Segunda, 31 de Agosto. (Continuação)
Tia Verônica maltrata Ally sem sentimentos, mesmo diante da situação dolorosa e triste ao qual ela passa:
— Ti... Tia. — Gagueja chocada.

— Ora, não me chame assim. Você não é minha sobrinha. Garota tosca! — A empurra.

— Verônica, está ai! — Tia Magda exclama. — Allyson, você é uma insensível mesmo, ontem estava dormindo, e agora estava comendo como se não houvesse nada errado! — Reclama.

— Eu... Eu não sabia que o papai... Ele estava estável quando vim para cá! — Explica tensa.

— Imprestável! — A segura. — Nem procura saber o verdadeiro estado do pai, sua desprezível!

— Esta ai é uma desmiolada e covarde! — Tia Ariane a puxa das mãos de Verônica.

— Mas... — Ally fica vulnerável.- Eu não sou esta pessoa ao qual insinuam, suas preconceituosas! — Defende-se grossa se soltando.

— Não grite conosco sua mal educada, nunca recebeu uma surra para saber ter respeito! — Insinua fria Verônica.

— Tenho muita educação, respeito e empatia. Mas só as uso com quem vale a pena, não com urubus imundos e repugnantes. — Responde séria.

— Sua inútil! — A puxa e ergue a mão para batê-la. — Vou te dar a surra que merece!

Ela move o braço rapidamente, Ally fica parada sem reação:
— Você não vai tocar nela! — Nick afirma.

Ele chega de repente, entra na frente de Ally e segura forte a mão de Verônica:
— Ora, não aperte minha mão seu moleque! — Puxa o braço. — Quem você pensa que é?

— É o mesmo rapaz de ontem! — Magda relembra.- Ele não me deixou acordar Ally!

— E não vou deixar que a machuquem! — Segura Ally pelo braço. — Venha! — Caminha com ela.

— Você está transando com este agora Allyson? Quem vai ser o próximo? Quem vai ser o próximo idiota que vai cair na sua conversinha? — Questiona Verônica. — Vagabunda!

Nick para, a solta e volta:
— Você não conhece a Allyson.— Grita. — Olhe para a porra da sua vida e a esqueça, já que a não suporta tanto assim. Faça um favor, desapareça! — Pede frio.

Ele sai, pega Ally e a leva para uma sala, se escondendo das tias dela:
— Sente-se! — Pede doce.

Ela faz o que manda:
— Desculpe a demora, eu dormi de 04h00 da manhã e só acordei com a minha mãe batendo na porta do meu quarto preocupada. Eu ia chegar mais cedo... Eu ia... Ally?! — A vê tremer de cabeça baixa. — Ally! — Se abaixa na frente dela.

— Elas me odeiam, elas podem me ferir e fazer maldades diante de tanto rancor e crueldade! — Acentua em choque. — E se você não tivesse chegado? — O olha.

— Não pense assim, esqueça elas! — Pede. — Vai tudo se resolver. — A abraça sentando ao seu lado.

— Verônica me cuspiu, e disse que sou asquerosa! — Conta com o rosto sobre o ombro dele.

— Não acredite, não acredite! — A abraça mais forte.

Ally não chora, mas treme de mágoa e raiva durante um certo tempo. Ainda sentados no sofá ela começa a se acalmar:
— Temos que ir para a escola. — Diz soltando Nick.

— Escola? Temos? — Indaga a olhando.

— Sim! — Frisa.

— Ally, não está em condições de ir para a escola, e não vai. Eu falei com sua mãe assim que cheguei e ela me disse que estava saindo para ir justamente na escola falar com seus professores e a diretora, avisar da sua ausência durante um tempo. — Explica.

— Ausência? Mas... E se eu quiser ir a escola? Tipo, amanhã! — Ressalta confusa.

— Você vai poder ir, mas se faltar as aulas algum dia, como hoje, eles vão saber que não é por causa de bobagens! — Esclarece. — Entendeu?! — Toca seu rosto meigo.

— Sim. — Resmunga balançando a cabeça.

Nick fica ao lado dela e não vai para a escola, isto não o preocupa. De 17h00 da tarde tia Clara chega no hospital, encontra Ellie na cafeteria e conversa com ela. Ally aparece com Nick depois de um tempo, e vê suas expressões abatidas:
— Olá, sou a Clara, tia da Ally e irmã da Ellie! — Levanta a mão para cumprimentar Nick.

— Oi, sou Nick Blacker! — A cumprimenta.

— Nick, será que eu posso conversar com você em particular? A Ellie também precisa falar com a filha. — Pede e explica.

— Hum. Sim! — Responde.

Os dois vão para um canto reservado e Ally fica com a mãe na cafeteria, sentadas numa mesa. No corredor Clara fala com ele:
— Nick, eu soube que você é próximo da Ally e que sua família adora ela, é verdade? — O questiona.

— Sim, é! — Assegura.

