All that I want
3 Capítulo II - Gift of a friend
Notas iniciais
Quem diria que as melhores soluções estariam onde você menos pensaria em procurar? Piper McLean, a solução de Annabeth, era filha de um ator de cinema muito famoso que não tinha tempo para ela, mas não foi por isso que a colocou em um internato. Diferentemente do pai de Annabeth, Tristan se importava com Piper, mas ela não era exatamente fácil de se lidar. Vivia se metendo em confusões de todos os tipos, e na mais recente tentativa de chamar a atenção do pai, roubou uma BMW. Não é que ela precisasse de dinheiro, mas depois de dezesseis anos ela precisou elevar um pouco o nível.
Depois ela devolveu, claro, e pediu desculpa, mas o problema que causou para o pai fora tanto que ele não teve outra escolha se não colocá-la em um internato. E foi lá que conheceu Annabeth
Elas não eram lá muito próximas, não se falavam todo dia e nem sabiam tudo uma da outra, mas eram o mais perto que tinham de amigas por ali, o que já era dizer alguma coisa. Eram parceiras de laboratório nas aulas de química, e foi assim que se conheceram. Foi também assim que os problemas de Annabeth começaram a parecer um pouquinho menores.
Oi Piper virou-se para dizer quando ouviu alguém sentar ao seu lado. Uau, tudo bem com você?
Porquê? Ela franziu as sobrancelhas de um jeito engraçado.
Ah, você tá diferente.
Annabeth era muito bonita, mas mesmo assim (ao contrário de Piper) ela realmente se importava com a aparência. Nunca, nem uma só vez Piper a tinha visto com o cabelo bagunçado, roupas que não parecessem ser de grife e sem maquiagem, então claro que estranhou. Era uma imagem comum naquela escola, na verdade, e por isso foi surpreendente descobrir que Annabeth não era igual a todas as meninas dali. Ela era inteligente, não era fútil nem mimada, e foi a única pessoa que não fez com que Piper se sentisse totalmente deslocada, se é que isso poderia ser possível.
Além de não ter uma personalidade compatível com ninguém que conheceu ali, ela não cresceu sendo incentivada a tentar ser uma super modelo. Quando tinha tempo para ela (ou seja, quase nunca), seu pai preferia gastar o tempo tentando ensiná-la a surfar, andar de skate ou de patins do que lhe dizer como deveria se vestir.
Aconteceu alguma coisa? Perguntou, parte por educação, e parte por que queria saber que motivo seria tão importante ao ponto de fazer Annabeth ignorar todos os padrões de beleza que ela obedecia quase que obsessivamente.
Sim. Meu pai é um idiota.
Piper riu. Conhecia muito bem esse sentimento. Escutou pacientemente e sem interromper enquanto Annabeth descrevia a briga da noite anterior. Ficou um pouco chocada com o fato de ela quase não alterar a expressão do rosto. Como ela consegue? Se fosse comigo, nem viria para a escola, pensou. Era uma situação difícil, e ela não sabia muito bem o que dizer. Seu pai poderia tê-la mandado para esse lugar horrível, mas duvidava que ele jamais tivesse a coragem de fazer algo assim. Deserdar a filha, por um motivo banal como esse? Isso era cruel.
Annabeth, eu sinto muito.
Está tudo bem, vou dar um jeito sorriu de uma maneira não tão convincente, como se disssesse mais para si mesma do que para Piper.
Você já tem alguma ideia do que vai fazer? Talvez eu possa te ajudar Não é melhor você sair do apartamento e vir ficar em um dos dormitórios da escola?
Para o próximo semestre seria uma solução. Mas a gente vai sair de férias daqui uma semana.
É verdade. Piper não tinha pensado nisso. Mais uma semana e voltaria para casa, veria o pai, o que com certeza não queria, e depois seria mandada de volta. Mas e se ela não tivesse que voltar?
Annabeth! — disse, talvez um pouco alto demais. Eu tive a melhor ide
Todos calados! Só porque essa é a última aula não quer dizer que vocês terão moleza gritou a professora assim que pisou na sala, não a deixando terminar a frase.
Depois eu te falo sussurou para Annabeth.
A aula passou devagar para Piper, que tinha várias ideias surgindo na sua cabeça. Sabia como ajudar Annabeth. Sabia exatamente o que fazer. Mas será que ela toparia? Seria uma solução boa para as duas, mas não se sentia muito á vontade pensando assim. Elas mal eram amigas. O que Piper sabia sobre ela se resumia á que ela era bonita, inteligente, tinha um temperamento um pouco difícil e não ficava no colégio como a maioria das pessoas ali. Agora, com todas essas informações novas de pai terrível e estar falida, Piper sentia que, de algum modo, estava invadindo sua privacidade. E se ela estivesse indo longe demais?
