All souls are lost.

3 Despair is for the weak.



P.O.V Dante


Emily, a garota do cabelo cor de fogo dormia no sofá da casa de Jace. Cass queria acordá-la e enchê-la de perguntas. Depois de uma pequena conversa com ele, que eu ganhei como sempre, ela permaneceu dormindo. Perder a família, quase morrer, ver dois estranhos salvando sua vida e demonstrando coisas “fora do normal” não é algo fácil de assimilar.
– Está pronto, Dante? – Uma mão se apoia em meu ombro, e eu me viro. Selena estava atrás de mim, com um pequeno sorriso no rosto. Como ela tinha mudado nesses anos. Agora, seu cabelo estava até a cintura, com um tom mais escuro que o normal. Seus olhos agora transmitiam cansaço, aquele típico olhar que te dá arrepios instantaneamente. Ela parecia mais adulta, mais... Como uma guerreira de verdade. Jace tinha treinado ela para momentos críticos, e ela vem nos surpreendendo desde então. Mal podia imaginar que, há cerca de 3 anos atrás, ela era apenas uma jovem normal, vendo filmes deprimentes, e que teve a casa e a mãe queimadas.
Dou um sorriso e deixou que meus olhos voltem até onde Emily está deitada.
– Mal imaginávamos que chegaria a isso, não? – Jace agora estava em pé ao lado de Selena, olhando para Emily. – Vamos até o verdadeiro paraíso, salvar nossos amigos...
– Mas temos que ser rápidos. – Eryck estava sentado de frente ao sofá, encarando a mim e Jace. – Castian não é indestrutível. Não pode levar todos nós para lá, deixar a gente fazer a zoera no paraíso, pegar nossos amigos e trazer o triplo de nós de volta, e ainda ter forças para ficar de pé.
Todos assentiram.
Cass apareceu ao lado de Eryck, sentando ao seu lado. Uma pena caiu do teto.
– Não sei como ainda voam por ai, perdendo penas toda vez que teletransportam. Vocês têm um estoque infinito de asas ou coisa do tipo? – Cass sorriu.
– Sem querer ser chato nem nada. Mas o que faremos com ela? “Ah, obrigado por servir de isca, por perder a família, para podermos ir ao paraíso salvar nossos amigos. Agora pode ir embora”? – Cass olhou para a menina, com tristeza.
– Eu não sei. Poderíamos, sei lá, cuidar dela? – sugiro.
Todos me olharam com um pouco de surpresa.
– Podemos confiar nela? – Jace elevou a voz. – Os anjos a queriam, Dante. Ela pode ser uma bomba relógio, só esperando pelo momento certo para nos evaporar.
– Todos somos bombas relógio, amigo.
Com isso, me levanto e vou até o quarto, trancando a porta atrás de mim e me jogando na cama. Fecho meus olhos, desejando dormir como Emily, poder descansar para tudo que está por vir. Logo começo a bocejar, e uma única imagem me vem à mente.
Lua.
Mesmo com os olhos fechados, consigo vê-la sorrir para mim, me olhando como a coisa mais especial do mundo. Em poucos segundos, começo a dormir.

...

