Notas iniciais
AI MEU DEUS, UMA JILY!!!!! MUITO JILY PRA TODO MUNDO ♥ Oi, gente sz, aqui é a Miss Day, ou só Day e.e Quando dividimos as músicas, eu preciseeeei pegar essa, porque a letra é um amor sem tamanhos. Eu tava numa vibe absurdamente triste, então desculpem :c Não preciso dizer que, por ser a primeira a postar, toda a áurea de nervosismo/insegurança está enorme, ne? Eu espero que gostem de toda a coletânea, porque fizemos com muito amor (pela Karen principalmente ♥) Boa leitura, pequenos gafanhotos. ***************************** https://www.vagalume.com.br/the-beatles/i-want-to-hold-your-hand.html - letra da música sz

Lily já estava irritada àquela altura do dia. Havia sido uma sequência de fatos estranhos, completamente fora do normal para, no fim, chegar a um mísero pedaço de papel. Ela odiava caça ao tesouro, em especial quando o tesouro era algo tão... insignificante.

No verso da folha, seu nome estava escrito em uma caligrafia não muito impecável, mas que ela achava ser a mais bela letra do mundo. Não precisou de mais de alguns segundos até Lily descobrir o remetente e, aparentemente, o idealizador daquilo tudo.

James Potter.

Olhando em volta, confirmou que não havia nada e nem ninguém além de si mesma no lugar, o apartamento dele estava vazio. Lily respirou fundo, não porque precisava de calma, mas porque gostava do cheiro que os móveis de James tinham. Passou a mão levemente pelo colchão da cama onde estava, não para ver se estava limpo, mas para lembrar quantas vezes acordou ali, ao lado dele.

Mesmo que sozinha, podia ouvi-lo chamar seu nome, com a voz de quem acabara de acordar. Era o som preferido de Lily. Ela temia que não pudesse nunca mais ouvir isso. Ou sentir os braços de James a rodeando enquanto ela lavava a louça. Ou, ainda, todas as vezes em que James a convidava para um jantar romântico, que acabava em pizza ou comida congelada.

Voltando ao papel em mãos, ela respirou fundo antes de lê-lo. Passou os olhos rapidamente pelas palavras e sentiu o peito apertar. Porque ele não era do tipo que mandava cartões, nem mesmo nas ocasiões mais especiais. Porque ele preferia muito mais ligar ou mandar um correio de voz, ele sabia que ela preferia ouvi-lo falando.

Àquela altura, não havia nada a fazer a não ser ler o que estava escrito, embora ela preferisse que James falasse.

Lily,

Se você está lendo isso, significa que terminou a caça ao tesouro. Yay! Antes de tudo, parabéns, meu amor. Estou orgulhoso que tenha conseguido completar a missão mais difícil da sua vida. (Fui irônico, ok?)

Lily revirou os olhos, como se ele pudesse ver. Odiava o sarcasmo de James, principalmente quando se referia a ela.

Você sabe que eu poderia ficar aqui por infinitas horas, ou folhas, ou laudas, ou páginas. ENTENDA COMO QUISER! Falando de tudo que admiro em você, nos mínimos detalhes. Desde quando coloca uma mexa de cabelo atrás da orelha quando está nervosa, até quando bate freneticamente o pé quando está ansiosa com alguma coisa.

Eu admiro cada mínima coisa que você faz e, por todas elas, serei eternamente grato. Minha gratidão primordial é pelo simples fato de te ter na minha vida, por acordar todos os dias e saber que minha rotina é mais feliz porque, mais cedo ou mais tarde, vou ouvir sua voz, vou bagunçar sua franja, vou te ver.

Só de imaginar algum dia não poder fazer isso me deixa triste. Ah, tudo bem, eu poderia usar uma palavra melhor que “triste”, mas você entendeu. Por muito tempo, quis poder eternizar suas expressões; seu olhar com raiva quando não faço algo que me pediu, sua cara de surpresa quando apareci na sua casa com um buquê enorme de flores, ou você apertando os olhos quando estamos transando (é, eu penso nisso às vezes, desculpe).

Mas, acima de tudo, eu queria poder eternizar seus sorrisos, todos eles, cada um. Você tem mais de um sorriso, Lily, sabia disso? Aquele sorriso genuíno quando te surpreendo com coisas pequenas. O sorriso que sempre aparece quando você consegue concluir alguma tarefa. O sorriso complementado pela risada mais maravilhosa do mundo quando você vê algo muito engraçado na televisão. E, o melhor sorriso de todos, aquele que sempre acaba aparecendo depois de brigarmos.

