Flashback.

Eu olhava pela janela da starbucks enquanto terminava o meu chocolate quente. Londres ficava linda com suas ruas cheias de neve e eu amava o clima frio tão familiar.

Respirei fundo.

Eu ainda não conseguia acreditar que tinha perdido tanto tempo da minha vida com o estúpido do Ethan. Ele só pensava em si, me deixando sempre em segundo plano. Nada além dos seus amigos importava para ele. Três meses jogados fora. Três meses que para ele fora muito, e ainda sim, ele não havia provado que merecia a minha atenção.

Senti alguém se aproximar e virei meu rosto em sua direção. Um estranho estava ali, parado em frente à minha mesa, sorrindo. Um estranho perfeitamente lindo.

- Desculpa, mas posso me sentar aqui? — ele perguntou e antes que eu pudesse responder, completou — Sou Dougie. E os meus amigos apostaram vinte pratas de que você não me deixaria sentar aqui. Então me faz um favor? Não precisa falar comigo, se não quiser. Apenas me deixar sentar.

Dougie, como o menino havia se apresentado, tinha os cabelos loiros, minuciosamente bagunçado e os olhos azuis. Aparentava ter uns vinte anos, não mais que isso.

- Então? — ele perguntou, ansioso. — Você divide a grana comigo e eu lhe deixo sentar. — brinquei. — Feito. — e então ele se sentou.

Voltei a bebericar o meu chocolate, quando o ouvi novamente falar.

- Sobre o que você tanto pensa? — eu o encarei, vendo-o beber uma bebida qualquer dentro do copo da starbucks.

- Sobre a vida. — sorri sem graça. A maioria das pessoas me perguntaria se estava tudo bem, mas Dougie havia me perguntado sobre o que havia causado aquilo.

- Eu ainda não sei o seu nome. — ele disse, colocando suas mãos em cima da mesa, e jogando seu corpo para mais perto de mim.

— Bruna. — respondi, voltando novamente a minha atenção para a rua. Assim que terminei a minha bebida, levantei-me para ir embora.

Dougie, o menino que estava há pouco sentado na mesma mesa que eu, segurou o meu braço.

- Posso acompanhá-la até lá fora? Sabe, como agradecimento. — ele pediu. Não pude evitar e abri um sorriso. Era engraçado como a cada gesto dele eu me surpreendia.

- Eu ainda não esqueci que você me deve dez pratas. — eu ri, piscando o olho para ele, que confirmou com a cabeça. Ele pegou a carteira e antes que a abrisse, o interrompi. — Vamos fazer assim: você me paga um outro chocolate quente amanhã, aqui às cinco horas. Tudo bem? — perguntei.

Vi Dougie sorrir abertamente, de acordo com a minha proposta. E então, como pedido por ele, fomos até a saída da starbucks. Sem perceber, abaixamos ao mesmo tempo para pegar uma moeda que estava na calçada, jogada. Mas eu fui mais rápida e acabei pegando-a.

Ao perceber que ele também havia tentado pegá-la, estendi a minha mão, dando o pequeno metal para ele.

- Toma. Isso dá sorte. — sorri. Dougie me encarou, sem entender, mas ainda sim pegou a moeda, agradecendo. E então, dei um beijo em sua bochecha, agradecendo a companhia e fui embora.

O que eu mal sabia era que frequentaria muitas vezes o mesmo lugar e com a mesma companhia.