All You Need Is Me
1 Único
Se existe alguma coisa que era novidade para uma pessoa como Steve Rogers, essa coisa só podia ser uma: relacionamento. Ele nunca tivera um antes, então não entendia bem como funcionavam essas coisas.
Ele só sabia, com certeza, das coisas que sentia e das coisas que falava. Fora isso, não tinha certeza de nada.
Ainda estava um pouco desconcertado em acordar com o sol já alto no céu. Não era um costume acordar tarde, mas noite passada havia gasto muito energia.
Steve fora um combatente do exército americano. Acordar antes de o galo cantar era tão comum para ele quanto beber água, ou respirar. Até quando estava ocupado com as coisas relacionadas aos Vingadores acordava cedo. Para ele, quanto antes começar a tarefa, mais rápido ela termina.
E isso não fora diferente naquelas duas semanas que passou bem longe de seu pequeno apartamento na Califórina, em uma missão para a S.H.I.E.L.D.
A ele fora pedido sigilo absoluto pelo Fury. Não podia dizer a ninguém aonde ia, o que iria fazer ou quando retornaria, senão a missão estaria arruinada.
E é claro que ele, como um bom soldado, iria obedecer a essas recomendações. Mesmo que precisasse ocultar a verdade de Stark. As coisas entre eles estavam num ponto tão sério que era bem difícil esconder dele alguma coisa.
Ainda não haviam tornado público o romance, mas só porque Rogers havia pedido um pouco de cautela. Se fosse por Stark, já estariam dando entrevistas para o Clarím Diário e dançando valsa em qualquer evento beneficente organizado pelas Indústrias Stark.
Certamente prudência não era uma palavra usada no vocabulário “starkeano”. Nunca.
Então Steve, munido de toda sua coragem, fora desempenhar o que fora treinado para fazer. Salvar algumas vidas pelo mundo. E sem dizer nada para Stark.
Quando voltasse, explicaria a situação.
Passou duas semanas longe dos Estados Unidos, sem entrar em contato com ninguém exceto o próprio Fury. Assim que a missão terminou e ele pôs os pés na América, a primeira parada fora em 10880 Malibu Point.
Fazer o que, ele estava morrendo de saudade do moreno.
Tocou a campainha e uma mulher ruiva atendeu a porta enquanto digitava algo em seu tablet.
− Ah, boa tarde Pepper.
− Sr. Rogers, entre, por favor. – disse enquanto abria a porta e desligava o aparelho. – Achava que o senhor tinha acesso livre a casa. O sr. Stark não lhe deu um cartão chave?
− É verdade, mas achei que seria mais apropriado tocar a campainha ao invés de sair entrando...
Na verdade o Capitão estava receoso com o que iria encontrar, então queria perguntar algumas coisas para a governanta. Ela sabia interpretar os sentimentos de Stark muito melhor que ele, isso ele tinha que admitir.
− O sr. Stark está trancado na oficina há uma semana. Tem feito todas as refeições por lá mesmo. E não deixa ninguém entrar. Nem mesmo eu.
Ótimo, o relatório da situação estava feito. E constatou que a situação era pior do que ele imaginava. Não restava muito que fazer a não ser descer as escadas e ver com os próprios olhos o que estava acontecendo.
Agradeceu a Pepper pela informação e cruzou a sala de estar da casa de Stark, indo direto para a escada que dava acesso a oficina dele, no andar subterrâneo da casa.
Desceu os degraus e se deparou com a porta e as paredes de vidro. Olhou através delas e não viu ninguém. Mas sabia que Stark estava lá. As armaduras estavam guardadas lá embaixo, então ele não vestiu uma e saiu voando por aí, pelo menos não ainda.
Com os nós dos dedos, deu leves batidas no vidro e chamou pelo interfone.
Nada.
− Stark, eu sei que você está aí.
− Ah, quer dizer que eu estou aqui. Que ótima dedução. – a voz dele saía pelo interfone, mas Rogers não via ninguém.
− Você está bravo comigo?
− Minha nossa. Com essa inteligência você ainda vira presidente. Mas não se preocupe, eu não voto. A nação não precisa que eu ajude a por idiotas no governo.