Acordo com Selena me sacudindo.
Seu rosto parece triste, como se ela fosse um robozinho, e um de seus braços tivesse quebrado.
Ela me leva até a sala, onde Emily está acordada e chorando com um travesseiro para tampar o rosto. Vou para perto dela, pensando no que poderia dizer para fazê-la parar de chorar.
– Oi... – Saiu mais como um sussurro, porém ela escutou, levantou sua cabeça do travesseiro e me encarou. Seus olhos verdes estavam fixos nos meus. Uma onda de arrepio passou pelo meu corpo, e meu primeiro instinto foi de enxugar algumas lágrimas que desciam pelo seu rosto com a manga da minha camisa.
– Oi... – Sua voz falhou por um momento. – Onde eu estou?
– Na casa do meu amigo, Jace. Relaxe, ele é tão legal quanto eu.
– Então... Tudo aquilo aconteceu mesmo? – Seu rosto se transforma em uma expressão de espanto e lágrimas começaram a escorrer lentamente. Sento-me do seu lado e a abraço. Não sei por que, mas não me incomodo com isso, e ela parece não se importar. Embora forem basicamente estranhos um para o outro. Conto minha história para Emily, desde quando fui transformado em vampiro, depois a híbrido, depois a Nephlim, contando todos os detalhes. E foi aí que uma ideia surgiu em minha mente.
Depois de contar tudo, ajudo Emily a se levantar, e vou até o quintal, onde estão todos, sentados e discutindo. Conto a eles minha ideia, e eles sorriem para mim, como se eu fosse um gênio. E eu sou, a propósito.
– Emily, seus pais eram más pessoas? – Pergunto, e a garota parece se surpreender com a pergunta.
– Bem... Não, a pesar de tudo. Mas, por que... – Ela se cala quando vê um grande excesso de animação em meus olhos.
– Você gostaria de vê-los mais uma vez?
Ela logo cai na real, e um sorriso surge em seu rosto.

...

Agora são exatamente 5 da manhã. Estou vestido com uma camisa de manga comprida, uma calça jeans e um All Star preto. Jace está com uma camisa normal preta, jeans e uma bota. Uma bela roupa de combate. Eryck e Selena seguem o mesmo estilo. Emily não tinha roupa, então Selena emprestou um de seus jeans escuros e uma jaqueta para a menina. Cass, estava com um sobretudo bege fazendo um símbolo no chão. Assistíamos enquanto ele fazia buracos na terra com seu próprio dedo e traçava linhas que começavam a brilhar em azul. Quando ele terminou, ele olhou para nós com um sorriso e anunciou que estava feito. Uma mochila apareceu ao seu lado, e ele foi para perto de nós.
– Olhem, quando eu fui pra minha primeira batalha, ao lado dos meus irmãos anjos, eles cantaram uma melodia, algo como um discurso feito pelos primeiros anjos antes de irem para uma guerra. Não sabemos o que nos espera lá em cima, mas gostaria que vocês a ouvissem. Tudo bem?
Todos assentimos. Formamos uma roda, dando as mãos e fechamos os olhos, nos concentrando apenas nas palavras de Cass:

“Meus irmãos homenageados, viemos juntos, para unir como um, contra aqueles que são condenados. Nós não mostraremos misericórdia, por que não a temos. Nosso inimigo deve cair, à medida que nos erguemos. Para clamar nosso destino, agora e eternamente, vamos estar juntos, no amor e no ódio.”

As palavras voavam ao nosso redor, uma onda de entusiasmo me atingiu como um tiro no peito. Eu me sentia capaz de tudo. Poderia muito bem entrar com uma camisa do AC/DC numa igreja.
Logo, as luzes azuis começaram a fazer os símbolos saírem do chão e fazerem círculos em volta de cada um de nós. Cass começou a brilhar em um tom de vermelho sangue, e os símbolos começaram a ficar vermelhos e laranjas. Os círculos começaram a ficar menores, subindo até meu pescoço... E começaram a nos sufocar, como cordas de aço. Fiquei desesperado e tentei colocar as mãos no pescoço, mas elas não se mexiam.
Eu não respirava mais.
Eu não ouvia meu coração bater.
Eu não conseguia sentir dor.
Estava em um vazio escuro e solitário. A escuridão me cercava por todos os lados. Ouvia vozes e sussurros vindos de trás de mim. Podia sentir algo áspero e afiado raspando meu corpo, roendo meus ossos e destruindo minha pele. E o chão cedeu aos meus pés, deixando-me cair em uma luz que chegava a cegar meus olhos. A sensação era de estar caindo de um prédio. De um prédio muito alto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.