Ally: Jogo de Amor
19 Estável
Toc, toc, toc...
Batem na porta de Douglas, ele abre:
– Como se acaba com a raiva?! — Indaga Nick que entra.
Ele vai para a sala:
– Tem alguém em casa? — Pergunta.
– Não, todo mundo acabou de sair para comer, recusei como sempre. Mas fale direito, o que aconteceu? — Questiona Douglas.
– Eu fui atrás da Ally porque fazia um bom tempo que ela não dava sinal, eu a encontrei no B & W Club, estava tudo bem até eu perceber que a barraca ao qual ela estava era a maldita Barraca do Beijo. Pensei que conseguiria ficar esperando ela, que não seria nada demais mas... — Ele se senta frustado.
– Vou pegar um copo de água pra você. — Douglas vai a cozinha. — Aqui, beba!
– Vendo àqueles homens beijando sua boca, mesmo que fosse um selinho começou a me enfezar, até que um imbecil mordeu a boca dela e depois de a ver sorrindo eu quase perdi o controle. Cada toque, cada mordida, cada vez que ela tocava os lábios no de um homem eu sentia mais raiva, ódio, frustração... À vontade que eu tive foi de tirar ela dalí e acabar com todos eles, mas isso não sou eu, isso é estúpido e totalmente ridículo, além do mais se eu fizesse isso Ally iria me odiar para sempre.
– Mas você mesmo disse que ela estava te provocando, que ela ficou dançando olhando para você. — Douglas relembra.
– Sim, ela estava me provocando, na dança ela estava linda, sexy e completamente atraente porém, a única coisa que quis foi que ela parasse e saísse dalí. Todos aqueles homens olhando para ela e a desejando, eu senti meu corpo arder de ódio. — Ele diz apertando a mão de fúria e acaba quebrando o copo.
– Nick! — Exclama. — Droga cara, você quebrou o copo na sua mão! — Diz preocupado. — Vou pegar algo.
– Não precisa. — Assegura Nick.
– Nick, sua mão está sangrando com cacos de vidro. — Frisa sério.
Enquanto Douglas faz o curativo nele os dois conversam:
– Então você a beijou?! — Indaga espantado.
– Não. Quando eu olhei para ela e a vi querendo que a beijasse, percebi que cometeria outro erro. Se eu a beijasse ia perder o controle, porque estava com muita raiva e iria acabar descontando daquela maneira. Porque quando mais raiva ela me faz mais atraente ela fica, e quanto mais atraente ela fica mais vontade de a beijar eu tenho. Eu queria, eu quero a beijar, quero mostrar como é um beijo de verdade, como a posso deixar sem fôlego, e eu sei que ela quer isso, pelo modo como sua boca estava entreaberta posso afirmar.
Nick passa à noite na casa de Douglas, porém não consegue dormir, seu sangue ainda estrala e sua mão dói. No dia seguinte tudo é normal, com exceção de ir ao médico para ele examinar sua mão, e segue o resto dia regularmente.
Ally acorda na quinta-feira com sensação de ser um dia letivo, se arruma, almoça e pega o metrô, no caminho escuta música no MP3 enquanto lê um livro novo, usa uma boina de lã azul, um cachecol amarelo com um casaco preto, um vestido de cetim vermelho até o joelho e uma sapatilha bege, está com seus óculos de leitura e uma corrente fina dourada. Caminha pela rua, sorri doce e acena tímida para quem lhe cumprimenta; toca a campainha e abrem a porta:
– Olá Ana! — Cumprimenta.
– Olá Ally, entre!
– Obrigada. — Sorri meiga.
Alguém desce a escada, ela limpa os óculos e esbarra na tal pessoa:
– Desculpe! — Diz de cabeça baixa.
– Levante a cabeça Allyson. — Ordena.
Seu coração acelera e sua respiração oscila:
– Oi Nick! — Diz calma levantando o rosto.
– Oi. — Responde frio.
– Querida! — Exclama alegre Sra. Blacker.
Ele vai para a piscina:
– Olá Sophie! — Elas se abraçam.
– Venha, vou te levar até a mamãe!
Todos se reúnem às 17h00 para um café da tarde, Ally fica um pouco inquieta na mesa:
– O que foi querida, você tem algum compromisso? Fica olhando para o relógio o tempo todo. — Pergunta Nane.
