Notas iniciais
E... Sou eu de novo! Clenery Aingremont! o/ Em resumo, nem uma das outras autoras conseguiu terminar sua one a tempo. Então, eu espero que vocês não enjoem de mim :P Na segunda, eu creio que já será outra autora a postar. Boa leitura ♥ PS: Queria ter a habilidade de notas enormes como as da Day, mas não sei mais o que dizer. Aviso: essa songfic é de realidade alternativa.

— James! Acorde! James!

Em um momento repentino e estranho de adrenalina, surgido por aquele grito, James sentou-se rapidamente, tentando localizar-se. Era um milagre seus óculos ainda estivessem em seu rosto, mas ele piscava os olhos repetidamente, tentando espantar o sono. Olhando para o lado, entretanto, ele logo acalmou-se.

— Lily! Quer me matar do coração? — ele resmungou, apoiando a mão no peito esquerdo.

— Desculpe-me! — ela disse, aflita.

Naquele tempo de guerra, era terrível o modo como não conseguiam dormir. Sempre a varinha por baixo do travesseiro. Sempre os olhos entrecerrados, atentos a qualquer movimento.

— O que houve, Lily? — ele tirou os óculos, esfregando o olho.

— Eu estou com desejo... — ela começou a dizer, tristonha.

Sempre que aquilo acontecia, James só podia pensar no quanto queria poder negar algo a ela, mas era impossível.

Yesterday

All my troubles seemed so far away

Now it looks as though they're here to stay

Oh, I believe in yesterday

— James...

Lily mal tocou em seu braço, e ele já abriu os olhos, alarmado, mas sem se mover.

— O que houve? — ele sussurrou, sentindo a garganta arder, por algum motivo desconhecido para ele.

— Eu acho que a bolsa estourou — ela sussurrou de volta, aparentando uma calmaria que James não sentiria em seu lugar.

— Por que você acha isso? — James parecia decidido a continuar com a calmaria.

— Minha barriga está doendo muito e... — ela franziu o cenho para ele, que afastou-se na mesma hora — Uma mulher sabe quando a sua bolsa estoura, Potter!

— Está bem! Está bem! — ele levantou os braços, rendendo-se — Eu vou me trocar...

— Não vai dar tempo! — argumentou Lily.

— Mas... — ele tentou.

— Potter, você parece uma garota no banheiro — ela retrucou, a calmaria já esquecida, ao vê-lo bem acordado.

— Está bem! Vamos logo! — ele resmungou.

Suddenly

I'm not half the man I used to be

There's a shadow hanging over me

Oh, yesterday came suddenly

James remexeu-se na cama, até perceber o que tanto lhe incomodava.

— Lily — ele resmungou, sem ter uma resposta — Lily.

Ela resmungou de volta. O seu rosto só permanecia sereno quando estavam dormindo.

— O que foi? — ela perguntou, quando ele não respondeu, os seus lindos olhos ainda fechados.

— Harry está chorando — James respondeu.

— Vê lá o que ele quer... — ela abraçou-se ao seu travesseiro, uma mecha de cabelo caindo em sua bochecha.

— Mas... — ele disse.

— Por favor! — ela pediu.

James suspirou, jogando o edredom em cima da esposa, propositalmente. Ouviu um resmungo frustrado em resposta, mas não deu atenção a isso. Amava a sua irritação, quando ele fazia isso.

— Harry! — ele sorriu sonolento, olhando para o berço — O que foi?

Pegando a criança no colo, ele parou imediatamente de berrar.

— Entendi — James sorriu.

Inclinou-se rapidamente, com Harry apoiado em um dos seus braços, pegando o pequeno travesseiro dele, antes de sair do quarto.

Lily continuava na mesma posição, ignorando plenamente o edredom jogado por cima de si. Harry conseguia deixa-los exaustos com bastante facilidade. Um pouco atrapalhado, ele tirou o edredom de cima dela, deixando um espaço para colocar Harry, que puxou levemente o cabelo da mãe.

— James! — ela reclamou, antes de levantar o olhar e ver a Harry.

— Estava carente — disse James, deitando-se.

— Não devíamos acostumá-lo — ela disse.

Ele não respondeu, e os três logo caíram no sono. James decidiu que a melhor maneira de acordar era ouvindo a risada do pequeno, ao ver a careta de sono dos pais.

Why she had to go I don't know

She wouldn't say

I said something wrong now I long

For yesterday

— James! Por favor, não faz isso comigo! Por favor!

— Sirius...

— James! Não! Você não pode...

Como se acordasse de um pesadelo, James abriu os olhos rapidamente, puxando ar com força, tanto pelo nariz quanto pela boca. Respirando rapidamente, ele olhou ao redor, sentindo que algo estava muito errado.

— J-James! — Sirius e Hagrid estavam com os olhos muito arregalados.

— O que... — James limpou a garganta, olhando ao redor.

E, então, ele lembrou-se.

A porta abrindo-se, a varinha em cima da mesa, o homem com rosto de cobra entrando na casa, a varinha sendo apontada para ele, Lily correndo para o andar de cima, e o raio de luz verde vindo em sua direção.

— James... — começou Sirius, mas ele não pôde continuar o que quer que diria.

O homem levantou-se, embora seu corpo inteiro estivesse reclamando de dor, e correu escada acima, pulando os degraus destruídos.

