All the things he said
3 Capítulo 3: Apenas cale a boca e me ame!
Notas iniciais
– Bom dia Kagami-san.
– Bom di-i-a Kuroko _se espreguiçou.
– Como foi o feriado?
– Ótimo e o seu?
– ...ótimo? Achei que seu bairro tivesse sofrido com o vendaval, passou na tv.
Kagami congelou, será que estava tudo bem com seu apartamento?! Como passara o dia na casa de Aomine, acabaram nem ligando a tv.
– Ah... não dormi em casa, aconteceu alguma coisa com o meu prédio?
– Acho que não _tranquilizou o amigo _algumas árvores tombadas e falta de energia, apenas. Conheceu a Tia Margaret? Ela tem um ‘super aperto’ de mão, né?
– Sim... O que?! Nã-não! Quer dizer, sim, mas como? _tropeçou em seu próprio embaraço, Kuroko riu.
– Acho que precisamos conversar... _olhou ao redor _se importa de irmos até a cantina?
Faltando um pouco menos de vinte minutos para o inicio da primeira aula, o refeitório se esvaziava aos poucos, Kuroko e Kagami ocuparam uma mesa qualquer. O menor parecia um pouco incomodado com o assunto, não mais do que o amigo, mesmo assim tinham coisas a serem ditas o quanto antes.
– A Momoi-san descobriu, antes que você ligue irritado para o Aomine-kun...
– Eu não ia ligar xingando ninguém, isso não é um segredo _disse entre dentes.
– O que estou querendo dizer, é que ele é uma pessoa fechada e durona, por mais gentil que possa ser. O Daiki não vai vir reclamar da vida com a gente, muito menos ficar insistindo numa coisa que você não quer, é só que... somos seus amigos e não queremos vê-lo passando por isso. Não estou dizendo que você tem culpa, só tome conta dele por nós como puder.
– ...entendo.
– Ele é um cara legal, espero que... as coisas mudem.
O baixinho sorriu em compreensão, Taiga achou que levaria bronca, mas fora apenas para dizer que eles – Tetsu e Momoi – estavam cientes do que acontecia ao redor dos amigos.
“Não é como se eu... não gostasse dele, é apenas... insegurança? Não, medo talvez? Medo de tentar e acabar o machucando. Afinal, é possível que eu de repente não queira mais, é possível que eu acorde um dia e olhe com descaso para a pessoa que eu jurava estar apaixonado. Sim, sou esse tipo de pessoa. Já fiz isso tantas vezes, nunca me importei. Infelizmente esse monstro que vos fala está batendo de frente com alguém realmente importante. O que fazer? Confiar em mim...? E se acontecer outra vez? Nunca mais vou conseguir se quer pensar em Aomine Daiki sem sentir repúdio. Monstro, aberração, isso que sou. Apenas isso”.
Taiga contou nos dedos os meses que sucederam do jogo contra a Touou, quase sete. A mais de meio ano tinha se tornado amigo de Aomine, a mais ou menos cinco tinham ficado pela primeira vez, quase quatro tinham ido pra cama... depois disso o affair criado continuava, uma vez ou outra por quinzena se encontravam para fazerem algo diferente de basquete: iam comer, fazer compras, mas no fim eram todas desculpas para sexo. Kagami perdeu a capacidade de raciocinar de forma lógica, afinal ele estava ou não gostando de Daiki?! O mesmo acontecia com Daiki? Alguma coisa mudara nesses quatro meses?
Perguntas, perguntas cada vez mais complexas, com cada vez menos respostas.
“Hoje, vou resolver isso hoje”. Se levantou da quadra no qual tinha deitado para descansar.
– Ok pessoal, o treino acabou! _Riko anunciou, satisfeita com o rosto de cansaço dos meninos _amistoso na semana que vem, então não relaxem até lá!
– Riko!
– Hum?
Hyuga parou no meio do caminho, os outros integrantes olhando para o mesmo com sorrisos duvidosos no rosto.
– Aparentemente, o capitão perdeu alguma aposta entre os senpais _anunciou Kuroko para o distraído Taiga.
– Que tipo de aposta?
O moreno continuava a olhar para os lados, Riko, impaciente, perguntou se precisava de alguma coisa.
– Festival das estrelas (tanabata), vamos?
– Ah, vamos claro! Faz tem-
– Você eu, a sós _ajeitou o óculos escondendo assim parte do rosto, estava vermelho até a ponta da orelha.