Porque, Lily, você não é capaz de ficar brava com alguém. Principalmente comigo.

E era a mais absoluta verdade. Ela não conseguia guardar mágoa ou rancor de ninguém. E, quando se tratava de James Potter, Lily virava um poço de perdão. As brigas nunca duravam mais de trinta minutos e ela sempre corria até ele e o beijava repetindo diversas vezes que o amava.

Oh, yeah, eu direi a você algo

Eu acho que você entenderá

Quando eu digo aquela coisa

Eu quero segurar a sua mão

Mas, sabe de uma coisa? A beleza do seu sorriso não esconde quando você está triste. Nem sempre é por coisas grandes, e talvez seja pela morte do pássaro da esquina que você acha lindo. Sempre que te abraço e digo que vai ficar tudo bem, é uma promessa de que estarei sempre ao seu lado. De que vou sempre estar aqui para segurar sua mão quando tudo parecer desmoronar.

O mundo inteiro pode cair aos pedaços, contanto que você permaneça intacta. Se você estiver bem, meu mundo estará bem. Porque, Lily, você é meu mundo.

Ela não precisou nem terminar de ler toda a frase para sentir os olhos marejados. Afinal de contas, era melhor que James tivesse escrito tudo aquilo. Se ele tivesse ali, à frente dela, falando cada uma daquelas palavras, Lily seria incapaz de deixa-lo prosseguir com as frases.

Sirius vive dizendo que somos melosos demais, mas quem liga para ele? Ele sempre diz que, apesar de te amar (não como eu, é claro), você me deixou muito diferente. E, sinceramente, prefiro acredita que foi para melhor. Sou uma pessoa melhor com você ao meu lado. E é a primeira vez que admito isso, mesmo que eu já saiba há muito tempo.

E quando eu te toco, eu me sinto feliz por dentro

É como um sentimento que meu amor

Eu não consigo esconder, eu não consigo esconder

Black até está certo. Eu te amo, Lily, eu te amo muito, muito mais do que já amei qualquer outra, e não faço muita questão de esconder. Até porque eu não conseguiria. Quando estamos juntos, quero sempre que nossos momentos durem mais. E quando estamos separados, espero ansiosamente até poder estar contigo de novo.

Minha felicidade toda se deve a você, Lily. Essa criatura com menos de 1,75 e com menos força que uma formiga. Mas, mesmo assim, você é minha felicidade diária. E, nos dias em que fico muito tempo sem te ver, mal aguento em esperar para te abraçar de novo. Quando eu te toco, me sinto mais feliz por dentro. Às vezes por fora também, se você me entende.

Como prometi no início, não quero ficar aqui falando ou escrevendo sobre tudo que amo em você, mas prefiro ir direto ao ponto de uma vez. Se alguma vez não ficou claro, eu seria capaz de tudo para te ver sorrir. O sorriso genuíno que eu amo, lembra? Adoraria viver eternamente se a condição fosse vê-lo pelo resto da vida.

Pois enfim, Lily, eu te conheço melhor do qualquer um e sei que, de tudo e todos, a única coisa da qual você não cansa de ouvir são os Beatles. Lembra quando começamos a sair e você os idolatrou para mim, os encheu de elogios, e tudo que fiz foi dizer que Queen era melhor? Seu ódio foi hilário e, às vezes, ainda me pego rindo disso. Mesmo que eu tenha ofendido sua banda favorita, você não desistiu de mim.

E prometo jamais desistir de você, Lily.

Em algum lugar por aí, tem um CD. Coloque-o para rodar e não esqueça: eu te amo!

James.

Lily mal podia processar tudo que tinha lido, mas mesmo assim alcançou o tal CD e o colocou no DVD da sala. De imediato, James apareceu na tela, segurando seu violão da adolescência e ajeitando a câmera. A gravação era antiga, ele já estava diferente do vídeo; menos magro e mais forte, com o cabelo ainda mais bagunçado, se fosse possível. Por dedução, aquele vídeo deveria ter sido feito logo que começaram a namorar. E ele teve o cuidado de guardar por todos aqueles anos.

Ela se sentou no chão, próximo demais da televisão e apertou o play. James afinou o violão e começou a tocar uma versão acústica de uma música que Lily não descobriu qual era logo de cara. Depois de alguns acordes, ele finalmente falou alguma coisa.

— É, Lily, você tem um poder incrível sobre mim. Desde que ouvimos Beatles no carro, aquela música ficou impregnada na minha cabeça. Acabei ouvindo-a repetidas vezes no subconsciente até, enfim, aceitar que é uma banda legalzinha.

