego lá eles gritam: “surpresa!!” E com um cartaz escrito: “Parabéns, você foi promovido para tio número 1”.
Fiquei muito feliz por eles, afinal já estavam esperando por isso há uns meses. Falaram comigo assim: “vamos ver se como tio você sossega um pouco”. Nós rimos rs. Até parece que eu tomo jeito.. Já tentaram de tudo.. Foi uma luta pra eu terminar a faculdade, muitas gatas, não podia desperdiçar, não foi atoa que eu abri uma boate, né hehehe
— O que houve, Seu Oliver? O que queriam com o senhor lá no Conselho Tutelar? – pergunta Louise, minha empregada. Minha segunda mãe, cuida de mim como filho depois que me mudei pra cá há 3 anos. A amo muito, é muito boa pra mim.
— Tommy e Cait sofreram um acidente de carro – digo com a voz embargada – e não resistiram.
— O que? O Sr e a Sra Steele? Não acredito :( – diz ela vindo em minha direção e me abraçando. — eu sinto tanto por sua perda, eu sei o quanto você os amava, principalmente Tommy.
Abraço-a mais forte, estava precisando de um abraço daquele, de quem realmente se importa comigo. Um dos problemas de se ter uma boate e dinheiro é que você não pode contar com ninguém, Tommy era meu irmão por isso, ele não ligava se a pessoa era podre de rica ou se morava em um barraco, ele se importava com as pessoas. Era a única pessoa que se importava comigo além de meus pais e Louise. Claro que eu tenho vários colegas, mas não é o colega que vai me socorrer em situações difíceis. Além de perder um irmão, eu ganho uma filha – ou quase isso.
— Com licença, Louise, eu tenho um enterro pra ir. Teremos uma – pequena – visita, poderia arrumar o quarto de hóspedes, por favor? – nossa pequena visita que chora e faz cocô.
— Claro, sr.. Ah, dirija com cuidado. Tem gente que precisa de você. – ela fala como se soubesse.
Já vestido e com o carro ligado me despeço de Louise e pego a estrada.
Ver meus amigos e irmãos numa caixa de madeira doeu, doeu muito. Eu nunca mais ia vê-los. Nunca mais ia ouvir Cait brigando com Tommy para mastigar de boca fechada, nunca mais ia vê-los brigando sobre quem amava mais um ao outro, nunca mais ia ver Tommy me chamando de babaca por ter bebido a cerveja dele.. Nunca mais.. Eu vou aguentar viver sem eles?
O clima estava bem triste, o velório estava bastante cheio, eles eram muito amados, e isso me deixa feliz, ver que eles espalharam o amor deles com os outros. Abracei sua mãe que chorava desolada.
— Eles não mereciam isso, Ollie, não mereciam – diz dona Rebecca chorando em nosso abraço. Você precisa ser forte, Oliver, ela precisa de você forte.
— Sinto muito por nossa perda, dona Rebecca, já sinto muita falta deles..
Continuamos abraçados por mais uns minutos, precisávamos disso. Dona Rebecca era viúva, seu marido morreu há muitos anos num acidente de trabalho, Tommy era um garotinho de 8 anos, e agora ela perde o filho.. Só tem agora a neta, que, falando nela, está no hospital se recuperando.
As horas passaram muito rápido, quando eu menos esperava já estava na hora de levá-los até o túmulo. Eu fiz questão de estar entre as pessoas que carregavam os caixões, assim como dona Rebecca.
— Adeus, Oliver, cuide bem de minha princesa, e venha sempre me visitar.
— Com certeza, Rebecca. Fica bem.
Depois de um longo abraço eu ponho o pé na estrada.
No caminho de casa comecei a pensar em Allyssa. Uma linda menina de olhinhos azuis e com os cabelos finos e escuros, uma verdadeira princesinha. Não faço ideia do que fazer, ela precisa de cuidados, mas será que eu darei conta? Talvez seja melhor dar ela à avó, com certeza ela sabe como cuidar de um bebê. Tommy e Cait nasceram pra ser pais, mas eu não.
Ainda são 7h da noite, acho que dá tempo de passar numa loja pra comprar um berço. Resolvo descer no shopping e ver alguma loja.
Meu Deus, um bebê precisa de tanta coisa assim? É tanta coisa que até assusta. Inúmeros modelos de berços, não faço a mínima ideia de qual comprar.
— sr. Parker? Posso ajudá-lo? – olho-a confuso. Como ela sabe meu nome? – O conheço pois visitei sua boate algumas vezes.. – Olho seu crachá. Felicity Smoak — a propósito, está tudo bem com o senhor? Parece que andou chorando.