– ...va-vamos sim... idiota _sorriu ficando igualmente vermelha, de orelha a orelha no mesmo instante! O time comemorou.
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– Tanabata? _perguntou a voz arrastada.
– Uhum, vamos? Só você e eu, será no tem-
– Não vai dar... foi mal.
– ...ah, tudo bem, então... jogo hoje a tarde?
– Não vai dar também.
– Aomine...?
– Desculpa, é só que... estou ocupado mesmo. A gente se fala Bakagami.
Desligou. Taiga olhou para o celular incrédulo. Coisas de Aomine Daiki ou caraminholas na cabeça de Kagami Taiga? Não ia se importar com isso, não mesmo! Os dois eram homens e amigos o suficiente para resolverem conversando um com o outro de frente, certo? Se o amante disse que estava só ocupado, então deveria mesmo estar e ponto.
Entrou na quadra de esportes com a cabeça baixa, compensaria o mau humor treinando pesado. Correu para a primeira bola que veio em sua direção e quicou com força no chão, seu olhar era ameaçador, acabou tirando todos de seu caminho antes mesmo de terem a chance de cumprimentarem o camisa 10. Era a primeira vez que passava por algum tipo de frustração, mesmo que tenha sido apenas coisa de sua cabeça.
Enterrou a primeira.
Se deixando levar, continuou a linha de raciocínio: estava Aomine o evitando? Ah fala sério, claro que não.
Enterrou a segunda.
O sexo era bom, os passeios agradáveis, ele até cozinhava!
Enterrou a terceira.
Nunca tinham brigado a sério, bom, se odiavam no basquete, mas era como um ódio por amor ou algo contraditório do tipo.
Enterrou a quarta. Kagami já estava mais calmo.
– Animado, uh? _sua técnica o cutucou nas costelas.
– Sim! _sorriu _quero treinar com tudo hoje!!
– Ótimo, 10 voltas na quadra só pra eu te ver sofrer um pouquinho, ok?
– ...Riko, você e o Hyuga estão saindo? _perguntou curioso, limpando o suor com a camisa.
A menina engasgou, escondeu parte do rosto atrás da prancheta antes de balançar a cabeça negativamente.
– Nos conhecemos há anos, acho meio estranho a ideia da gente sair... mas eu fiquei feliz de ter sido convidada para o tanabata, mesmo que tenha sido uma aposta.
– Não ficou brava?
– ... tenho certeza que o Hyuga não apostaria nada que realmente não quisesse, aah chega, vá correr!! 20 voltas!!
– Hey!
– Vai, vaaaai! _empurrou o maior em direção à quadra, ainda envergonhada. Taiga a viu como uma menina meiga e normal pela primeira vez, gostou dessa nova personalidade.
– Espero que dê tudo certo entre vocês! _gritou do outro lado, arrancando um resmungo de Hyuga e um olhar mortal da técnica.
Run Taiga, run!!!
O time se despediu, Kuroko, Hyuga, Teppei e Kagami se dirigiram para a avenida juntos, era nesse ponto em que cada um pegava o caminho para casa. Era nessa hora também que escolhia entre parar na quadra atrás da lanchonete ou seguir em frente; como não ia jogar com Daiki, resolveu dar um descanso para si mesmo. “Mas o que... espera” pensou alto enquanto esperavam o farol abrir, desde quando dependia do bluenette para perder horas na quadra? Olhou para os companheiros de time, mantinham uma conversa animada sobre o festival das estrelas que aconteceria no final de semana, queria ir afinal. Suspirou. Jogar sozinho não tinha graça, assim como ir ao festival, essa era a grande verdade.
– Kagami-kun, até amanhã _Kuroko se despediu de maneira educada.
– Até mais!... Kuroko, espera.
– Hum? Ah senpai, podem indo, vou conversar com o Kagami-kun.
Os amigos sorriram e continuaram a caminhar acenando de volta.
– Então?
– ...convidei o Daiki para ir ao festival, ele não quis.
– Você é uma menina por acaso?
Taiga o olhou descrente, porra! Estava sendo sério ali.
– O que ele disse exatamente? _refez sua pergunta.
– Que estava ocupado.
– Então ele está.
O ruivo teve vontade de rir, só podia ser piada ele estar se sentindo daquela forma, certo? Certo. Agradeceu o menor e atravessou a avenida, quase correndo – tentando escapar de sua vergonha. Essa seria a ultima vez!
