All e Sam

3 Noite turbulenta.


Notas iniciais
Olá pessoas, desculpem o atraso. Uma série de eventos me fizeram atrasar, mas evitarei no futuro. Boa leitura

Sete da noite e San corria pelos portões da faculdade atrasado, apressadamente encontrou sua sala e entrou de fininho pela sala e sentando-se enquanto olhava se via a cabeça de sua obsessão, desapontando-se quando não o viu.

Ao fim da aula despediu-se dos poucos conhecidos e do professor e seguiu em direção a sua casa, dividido entre a saudade e a irritação por sentir-se tratado como um qualquer. Não via All a dois dias e sem um número ou e-mail a comunicação é nula, angustiava seu coração já se sentir tão dependente de alguém que ainda não sabia quase nada. Sabia apenas a preferência por preto, por motos clássicas, um domínio incomum sobre as matérias do curso(quando ele aparecia) e só. Não sabia seu sobrenome, onde morava, não sabia a sua idade, se tinha um outro alguém, seus sumiços devem ser isso, deve ter uma outra pessoa.

Sou apenas uma diversão a ele… -a angústia sufocou seu peito e a imagem dele com uma mulher se fez em seus pensamentos e lágrimas vieram a seus olhos.

distraído com seus pensamentos San não percebeu que a duas quadras vinha sendo seguido por dois homens, um gordo e maior que o garoto e, mais atrás um magrelo de mesma altura. Ambos viram o pequeno garoto passar sozinho e desatento e resolveram perturba lo em diversão.

Ei, garoto, quer companhia? — A voz grossa assustou San pela proximidade do homem, quase ao pé de sua orelha. Se encolhendo e continuando a andar recusou.Nao, obrigado. — Sabendo que não o deixariam em paz, apressou o passo.Olha, a pequena cachinhos dourados está com medo Douglas! Mas ainda não fizemos nada. — disse enquanto ria e pronunciando mais alto: — Vamos dar um motivo pra ele ter medo… Ouvindo a última frase San apertou a alça da mochila estilo carteiro e disparou pela rua vazia com o máximo de força que dispunha.

Logo sua respiração ficou falha, os passos diminuíram o ímpeto e o sedentarismo cobrou seu preço, ouvindo os passos dos dois homens se aproximando o desespero aumentou, coração batendo forte nos ouvidos dando a sensação que ia explodir. Mãos o prenderam pela camisa e o puxaram para trás em direção ao chão, sentindo o impacto machucar suas costas e a cabeça gemeu de dor.

— Isso cachinhos, comece a gemer. — Os dois o revistaram atrás de dinheiro e do celular deixando fora do alcance do garoto no chão. Sabendo o destino que lhe sobrevinha San começou a pensar em All e em seus bons momentos se desligando da realidade.

— Já se entregou? Deve gostar disso não é? Sua carinha não nega. Disse quando puxava o rosto pálido entre os dedos e direcionava seus lábios aos do indefeso menino. — Elliot, eu serei o primeiro, mas vamos pra sombra daquela casa ou seremos pegos.

Ouvindo isso San se desliga de vez e fica em silêncio, e os dois agressores entretidos com o prêmio em suas mãos não perceberam a moto negra estacionada na esquina oposta, com o piloto olhando pra eles.

Quando Douglas depositou o corpo mole de San no chão e tirou o cinto e abriu os botões da calça jeans, Elliot arrancou a camisa de botões do corpo abaixo dos dois, a violência deixou vergões vermelhos no tórax franzino, mas nenhum gemido de dor ou protesto foi emitido. Quando pôs as mãos nas calças do pequeno sentiu ser brutalmente puxado pra cima,cambaleando lhe empurraram em direção a parede, tamanha a pancada na nuca perdeu a consciência.

Douglas já salivava vendo a pele macia e branca do pequeno garoto e não percebeu a chegada do estranho, se deu conta apenas com os grunhidos do comparsa, mas era tarde demais para impedir, puxando um canivete ameaçou cortar a garganta de San.