— Não é legalzinha, James — ela respondeu, como se ele pudesse ouvir.

— Não é legalzinha, James — ele falou e riu. — Tenho certeza que foi sua resposta e mereço um prêmio por te conhecer tão bem a ponto de saber até o que você vai responder. Já que a voz do John Lennon não sai da minha mente, acho uma ótima ideia que a minha voz não saia da sua mente — James sorriu e ela percebeu que também amava o sorriso dele. — I want to hold your hand, Lily, para sempre.

Surpreendentemente, ele começou a cantar a tal música dos Beatles. Não era a que ela mais gostava, mas acabou sendo depois de assistir aquilo. James guardou esse vídeo por tanto tempo que ela se perguntou como não o vira antes. Ele não estava cantando muito bem, o que era esperado, mas Lily o via como o melhor cantor do mundo naquele momento.

Nunca, em toda a vida, achou que alguém faria aquilo por ela, mas lá estava James. Cantando sua mais recente música preferida, da sua eterna banda favorita. A mesmíssima banda que ele admitiu não gostar. Ao invés de se perguntar como alguém nascido e criado na Inglaterra poderia não gostar dos Beatles, ela simplesmente pensou como queria estar ao lado dele para sempre.

Quando a música acabou, Lily já não era capaz de controlar as lágrimas que caíam por seu rosto, morrendo no chão. Ela aplaudiu, mesmo sabendo que ele não veria. Nem ele e nem ninguém. James deixou o violão de lado e se ajoelhou à frente da câmera. Era como se estivessem frente a frente.

— Não faço a menor ideia de quando irei te mostrar esse vídeo, mas a única certeza que tenho é que você verá isso algum dia. Então, citando Beatles, por favor, diga para mim que você me deixará ser seu homem, Lily — pegou algo do bolso e, quando ela viu que era um anel, sentiu o coração bater ainda mais rápido. — Diga, há quanto tempo estamos juntos? Três, quatro, cinco anos?

— Quatro anos e meio — ela respondeu retoricamente.

— Não faço a menor ideia, porque estou gravando isso quando te conheço há pouco mais de uns seis meses. É uma loucura sem tamanho pensar nisso agora, não é? Mas, eu simplesmente sei que vamos acabar juntos. Lily Evans, eu tenho certeza que, se você está vendo isso, é porque te amo mais do que posso explicar. Por favor, me dê a honra de tentar te fazer feliz tanto quanto você me faz?

Era surreal, para não dizer nada além disso. James a pedia em casamento através de um vídeo feito anos atrás. Ele tinha a certeza de que ficariam juntos e isso fazia Lily se sentir péssima. Por todas as vezes que ela duvidou deles, todas as vezes que pensou em desistir dos dois porque as coisas estavam difíceis demais, por todas as noites em que preparou um discurso de término, mas não foi capaz de dizê-lo.

Lily se sentiu ainda pior por imaginar como James ficaria se acaso tivessem terminado. O que ele faria com aquele vídeo? Ele certamente ficaria arrasado e se sentiria o homem mais idiota do universo. E seria tudo culpa dela, da covarde, insegura, medrosa.

Se ele tinha tanta certeza de que tudo daria certo, por que ela não poderia ter também?

— Quando você estiver assistindo isso, estarei na casa do Sirius esperando sua resposta. E esse anel estará esperando por você, meu amor. Eu te amo — ele desligou e, por vários segundos, ela permaneceu atônita no mesmo lugar.

Precisou de vários minutos até assimilar tudo e ligar para Sirius. O telefone chamou uma, duas, três, quatro, cinco vezes. O Black nunca desgrudava daquele maldito celular, então para que demorar tanto para atender? Lily ligou de novo e de novo até cansar de não ser atendida.

Alcançou sua bolsa, o CD e a carta de James e foi até a casa de Sirius por conta própria. Seu coração estava batendo muito mais rápido que o normal, sua visão era embaçada pelas infinitas lágrimas e suas mãos ainda tremiam pela avalanche de informações.

Quando chegou, achou que iria ver James ajoelhado à sua espera, com o anel em mãos e o sorriso mais lindo de todo o mundo nos lábios. Talvez Sirius estivesse atrás, observando tudo e achando aquilo o episódio mais gay da vida do amigo, mas, no fundo, estaria feliz pelos dois.

Porém, tudo que Lily viu foi um Black escorado na parede, aos prantos. Ele não era o tipo de cara que chorava, oh não, ele fazia as meninas chorarem por sua causa. Ela não quis se aproximar, teve medo que o motivo que o fazia chorar também a fizesse. Tudo que ela não queria naquela hora era chorar ainda mais.

