All You Need is Leonetta
53 Tremendas realidades, ou por acaso.
Notas iniciais
Adentrei aquele espaço, apenas correndo meus olhos pelos funcionários, até que me dirigi a um deles.
– Olá, gostaria de falar com o gerente. — Indaguei a ele, ele me fitou com ignorância.
– Ele está ocupado. — Ele respondeu em um tom rude, fiquei perguntando como as pessoas eram atendidas por ele.
– Bom, é urgente. Diga a ele que sou Violetta Castilho. — Afirmei a ele. — Filha do construtor e empresário mais idolatrado de Buenos Aires. Necessito ter essa conversa. — Ele bufou, e logo saiu do meu campo de visão, aparecendo depois de longos minutos com um senhor de estatura média e fortes expressões no rosto, ele era velho, pelo menos. Seus cabelos eram completamente brancos e seus olhos eram azuis claro, o que me fez distinguir que ele ou seria Australiano, ou alemão, devido suas características.
– No que posso ajudá-la? — Sua voz era roca, e completamente lenta.
– Só preciso saber se vocês monitoram a freguesia. Se tem sistema eletrônico configurado para registrar seus clientes. — Indaguei olhando em seus olhos azuis e deixando bem claro o que queria.
– Sim, temos sim. Os de ontem, pegamos só das 22:00 as 02:00 da manhã, pois devido ao problema no sistema, não conseguimos voltar a reconfigurar a monitoração. — Ele retrucou, logo me mostrando seu escritório e seu computador, onde havia a página oficial do restaurante aberta e o próprio programa monitorizador.
– Preciso saber se Diego Hernandez Laffonteine e Matias Laffonteine vieram aqui. — Indaguei com minha voz começando a ficar trêmula, temia pela resposta. — Quero saber se o senhor os encontrou nesse estabelecimento ontem. — Finalizei, logo vendo suas mãos pousarem uma no teclado, e a outra no mouse. Ele ficou um tempo mexendo, até olhar para mim.
– Matias, seus olhos são azuis e seus cabelos louros né? Mas já Diego é moreno e com seus olhos castanhos. — Ele afirmou, e logo me veio a cabeça o perigo que eu estava correndo, que todos aqui estavam e que Francesca estava correndo, pois afinal, se meu sonho estava sendo real até agora, que enfim seria o erro de seus diálogos?
– Sim. São eles. Eles estiveram aqui e pediram o que? O senhor lembra? — Perguntei a aquele homem que fuçava cada vez mais em seu computador.
– Vou verificar. — Afirmou ele apertando o mouse repetidas vezes, fazendo um barulho um tanto irritante, e assim, logo ele se virou pra mim. — Pasta ao sugo. E ainda pediram belisques de camarão e polenta. — Quando pensei que ele iria finalizar, eu apenas ouvi ele falar ainda mais. — Suas bebidas foram Champanhe e Uísque. E todos muito caros. Suas contas suas deram 1.470 dólares. Devido também que nosso restaurante está em ranking em segundo lugar dos mais caros e visitados de Manhattan, então, é isso. Eles disseram aos funcionários enquanto pagavam, que eles vinham da Argentina e apreciar o gosto da culinária de Manhattan e também a italiana, está no relatório de pagamentos. — Sim, e também para provar o meu gosto.
– Obrigada, me ajudou muito. E preciso também de outro favor seu. — Indaguei recebendo alguma resposta em seu olhar, ou procurando.
– Diga, jovem. — Ele afirmou levando seu olhar que estava em seu computador a mim, esperando algo de minha parte.
– Preciso que isso fique em puro silêncio e que eu seja uma.. — Pensei um pouco, e depois enchi minha boca com palavras. — Indagadora anônima. — Finalizei, recebendo um aceno com a cabeça daquele velho homem, e logo um aperto de mãos. — Deixarei sua identidade anônima, Violetta Castilho. — Castilho. Não, eu havia cometido uma burrada.
– E também, preciso que não deixe vazar que a Castilho veio para esse restaurante, ok? — Falei, recebendo um aceno novamente de sua cabeça. — Muito obrigada, e espero poder apreciar sua culinária quando voltar a essa cidade. — Esbocei um sorriso em meus lábios.
– Quando quiser, venha aqui. Lhe darei oportunidades de apreciação a nenhum custo. — Ele ofereceu, generoso de sua parte, mais não podia aceitar, não agora.
– Agora preciso ir. Tenho que embarcar em um avião em algumas horas, mais muito obrigada, por tudo. Desde sua enorme paciência de responder minhas perguntas, a isso. — Fiz uma breve reverência aquele senhor, e logo me fora daquela sala e daquele estabelecimento, encontrando todos do lado de fora.
– Por que demorou tanto Violetta? — Ramalho indagou.
– Estava vendo os preços e conversando sobre a Itália. Pois Francesca iria adorar isso. — Esbocei um sorriso falso em meus lábios, eu estava mentindo para Ramalho. Não poderia fazer isso, pois qualquer a que eu dissesse de errado, comprometeria a vida de todos, inclusive a minha. Mais tinha medo, medo de contar.