Certo, Stark estava realmente bravo. Mas o que ele podia fazer? Não podia dizer o que fora fazer antes de ir. E agora não sabia como resolver a situação.
− Eu sinto muito – dizia enquanto sentava no terceiro degrau da escada – eu não podia avisar que estava saindo em missão, ok?
− Eu esqueço que você tem o senso de dever dos velhos veteranos de guerra. – disse enquanto deslizava com um carrinho de mecânico sob sua Ferrari 250 GTO, saindo debaixo dela. – Enquanto você estava em missão, porque é claro, eu tive que descobrir isso por conta própria e meios nada convencionais, eu fiquei uma semana sem saber nada. Nada. Sabe o que é um homem que sabe tudo, não saber onde uma pessoa se enfiou?
Stark levantou do chão e fora pegar uma ferramenta sobre a mesa de trabalho. Andou todo o percurso e nem se deu ao trabalho de olhar na direção que Steve se encontrava.
− A missão era secreta, Anthony. Tão secreta que o Fury, sabendo que você saberia dela antes de qualquer um, impediu que fizessem os registros via computador. Acredite ou não, recebi o relatório datilografado.
− Isso nem me passou pela cabeça. – Stark parecia desapontado por não ter pensando nisso antes. Voltou a se enfiar embaixo de sua Ferrari 250 GTO – Vocês se comunicavam como durante essa missão? Via código Morse? Foi isso né... aquele pirata ciclope me enganou. Quando o encontrar pela próxima vez, vou arrancar o olho bom dele.
Rogers observou que Stark estava irredutível. Reparou também que ele estava um pouquinho mais magro. Imaginou que o moreno não fazia uma refeição descente desde que ele saiu do país. Sentiu-se mal por isso, queria cuidar dele agora, abraçá-lo, matar a saudade, mas ele estava dificultando as coisas.
− Você não está facilitando as coisas pra mim. O que eu posso fazer?
− Você pode ir embora e me deixar trabalhar, afinal você foi embora antes e nem se deu ao trabalho de deixar uma mensagem em papel de pão escrito “Fui...”.
− Mas eu não podia falar nada. – Rogers já estava perdendo a paciência. – Eu tinha que ir, e não podia falar que estava indo. Estava disfarçado, como eu ia avisar algo assim?
− Ah, to tentando te imaginar disfarçado. Aquele escudo, você usou como o quê mesmo, guarda chuva? – disse Stark, forçando uma risada – Você pode não saber, mas eu fui ao seu apartamento, todos os dias por uma semana inteira. Até invadi pra tentar descobrir onde você tinha ido. – Rogers percebeu a frustração do moreno enquanto ele falava. Sua voz soava triste e cansada. – Quando percebi que isso era em vão, invadi o sistema da S.H.I.E.L.D. e não encontrei nada. Só descobri que você estava numa missão há dois dias, porque escutei uma conversa do Fury com alguém, falando sobre você e uma missão secreta.
Rogers respirou fundo algumas vezes. Por mais difícil que fosse ele entendia o que Stark estava sentindo. Por um momento se colocou no lugar dele e chegou a conclusão que faria a mesma coisa se estivesse no lugar do outro.
− Você me deixa entrar, Anthony? – perguntou esperando um sonoro NÃO vindo da direção da Ferrari.
Mas não ouviu nada a não ser o barulho das ferramentas na suspensão do carro.
Se Stark não o estava expulsando, ele imaginou que o silêncio fosse um sim. Tirou o cartão do bolso, levantou de onde estava sentado e passou o cartão pelo leitor, fazendo a porta se abrir imediatamente.
Andou em direção ao carro e com o pé puxou o carrinho. Tony estava sujo de graxa, com óculos de proteção e uma ferramenta nas mãos.
− Se afaste, porque eu posso jogar essa chave de boca na sua cabeça e lhe causar um traumatismo. Ou te deixar com um olho roxo, pelo menos.
− Gostaria de ver você tentando. – disse Rogers, rindo e se deixou cair ao chão, em cima de Stark. Mas antes que pudesse machucar o moreno, parou a queda com as mãos, em flexão. Aconchegou o corpo em cima de Stark, retirou os óculos dele e depositou um beijo em seu pescoço. – Me desculpe.
