All Your Reasons
1 Social Suicide
Notas iniciais
Oi bem, não é minha primeira fanfic, mas é a primeira aqui.
Eu não sei bem o que dizer, então boa leitura e espero que gostem.
Aisha como Grace Victoria Cox
Jake como Jake Bugg
Passei as mãos pelos bolsos procurando meu isqueiro, me senti aliviada ao senti-lo no bolso direito do meu casaco. Isso era tipo uma paranoia minha, eu sempre acho que perdi as coisas dos meus bolsos.
Suspirei, a Diretora Killier andava em passos lentos pelo corredor, aquele corredor, o corredor vazio e silencioso, um feito incrível para uma escola e eu sabia que Killier adorava exibir isso pra quem é que fosse, era “O corredor perfeito”, na cabeça dela.
Eu não sabia bem como estava me sentindo, sabe, andando por aquele corredor vazio, silencioso e frio com portas verdes em passos calmos. Havia um único barulho, os saltos médios da Diretora batendo contra o chão de mármore.
Senti meu estomago revirar, o barulho havia parado.
A Senhora Killier estava parada em frente á uma das portas verdes, não consegui ler o nome que estava escrito, eu já devia saber o que era, eu estudava lá.
Agora ela me encarava, eu já conhecia sua antipatia por mim, ela acreditava que eu era das rebeldes que iriam perturbar a paz de sua escola, acho que meu visual dizia isso, mas ela também sabia sobre minha mãe.
— Garota. — ela começou com um tom nada amigável.- Você não acha que devia estar mais apresentável no seu primeiro dia?
Dei de ombros, eu não me importava se meu cabelo não estava bem liso, e eu não me importava de ter uma expressão entediada, e o melhor: eu não me importava de estar vestida com uma calça velha, botas de combate, casaco xadrez e a camiseta de uma banda antiga, não eu não me importava se minhas roupas não estavam apresentáveis da maneira que ela queria.
- Sorria. — sussurrou abrindo a porta, eu não sorri não estava pronta para entrar lá e cometer o que eu chamo de suicídio social.
Logo o professor parou a aula, ele escrevia alguma coisa no quadro e soltou o giz em cima da mesa. Os professores agiam como ratinhos perto da Killier.
- Diretora Killier, o que traz sua bela presença á minha humilde aula? – segurei o riso, era Michael.
Michael era o professor mais legal de toda aquela escola, ele não tinha medo da diretora e não era um completo idiota que se acha superior aos alunos. A única coisa ruim era que ele leciona matemática.
- Sr. Belmar. — ela sorriu cínica.- Eu vim trazer essa garota, ela mudou de horário.
Fiz uma careta, ela ainda me chamava de garota. Creio que isso não são modos de uma diretora tratar uma aluna.
- Ah sim, conheço bem essa peste. — o professor brincou me encarando. — Aisha Stills, que estudava de noite, essa mocinha é bem problemática não?
- Creio que sim. — Killier assentiu feliz, se virando para mim nervosa.- Vamos garota, entre logo.
E então eu percebi que ainda não havia entrado na sala, soltei outro suspiro tirando a mão do bolso e entrei sentindo um mar de olhos sobre mim.
- Cuide bem dela, Sr. Belmar. Qualquer coisa pode me chamar. — ela me lançou um olhar mortal antes de sair da sala fechando a porta verde, pude ouvir o barulho de seus saltos sobre o mármore por um tempo.
Dei um sorriso tímido para Michael.
- Aisha, Aisha, vou ter que aguentar você na minha aula logo de manha? – ironizou, ele sempre ironizava a implicância que a diretora tinha comigo. – Se já não bastasse ter de ensinar a esses adolescentes abusados uma coisa que eles odeiam, eu ainda vou ter que aguentar ouvir a voz de Aisha Stills a manhã inteira.
- Creio que sim. — falei as primeiras palavras daquela manhã, minha voz estava arrastada.- E pode acreditar, eu falo muito mais durante a manhã.
Ele deu pequeno sorriso e riu.
- Se apresente para a sala, garota. — usou o tom da diretora.
- Aisha Stills. — falei ainda lhe encarando.