– Não, é que eu falei a mamãe que não vou chegar tarde, mas ela fica preocupada se eu cheguei bem ou não, e como estou sem celular não tenho como avisá-la. — Explica.
– Ainda está sem celular? — Ressalta Sra. Blacker.
– Estou sim, não sei quando vou poder comprar outro. — Lamenta.
– Bem, ligue para sua mãe do fixo, o telefone está lá na sala! — Sra. Blacker informa.
– Está bem, obrigada! — Agradece sorrindo e levanta.
– Não é nada querida!
Calado, fechado e pensativo Nick observa tudo. Risadas e conversas enchem a casa das 17h00 às 18h00, ele fica em seu quarto, num mundo pessoal e íntimo, aparecendo de repente apenas para avisar:
– Mamãe, eu vou sair um pouco!
– Aonde vai? — Questiona preocupada.
– Vou caminhar, nada demais. Não demoro!
Quase uma hora depois ele chega com um pacote nas mãos, vai até a lareira onde elas estão arrodeadas:
– Allyson. — Chama.
Ela o olha:
– Está vindo uma chuva forte, como você ainda vai para o metrô acho melhor se apressar. — Afirma sério.
– Nick!! — Reclama sua mãe. — Como assim 'se apressar'? Você vai levá-la para casa, em segurança e seca!
Os dois se olham, e permanecem em silêncio, nenhum se impõe. Na sala ela se despede:
– Tchau Nane! — A abraça.
– Tchau Sophie! — Se abraçam.
– Tchau querida, cuidado, quando chegar avise! — Pede preocupada Sra. Blacker.
– Está bem.
No caminho os dois são pegos pela chuva, Nick fecha as janelas. Ally observa a chuva escorrendo no vidro, vira para frente e ele está esticando o braço com o pacote ao qual chegou em casa:
– O que é isso? — Pergunta quebrando o silêncio.
– Biscoitos, quer? — A oferece prestando atenção na rua.
– Não, obrigada! — Recusa.
Ela repara que sua mão está com ataduras:
– O que aconteceu com sua mão?! — Indaga.
– Eu cortei. — Responde.
– Como!? — Curiosa.
– Quebrei um copo de vidro apertando! — Diz e a olha. — Eu estava com muita raiva! Os ferimentos já estou melhores, estão cicatrizando!
– Que bom. — Diz receosa.
– Sim. Que bom!
Ao chegar em casa ela desce do carro, sem guarda chuva acaba se molhando, pega as chaves dentro da bolsa e coloca na fechadura, porém ela não vira, força várias vezes mais não funciona, tenta manter a calma, respira fundo e tenta novamente, sem sucesso. Molhada dos pés a cabeça ela se irrita balançando a maçaneta, uma mão chega por trás e toca a sua, ela paralisa e treme:
– Deixe eu tentar. — Nick diz calmo.
Com os rostos perto ela solta as chaves e se afasta, ele empurra forte fazendo a fechadura virar, abre a porta e desce. O vendo ir embora já encharcado com a chuva pergunta tensa:
– Não quer se enxugar?
Ele vira e a olha de cima a baixo, vendo-a com a roupa colada no corpo responde:
– Não, estou bem assim. Ah, depois que a chuva parar coloque um pouco de óleo na fechadura, ou vai ficar pior. — Entra no carro e vai embora.
Às 14h00 da tarde no dia seguinte Ana abre a porta:
– Oi Ally!
– Olá Ana! — Sorri e entra.
– Sra. Clarisse está no quarto, vou chamá-la.
– Está bem.
Ela fica de costas para a escada esperando Nane, escuta passos e vira, não é a vovó como imaginará:
– Pegue! — Nick a entrega uma caixinha.
– O que é isso?! — Pergunta engolindo seco.
– Seu celular!
– O quê!? — Se assusta. — Nick, eu não posso aceitar! — Recusa o entregando de volta.
– É sem devolução Allyson, agora é seu. — Acentua.
– Nossa, obrigada. — Sorri leve. — Não sei como agradecer.
– Um abraço é o bastante! — Grita Sra. Blacker que chega. — Vamos, se abrassem! — Ela os empurra para perto.
Eles se olham e se abraçam, um abraço estranho, torto, com certo receio. Nick sente o cheiro de Ally grudando em suas roupas e sua mente novamente.
Fale com o autor