− Não quero.
− Você é muito teimoso, parece uma mula. – Beijou novamente o pescoço de Stark.
− Você é velho demais pra mim, acho que teremos que terminar esse relacionamento. Alego incompatibilidade etária.
− Eu não quero terminar. – puxou a gola da camisa e mordeu de leve o ombro de Tony.
Stark gemeu com essa carícia e praguejou. Ele acreditava que era mais forte emocionalmente que o loiro, mas estava começando a ceder.
− Amanhã nosso relacionamento estampará a capa de todos os jornais e você terá que dar a entrevista. – Isso não era uma opinião pedida, era uma ordem dada. Steve deixou o pescoço de Tony em paz por um tempo e olhou nos olhos dele. Entendeu que se não fosse assim, não haveria mais relacionamento. Respirou fundo, refletindo.
− Estampará um jornal. E daremos a entrevista juntos. E só.
− Ótimo. – sorriu o moreno – Eu senti muito a sua falta, vovô.
− Odeio quando você me chama assim.
− É. Eu sei.
Steve levantou do chão agarrando a mão de Tony, fazendo-o levantar também. O colocou sobre os ombros como se fosse um saco de batatas e caminhou em direção a uma mesa de aço ali perto. Jogou as coisas no chão e pôs Stark sentado na mesa.
O moreno nem se importou em ver as coisas caras caindo no chão, ele só queria ver os olhos azuis do loiro, sentir o calor do corpo dele. As mãos grandes de Steve ganhando espaço por entre as roupas sujas de graxa do moreno, acariciando seu corpo, o fazendo esquecer-se daquelas duas semanas sem notícia nenhuma.
− Eu senti sua falta o tempo todo, Anthony. – disse o capitão, tirando a camisa de Stark, beijando seu tórax, apertando suas costas. – Você não faz ideia de como foi difícil pra mim também, ter que sair sem dizer nada...
E ambos não precisavam dizer mais nada um ao outro. O olhar de ambos diziam tudo. Ambos estavam com saudades um do outro. Tristes pela ausência.
E saciaram de diversas formas, ali mesmo onde estavam, toda a falta que um fez ao outro.
A noite já ia alta e ambos estavam agora trabalhando nas diferentes formas de satisfazer um ao outro. Os pequenos toques, carícias, afagos... usaram todas as formas possíveis para desvendar os segredos de seus corpos.
Stark pode sentir Rogers dentro dele pela primeira vez e aquilo fora a coisa mais deliciosa que o loiro podia lhe proporcionar. Um prazer completo, misturado à falta do outro, aos movimentos que Rogers fazia dentro dele.
O moreno havia chegado à beira da loucura. Deleitou-se com as investidas de Rogers contra ele e seu corpo. Ambos atingiram o clímax juntos, respirando com dificuldade. Seus corpos suados eram a prova do amor que um sentia pelo outro.
Rogers acordou no outro dia no quarto de Stark. Riu pensando que podia brigar com ele um pouquinho, se fosse para terminar como aconteceu na noite anterior.
Percebeu que o moreno não estava na cama e não teve pressa de levantar. Olhou pela grande janela do quarto de Stark e percebeu que já era de tarde, pois o sol estava alto no céu. Pegou o controle sobre o criado mudo ao lado da cama e ligou a tv. Pôs no noticiário e demorou um pouco para acreditar o que estava vendo. Stark estava na porta da frente vestido de samba canção e tomando suco de laranja.
− Sr. Stark, é verdade que o senhor e o Capitão América estão tendo um caso? – perguntou o repórter.
− Se é verdade? Eu não posso responder essa pergunta. Mas saiba você que o Capitão tem uma marca de nascença até que jeitosa, perto do... você sabe do que eu estou falando. – e deu uma piscadela para a câmera.
Rogers estava tão vermelho que não sabia se corria para a porta da frente e socava Stark ou ficava constrangido por ele ter revelado esse detalhe da anatomia do loiro.
− Um jornal, entrevista juntos... sério mesmo que eu acreditei nisso?
Notas finais
Bem, ninguém tá lendo, acho que eles não são muito queridos juntos HUE.
Kori, Nath, obrigada pelos comentários na primeira fic, viu.
Bjo =*
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