All e Sam
1 Cachinhos castanhos
Notas iniciais
Eram sete e quarenta e All estava atrasado para o primeiro dia de aula na faculdade, entrou tentando passar despercebido, o que não era muito difícil pois suas vestes eram simples e em tons escuros. Sentou em uma cadeira ao fundo enquanto cumprimentava dois dos colegas que ele já tinha conhecido e passou a ouvir a professora a frente. Minutos depois ele se distraiu, o cansaço pesava no corpo, trabalhar de manhã como professor e a tarde no suporte de informática da faculdade onde agora cursava Ciência da computação. Em meio à bruma do sono ele observou uma cabeça repleta de cachos castanhos que chamou atenção e passou a realmente olhar para o indivíduo. Black de cachinhos, camisa cinza, calça branca e all star. Uma roupa normal, mas o tamanho diminuto do corpo esguio o fez pensar em uma criança, e ao ouvir a voz deduziu que era um rapaz e sem perceber o encarou a aula inteira.
Ao fim da aula, alguns alunos se reuniram numa lanchonete próxima e All parou pra tomar um suco antes de ir pra casa, e percebeu o garoto de cachinhos sentado sozinho numa mesa ao fundo. Pagou o suco e se dirigiu até a mesa do garoto e o cumprimentou:
— Boa noite, meu nome é All, eu sou seu colega de curso. Posso me sentar? Apresentação feita esperou a resposta do garoto.
— B-b-oa noite, pode se sentar sim. E eu sei que é meu colega de curso, senti seus olhos em mim a aula inteira. — Seus rosto inclinado permitiam que os cachos sombreassem os olhos castanho claros e um sorriso tímido aparecia em seus lábios rosados.
All sentou-se e percebeu que a timidez do garoto era fofa, pois fazia parecer uma criança.
— Desculpe-me se o constrangi por encará-lo. — Os olhos negros de All faziam o pequeno rapaz se sentir nu, era vergonhoso, mas ao mesmo tempo se sentia vaidoso de ser o alvo desse olhar. — Mas ainda não me disse seu nome.- Disse em um tom de reprimenda.
— Ah...meu nome é Santiago, mas pode me chamar de San. — Sua voz calma e de tonalidade suave, masculina mas educada.
A conversa se estendeu enquanto ambos se conheciam,com cautela mas ainda assim com a curiosidade para saber mais um do outro, suas paixões por games e computadores rendeu horas de animosa discussão sobre suas preferências.
— De jogos de terror, eu gosto de Alice. — San torceu o nariz e lhe respondeu: — Nem é um bom jogo, é muito bobo.
— Eu sei, não há motivos, apenas gosto.- Retrucou e logo em seguida foram interrompidos pelo garçom que anunciava o fechamento da lanchonete.
— Nossa a hora voou, já são uma da manhã. — Assustou-se All, e San o olhou aflito:
— Minha mãe vai me matar, é a primeira vez que saio tão tarde sozinho, tenho que correr.- All pagou o lanche de Sam, sob protestos do mesmo. Ao saírem All ofereceu carona, e San hesitou, ainda não conhecia bem o rapaz pra confiar tanto no mesmo, mas a urgência em chegar em casa o fez aceitar.
No estacionamento da lanchonete All mostrou sua moto, uma Kasinski 250, enquanto oferecia o capacete reserva, era uma moto diferente, mas similar as harley-davidson. Timidamente San se acomoda na garupa e segura no banco estranhando por ser a primeira vez a andar em uma moto, All sorri marotamente e acelera a moto o fazendo grudar as mãos em seu tórax. A sensação dos braços finos ao seu redor deixou All quente, e enquanto ouvia a voz do pequeno próximo a seu ouvido dizendo as coordenadas o faziam acelerar só para sentir o aperto aumentar, e os dedos quentes tocando nos botões da jaqueta jeans preta.
Logo chegaram numa casa branca com portas marrons, e um portão de ferro entre baixas muretas também brancas. San desceu e se virou para se despedir, e ficou sem palavras, a imagem do homem (Sim! Um homem!) de um e setenta e cinco de altura,coturnos de cadarços, calças negras, a jaqueta entreaberta mostrando a camiseta branca, montado naquela moto negra com detalhes cromados. Sim, essa era uma visão e tanto, seu fôlego ficou preso nos pulmões quando ele tirou o capacete liberando os fios castanhos escuros lisos, bem aparados, e a barba de mesma cor, espessa. Sam se remexeu sem sair do lugar e olhou para os lábios de All desejando saber o gosto dos mesmos. All percebendo o tom ruborizado das bochechas do rapaz e a sua timidez, fica tentado a provocá-lo, para ver qual seria a reação do aparentemente inocente garoto.
—Sabe, você está parecendo uma menininha a espera de um beijo assim todo vermelhinho. — Desdenhou All.
— Uma menininha não, mas a espera de um beijo sim, eu quero.- All que estava tentando ser paciente com o pequeno, ao ouvir isso libera seu desejo e toma uma atitude que condiz com sua personalidade impaciente. Levanta da moto se aproximando lentamente como um predador, e o encara de cima evidenciando a diferença de altura.
Tomando o rosto dele entre as mãos, e passando o dedo suavemente no lábio inferior rosado sussurra:
— Posso?
— Deve!
O beijo começou com uma mordida no lábio de San, uma repreensão pela ousadia. A língua quente e experiente de All fazem San se entregar e amolecer entre os braços quentes e fortes. Puxando para perto, All aprofunda o beijo com uma mão na nuca e a outra no quadril estreito do menor, apalpando de leve para não assustá-lo. Aproveitando a proximidade San mete os dedos entre os fios lisos e puxa, próximo a nuca, colando ainda mais os lábios e o corpo num frenesi de desejo. A excitação de All, pressionada ao ventre do menor apenas os faziam se sentirem mais entregues. Parando pra respirar um pouco, com as testas coladas, ambos se olham e um sorriso aparece nos rosados lábios do menor. Aumentando a vontade de All de morder o lábio apetitoso.
— Eu preciso entrar... — Sussurrou o cacheado.
— Eu sei, mas eu quero te encostar no primeiro lugar que encontrar e te foder. — O menor estremeceu de desejo e o pau duro pressionado contra si não ajudava sua sanidade a voltar a tona, era apenas dois corpos dominados pela luxúria.
— Achas que sou assim tão fácil? Uma foda por uma carona? — Provocou o menor.
— Sei que não, mas não tenho que achar nada. Apenas quero você nu, rebolando no meu pau.
— Okay,se não parar eu não entrarei hoje. Tchau e obrigada pela carona. — O rapaz tenta escapar, mas o aperto em torno do seu quadril se intensifica.
— Hoje te deixo ir, mas saiba que na próxima não sairá impune. — Diz em um tom rouco na orelha do menor antes de lamber e morder a mesma. Deixando um gemido estrangulado escapar, San o olha com fingida raiva, e o responde:
— Sonhe que cederia tão fácil. — All sorri e morde o lábio do pequeno.
— Veremos. — E o solta, quando o vê se virar dá um tapa no traseiro arrebitado escutando um arquejo de surpresa. All sobe rápido na moto pondo o capacete, e acelera indo embora, mas antes consegue ver o rosto indignado e vermelho do garoto.
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