Quando a aula finalmente acabou, elas não tiveram muito tempo para conversar, mas combinaram de se encontrar no almoço. Não foi nada fácil para Piper conseguir formar as frases direito com Annabeth a encarando com aqueles olhos inexpressivos, mas bem ou não, ela conseguiu dizer o que queria.
Você está dizendo que a gente deveria dividir o apartamento? ela perguntou, cautelosa.
Sim! Olha, tudo bem se você não quiser, é só que pareceu uma boa ideia na hora
Não, não! Annabeth a interrompeu É uma ótima ideia! Ajuda muito, mas não é uma solução. Mesmo se a gente dividir as contas, eu ainda preciso de um jeito para conseguir dinheiro, sabe?
Entendi. E você tem algum emprego em mente?
Nada. Mas eu procurei pouco, então talvez ainda consiga alguma coisa. É díficil, eu não tenho experiência profissional em nada, e o que eu sei fazer é muito limitado.
Tipo? Perguntou, meio duvidosa. Annabeth era inteligente, não é possível que não soubesse fazer nada.
Ah, sei lá. Eu fiz uns cursos, de teatro, de dança, de música
Espera aí Piper interrompeu. Você dança?
Sim, porquê?
Annabeth disse Eu sei um lugar onde você pode tentar.
Piper explicou. Era uma academia de dança, não muito longe dali. Ela só entrou uma vez, pra cumprir um desafio idiota longa história , mas acabou que todas as informações que recebeu da recepcionistas se mostraram úteis. Não era profissional, provavelmente não pagaria muito, mas talvez fosse o suficiente. Claro, Annabeth não era professora, mas quem sabe ela não poderia dar aulas para as crianças? Não era uma ideia genial, mas servia.
Piper, isso é muito útil. Eu vou tentar, muito obrigada ela sorriu, e Piper sentiu-se bem de poder ajudar.
De nada. E quanto dividir o apartamento, eu vou falar com o meu pai. Eu te aviso, o.k.?
O.k.
O.k. elas riram. Annabeth sentiu como se as coisas talvez não fossem tão ruins assim.
Mais tarde, quando as aulas acabaram, Annabeth foi até a academia, seguindo as instruções de Piper. Annabeth passou por todos os arredores do Central Park e nada. Teria ligado, mas o celular estava sem bateria.
Quando já tinha desistido e estava voltando pra casa, ouviu o barulho de algo arranhando o chão e um impacto, e, quando notou, tinha seu corpo esmagado contra ao chão, com alguma coisa bem pesada fazendo suas costas doerem.
Ai gemeu.
Ai, meu, Deus. Droga, que droga, que droga. Você está bem? perguntou o que quer que fosse que estava fazendo peso nas suas costas. Acontece que o que quer que fosse era um skatista, que esbarrou nela e agora estava a ajudando a levantar. Ele era bonitinho, alto, tinha um jeitinho meio desengonçado e tinha cara de quem atraía problemas muito facilmente. Não fazia seu tipo. Exceto pelos olhos, ridiculamente verdes, mas não era a maior das suas preocupações no momento.
Olha, desculpa, quando eu vi você já não dava mais pra virar e
Não, não, tá tudo bem ela apressou-se em responder. Ele parecia o tipo que não pararia de pedir desculpas nunca se ela não interrompesse. Só me diga que eu não tenho sangue na cara e está tudo resolvido.
Ele riu, e ela resolveu que ele também tinha um sorriso bem bonito.
Não, você está ótima. Tem alguma coisa que eu possa fazer para ajudar?
Não, está tudo bem.
Okay.
Quando ele pegou o skate do chão e virou as costas, pronto para ir embora, Annabeth o chamou de volta. Ei, ele era bonitinho. E educado! Quando foi a última vez que alguém (com exceção de seus professores) foi atencioso ela nessa cidade tão apressada?
Na verdade, tem sim. Você sabe onde tem uma academia de dança por aqui?
Ele parou um pouco, como se para lembrar de alguma coisa. Então olhou para ela e arqueou uma sobrancelha, o que fez ela se sentir idiota por perguntar.
Sei, você quer que eu te leve?
Seria ótimo, obrigada ela sorriu.
Ele deu um sorriso de lado, meio envergonhado, e Annabeth sentiu-se ainda mais idiota por ter feito isso. Ela poderia simplesmente voltar em um outro dia com Piper, mas claramente ela vem fazendo ótimas escolhas.
Antes que ela pudesse querer morrer de vergonha e sair correndo dali o mais rápido que pudesse, ele fez menção para que ela o seguisse.
Eu sou Percy, aliás.
Annabeth ela disse, estendendo a mão que ele aceitou de modo desajeitado. Bom te conhecer.
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