O final de semana não foi o que ele podia chamar de divertido. Ficou em casa estudando para as provas finais e vendo seriados. Não saiu para jogar, uma vez que Riko proibiu a todos de treinar em lugar aberto caso esfriasse; teriam um amistoso em breve.
A vida de um estudante do ensino médio não deve ser subestimada. Além dos esforços óbvios para a formação acadêmica, eles ainda contam com atividades diárias em seus clubes, relacionamento com outros alunos, vida pessoal, família, alguns com casa para cuidar, emprego de meio período, animais de estimação e outros hobbies. Pais que dizem aos seus filhos que eles não fazem nada da vida e tudo ao redor é apenas mera obrigação, estão enganados, são pais que esqueceram que um dia, foram adolescentes com os mesmos problemas, deveres e direitos.
E essa ainda é uma pequena parte de um todo. Conflitos internos de alguém que está crescendo, tentando entender o mundo; quebrando limites impostos pela sociedade, descobrindo até onde podem chegar. Descobrindo o próprio limite! Lutando por causas perdidas, com medo de se tornarem adultos fechados.
Como pais ainda podiam dizer que um estudante do ensino médio era comparável a um animal de estimação? Só por que ganham casa e comida? E isso não é obrigação dos próprios pais?
Aomine fechou os olhos, estava cansado, seu corpo pedia por algumas horas de sono. Olhou no relógio no canto da mesa, quase oito horas da noite. “O tanabata...”. Imaginou Taiga de kimono, estranhou, preferia o ruivo com suas roupas costumeiras, ou então de uniforme da Seirin... não, com o uniforme da equipe japonesa de basquete. Sorriu.
Duas semanas depois.
– Dispensados! Dois dias para descansarem até os resultados finais e espero que ninguém precise de recuperação!
Kuroko se espreguiçou, finalmente livres, apesar de parecer nerd, odiava o período de provas. Se virou para encarar o amigo, que agitado, não sabia se saia da sala ou mexia no celular.
– O que aconteceu?
– Nada... _mordeu a unha _parece que estamos praticamente de férias agora _comentou a esmo.
– Sim, os treinos também acabam hoje.
– Ótimo _largou o celular em cima da mesa e se levantou _vou ao banheiro antes de irmos almoçar.
Kuroko assentiu, a tela do aparelho acendeu e ‘quase nada curioso’ espiou quem lhe mandava mensagem: Tatsuya Himuro.
Não sabia muito a respeito de tal pessoa, apenas que era o tão estimado irmão de Taiga e que atualmente estava no Japão jogando ao lado de Murasakibara. Não estranhou, afinal era normal que eles se falassem depois de tantos anos. De repente algo lhe veio a mente, fazia dias que Kagami não dizia mais nada a respeito de Daiki, tinham voltado a jogar normalmente? Contou nos dedos, cerca de duas semanas desde a ultima conversa.
– Tetsu! Vamos comer na cantina hoje e traga meu celular por favor!!
“Yosen é?...” Foi seu ultimo pensamento antes de ir de encontro com os companheiros de time.
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Férias, Seirin resolveu que deveria comemorar o quanto antes, já que alguns integrantes iriam viajar com suas famílias. O local escolhido fora novamente um restaurante qualquer no centro; era um bando de homens juntos afinal...
Kagami chegou em casa animado, dessa vez não cometeria o mesmo erro, ficaria pronto para sair no horário certo! Ajeitou as roupas em cima da cama ao mesmo tempo em que tentava discar o numero correto, Himuro finalmente tinha dado sinal de vida, não poderia deixa-lo passar ou perderia a chance de rever seu irmão.
Esperou alguns toques até ouvir a voz calma do outro lado.
– ‘Night! How are u, bother?!
– What’s up!!!!, for God! Let’s party tonight!!!
– Festa? Do que está falando seu maluco? _riu do outro lado da linha.
– Vamos jantar aqui perto, quero que venha conosco. Vamos lá, o pessoal é de boa... por favor! _completou tendo a certeza que convenceria Himuro.
– Of course, o que eu não faço por você!
Ambos sorriram, o ruivo levou a mão até o anel de forma inconsciente.
– Mando o endereço por mensagem então.
– Até logo, Taiga. Senti sua falta.
– ...eu também.
O silencio que se formou por um breve momento logo foi quebrado por Himuro, que se despediu e desligou. Kagami respirou fundo, terminaria de se arrumar em um instante, só precisava de um pouco de musica!