- Não Aisha, você tem que virar para a classe e falar seu nome e o que você acha de matemática. — ele veio até mim e me virou, agora eu podia ver todos ali prestando atenção em mim. — Use uma voz mais alta.
Eu só pensava em uma coisa, suicídio social. Molhei os lábios.
- Aisha Stills. — comecei com uma voz baixa.- Eu odeio matemática?
Olhei de relance para o professor que me mandava um olhar cínico. Não odeia, li o que seus lábios sussurravam para minha pergunta retorica.
-... mas, o professor é maneiro.- acrescentei e ergui as sobrancelhas encarando o Sr. Belmar, ele deu um leve sorriso.
E novamente suicídio social.
- Muito bem, pode se sentar. — ele apontou para a sala.
Havia dois lugares vagos: um bem no meio da sala, descartei a possibilidade e outro mais pro fim, ao lado de uma janela.
Suspirei seguindo caminho para o lugar da janela, era o antepenúltimo. Atrás de mim havia um garoto com cara de poucos amigos, deduzi que ele era gótico já que estava totalmente trajado em preto.
- Aisha! – voltei à atenção para frente encarando o professor. — Lembre-se de que todos os professores vão pedir uma apresentação.
Arregalei os olhos.
- Isso é suicídio social. — pensei alto.
- Não fale de suicídio na minha aula peste. — brincou.
Percebi que algumas pessoas me encaravam, e novamente: suicídio social.
Quantas vezes pode se cometer suicídio social num dia?
Eu já tinha meus horários, havia mudado alguma coisa, mas ainda me lembrava dos horários que eu tinha no período da noite, eu só notei uma coisa estranha meu próximo horário era “grupo de apoio”, estava marcado como atividade extra.
Eu gelei.
A escola funcionava da maneira que todas as escolas funcionam, eu sabia que tinha umas atividades extras e que todos eram obrigados á fazer pelo menos uma, isso de manhã já que o diferencial dessa escola era que ela tinha aulas de noite para aqueles que tinham atividades importantes durante o dia –- lê-se trabalho –- e então de noite eram apenas aulas normais.
Fui até a diretoria no tempo que eu tinha para mexer no armário, eu precisava tirar satisfações sobre esse tal grupo de apoio, eu havia visto ele na lista de atividades extras e eu com certeza nunca pensaria em escolhê-lo.
- Não pode mudar seus horários. — a secretária falou para mim ainda mexendo no computador, a sua voz era estridente.
- Dane-se. — ela me olhou assustada.- Eu não escolhi grupo de apoio como atividade extra!
- Olhe a boca mocinha, qual seu nome?
- Aisha Stills. — emburrei.
Ela teclou alguma coisa e se virou para mim. – Você está no grupo de apoio sim, a Diretora é quem escolhe quem fica nele.
- Tá tanto faz. — revirei os olhos.- Eu não vou, tenho o direito de escolher minha atividade extra.
- Senhorita Stills, sinto muito, mas a Diretora acha que você deve estar nesse grupo, ela apenas manda os alunos que tem problemas...
- O que? – perguntei pasma. — Eu não tenho droga de problema nenhum.
- Pelo que eu vejo. — falou cínica.- Você precisa mesmo desse grupo, vá logo se chegar atrasada pode levar detenção.
Bufei. – E onde fica essa porcaria?
- No porão.
Lancei um olhar confuso e ela gesticulou para que eu fosse logo. Decidi me lembrar de colocar na “caixinha de sugestões” sobre arrumar uma secretária nova.
Sem escolha segui rumo ao porão.
E acho que isso explica o motivo de eu estar nesse exato momento sentada em um porão cercada de gente estranha.
- Olá “crianças”. — a mulher sorriu, deduzi que ela devia ser o tipo de psicóloga que conduzia o grupo.- Sou Catarina, e vou ajudar vocês com seus problemas.
Rolei os olhos suspirando. Ela era nova e tinha cabelos loiros curtos, seus enormes óculos de grau a deixavam com cara de psicóloga.
- Vocês devem se perguntar por que estão aqui. — ela prosseguiu. — E eu posso explicar.
- Então explica logo. — ouvi um garoto com cabelo descolorido reclamar, Catarina tinha uma voz calma e falava tudo muito calmamente.