A porta do quarto de Harry estava destruída, e ele sentiu as suas pernas falharem. O choro do filho era alto, mas nem isso e a sua nova cicatriz o chamaram a atenção. O corpo de Lily jogado no chão, os olhos bem abertos, os cabelos espalhados pelo chão.

— Não! — ele caiu ajoelhado, desejando estar no lugar dela.

Sirius apareceu atrás dele, também parando, ofegante.

— Lily! — ele disse, aproximando-se deles.

— Não! — James choramingou — Não! Isso não é possível! Diga-me que é um pesadelo, Sirius! Por favor!

Hagrid não estava mais lá, foi avisar a Dumbledore sobre o que aconteceu. Todos acreditavam que James estava morto, como ele tinha sobrevivido sem sequelas? Aquilo era incrível, inexplicável.

— Eu sinto muito, James! — foi a única coisa que Sirius disse, fazendo-o desmoronar.

Yesterday

Love was such an easy game to play

Now I need a place to hide away

Oh, I believe in yesterday

— Senhor Potter, deve estar muito confuso — dizia Dumbledore, apaziguador.

— Trocamos o guardião do segredo — James estava no automático, tinha parado de chorar, mas a dor sempre seria sua companheira, apenas acalmada por seu filho — Não era Sirius. Pode usar minhas memórias, se quiser.

Dumbledore parecia muito confuso, mas James não estava disposto a explicar as suas motivações, naquele momento.

— Seria melhor se Harry ficasse uns tempos com sua tia, até que... — o diretor começou, e foi quando James acordou.

— Desculpe? O que disse? — ele perguntou, calmamente.

— O mundo bruxo ainda está se estabilizando, seria melhor para a segurança dele... Dos dois — ele continuou a dizer.

— Acha que sou um perigo para o meu filho? — perguntou James, encostando as costas no encosto da cadeira.

— Eu não disse isso — disse Dumbledore — Disse que os Death Eaters estão à solta, e será perigoso para ele.

— Sei o que está tentando fazer — ele disse — Mas não vai conseguir. Eu sou o pai dele, e ele não pisará naquela casa, enquanto eu puder impedir.

— James... — começou o mais velho.

— Não! — cortou-lhe James — Eu não vou ceder. Eu sou perfeitamente capaz de cuidar do meu filho. Além do mais, não estou sozinho. Peter nos traiu, mas ainda tenho a Sirius e Remus.

Dumbledore olhou fixamente em seus olhos desafiantes, e suspirou, exausto pela teimosia do ex-aluno.

— James, — ele chamou mais uma vez — Lily deu a vida por Harry. Ela morreu por amor.

Era muita crueldade tocar na ferida, sendo ela tão recente, mas James era um auror experiente, sabia perfeitamente o modo de convencimento que Dumbledore tentava utilizar, ele poderia afirmar que nunca odiou mais aquele homem.

— Eu sei disso — ele respondeu, tentando fazer com que sua voz não tremesse.

— Criou uma proteção muito poderosa. Essa proteção só será existente se ele compartilhar casa com os seus parentes de sangue materno — continuou dizendo Dumbledore.

— No caso de seus pais estarem mortos — retrucou James — Eu não estou morto. Não sei o porquê de não estar, mas não estou. Se Harry for morar em Little Hangleton, eu vou junto.

— Sua cunhada jamais admitiria... — começou Dumbledore.

— ...o meu filho naquela casa — completou ele — Concordo plenamente. Então, ainda não entendo a motivação desse assunto.

James levantou-se, deixando a Dumbledore com a palavra na boca.

— Tenho muito respeito pelo senhor — ele disse, cansado — Mas não vou dar o meu filho. Ele é a única coisa que resta de minha esposa. É o meu filho! Você pode ser muito influente, mas não o tirará de mim. E não vejo como que ele estaria mais seguro com pessoas sem magia.

Naquele momento, ele entendeu o porquê de ainda estar vivo.

Ele estava para salvar ao seu filho.

Why she had to go I don't know

She wouldn't say

I said something wrong now I long

For yesterday

— James! James!

Ele abriu os olhos, quase fechando pela claridade.

— Lily? — ele perguntou, confuso.

A mulher sorria levemente, vendo a sua confusão.

— Está tudo bem, querido! — ela acariciou o seu cabelo.

— O que aconteceu? — ele perguntou, decidido de que estava louco.

— Já não importa mais — Lily disse, sorrindo tristemente.

— É um sonho? — James perguntou.

— Parece um sonho para você? — ela perguntou de volta.

Ele deitou a cabeça novamente na grama, olhando ao redor, calado, sentindo as carícias pelo seu cabelo. Por mais que forçasse a memória, não conseguia lembrar de qualquer coisa. Morrer seria assim?

Ele olhou para o rosto compenetrado de Lily, enterrando a mão em seus cabelos, e não conseguiu preocupar-se com mais nada.

Se aquele era um sonho, ele iria aproveitar ao máximo.

Se aquilo era real, ele não encontrava uma melhor forma de morrer.

Yesterday

Love was such an easy game to play

Now I need a place to hide away

Oh, I believe in yesterday

Notas finais
Deixei para vocês decidirem se era um sonho do James ou se ele, realmente, morreu. Espero que tenham gostado ♥ E não se esqueçam: segunda-feira tem novo capítulo! Até lá!