Um pouco antes das 19:00, o ruivo já esperava do lado de fora do Outback, assoviava qualquer coisa enquanto esperava os amigos. Seu irmão fora o primeiro a chegar, sorrindo de longe e trazendo uma sacola nas mãos. Foi prontamente abraçado pelo outro, não se importaram se ali era o Japão ou os EUA, tinham pressa em acabar com a distancia entre eles; se afastaram depois do abraço apertado, riram em seguida, as correntes se enroscaram.
– Isso tudo é saudades do seu irmão?!
– Sim! _fazia sua segunda tentativa frustrada de desenroscar as joias, suas mãos estavam tremulas e Himuro percebeu.
– Deixe comigo... então, o que me conta? _libertou-os um do outro para só então lhe fitar os olhos acima dos seus.
– Ah, o de sempre... jogos, treinos, provas e você?
– Idem, bom, vou para os EUA nas férias.
Taiga abriu a boca para responder, mas foi cortado por Hyuga, Teppei e Riko. O trio animado logo contagiou os irmãos.
Não muito longe do horário marcado, Kuroko andava sem pressa, tinha se atrasado pela primeira vez devido a um acidente. Caiu com um copo nas mãos e cortou o rosto, mas nada que merecesse sua atenção, o homem ao seu lado, porém, reclamou duas vezes para que o menor colocasse pelo menos um band-aid – sim! Cortes também infeccionavam, porra! – e fê-lo parar na farmácia atrasando a ambos. Quando chegaram ao local, o grupo já havia entrado, foram recepcionados por Teppei que fez a gentileza de encontrar ambos na entrada.
– O que aconteceu com seu rosto, Kuroko?
– Me cortei com um copo, não foi nada de mais, mesmo.
– Que bom _sorriu aliviado _faz tempo que não nos víamos Aomine-san.
Ambos estenderam os pulsos para o cumprimento costumeiro.
– Acabamos de entrar!
– Vieram todos?
– Sim, ah, temos um convidado a mais.
O menor deixou seu sorriso morrer, ele sabia quem era, ou pelo menos tinha um bom palpite. Não tinha nada contra, também não tinha nada com o que se preocupar, porém se deu a liberdade de não se sentir a vontade.
Eles se aproximaram da mesa, como previsto, Himuro estava entre eles contando alguma coisa extremamente engraçada, pois fazia até mesmo Riko rir. Com Kagami rodeado pelo irmão, Hyuga e Riko, coube aos dois sentarem do outro lado da mesa, longe do ruivo. Aomine desviou o olhar de todos ao perceber quem era o convidado especial, ele não fez por querer, mas entendam, era um jantar com o time da Seirin, os únicos que poderiam tê-lo convidado eram Taiga e Tetsu, e o amante nem mesmo se lembrou do bluenette – ou assim parecia ser. Por insistência do menor acabou indo, seria uma boa oportunidade para conversar com todos. Claro, Aomine disse a Taiga que estava ocupado e isso a duas semanas atrás, obvio que não seria convidado pelo mesmo, certo? Aliás, ainda devia desculpas!
Mesmo assim... tinha que ser justo aquele cara?
– Tetsu você demorou! E ai, Daiki _estendeu o pulso.
– Bem? _retribuiu o cumprimento voltando ao seu lugar rapidamente.
A noite passou em águas mornas, muitos risos e abraços apertados numa despedida temporária até o final das férias. Daiki se sentiu distante, todos contavam historias antigas nas quais ele não conhecia, Tetsu realmente fizera bons amigos, estava feliz por isso. Kagami por sua vez interagia com o irmão em inglês na maior parte do tempo, num mundo só deles, entrando em nostalgias das quais ninguém jamais faria parte.
Aomine olhou para a caneca de chopp em suas mãos, ainda era a primeira e não sairia dela pelo visto. Prestava atenção na musica ambiente, claro sinal que seus pensamentos estavam bem longe dali. Vez ou outra seus olhos recaiam sobre as joias penduradas nos pescoços dos irmãos, e em todas elas seu interior gelava exatamente como naquela vez em que tentou toca-la. Já era demais, não? Mesmo que Taiga não estivesse apaixonado por Tatsuya, seus sentimentos eram muito mais sinceros e puros do que aquele sentido por ele. Sorriu num gesto automático escondendo os pensamentos ruins dentro de si.
Terminaram de comer já era tarde, Aomine se despediu do grupo; Tetsu, porém segurou seu braço quase que implorando para que não fosse.
