All that I want

2 Capítulo I - I'm a mess


Notas iniciais
Leiam as notas finais ♡ Ou não leiam né, ler a fic já tá bom haha ;)

Frederick Chase, pai de Annabeth, ensinou-a logo cedo de que a sorte não passa de uma desculpa que perdedores usam para culpar pelo seu fracasso, mas ele também nunca deixou que ela acreditasse no Papai Noel, então é fácil ver que ele não é o tipo ideal de pai. Mas, mesmo com esse modo meio frio de criar a filha, ele sempre deu a ela todas as roupas que ela queria, todos os presentes, todas as aulas, tudo o que ela pedia, mais porquê ele podia e queria manter a imagem (de homem rico que tudo pode) do que por amor a ela, mesmo.

Quando ela tinha 5 anos, ele casou-se de novo. Sua madrasta não era de todo o mal, mas sempre que a olhava era como se ela fosse um lembrete constante — e doloroso — de que seu marido tivera algo com outra mulher. Antes que ela pudesse perceber, seu pai já lhe olhava assim também —, apenas uma lembrança dolorosa de algo que ele queria esquecer.

Um ano depois, seus irmãos nasceram. E se seu pai já era distante antes, depois de dois lindos bebês gordos e adoráveis virem ao mundo, ela não seria exatamente o centro das atenções. Mas, seu pai não a esqueceu. Ah, não. Ele continuava enchendo-a de presentes. Não ia comprá-los, não gastava um segundo sequer pensando em o que comprar para ela, mas sempre haveria empregados para isso. A cada dia que se passava, ela se via menos incluída no conceito de família que eles estavam construindo. Mas mesmo assim, seu pai a presenteava com tudo que ela ainda não tinha, esquecendo que o que ela mais precisava era atenção, amor e carinho.

Quando foi notar, Annabeth passava mais tempo nas aulas de teatro, de balé, de música e do que quer que fosse do que em casa. Era mais fácil criar laços com seus professores do que com seus pais. Era mais fácil entender palavras longas e difíceis, notas musicais e passos complicadíssimos do que entender porquê seu pai a tratava com tanta indiferença.

Quando fez 15 anos, seu pai a mandou para Nova York, para estudar em uma escola particular onde, aparentemente, os filhos de todas as pessoas importantes estudam. Annabeth se incomodaria com isso se ela não tivesse crescido em meio dessas pessoas. Claro que nem todas eram terrivelmente arrogantes, mesquinhas e egoístas, mas sim, isso se aplica para a maioria. Ela só não se tornara um deles – como seu pai queria – porque nunca achou que fizesse parte desse grupo. Mas, se não gostava daquelas conversas fúteis e do exibicionismo exacerbado, ela, pelo menos, fingia.

A escola oferecia dormitórios, mas Annabeth não achou que suportaria dividir o quarto com alguém que, na melhor das hipóteses, só seria tão mimada quanto ela. E com um pouco de insistência e 5 minutos do tempo do seu pai, ela o convenceu a alugar um apartamento. Um apartamento só para ela, que seria decorado conforme seus desejos. Foi um dos melhores presentes que seu pai já lhe dera, mas logo se tornou algo que ele usava constantemente contra ela e foi assim, no meio de uma discussão, que a vida de Annabeth virou de cabeça para baixo. Já tinha um ano que ela não voltava para casa. Não no natal, ano novo, ação de graças, aniversários... Nada. E não é que Frederick tenha sentido sua falta, mas as pessoas estavam começando a perguntar. Então ele achou que ela deveria ir passar as férias de verão com a família. Ela, no entanto, não gostou muito da ideia

— Eu não vou.

— Sim, você vem.

— Você não pode me obrigar!

— Sim, eu posso. Eu sou seu pai. — E claro, se tem algo que Annabeth puxou do pai fora as feições do rosto, foi a determinação, ou melhor, a teimosia. Ela não cedeu, mesmo sabendo que já estava o irritando. Meia hora no telefone com a filha? Não, isso é mais do que ele pode aguentar.

— Então ótimo. Quer ficar em Nova York? Que fique. Se você prefere ignorar que nós somos sua família, não vejo motivo para que não ignoremos você também. De agora em diante vai ter que se virar sozinha. Não vou mais pagar suas aulas, suas contas, bancar suas extravagâncias no cartão de crédito e muito menos me tornar responsável pelos seus problemas. A partir de agora, Annabeth, você está por conta própria.