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Chegamos ao banco do Itaú, e logo depois daquele enorme prédio podíamos ver o carro em que eu e Leon chegamos, e o carro em que estava nossos pertences. Andamos até lá rápido, e aí me dei conta. Não tínhamos a chave.
– Leon, não temos a chave.. — Lamentei, quase a ponto de chorar. Não podia acreditar que esquecemos, embora não soubesse se estava com ele ou não.
– Querida, os carros de Manhattan são mais evoluídos que seu Toyota. — Ele debochou, o que me fez rir e consequentemente pensar um pouco. Sim. Nossas impressões digitais desbloqueariam aquele carro.
Pousamos nossas mãos sobre a porta dianteira, e assim podemos sentir uma quentura vindo dentro daquele automóvel, Leon havia dito que era a leitura das impressões, então nem liguei. Ouvimos depois de longos minutos, o barulho Clik. O carro havia sido aberto.
Pegamos nossas coisas de lá, e fomos a direção deles, que estavam na frente do banco. Ramalho nos aconselhou a trocar de roupa no aeroporto, então não pestanejei. Em Manhattan se você pagasse, você poderia tomar banho dentro de aeroportos. Vou sentir saudades daquelas regras que não se fazia questão de cumprir, mais também certo medo e trauma.
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Estávamos no aeroporto internacional já, e assim, Ramalho pagou para que tomássemos banho nos vestuários. Logo eu e Leon já estávamos lá acompanhados de funcionárias, que nos mostraram o local.
Depois que elas saíram, peguei meu sabonete líquido preferido e meu shampoo de camomila, e assim minha toalha e minha muda de roupa. Leon fez o mesmo, e logo adentramos aquele espaço, onde havia banheiras e chuveiros, sanitários tão limpos que seria difícil de acreditar ser assim em alguns países. Mas claro, Manhattan é outro nível.
Tomamos banho de chuveiro, pois não podíamos demorar. Assim que a água entrou em contato com a minha pele que já estava gelada, senti um choque térmico, só constatando que meu corpo passava de tenso a relaxado. Apenas passei shampoo nos meus cabelos, massageei e depois lavei, passando em seguida o condicionador, ficando com ele alguns minutos enquanto me ensaboava, fazendo a vez de Leon tomar banho. Não prestei muitas atenções em seu corpo, apenas estava ensaboando meu corpo e pensando nas palavras escutas naquele restaurante italiano. Simplesmente se fazia muito especial e cuidadoso o assunto daquela proferição, e sim, era. Eu precisava contar a Leon e os outros, mais contaria quando estivesse em casa, calma e completamente tranquila.
Logo me enxaguei e Leon também, aquele filha da mãe tinha usado meu shampoo, o que me fez rir e ficar irritada ao mesmo tempo. Em poucos minutos, já nos secávamos e vestíamos nossas vestes.
Calça jeans, camisa polo e chuteiras Nike. Esse era seu vestuário. Agora regata branca, leg-in azul e sapatilhas de oncinha era o meu. Apenas penteei meu cabelo e passei meus produtos íntimos e de beleza, e Leon ficou me esperando já pronto. Assim saímos daquele espaço grande com nossos pertences, cheirosos e de banho tomado.
Ficamos com Ramalho no salão de embarque, esperando os outros. Assim que chegaram, apenas ouvimos:
Senhores passageiros, se redirecionem ao portão 7, com destino a Buenos Aires, — Argentina. Obrigada por escolher esse voo, e espero que voem em futuros destinos nessa linha aérea.
Passamos nossas passagens pelo guarda, e assim ele nos deixou passar, nos dando liberdade de já nos sentirmos em Buenos Aires. Quando entramos naquela ave, por sorte meu assento ficava do lado de Leon, por sorte. Pois eu estava afim de dormir no ombro daquele gostoso até ser acordada por uma turbulência ou um aviso de chegada.
Nos sentamos nas poltronas. Eu apenas via-o sentar do meu lado, na janela. Nunca fui muito fã, pois a claridade me fazia mal. Apenas pousei minha cabeça sobre seu ombro, sendo reconfortada por seus braços e rodearam minha cintura de lado e me agarraram.
– Não quer uma posição melhor? — Ele indagou. — Esse jato está praticamente vazio, então, tire o cinto e deite-se. Eu te acordo se algo acontecer. — Apenas assenti, desfivelando meu cinto e levantando os suportes, assim confortei minha cabeça no colo de Leon e minhas pernas nos assentos ao nosso lado. Senti sua mão acariciar meu cabelo, até que peguei no sono, fechando os olhos e relembrando tudo.
– Espero que você seja virgem..
– Cale a boca, filha da puta!
– Eles iriam fazer queima de arquivo, iriam nos contar segredos horripilantes e descabidos e depois nos matar.
– Irei estuprar Francesca Reys!
– Para aquele filho da puta do namorado dela perceber que se eu a estupro uma vez, a estupro de novo.
– Sua conta lhes deu no total, 1470 dólares.
– Sim, eles apareceram por aqui.
Acordei instintivamente percebendo o silêncio daquela aeronave, e logo em seguida olhando para cima e vendo Leon descansar em sua poltrona de uma não tão confortável. Apenas pousei meu rosto sobre seu colo novamente, suspirando um suspiro longo e em seguida, fechando os olhos novamente.
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