Numa tentativa falha de ir embora sem fazer barulho, ela colidiu contra uma cadeira e obteve a atenção de Sirius. Ele a notou, limpou o rosto e caminhou até onde ela estava.

— Você deveria encontra-lo aqui, não deveria? — Lily concordou. — Desculpe, Evans, por favor, me desculpe.

— O que aconteceu? Você sabe que eu odeio quando me chama pelo sobrenome.

— Foda-se, Lily, foda-se — ele respondeu no tom usual de descaso. — James, ele... ele não está bem.

— Como assim não está bem?

— Vindo para cá, ele sofreu um acidente — as palavras caíram como uma bomba sobre ela. — Foi direto para o hospital, mas não quero vê-lo. Realmente não quero vê-lo nessa situação, mas você deveria ir, Lily. Vá e case-se com ele, por favor. Faça James um pouco mais feliz.

Sirius nem esperou por uma resposta. Ela correu até o hospital mais próximo. Suas lágrimas agora eram de medo, angústia, pavor que algo acontecesse. Seu coração agora batia mais acelerado por todo o esforço que fazia em correr para chegar a James mais rápido. Suas mãos ainda tremiam e já não era mais de alegria.

— James Potter — falou, ofegante, assim que chegou à recepção do hospital. — Eu preciso ver James Potter.

A recepcionista assentiu e a entregou um papel com o número do quarto onde ele estava. Lily subiu as escadas mais rápido que qualquer elevador e procurou pela porta de número 325. Uma enfermeira saía de lá e a olhou com peso no olhar, como um aviso de que ela não veria nada bom.

James estava deitado sobre a cama e seus olhos estavam fechados, como se dormisse. Seu peito subia e descia tão devagar que parecia prestes a parar a qualquer segundo. Uma faixa perpassava sua cabeça e uma de suas pernas estava completamente engessada. Vários aparelhos eram ligados a ele, mantendo-o vivo e, com isso, mantendo-a viva também. Devagar e com cuidado, ele moveu a cabeça para onde ela estava e sorriu.

— Não faça esforço — Lily falou enquanto se aproximava. Pegou a mão dele com cuidado e a acariciou entre as suas. — Li sua carta e vi seu vídeo. Você cantou muito mal.

— O que importava não era a música.

— Sim — ela respondeu. — Eu aceito.

— Na saúde ou na doença? — James perguntou irônico e ela odiou seu sarcasmo de novo, mas acabou concordando. — Coloque o anel, quero ver como fica em você. Está no bolso da calça, sobre a cadeira.

Lily fez o que ele pediu e o viu sorrir ao mostrar a aliança no dedo.

— Linda — ele sussurrou, ainda mais fraco. — Segure minha mão, Lily, segure minha mão.

Eu quero segurar sua mão

Eu quero segurar sua mão

Ela percebeu que os aparelhos faziam menos barulho e uma enorme quantidade de sangue escapava pelos curativos na cabeça de James. Era desesperador ver tudo aquilo, mas foi incapaz de se mexer, ele segurava sua mão o mais rápido que podia e isso a prendia ali.

Ele foi perdendo batimentos cardíacos e Lily não pôde mais ficar sem fazer nada. Gritou por ajuda, gritou o mais alto que conseguia e pouco se importou se outros pacientes dormiam. James estava morrendo à sua frente e se preocupar com o bem-estar dos outros não era parte de suas prioridades.

Uma enfermeira invadiu o quarto e pediu que ela se afastasse. Antes de obedecer, Lily se abaixou e sussurrou para ele:

— Eu também sempre soube que acabaríamos juntos.

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Lily Evans nunca foi capaz de superar a perda de James Potter. Ela o amava mais do que imaginava amar e a morte dele a deixou devastada, no mínimo. Todos que o conheciam ficaram da mesma maneira. Ele era alegre, feliz, uma pessoa extraordinária, um filho exemplar, um amigo dedicado, um namorado perfeito.

Toda a dor que James sentiu ali, deitado, sendo mantido vivo por meia dúzia de aparelhos, agora era carregada por Lily. E ela carregaria aquele sentimento pelo resto da vida. Lily sabia que não era sua culpa, que fora um acidente, mas uma parte de si se culpava pela morte de seu único amor.

Não haveria mais manhãs em que ela o ouviria chama-la com a voz sonolenta, não haveria abraços repentinos, nem risadas altas. Não haveria mais amor sem ele.

Não haveria vida sem James Potter.

Notas finais
DESCULPEM PELO FINAL AUHEAU :c Segunda tem mais ♥