Ela poderia ter chorado, implorado, retirado o que disse. Era só pedir desculpas, dizer que ia e ele com toda certeza esqueceria tudo. Ela só precisava engolir seu orgulho e (em seu ponto de vista) se humilhar um pouco, mas não foi isso que fez.

— O.k. — Foi idiota, foi um ato impulsivo, seria melhor não ter feito isso, mas ela não poderia dizer que se arrependia. Não esperou para ver o que o pai usaria como resposta, simplesmente desligou e jogou o celular na cama. Agora, isso sim era um problema de verdade.

Não pagar as aulas? Tudo bem, ela sentiria falta disso, mas foram anos estudando cada uma dessas coisas. Ela poderia praticar em casa. Não pagar as contas? Ela poderia se preocupar com isso depois, afinal, ainda era começo de mês. Cortar o cartão de crédito? Okay, ela sentiria muita falta disso, mas, por enquanto, nada que ela não pudesse viver sem. Era só arranjar um emprego e grande parte dos seus problemas se resolveriam. E o quão difícil poderia ser, sério? Para responder a pergunta: Muito.

Não é que ela nunca tenha trabalhado. Mesmo sendo parte de uma família rica, ela ainda gostava de se sentir uma menina normal, então, quando mais nova, teve sim empregos de verão. Mas eram coisas como vender limonada na frente da casa e passear com os cachorros dos vizinhos (ricos e que pagavam muito bem, diga-se de passagem) e isso não ajudaria a manter um apartamento em Manhattan.

Nada parecia certo. Todas as opções que apareciam (e ela estava apta a exercer, pois não é exatamente fácil aceitarem uma menina de 16 anos sem experiência em praticamente nada para um trabalho de verdade) pareciam chatas demais, pagavam muito mal ou simplesmente não estavam ao seu alcance. Tudo bem, ela pensou. É domingo a noite, eu estou cansada. Posso procurar amanhã.

Se jogou na cama do jeito que estava, com o computador no canto e o celular em algum lugar por ali, mas não conseguiu dormir. O dia seguinte não seria fácil, mas ela só tinha mais uma semana de aula. Uma semana até que chegassem as férias de verão. Tudo que ela precisava era um emprego e não se meter mais em confusão. Nada impossível, certo?

Sim Annabeth, você pode se dar ao luxo de fingir que nada aconteceu só por uma noite. Só para dormir em paz. Amanhã você dá um jeito, prometeu a si mesma. Amanhã daria um jeito. Tudo ficaria bem. Fechou os olhos e pensou em todas as coisas que tinha perdido. Fora os privilégios que seu pai cortara, ela não tinha mais uma casa para voltar. Sim, ela não ia lá sempre que podia (ou devia), ela nem se sentia à vontade lá, mas era uma garantia. Era algo dela, que sempre estaria ali se ela precisasse. Agora não tinha mais certeza quanto a isso

Sabia que teria que voltar a falar com o pai, não poderia simplesmente passar a vida inteira brigada com ele, mas esperava que ele entrasse em contato. Se ele não ligasse, ela provavelmente teria de ceder, não queria ser uma daquelas pessoas rancorosas com a família, mesmo que parecesse o certo. Em meio a tantos problemas não resolvidos, caiu no sono, sem saber o que esperar do dia seguinte.

Notas finais
Oláaa! Quem está surpreso pelo fato de que eu realmente voltei na sexta pra postar? Eu tô! Mas tá, espero que vocês tenham tido um feliz natal e tudo mais (eu aqui bancando de escritora e palavras que é bom nada né rs). Então, vamos falar um pouquinho mais sobre a fic. Vai ser toda narrada na 3ª pessoa pelo ponto de vista da Annabeth, com exceção de uns poucos capítulos que eu pretendo fazer na POV do Percy, e espero que ninguém me odeie muito por fazer essa bagunça ♡ Assim, a minha ideia era ter um banner pra cada capítulo, e ter pelo menos um capítulo sempre pronto, sem ter que ficar escrevendo ás pressas e tal e tal, mas eu sou a rainha da procrastinação, e tá tudo atrasado. Quando os banners tiverem prontos, eu edito o capítulo e posto eles aqui, sem problemas. Quanto aos capítulos, eu não acho que eu vá ter tudo organizadinho e bonitinho, mas eu garanto que toda sexta tem capítulo novo, mesmo que eu não durma e seja sem betagem. Vai dar certo, gente, paciência comigo, okay? Comentem pra mim o que acharam, Love, mia ♡