– Como assim já vai, Ahomine! _disse Taiga animado, dando um leve tapa na cabeça do mesmo _ainda está cedo.
– ...fala serio, tenho coisas para fazer ainda, não sou desocupado como vocês.
– Que pena. Se bem que iremos logo também _apontou para Himuro _vou leva-lo no aeroporto amanhã a tarde.
– Até... Adeus Bakagami _o provocou dando meia volta e se livrando de Tetsu.
– Oe, me cumprimente direito seu retardado!
Aomine se virou sorrindo, apesar de não terem se falado a noite toda praticamente, pelo menos iria se despedir direito. Taiga apenas ergueu a mão para que o outro batesse nela, o fez e então reparou na sacola pendurada em seu braço, seus olhos voaram para Tatsuya que no mesmo instante ficou sem graça.
Teppei fora o próximo a se despedir, com sua lesão não podia ficar muito tempo fazendo esforço físico e se lamentara por isso. Os outros decidiram ir a um karaokê e a noite terminou com Taiga cantando – ou pelo menos tentando – Green Day para o irmão em respeito aos velhos tempos.
My shadow's the only one that walks beside me
My shallow heart's the only thing that's beating
Sometimes I wish someone out there will find me
'Till then I walk alone…
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“Basquete hoje?”
Há tempos o ruivo não recebia tal convite, ficou olhando para a tela até a mesma se apagar. Infelizmente não ia poder, ficou amuado pensando em como encaixar algumas horinhas no seu dia antes de ir até o aeroporto, porém estava com a agenda cheia. Tinha decidido de ultima hora ir para os EUA junto de Himuro, conseguira comprar a passagem pela internet na noite anterior quando chegara em casa. “Ainda nem arrumei as malas...” pensou preguiçoso.
7:50 da manhã, parando para pensar, Aomine tinha batido seu próprio recorde acordando aquele horário, estava acontecendo alguma tragédia para ele cair da cama tão cedo assim? Ponderou por mais alguns minutos... “Caralho” se xingou três vezes seguidas. Mal dera atenção ao amante no jantar, ficou tão hipnotizado com a presença do irmão que acabou dedicando toda sua atenção a ele. Às vezes lhe procurava com os olhos, mas o camisa 5 sempre estava distante, conversando com Kuroko ou somente ouvindo Hyuga falar sem parar sobre qualquer coisa do passado. Sentiu remorso. Algumas coisas estavam ficando para trás, ele ainda queria saber o que Daiki fizera de tão importante nas duas ultimas semanas que não pode encontrá-lo e outra, tinha se decidido resolver a situação deles de uma vez por todas. “Até tinha me esquecido disso...” Pendeu a cabeça para trás, ir viajar agora era prioridade, Aomine poderia esperar mais uma semana, certo?
Voltou a acionar o celular para digitar a resposta, começou a escrever quando o aparelho vibrou em sua mão.
“Por favor”.
Travou, Aomine lhe pedindo ‘por favor’ para jogarem basquete, as 7:50 da manhã? Definitivamente...
Mordeu os lábios, tudo bem, iria o encontrar antes do almoço e então partiria para o aeroporto em seguida. Poderiam até não jogar, porém teriam tempo para conversarem pelo menos um pouquinho. Levantou rapidamente e começou a jogar qualquer coisa dentro da mala de viajem, ligou para Tatsuya dizendo que o encontraria no saguão de entrada do aeroporto às 15 horas sem atrasos e correu para tomar um banho.
A quadra do Maji Burger se encontrava animada, duas semanas sem os meninos (e com eles ausentes, outros grupos voltaram a frequentá-la). Antes, ninguém tinha real coragem de chegar perto quando os dois monstros do basquete estavam apostando suas dignidades no mano a mano. Naquela tarde de Sábado, porém, algumas pessoas se divertiam tentando copiar os reis da NBA.
– Ah droga... está cheio _resmungou Taiga. Se ali estava ocupado então onde estava Aomine? Tirou o celular do bolso, mas não foi preciso, encontrou o amigo encostado na grade, do lado de fora da quadra _Daiki! _chamou sua atenção.
– Opa, demos azar.
– Tudo bem, vamos pra outro lugar.
Eles caminharam em silencio até o shopping, Aomine parecia um pouco abatido.
– Você está bem?
– Ah... insônia _coçou a nuca, constrangido _desculpa de mandar mensagem aquela hora.
– Cala boca, eu te ligo só pra encher o saco esqueceu?
– Verdade, você é bem mais sem noção _deu um risinho nervoso.
