Alluring Secret
7 Cena 7 – Minha promessa para você
Notas iniciais
Cena 7 – Minha promessa para você
Com Degel despertando, os olhos se focaram na doce figura de Seraphina. A mente estava confusa.
–Serap...
E então a figura da mulher mudava lentamente de forma, ganhando outro tom de cabelo, com cachos ao invés dos fios lisos e prateados, contornos masculinos. Kardia estava voltando a sua forma original.
–Era... você...? Era você o tempo todo...? – indagou Degel, com a voz fraca.
–Me desculpe, meu amor...
Kardia trouxe seu amado para mais perto, enquanto lágrimas desciam por seu rosto.
–Você morreu, meu amor... E eu tive que fazer algo para te trazer... Vou ter que te deixar.
–Vai... voltar pro céu? Para aquela mulher?
–Não, Calvera não irá mais fazer nada de mal. Mas eu irei morrer em poucos minutos.
A notícia caiu como um choque para o burguês, mas não sentia forças para lutar contra aquilo.
–Não...! Kardia...
–Você deve voltar para a sua vida. Deve voltar para a sua noiva...
Kardia sentia o corpo começar a falhar. Voltou a deitar Degel no chão, não tinha mais forças no braços. Olhou para suas mãos e elas começavam a desaparecer.
–Eu irei voltar um dia como humano. Nos encontraremos numa outra vida. Prometo te procurar. – disse o anjo, em um sussurro.
Ele se aproximou dos lábios do burguês e o mesmo permitiu, correspondeu ao beijo. Os lábios se separaram, e eles apenas se olhavam. Kardia desapareceu, deixando Degel sozinho, desmaiado de novo.
Quando Degel acordou, não havia sinal de Kardia, da misteriosa anjo feminino. Ele se sentou na grama, vendo as marcas de seu sangue na roupa e na grama. Ao olhar para o castelo, ele viu uma construção em ruínas.
Kardia fizeram loucuras para tê-lo, foi o que pôde concluir. Ele se levantou, meio cambaleante e seguiu para a floresta, numa vã tentativa de encontrar seu querido anjo. Se sentia fraco, os passos eram vacilantes e frequentemente ele esbarrava numa raíz e caia no chão. A luz não entrava na parte mais profunda da floresta e quando avistou a luz novamente encontrou o terreno que fazia fronteira ao castelo onde Kardia se escondera, era sua mansão, suas terras.
Ele ficou um tempo parado, olhando para seu passado, quando um de seus serviçais apareceu, surpreso em vê-lo ali. E novamente desmaiou.
Já havia se passado 1 mês desde os eventos do castelo. Degel se tornou um recluso após sua recuperação. Chegara com uma ferida semi-aberta e fraco pela perda de sangue. Decidiu jamais revelar o que houvera nos dias em que desaparecera.
Ele estava lendo um livro quando sua noiva e seu futuro sogro chegaram. Degel suspirou, sem qualquer ânimo. Tinha chegado o momento.
Sem dizer nenhuma palavra, como estava agindo desde aquele dia fazendo os demais acreditarem que de alguma forma ele tinha perdido voz, ele retirou a aliança de noivado de seu dedo e entregou para a moça. O pai da jovem ficou surpreso e se enfureceu, socando.
–Como acha que minha filha irá ficar agora?! Você se envolve com uma bruxa e agora joga minha filha de escanteio?! – berrava o homem, enquanto era contido pela filha. – Não aceito que desmanche o noivado!
–Papai, tudo bem! Papai! – ao ouvir a voz da filha ele foi se acalmando. Degel ainda permanecia no chão, onde caiu após o soco. Apenas olhava a moça e seu pai, sem qualquer expressão, mas se sentia agradecido pela doçura dela. – Eu sei que ele nunca gostou de mim, eu também não amava ele. Então está tudo bem, papai. Por favor, deixe-o em paz. Degel é um bom homem, sempre fez de tudo para que eu estivesse bem e feliz.