- Shh. — gesticulou irritada.- Não pode me interromper!
- Tá, só anda logo com essa besteira.
- Como eu dizia. — proferiu irritada. — Vocês estão aqui por que eu estou em um estagio da minha faculdade de psicologia, tínhamos que fazer um projeto para ajudar as pessoas e eu escolhi esse.
- E por que você acha que a gente precisa de ajuda? – perguntei dessa vez minha voz não estava baixa já que eu estava irritada.
- Boa pergunta. — ela sorriu. — Sua Diretora acha que vocês podem ter problemas, e bem podemos os resolver aqui.
O platinado soltou umas risadas.
- Vamos às apresentações. — ela suspirou.- Quero que cada um se levante fale seu nome, e fale o que está achando do dia com poucas palavras.
O porão ficou em silêncio.
- Podem começar agora! – ela aumentou o tom de voz, e vieram as apresentações.
Havia cinco pessoas no grupo, deduzi que o resto dos estranhos e na mira da Killier estariam aqui em outro horário ou seria difícil para Catarina controlar todos.
- Sou Aimie Rascal. — uma menina começou, ela parecia gótica e era meio asiática.- O meu dia muito feliz.
Aimie falava morrendo e eu sentia agonia ao ver seus lábios pintados de preto se movendo lentamente por que toda vez que sua boca se abria dava pra ver o vermelho em contraste com o preto, e era por isso que eu não usava batom. Ela falou o feliz do jeito mais gótico feliz de ser.
- Carlos Arrues. — era o próximo, um garoto moreno ele se mexia bastante, deduzi que normalmente ficava chapado.- Meu dia está indo bem, é, eu acho.
Carlos não parava de gesticular, e rolava os olhos pela sala inquieto. Ele tinha traços latinos e um sotaque engraçado.
- Dylan Risquy. — esse era o do cabelo descolorido.- Meu dia está muito depressivo, acho que quero arrumar uma briga e depois matar alguma aula pra chorar no banheiro.- sua voz saiu irônica.
Acho que Dylan daria mais trabalho ali, ele era do tipo difícil de lidar, mas fui com a cara dele. Ele tinha um piercing no septo e suas sobrancelhas eram negras dando contraste com seu cabelo platinado, a raiz precisava de retoque.
- Sem brincadeiras Dylan. — Catarina chiou.
- Tá, meu dia está muito tedioso. — bufou se ajeitando na cadeira.
Faltavam apenas eu e um garoto para a apresentação, fiquei calada esperando ele ir primeiro. Catarina nos olhava impaciente, ela ia abrir a boca para mandar algum de nós falar alguma coisa, mas o garoto foi mais rápido.
- Jake Bugg. — o encarei percebendo que era o garoto que sentava atrás de mim na aula de matemática.- Meu dia vai ótimo.
Ele tinha uma voz anasalada e uma postura largada, percebi que ele não gostava de contato social já que ficava encarando o chão.
Catarina limpou a garganta me olhando.
- Aisha Stills. — saiu num suspiro, lembrei de quantas vezes meu nome havia sido pronunciado hoje.- Meu dia se resume em duas palavras: Suicídio Social.
Percebi que todos me encaravam, Catarina suspirou.
- Suicídio Social? – repetiu minhas palavras.
- Exato. — sorri.- É quando você se suicida socialmente.
- Você pensa muito em suicídio? – ela perguntou em um tom preocupado ajeitando os óculos, coisa de psicóloga.
- Você está louca? – arregalei os olhos fingindo estar surpresa. — Como tem coragem de me perguntar isso? Suicídio não é de Deus, estou espantada, não pode falar assim comigo.
- Você que falou em suicídio primeiro. — ela bufou, havia percebido que seria difícil lidar conosco.
E Dylan gargalhou, Aimie continuou agindo de um jeito gótico, Carlos gesticulava inquieto, Jake ainda encarava o chão emburrado.
Passei a mão no meu bolso direito, o isqueiro ainda estava lá.
- Vai ser uma longa jornada. — Catarina suspirou fazendo uma careta, e assim o horário seguiu em silêncio até dar a hora do almoço.
Ela estava nos estudando.
Notas finais
E então alguém leu?...
É isso, e obrigada se leu até aqui.
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