— Senhorita Smoak – ela me olha confusa – seu crachá.. – sorrio – e sobre sua curiosidade: meu melhor amigo faleceu. Então não, não estou muito bem.
— Sinto muito por sua perda, senhor Parker. Sou nova aqui. Há um mês iniciei meu trabalho nessa loja. Então, como posso ajudá-lo?
— Preciso de um berço e aquela coisa que coloca no carro..
— Claro.. Cadeira de segurança. Sobre o berço, nós temos Moisés, berço portátil e berço de madeira. Qual prefere?
— O que me sugere? Uma bebê de 5 meses.
— Como é o quartinho dela?
— Ainda não está montado – opa, preciso providenciar isso também. Mas como? Não sei nem escolher um berço rsrs.
— Bom, então sugiro que leve um portátil e quando o quarto for montado você compra um de madeira. Com o portátil você pode usá-lo em vários lugares por ser fácil de montar e desmontar e também por ser muito leve. – num é que ela é entendida no assunto?! Claro, idiota, ela é funcionária da loja, o mínimo que ela tinha que saber era sobre o que vende..
— Ótimo. Vou levar esse aí então.
— Ok. Qual cor? Temos rosa, azul, bege, amarelo, vermelho e cinza.
— Rosa. Vou levar agora.
— Venha comigo até o caixa para efetuar o pagamento e logo retirá-los.
Efetuei o pagamento e fui direto para o carro. Já são sete e meia, preciso estar lá para recebê-la.
Como morava perto da cidade não demorei muito pra chegar em casa. Quando entro encontro um serzinho de olhos azuis que me olha logo que abro a porta.
Como pode ser tão linda?!
[FLASHBACK ON]
*Ligação ON*
— Ei, mano – falo com a voz sonolenta, era 8h da manhã. Sei que vão achar que é hora de se levantar, mas pra mim, considerando que tenho uma boate, é cedo.
— Ollie? Mano? Tá aí? Lyss chega hoje ou amanhã.. A bolsa estourou por volta das 7h, e as contrações já estão presentes.. Ahhhhhhhhh, escutou, isso, mano?— claro que escutei, parece que gritou pertinho do celular..
— Escutei sim, Tommy, quase fiquei surdo.. – falo mal humorado
— E olha que estou do lado de fora do quarto junto a porta.. A doula está lá com ela, vim buscar mais água quente pra colocar na piscina e aproveitei pra te avisar.. Você vem, né? Vamos pro hospital quando o TP estiver mais avançado.— ele só pode estar falando grego, não faço a mínima ideia de como isso funciona...
— Mano, só me diz a hora que vou.
— É meio difícil eu te dar uma hora exata. Vou te dar uma estimativa e ai você vem.
— Beleza. Me manda mensagem com a hora. Vou desligar pra dormir pelo menos 2h, Helena veio com tudo, estou exausto. Haha.
— Já te envio, a água esquentou aqui. Vê se chega a tempo, por favor. É sua sobrinha preferia hahah. Abraço, mano..
— Desligando... Flw.
*Ligação OFF*
Só duas horinhas não vão me matar, pelo contrário..
Acordo e checo o celular.
*pode chegar lá pras 5h p.m
XOXO,
Tommy*
São 12 p.m dá tempo de eu chegar. Tomo um belo banho pra despertar, me visto e saio logo, quero passar numa loja pra comprar um urso e um balão.
Depois de ter comprado tudo pé na estrada. Usei esse tempo pra pensar. Será que eu seria um bom tio? Porque convenhamos que eu não sei nada sobre cuidar de alguém, muito menos de uma criança. Eu não sirvo pra cuidar nem de mim, que dirá uma criança. Nunca serei pai, o máximo um tio que manda presentes e vai às festas de aniversário. Claro que crianças são uns seres bonitinhos, mas eles gritam, nos chantageiam e tomam nosso dinheiro e tempo. As pessoas parecem gostar de criar eles, eu prefiro outras coisas.. xD
Pouco tempo depois chego à maternidade.
— Bom dia, sou Oliver Parker e vim para visitar Caitlin Steele que veio ter o bebê.
— Pois não, senhor Parker. 3° andar 1° corredor à direita.
— Obrigada.
Chego ao quarto e lá estão eles. Um casal babando no seu novo presente. Uma bebê toda embrulhada no vermelho. Tommy e Cait sorriam feito bobos..
— Ei, pessoal..
— Ollie.. Venha conhecê-la... – convida Cait
Me aproximei deles e eles me entregaram-na. Segurando-a meio sem jeito olhei pra ela.
Como pode ser tão linda?!
[FLASHBACK OFF]
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