— Ótimo! — Alivia. — Nick, preciso de sua ajuda. A minha irmã está tentando se fazer de forte e resistente quando na verdade está chorando pelos cantos e lamentando, minha sobrinha está triste, abatida, fraca, está sofrendo. Então, a questão é o seguinte, para a Ally ficar neste hospital direto não é bom, e ficar em casa sozinha também seria péssimo para sua saúde, até mesmo mental. Será que pode a abrigar na sua casa por um tempo? Se sua família a adora e você a trata com carinho não seria um problema, eu acho. Não quero a ver pior e companhia a fará bem, entende!? Quanto a Ellie, ela vai ficar na minha casa, digo, quando não estiver no hospital, e bem... talvez se pergunte agora, "E por que a Ally não fica na sua casa também?!", bom, vou lhe dizer o porquê, porque às minhas irmãs moram ao meu lado e vão praticamente passar o dia lá, agora que Ellie está vulnerável com o acidente de Marcelo vão tentar se fazerem de boas irmãs. Ah, a Luna vai ficar na minha casa também, para não dar trabalho. As tias paternas de Ally estão a atormentando, ter todas as pessoas da família te julgando e maltratando é apavorante. Bom, já falei demais, você me ouviu e agora responda. Ela pode ficar na sua casa? — Indaga esperançosa.

Ele a encara sério:
— Sim, claro que sim! — Destaca. — Não será incômodo algum! — Detalha.

— Nossa, que alívio! — Respira e sorri. — Muito obrigada Nick! — Agradece. — É um bom rapaz!

— Não é preciso agradecer, e obrigado! — Acentua educado.

Ela balança a cabeça:
— Bem, vamos falar com Ellie e Ally. — Diz saindo.

Na cafeteria Ally ouve a mesma explicação de sua mãe, que ela ficar sozinha não à fará bem e que precisa de companhia e carinho.
— Eu entendi tudo, mas... O que o Nick tem haver com isto? — Indaga confusa.

— Clara e eu queremos que fique na casa dele! — Conta.

— Na casa... dele? — Gagueja.

— Sim. Olha, voltaram! — Exclama os vendo. — E então?

— Diga você Nick! — Clara o convoca.

— Hum... Você... — Gagueja constrangido. — Você vai ficar... Vai ficar comi... Vai para a casa Blacker Ally! — Acha as palavras.

— Oh, obrigada querido! — Ellie se levanta e o abraça.

— Não é preciso agradecer! — Fica envergonhado.

Ally o admira e ele a retribui o olhar fixo:
— Bem, é melhor irmos, temos que pegar suas coisas ainda. — Ressalta para ela.

— Okay! — Se levanta. — Tchau mamãe, qualquer coisa me avise, tchau tia! — Se despede.

— Tchau filha! — Beija sua testa. — Tente dormir e se alimentar direito, está bem?!

— Humrum! — Resmunga.

— Tchau querida, se cuide! — Clara a abraça.

— Até mais! — Nick acena com a cabeça saindo.

— Até! — Os vê sair.

Na casa Fllower Ally pega as coisas sem prestar atenção, está confusa e avoada, sua consciência não está boa.
— Vai levar estas roupas? — Nick a pergunta.

— Vou, não, vou sim. Aff, não sei. — Reclama se sentando na cama. — Vamos deixá-las, já estou levando muita coisa! — Informa. — Eu, vou para o carro! — Diz e desce desconsolada.

Ele fica parado no guarda-roupa, respira fundo e se encosta na parede pensando em todos os sentimentos que passam em Ally.

Ao chegar em casa ele tira as malas dela do carro e as colocam no quarto de hóspedes, então Ally se lembra de algo:
— Não trouxemos o Boo Bear?! — Indaga olhando as coisas por cima.

— Hum... não, acho que esquecemos. Daria para vê-lo logo, é grande! — Nick Sublinha.

— E agora?! — O olha. — Eu... Eu fico abraçando ele, quando me sinto mal! — Se senta lamentando.

— Ora, eu estou aqui. — Relembra. — Pode me abraçar quando quiser! — Se aproxima com as mãos nos bolsos.

Ela o encara:
— Eu o aperto, esmago, acaricio e aperto mais um pouco. — Resmunga.

— Pode me apertar também! — Sorri leve. — Pode me apertar o quanto quiser, e até esmagar. Se isto for te ajudar, eu deixo!

— Hum! Obrigada! — Se levanta. — Bem, avise a Nane e Sophie que já desço, vou apenas tomar banho. — Comunica.

— Ok. — Abre a porta do quarto. — Tem toalhas no armário do banheiro.

— Eu sei! — Acentua.

Ele balança a cabeça e desce. No jantar o prato de Ally é cheio, porém não é esvaziado, ela mal toca na comida, apenas coloca na boca um gole de suco de laranja. Na sala da lareira ela vê TV sentada no tapete no chão, perto do fogo:
— Ainda está aqui?! — Nick a questiona entrando na sala. — São quase meia-noite, está cansada, era para estar descansando em seu quarto! — Acentua preocupado.

— Eu, estou sem sono. — Murmura.

— Está sem dormir direito desde sábado, está com sono sim, sono e exaustão! — Frisa.

— Já disse que não! — Insiste séria.