– ...vai me dizer o que tem ou não?
– Não tenho nada, só... queria que não tivesse ninguém na quadra _deu os ombros.
– Daiki _segurou seu braço, o puxou para um dos bancos ao redor do fliperama e sentou ali _vou ficar uma semana na América, estou indo hoje. Não queria ir pra lá sem ter a certeza que está bem.
– ...e o que importa?
– Como assim, é claro que importa! Você é meu amigo caralho.
– O Tetsu e a Satsuki também, não precisa se preocupar.
Ainda em pé, Aomine virou seu rosto para a entrada do fliperama.
– Daiki, olha pra mim.
– Você não é a minha mãe.
O ruivo soltou um risinho, quando na vida achou que o ás de Touou fizesse birra? Não, aquilo era demais. Era fofo demais.
– Vamos jogar _passou por ele entrando na loja _tem uma cesta de basquete lá, lembra?
– Idiota, quantos anos acha que temos?
A competição fez ambos se esquecerem, momentaneamente, do que tinham a dizer, o casal acabou animando mais do que o necessário e novamente saíram com um punhado de fichas. Menos tensos, ambos caminharam até a praça de alimentação com Milk shakes nas mãos.
O local estava lotado, Taiga olhou de canto para o relógio, tinha pouco tempo.
– Então... o que fez nessas duas semanas, Ahomine? _Aomine estremeceu.
– Nota baixa, tive que ralar para passar nas provas finais se não seria expulso do time de basquete por normas da escola, meu pai ficou enchendo saco... foi um tédio.
– ...aaaaaah, sério?! _riu em alivio _que matéria?
– Biologia.
– Que burro você, brincadeira!!! _ergueu os braços se rendendo.
– Achou que eu estava te evitando é? Coitadinho _mostrou a língua levando um chute na canela _puta que pariu! Doeu seu... arg!
– Cala essa boca boqueteira ai, vai!
– ...
De repente o rosto de Daiki enrubesceu, seus olhos miraram as mãos de Taiga que estavam espalmadas sobre a mesa.
– Eu gosto de você. Não te evitaria por nada, mesmo que você não sinta o mesmo, eu ainda... gosto muito de você.
A confissão parou o tempo para Kagami, ele olhou para os lados, depois para Aomine novamente. Seu coração bateu sem ritmo por alguns segundos e a garganta secou.
– Dai...
– Não precisa, só não se afaste de mim... por favor. Mesmo que nem queira mais sair... ou transar, ainda assim que sejamos amigos... como a Satsuki e o Tetsu.
Foi demais, Daiki acabara falando demais. Seus olhos marejaram sem que pudesse conter, levou a mão sobre eles tentando esconder, falhou, as lágrimas correram bochecha a baixo atingindo as roupas do moreno.
Kagami se levantou e deu a volta na mesa, pegou o amante pelo outro braço e o puxou indo em direção à saída que ficava ao lado; Daiki o acompanhou de cabeça baixa, com vergonha, com medo.
– Seu idiota, por que? _disse em meio a passos largos, só parou quando passaram pelas portas duplas de vidro _você é tão importante, mas tenho tanto medo disso não dar certo! E se amanhã eu não quiser mais, que tipo de filho da puta eu vou ser?!
Aomine se cansou do falatório, desesperado, alcançou os lábios a sua frente.
– Eu não me importo, mesmo que me odeie, não desista agora. Você foi o único que prometeu que não desistiria! Foi o único que não desistiu, foi o único que me venceu!
– ...
– Vai quebrar sua promessa agora, Kagami?
O choque das palavras empalideceu o ruivo, a um segundo atrás era Daiki quem se mostrava frágil e perdido, agora a situação se invertera. Como era burro, não tinha decidido resolver a situação entre eles com a ajuda do amante? Por de repente não sabia mais o que responder? Respirou fundo, Aomine tinha razão, iria desistir agora por que? Tinha sido aceito do jeito que era... finalmente alguém conseguiu chegar até ele e aceitá-lo mesmo sabendo que era um monstro.
Seu coração ficou leve, estendeu os braços para um abraço.
– Tem razão... quem disse que eu vou perder pra isso? Vou me esforçar até o final por nós dois _Daiki assentiu _nesse momento, não quero te largar de jeito algum... _o abraçou com mais força.
– ...não diga idiotices, vai viajar tranquilo.
Kagami tirou o celular do bolso.
