All We Ever Do Is Say Goodbye
9 Capítulo 9
"Esquecer e perdoar. É isso que dizem por aí. É um bom conselho, mas não muito prático."
(Grey's Anatomy)
- VOCÊ FEZ O QUE?! — Jess gritava, surpresa. E novamente, contei tudo o que havia acontecido nos três dias que eu estava em Londres.
- Eu não acredito! Cadê aquela história que era proibido sequer tocar no nome dele?! E agora você o beijou! Mesmo depois de tudo o que aconteceu... mesmo ele sendo o noivo da sua irmã! — ela continuava, como se eu já não estivesse me sentindo pior o bastante.
Eu tentei ignorar Jess assim que cheguei de viagem, ontem à noite, mas hoje fora impossível. Eu mal havia chegado no trabalho e logo Jess se trancou comigo em minha sala, dizendo querer saber de todos os detalhes.
- Amiga, desculpa. Eu sei que você está péssima por tudo isso... mas, deus, como isso foi acontecer logo com você?! Milhares de garotas para ele se envolver e ele escolheu logo a sua irmã?! — ela riu de desgosto.
— Fazer o que, Jess. No início, eu acreditava ser apenas uma brincadeira que alguém estava pregando em mim, mas então me dei conta de que aquilo estava só começando. Era um terrível pesadelo. — respondi, querendo finalizar o assunto. — Por favor, vamos voltar ao trabalho. — pedi. — Mas e o Tom? Você o viu? — eu ri com a pergunta de Jess. Tom era amigo de Dougie e foi um namoradinho de Jess na época que ela morava em Londres, mas eu nunca descobri muito bem como funcionava a história dos dois.
O dia passou depressa e dei graças a deus por conseguir ocupar a minha mente e não pensar em nada que não fosse trabalho. Após o almoço, Jess e eu ficamos presas em duas reuniões internas, até que o relógio marcou as sete horas da noite.
- Bruh, precisa de mim? — ela perguntou, após bater e aparecer na porta. — Não, Jess. Pode ir. — tentei passar o sorriso mais confiante que podia.
— Você vai ficar bem? — eu apenas confirmei com a cabeça e mostrei os documentos nas mãos que eu deveria ler e assinar. — Tudo bem, então.
Assim que Jess saiu, virei-me na cadeira e encarei a grande janela do escritório. Vi a rua de Nova Iorque movimentada, mesmo para uma segunda feira. Aquela vista da minha sala era maravilhosa, e tinha sido por causa das janelas que eu tinha decido que seria minha. Senti meu celular vibrar e novamente me vire, pegando-o.
Eu tentei fazer o que você pediu, mas falhei.
Desculpa,
xoxo Dougie.
A mensagem de Dougie me pegou de surpresa. Eu realmente não esperava. Mas do que ele estava falando? Ele havia contado tudo a Ally? Chequei as chamadas não atendidas do meu celular, assim como as mensagens e não tinha nenhuma dela. Liguei para a secretária, que embora estivesse de saída, atendeu o meu pedido e verificou as chamadas. Nada também.
Como assim?
B.
Mandei de volta, ansiosa em saber a respota. Ele não poderia contar a Ally. Isso a faria sofrer e ela não merecia isso. Já fora difícil o bastante ela se amarrar a alguém, ainda mais assim, apaixonada como ela estava. Batuquei os dedos na mesa, esperando a mensagem em resposta, mas nada dela chegar. Ele só podia estar brincando comigo. Eu já estava desistindo de esperar, quando meu celular tocou e um número desconhecido apareceu no visor.
- Alô? — perguntei. — Eu tentei. Eu tentei fazer o que você pediu, mas não consigo esquecer. Seu pedido não é tão pratico assim. — ouvi a voz de Dougie do outro lado da linha responder.
- Mas você precisa. Não podemos machucar a Ally ainda mais... — completei.
- Não dá. Eu passei a noite toda em claro, pensando em você. Não consigo tirá-la da cabeça. — ao mesmo tempo que eu me desesperava ao ouvir sua resposta, algo em mim despertava, fazendo com que todo o meu corpo ficasse elétrico.
- Eu também. — as palavras saíram da minha boca sem nem ao menos eu perceber. Eu estava cansada de controlar tudo o que eu falava, tudo o que eu pensava. Cansada de me controlar.
- Está em casa? — ele perguntou depois de um tempo. — Não, no trabalho. — respondi, suspirando. Aquilo estava indo longe demais.
- Ainda bem que salvei o seu número, depois que me mandou aquela mensagem. — ele disse rindo.
- Estou começando a me arrepender de tê-la mandado. — retruquei.
- O que pretende fazer hoje a noite? — ele perguntou e eu tentava imaginar o que ele estava fazendo nesse exato momento.
- Eu pretendo trabalhar. — respondi, segurando o riso.
— Que pena. Terei que atrapalhar seus planos. Preciso ter a minha dose diária de você. — por mais que eu soubesse ser errado continuar com aquilo, tudo me dizia para continuar. Eu não queria parar.
- E se eu desligar? — questionei. — Serei obrigado a ir até aí. — ele disse num tom sério. — Dougie, não seja louco. Você nem sabe onde fica! — rebati, torcendo para que ele não estivesse falando sério.
- Eu descubro. Ou então, não delisgue o telefone. — ele pediu.
Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas ouvindo a respiração um do outro. — Dougie? — o chamei, sem ter a certeza de que ele ainda estava do outro lado da linha. — Sim. — ele suspirou.
- O que vamos fazer? Digo... isso é errado. — assumi a dúvida que me assombrava. — Não parece errado para mim. — foi tudo o que ele disse.
- Isso não está facilitando as coisas. — falei com a voz embargada, rindo em seguida. Ouvi Dougie também sorrir tristemente com a situação.
- Desculpa, preciso ir. — ele se despediu.
Eu tentei voltar para o trabalho, me concentrar. Mas qualquer coisa que fosse não pensar em Dougie e em nossa conversa era praticamente impossível de fazer.
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