Eu me lembro de esperar na biblioteca, suspirando, nervosa. Ele precisava de ajuda e eu é quem tinha que esperar. É claro que naquela hora eu ainda não sabia quem era ele.

Ouvi a velha porta ranger.

Um garoto alto, loiro e bronzeado entrou. Ele usava uma calça jeans e o moletom do time de futebol do colégio. Eu reviro os olhos. Eram sempre esses os que precisavam de ajuda.

Ele tem um certo olhar de arrogância, o qual me irrita instantaneamente. Eu estava ali para ajudá-lo. Não para servi-lo.

— Está atrasado. — Minha voz é firme e passa leve irritação.

— Okay, princesa. Me desculpe, mas tenho outras ocupações.

— Eu garanto que também tenho, porém costumo respeitar horários. E nunca mais me chame de princesa.

Ele dá de ombros.

— Se é assim que quer... Prazer, Jason Grace.

— É exatamente assim que eu quero. — Fiz uma pausa e sorri ironicamente com os cantos da boca. — Reyna.

Ele ri.

— Já entendi. O seu lance não é princesa, é rainha.

Retruco com um sorriso de escárnio.

— Já vi que o engraçadinho é bom em espanhol.

— Na verdade, não. Estou aqui para isso.

— Muito bem então. Vamos começar, Grace.

Aquele foi o dia que o conheci. Por um estranho motivo meus pensamentos não o deixaram, mesmo quando ele foi embora.

Essas pequenas sessões se repetiram ao longo do ano. Nós acabamos por ficar amigos. Eu não pude evitar, ele também não.

Nós nos aproximamos.

Eu me lembro do nosso primeiro beijo.

Por alguma razão (ou destino), durante as férias eu encontrei-o na mesma praia que costumava frequentar há tanto tempo. Logo quando achei que não íamos mais nos ver.

Observava as ondas e os surfistas, enquanto tomava Sol. Minha pele sempre teve um tom bronzeado, então eu realmente não precisava disso, mesmo assim, eu permaneci algum tempo daquele jeito. Por fim, decidi dar um mergulho. Ao me encaminhar para o lugar, pude perceber a maré revolta. Pelo jeito não teria tanta sorte e nem mesmo conseguiria mergulhar. De repente o tempo havia fechado e eu nem percebi.

As pessoas corriam para pegar suas coisas antes que a chuva começasse. Os surfistas agora saiam do mar apressados. Vi ao longe um grupo correndo meio desajeitado para sair do mar. Em alguns minutos aquela praia estaria deserta.

Seguindo o exemplo dos outros, voltei para recolher minhas coisas.

Dobrei minha toalha e minha cadeira. Coloquei meus pequenos objetos na bolsa e já saia quando algo me acertou na parte de trás da cabeça e me derrubou no chão.

Levei a mão a nuca, na tentativa de massageá-la, ainda no chão de areia clara.

Já tentava me levantar quando percebi alguém se abaixar ao meu lado.

— Ah, Deus! Moça, você está bem?

— Sim, eu... — A primeira coisa que vi foram seus shorts. Laranja, estilo florido. Era um surfista. A prancha me atingira quando ele se virou. E pior, eu o conhecia.

— Reyna?

— Jason?

— Tudo bem, isso é estranho.

— É.

Ele me ajudou a levantar. O vento agora era forte, então teve que elevar a voz para falar:

— Melhor sairmos daqui, Vossa Majestade!

Eu não tive tempo de dizer nada sobre esse ilustre "apelido", ele me agarrou pelo braço e me arrastou para fora dali.

Encontramos um tipo de quiosque próximo da praia e resolvemos esperar por lá.

Ele não estava sozinho, obviamente, estava com alguns amigos.

Aparentemente, todos haviam levado roupas mais quentes, menos eu. É claro que eu achei que teria sorte em pegar um dia de Sol.

Agora eu tremia de frio, observando a tempestade lá fora, a qual, com o vento, trazia respingos que caiam sobre mim e me molhavam levemente.

Pela visão periférica, vi Jason se aproximar. Além dele, seus amigos e eu, não havia mais ninguém ali. Nem nada. Nem mesmo mesas, ou cadeiras.

— Frio? — Ele me olha e dá um daqueles seus sorrisos irresistíveis. Droga.

— Talvez. — Viro o rosto para esconder um repuxo nos meus lábios.

— Por que você tem que ser tão complicada?

— Por que você se importa?

Ele me abraça, talvez na tentativa de me aquecer. Eu não me afasto.

Ficamos algum tempo em silêncio. Minhas costas sobre seu peito. Até que ele me vira. Fazendo-me encarar seus profundos olhos azuis.

— Porque eu gosto de você.

Ele se aproxima. Ainda abraçada a ele, recuo alguns passos. Mas ele não me solta e finalmente minhas costas chocam-se com um dos pilares daquele quiosque.

O vento é forte e os meus cabelos voam no meu rosto. A chuva respinga em nós dois agora. Seu aperto afrouxa, mas eu continuo encostada ao pilar. Suas mão vão ao meu rosto, afastando os meus cabelos, quando ele se aproxima e me beija.

Seus lábios transmitem calor. O beijo é, de certa forma, calmo. Por algum motivo, eu não me separo dele, e nem recuo ao beijo. Correspondo.

Uma semana depois me pediu em namoro.

Ah, se tudo continuasse assim.

Ah, se tudo fosse como um conto de fadas.

O nosso conto de fadas.

Ele seria meu príncipe.

E eu sua princesa.

Mas, como ele mesmo dizia, eu sou uma rainha.

Os príncipes pertencem as princesas.

E os contos de fadas, não fazem parte do nosso mundo.

Ele a conheceu.

Nosso amor foi se desgastando. Não saiamos mais como antes. Sempre havia uma desculpa para estar com ela.

Eu me lembro da nossa última conversa.

Estávamos no meu apartamento.

Assistimos "Capitão América — O primeiro Vingador". Jason sempre gostou dos Vingadores. Capitão América era o seu preferido.

Por algum motivo, quando o filme acabou, ele falou sobre Piper.

Perguntei o que ele queria dizer com isso.

— Eu não sei. Reyna, eu te amo. Mas eu... Eu estou gostando dela.

É claro que discutimos. Como ele poderia dizer aquilo para mim?

Fui até a porta e a abri. Fiquei ao lado, dando espaço suficiente para ele passar. Ele estava do lado de fora, de costas para mim, quando digo:

— Se você me ama de verdade, Jason. Se me ama como diz... — Estava com lagrimas nos olhos, eu lembro. Depois de tanto tempo... Eu era apaixonada por Jason Grace. Por fim, sussurro, contendo as lágrimas. Ele não vai me ver chorar. — Tudo o que tem que fazer é ficar.

Ele vira a cabeça, me encara por alguns segundos. Há tristeza em seus olhos. Por fim, abaixa a cabeça e vai embora.

Notas finais
Talvez eu faça uma segunda one, como continuação para essa. Mas só talvez...Espero que tenham gostado! Ela me deu um pouquinho de trabalho, já que eu estava totalmente sem ideias, e resolvi escrever do nada. Toda hora, eu parava, a internet caia, ela voltava, eu tinha que sair... Então, bem, espero que apreciem!Se houver algum erro, me avisem, porque escrevi direto no Nyah! e não revisei!O que acharam? Comentar não faz dedos caírem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!