– Seria impossível ir agora _sussurrou no ouvido dele _vamos para minha casa, Los Angeles não vai sair do lugar.
O casal atravessava as ruas com passos largos, Taiga se mantinha um pouco a frente, mas ainda puxando Aomine pela mão, ele falava afobado com Himuro lhe pedindo desculpas pelo imprevisto e dizendo que iria no dia seguinte ou no outro para Los Angeles. Desligou rapidamente ao passarem pela portaria do prédio.
O clima entre eles era de ansiedade, as mãos entrelaçadas estavam tremulas, suadas, eles não ousavam se encarar. Quando finalmente entraram no elevador, vazio, Kagami puxou-o para um abraço escondendo o rosto na dobra do pescoço do moreno. Aomine pode ouvir seu coração descompassado.
As chaves fizeram um barulho seco ao caírem no carpete de madeira do hall de entrada e apesar do escândalo, foram ignoradas pelo casal que atravessou a sala em meio a beijos necessitados. Taiga fora empurrado sobre sua própria cama, mas diferente do que a força sugeria, o gemido fora de satisfação; aproveitou para arrancar a camiseta e desabotoar o jeans podendo finalmente liberar a ereção já dolorida pelo confinamento. Viu o parceiro fazer o mesmo, seus olhos o comeram vivo quando ficou totalmente nu: Kagami venerava a pele morena e macia, os músculos todos aparentes e a cintura definida, sim, a cintura era a parte que mais lhe chamava a atenção. Salivou. Não esperaria mais um segundo sequer! Avançou sobre o outro mordendo seu ombro com vontade, com uma das mãos apertou o mamilo esquerdo conseguindo arrancar um longo gemido. Sua nuca arrepiou, como o amante conseguia fazer aqueles sons são sensuais?
– Daiki... _sussurrou o nome que tanto amava no ouvido desse.
O moreno lhe arrancou o resto das roupas com violência, queria sentir o corpo a sua frente por inteiro, roçar em cada parte da pele quente, o convidar a melhor noite de prazer da sua vida! Deitou ambos na cama, ficando por cima, aproveitou para esfregar as ereções provocando-o.
– Está bom, Taiga? Quer mais? Hum... vai, me diz o que você quer...
Dizia ofegando em cada frase, não esperou a resposta óbvia para continuar, começou a masturbação dupla enquanto o beijava mais e mais.
Naquele dia o sexo fora diferente, não foi menos ou mais prazeroso do que as outras vezes, nem menos ou mais convidativo... foi apenas diferente. Toda vez que Aomine olhava para o ruivo abaixo de si, sentia satisfação em dar prazer ao mesmo, em poder beijá-lo com carinho, em poder ser o único a ir para a cama com ele. Isso era algo que já lhe perpetuava no peito, mas agora tornara concreto. Da mesma forma, Kagami sentia também as mudanças depois dos desabafos daquela hora; nunca o amante fora tão quente.
O quarto, agora escuro, era preenchido apenas pelos barulhos de sexo, a voz rouca de ambos davam vida ao lugar num ritmo constante, malicioso. O moreno parou de se mover por um instante, a sensação era tão gostosa que queria prolongar apenas mais um pouco. Mais e mais um pouco.
– Hn... vou gozar _resmungou, ainda se concentrando para não.
– Daiki... me deixe tentar...? Vamos trocar.
De fato, apesar de terem ido pra cama outras vezes, eles não chegaram a trocar de lugar totalmente. Taiga já tinha experimentado usar os dedos para fazer o outro gozar – e deu bastante certo – porém, por alguma razão eles nunca seguiram adiante. Já com o raciocínio defasado pela onda de prazer que sentia, Daiki concordou mudando de posição e ficando de quarto; isso fez seu amante ficar de boca aberta, quem diria?! Suplicou num pedido mudo que não demorasse, pois precisava chegar ao orgasmo o quanto antes.
Kagami distribuiu leve mordidas nas costas suadas, começou como deveria fazer se não quisesse machuca-lo arrancando um olhar mortal de Aomine.
– Calma... _pediu sussurrando em seu ouvido _vamos fazer bem gostoso...
Já com pratica previa do que deveria fazer, não fez questão de demorar muito, apenas o suficiente para que o outro se acostumasse com a sensação e para que o lubrificante fizesse sua parte. Quando julgou se o suficiente, se afastou minimamente passando de leve a cabeça de seu pênis na entrada do outro. Iria torturá-lo só um pouquinho.
– Posso ir?