— Ally, vá dormir. — Pede preocupado. — Precisa descansar!

— Me deixe aqui! — Teima.

— Vou contar até três e você vai para o seu quarto dormir! — Ressalta. — Um... Dois... Três!

— Não sinto sono. — Afirma teimosa.

— Você é muito teimosa! Aaah! — Reclama. — Vai descansar sim! — A pega no colo.

— Nick me solta! — Bate em suas costas. — Eu não quero dormir. Nick!

Ele sobe a escada a levando no ombro para o quarto:
— Nick!! — Grita.

— Pronto! — A joga na cama. — Agora durma!

— Seu grosseiro! — Exclama quase chorando.

— Boa noite! — Fecha a porta do quarto.

O círculo que Ally fez para guardar todos os sentimentos foi quebrado quando ele a surpreendeu.
Às 02h00 da madrugada se ouve um choro muito forte ecoando nos cômodos da casa, Sophie, Nane e Nick acordam:
— A Ally está sofrendo muito, eu vou falar com ela! — Nane diz para eles.

— Não. — Nick se impõe. — Eu cuido disto!

Ele entra no quarto e a vê enrolada no edredom chorando enquanto molha o travesseiro, Nick engole seco e caminha até ela:
— A-a... — Fica sem saber o que falar.

Inibido e receoso ele respira lento, levanta o edredom e se deita ao lado dela, apoiando a cabeça de Ally em seu peito e a abraçando forte. Às lagrimas escorrem pelo rosto já vermelho dela e molham sua camisa; seu coração lateja e seu corpo treme. Nick acaricia o cabelo de Ally ao longo de todo o choro, até que aos poucos vai se acalmando e cessando. Ela adormece em seu colo, e ele a admira:
— Se sua vida fosse calma assim como o seu sono, não teria motivos para chorar dessa maneira. — Sussurra a acariciando. — Desculpe eu... eu sei que não é um bom momento, e que é irritante ficar repetindo, mas... você é muito linda! — Murmura encantado. — Como consegue fazer isto? É impressionante o controle que ganhou sobre mim, minhas reações, meus atos, meus sentimentos! — Exclama. — Consegue fazer meu coração acelerar num estalar de dedos, como agora, apenas pelo fato de estarmos na mesma cama, e com você apoiada sobre um lado do meu corpo! — Cochicha. — Eu tenho grandes sentimentos por você minha garota, sendo mais sincero posso dizer que... que atualmente estou com medo do tamanho e dimensão deles. Medo do tamanho e dimensão destes... destes tais sentimentos!

Após sussurrar enquanto admira Ally ele dorme, e se junta à ela num sono profundo.

Terça, 01 de Setembro.
Nick se mexe e vira para o lado, ao abrir os olhos vê Ally dormindo tranquilamente, a acaricia enamorado, levanta e abre a porta, saindo. No café da manhã Ally aparece às 09h30, está aparentemente descansada:
— Dormiu bem? — Ele a pergunta simpático.

— Hum... Até certo ponto não, mas depois que deitou ao meu lado e me abraçou, eu apaguei e... e consegui ter um bom sono. — Responde tímida.

Ele sorri bobo levemente:
— Que bom! — Acentua. — Coma algo. — Pede.

— Hum. — Olha tudo. — Estou sem fome! Vou me arrumar, pretendo passar o dia no hospital ao lado de mamãe. Ela não me deu mais notícias, e... estou um pouco preocupada! — Conta. — E você? O que pretende fazer hoje?

— Vou para a escola. — Responde. — Assim eu pego os assuntos das matérias e passo para você! — Explica.

— Obrigada! — Se surpreende com o ato dele.

— Disponha. — Sorri.

Assim como pretendem Ally vai para o hospital e Nick para a escola, um horário mais tarde. Ele presta atenção na aula, enquanto ela se preocupa com uma nova cirurgia no pulmão do pai. A tarde se passa, de um lado rotineira, e no outro angustiante.
Às 17h30 Nick chega da escola, não vê ninguém no térreo:
— Mãe? Vó? Ally? — Chama sem resposta.

Ele sobe a escada para o quarto, e vê Sophie e Nane em frente ao banheiro:
— O que houve? — Questiona confuso.

— A Ally está dentro do banheiro, está passando mal e não abre a porta! — Sophie comunica preocupada.

— Passando mal? — Indaga. — Como assim?

— Está mole, fraca, vomitando... — Explica angustiada.

— Vomitando?! — Destaca.

Na porta do banheiro ele a chama:
— Ally, abra a porta! — Pede. — Ally, sou eu, abra! — Bate.

— Ela não responde, não sabemos como está! — Nane ressalta transtornada.

— Ally, por favor, me diga se está bem! — Implora. — Allyson! — Aumenta a voz.

— Estou bem!— Ally diz com a voz trêmula.

Ally está sentada perto do vaso sanitário, seu cabelo está sujo e seu rosto pálido. Novamente ela tem ânsia e vomita dentro do vaso com as mãos segurando nas bordas; tosse enjoada e forte arrancando da garganta os restos de vômito.