— Par-r-re!!! Ou eu corto a gargan- Sua frase foi cortada pela sola do coturno preto em sua boca, sendo arremessado pra longe de San, subindo no corpo do moribundo estuprador All o mirou de cima, e nem mesmo um cachorro merecia tal olhar. Sem emitir uma palavra, se abaixou e o esmurrou até a incosciência, extravasando sua raiva, e vingando seu pequeno inocente.

Terminado o serviço, certificando-se apenas de não ter matado (não queria problemas) voltou onde o pequeno estava ainda na mesma posição, mas já inconsciente, tirou a jaqueta e o envolveu, escondendo a seminudez. Seguiu a sua moto com o pequeno em seu colo e a mochila em seu ombro, ajeitou o corpo miúdo e frio a seu peito e partiu em direção a sua casa.

Acordando San sentiu algo macio embaixo de si, como uma cama, mas não se lembrava de ter chegado em casa, levantando de vez sentiu a cabeça rodar. E mãos quentes e gentis o firmarem de volta no colchão.

—Acalme-se está comigo. — Reconhecendo a voz, San respirou fundo e tentou normalizar os pensamentos dentro de sua cabeça, lembrando dos detalhes que precederam seu desmaio, sentindo as lágrimas vindo a seus olhos se sentiu exposto, frágil, sujo. Encolhendo-se e apertando os braços se abaixou até sua cabeça tocar os joelhos, e começou a fungar, numa tentativa falha de impedir o choro.

Antes que pudesse se recolher em sua bolha particular, sentiu ser erguido e colocado no colo, All o ergueu e o pôs com uma perna de cada lado das suas, o puxando em um beijo duro, mas estranhamente calmo e intenso. Se permitindo perder em sensações San se entregou por completo, tentando encontrar nos lábios com sabor de whisky o refúgio da realidade. Enfiando os dedos entre os macios cabelos de All, o pequeno se aproximou colando seu peito contra o largo peito a sua frente, o tecido que impedia um contato maior era apenas um detalhe,as mãos firmes o acariciavam e o reverenciavam, com tamanho cuidado que fez San lacrimejar. Se sentiu acolhido e se entregou ainda mais ao beijo desejando esquecer tudo…

—Hey… A voz rouca de All o despertou quando pararam para respirar e inalou o cheiro do perfume na pele do pescoço, ouvindo a voz grossa tão próxima a orelha, excitou se ainda mais e mordeu carinhosamente o pescoço do maior, sentindo as mãos apertarem com força sua cintura em resposta.

—Sim? — A voz suave mostrava uma fragilidade nunca vista antes e All sentiu vontade de morder as bochechas coradas do dengoso menino a sua frente.

—Vamos tomar um banho, você ainda ‘tá sujo de terra, depois a gente come algo, pode ser? Eu não quero pensar que me aproveitei de você em um momento como esse.

O comentário quebrou a singularidade do momento, o fazendo lembrar de tudo de uma vez, a briga, o quase estupro, o assalto, a angústia por estar sozinho….

—Ouvindo um comentário assim, parece até que realmente se importa com o que sinto hã? — A voz mostrava desdém, mas a mágoa que transbordava nos olhos castanhos não passaria despercebida. Batendo a porta atrás de si, San se refugiou na suíte do quarto, era simples mas organizado e limpo. Sozinho desabou e os soluços retornaram enquanto tentava se limpar…

Ouvindo os soluços abafados All torturava os fios curtos tentando amenizar a dor que sentia no peito e a agonia de se sentir impotente numa situação tão complicada. Esmurrando a parede sentindo os punhos protestarem mais uma vez pela força implicada, deslizou pela parede sentando-se diante da porta do banheiro esperando San sair e lhe explicar o que realmente aquela frase queria dizer.

Notas finais
Por favor comentem os erros(sei que existem) e os corrigirei. Criticas e elogios são bem vindos. Obrigada por ler, até o proximo.