– Anda logo... vai Taiga... vai! _empinou o quadril mais um pouco tentando encostar na ereção que teimava em escapar.
– Tudo isso é tesão, Daiki?
– Sim... uhum, vai... isso! _agarrou o pulso afim de puxa-lo para mais perto quando sentiu que Taiga começara enfim a penetra-lo.
O ruivo tentou ser o mais paciente possível, mas aquele desgraçado ficava o incentivando a ir cada vez mais fundo! Se segurou o máximo que pode antes de agarrar de vez sua cintura e estocar com força. Força essa que fez Aomine espalmar a mão na cabeceira da cama ao mesmo tempo em que seu tom de voz encobria qualquer outro ruído no ambiente.
Pensou que por um momento, poderia tê-lo machucado... bobagem, a expressão de prazer era tão forte no rosto do amante que se perguntou o porque deles não terem feito daquela forma antes. Focou sua atenção nos movimentos contínuos, Aomine já dizia palavras sem nexo, não prestando a menor atenção no que acontecia ao seu redor; o ruivo levou uma de suas mãos para ereção alheia e logo foi envolvida pela própria mão de Daiki acertando força e ritmo. A outra continuava em sua cintura a fim de dar segurança nos movimentos. “Vamos, só mais um pouco...”
– Não para! Agora... vai!! VAI!
Foi impossível não atender o pedido, Taiga deu tudo de si nas ultimas estocadas até acabar por gozar também – talvez até ao mesmo tempo que Daiki, ele era incapaz de responder.
Kagami deixou seu corpo cair ao lado de Aomine, o puxou para perto num abraço de urso.
– Está tremulo... _ Daiki comentou distribuindo beijos nas mãos que o apertavam.
– Você também.
– ...hey, amo você.
Taiga não teve coragem de dizer o mesmo, talvez por vergonha, talvez por medo, mas abriu um largo sorriso.
O casal adormeceu, durante as poucas horas de sono, não se moveram de suas posições. Aomine fora o primeiro a despertar, incomodado com o liquido escorrendo entre suas pernas foi obrigado a levantar – tomaria um banho mesmo sem a permissão do dono da casa. “Isso dói mesmo!” Fez uma careta cômica ao se levantar, não quis imaginar como seriam os próximos dias.
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Aeroporto de Narita, 14:45
– Volto no Domingo, finalmente vou passar uns dias na América! _espreguiçou no banquinho da sala de espera.
– Vê se não seja mão de vaca e agrade seu namorado quando for fazer compras.
– Pode dei- ...oi? Namorado?
Daiki limpou a garganta, claro que eles não tinham feitos juras de amor nem nada do tipo, mas vamos concordar que estavam juntos oficialmente agora! Por que não usar a terminologia ‘namorados’?
– Jordan e Tommy Hilfiger? _abriu um sorriso malicioso ao imagina-lo de camisa, como um homem conseguia ser tão sexy de camisa?!
– No mínimo _cruzou os braços _isso ai é pra você _indicou a sacola de papel que fora deixada de lado quando se encontraram alguns minutos mais cedo.
– Que isso? Se é para mim, então me entrega direito! Ahomine.
Ele estreitou os olhos, estava com vergonha de entregar a lembrancinha, Kagami porém não amenizou a expressão autoritária e ele foi obrigado a ceder.
– ...eu troquei as fichas no fliperama _resmungou _mas não tinha nada melhor.
Taiga abriu o pacote, não pode conter o riso quando viu o presente; deu um beijo amável na ponta do nariz de Aomine que corou com violência.
– Pa-pare com isso, Taiga! Todos estão olhando!!
– Não me importo, obrigado por isso! Vai me fazer companhia na viajem.
– Quantos anos você tem?!
– Vai se chamar Mine-chin.
– Não coloque meu nome nisso!! Oe, está me ouvindo, KAGAMI!
O ruivo abraçou Daiki antes que ele pudesse tirar o ursinho de suas mãos, era o primeiro presente que ganhara desde sua vinda ao Japão – estava realmente feliz – com aquele gesto, tentou transmitir toda sua segurança em relação aos dois, além de carinho e infinita admiração.
– Eu sei que já estamos juntos, mas... _disse ainda sem soltá-lo _quer namorar comigo, Daiki?
All the things he said
Running through my head
All the things he said
This is not enough
I keep asking myself, wondering how
I keep closing my eyes but I can't block you out
Wanna fly to a place where it's just you and me
Nobody else so we can be free
FIM.
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