O homem o olhou mais uma vez e saiu, arrastando a filha, num ultimo rompante de raiva. Degel permaneceu no chão, olhando para baixo.
Não apenas recluso, Degel se tornara excêntrico. Despediu os empregados, dando-lhes uma gorda recompensa pelos anos de serviço.
–Minha promessa para você... Eu não terei ninguém, apenas você... Kardia...
Alguns meses depois, tudo o que os moradores da região souberam é que Degel vendera suas propriedades e sumiu no mundo com o dinheiro. E só teriam notícias anos depois, que o destino do dinheiro foi a caridade, que ele foi para o norte do país, viver recluso e que as autoridades locais encontraram-no morto, possivelmente num assalto e que fora enterrado com respeito.
De Kardia nunca ninguém o encontrou. Seraphina havia sumido e seu castelo achado, cerca de 1 anos depois do caso, era apenas as ruínas perdidas de algum velho senhor. E por muitos anos a fio, o caso foi uma grande lenda, até ser esquecida, a medidas que os mais velhos iam morrendo e os amis jovens ignoravam as lendas.
==== Séculos depois====
O garotinho não estava contente em se mudar para a Grécia. Era um clima diferente de sua amada França, mas não tinha jeito. O serviço de seu pai o transferira para a Grécia. E aquele era seu primeiro dia na escola.
–Lembre-se, se comporte, Camus. – disse sua mãe, arrumando o uniforme e se voltando para a lancheira. Tinha os mesmos cabelos ruivos dela e uma pele pálida que logo ganharia cor sob o forte sol grego e o sal do Mediterrâneo.
–Sim, mamãe...
Mãe e filho seguiram a pé para a escola. Ela depositou um beijo carinhoso na bochecha e ficou observando o menino entrar pelo pátio. Então se virou e fez o caminho contrário ao do pequeno.
Camus se sentia desconfortável. A França era mais que só sua terra natal, ele esperava que encontraria uma pessoa com quem sempre sonhou. Tinha sonhos que lembrava de uma época que não lhe pertencia. E saindo assim, de sua terra, temia não encontrar a misteriosa pessoa.
Ele ficou olhando o grande prédio escolar a sua frente até sentir algo tocar em seus pés, algo um pouco maior que suas mãos, mas bastante duro, de aroma adocicado. Uma maçã. Ele olhou para a fruta e a tomou nas mãos.
–Ei, ei! É minha!
Camus se virou para onde o som vinha. Um garoto loiro, um pouco maior que ele, e de pele bem bronzeada vinha em sua direção. Tomou a maçã do francês e ficou encarando. Camus nada disse e apenas retribuía o olhar, meio confuso. Aquele garoto loiro nada tinha haver com a pessoa que sonhava, mas os olhos pareciam os mesmos, mas era mais infantis. O garoto loiro então pareceu se desfazer da marra que aparentava ter e murmurou:
–D-Degel...?
–Como? Por que me chamou de “degelo”? Você sabe francês?
O garoto balançou a cabeça e mordeu a maçã, disfarçando a pergunta que fizera, enquanto ainda era observado pelo garotinho ruivo.
–Um pouco... Bem pouco... – dizia entre as mordidas e mastigações.
–Você é do primeiro ano?
–Sou. Pela segunda vez.
Camus fez uma careta. Tinha logo que se envolver com um repetente?
–E aí, garoto novo? Qual o seu nome? – perguntou o loiro.
–Camus. E o seu?
–Me chamo Milo! Ei, a gente vai ser grandes amigos, né? – Milo tomou as mãos de Camus e o puxou, praticamente arrastando Camus. – Venha, vou te mostrar a escola!
E enquanto o vento soprava, aquele seria o prelúdio de uma nova amizade...
... Ou seria de um novo amor?
~~~Fim~~~

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