Alluring Secret
6 Cena 6 - Sangue
Cena 6 – Sangue
Os dias que se seguiram foram perfeitos para Degel e Seraphina. Todos eram calmos, amáveis e quentes. Degel nem se lembrava que tinha uma mansão, uma noiva, uma vida fora do castelo tamanha alegria que sentia ao lado de Seraphina.
Do lado de fora, a agitação era tamanha, tentavam derrubar as arvores para resgatar Degel, mas elas cresciam novamente. Ninguém conseguia acreditar que a misteriosa jovem era uma bruxa. A noiva de Degel estava chorando tanto que acabou adoecendo.
Tamanha confusão não passou desapercebido no céu. Calvera perdera Kardia de vista e a única pista que tinha era o também sumiço de Degel, deixando a cidade em polvorosa. Kardia sumira, deixou um vazio enorme em seu peito.
Esperava que após o fora que levara do burguês o fizesse esquecer o homem e ele fosse aceito no céu, mas ele desaparecera.
Isso fez a raiva aumentar. Não bastou a rejeição, ele foi procurar outra pessoa? Já basta!
Calvera esperou os anjos guerreiros saírem do depósito e o invadiu, pegando uma das armas. Era uma pistola com o cano mais longo, toda prateada, com detalhes em arabescos dourados.
–Farei Kardia voltar aos céus a todo o custo!
Seraphina havia ido a um pomar, enquanto Degel estava cuidando do único cavalo do castelo. Não era de raça, era mestiço, mas cuidado com muito afinco que parecia até mais belo que cavalos puro-sangue. Quando Seraphina estava ocupada, cuidar do equino era sua maior diversão.
Se sentia muito mais vivo do que quando estava em sua mansão.
Então ouviu um barulho estranho e o cavalo começou a relinchar, escapando de Degel, fugindo. O burguês se virou para trás e viu uma mulher linda, morena, com o rosto mais gélido que tinha visto. Só depois ele reparou nas asas brancas que ela tinha, iguais as que viram em Kardia no beco.
–Quem é você? – indagou o rapaz e tudo que ouviu foi uma risada.
–Quem sou eu? Isso não interessa, sua morte vai me devolver o Kardia, humano desgraçado!
Não houve tempo para reagir, nem sentiu a ferida do tiro queimar. Calvera, o anjo, atirara em seu coração, matando-o instantaneamente. Ela ria, vendo o sangue de Degel inundar a grama, enquanto os olhos azuis estavam abertos, numa expressão de susto.
Foi essa cena que Seraphina viu ao longe. As duas mulheres se encararam, Calvera ainda se divertindo com a morte do rival.
–Foi você quem fez isso? – indagou Seraphina, se aproximando do cadáver e o tomando em seus braços.
–Foi e agora Kardia poderá voltar aos céus!
Seraphina então começou a rir, deixando Calvera confusa.
–Eu matei seu amante, mulher idiota! Como consegue rir?
–Kardia jamais voltará aos céus. Mesmo que queira, EU não poderei voltar aos céus!
Das costas de Seraphina, uma única e solitária asa negra surgiu, cobrindo de Calvera a visão do cadáver de Degel. Demorou para o anjo feminino processar a informação.
–K-Kardia...? É... você?
Seraphina, ou melhor, Kardia, se levantou e, fazendo surgir uma espada, transpassou Calvera no peito.
–Eu fiz um pacto com o demônio e ganhei essa forma feminina para ter Degel comigo... Não bastou você me trair no céus, tinha que me trair aqui também, desgraçada?
Kardia puxou a espada para si, deixando o corpo de Calvera cair no chão, sem a menor assistência. Ainda na forma de Seraphina, ele arrancou sua última asa.
–Vai usar sua última asa, sua última vida para salvar esse humano? – disse Krest, que apareceu repentinamente no local.
–Eu irei. É o mínimo que posso fazer por ele.
–Você jamais voltará aos céus e quando renascer será um humano tão pecador quanto esse que está aí, morto.
–Eu sei.
–Que assim seja. – finalizou o demônio.
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