"Só porque alguém te machucou uma vez, não significa que tem que excluir totalmente de sua vida. As coisas mudam. Pessoas crescem."
(Pretty Little Liars)

Senti o sol tocando a minha pele enquanto a claridade invadia o meu quarto. Sorri ao lembrar da noite anterior.
Ao perceber que eu havia acordado, Dougie virou-se para me abraçar.
- Bom dia, pequena. — ele depositou um beijo em meu pescoço.
- Bom dia.
Dougie deitou de barriga para cima e me puxou para deitar em seu peito, ainda me abraçando.
- Dormiu bem? — perguntei e ele concordou com a cabeça. — Posso saber qual será a nossa programação de hoje? — ele perguntou, sorrindo.
- Nossa? — perguntei, levantando-me e ficando de joelhos sobre a cama. Ele apenas confirmou com a cabeça. — Quer dizer que hoje eu terei você todinho pra mim? — o encarei, feito uma criança pidona. Dougie gargalhou ao me ver fingindo que estava pensando em pedir algo. Sua gargalhada me contagiava com seu som gostoso de ouvir.
- A única coisa que peço é que fique ao meu lado hoje. — respondi, sendo puxada de volta para o lado dele, deitando novamente em seu peito. — Tudo o que você quiser. Aliás, precisamos comprar algo para comer. O que deseja hoje, senhorita? — ele brincou.
- Hum... acho que chocolate quente! — respondi. — Achei que ia falar Dougie Poynter. — ele fingiu desapontamento e eu mordi a sua bochecha.
Após alguns minutos, Dougie se levantou e caminhou até o banheiro, deixando a porta aberta para ainda assim, me ver.
- Posso te fazer uma pergunta? — pedi .- Você já está fazendo. — ele rebateu e eu joguei um travesseiro em sua direção numa tentativa falha de lhe acertar. — Qual era o pedido da Ally? — perguntei, mordendo o lábio, insegura com a resposta que receberia.
- Você quer mesmo falar nisso? — ele me encarou do banheiro, sério. Eu apenas concordei com a cabeça e mordi mais ainda o lábio, quase fazendo-o sangrar. — Ela pediu para que eu viesse te convencer a organizar o nosso casamento. — ele disse.
Machucou mais do que eu podia imaginar. Nosso casamento, ele dissera. Eu não queria que ele largasse a Allison, mas no fundo, eu ainda tinha esperança de ele desistir. Um nó surgiu em minha garganta.
— Mas é claro que não vou te pedir isso. — ele sorriu fracamente, percebendo o meu desconforto. — E como vai ser, Dougie... quando vocês estiverem casados? — perguntei, controlando-me para não chorar. A sensação de ser A outra era horrível. Parecia que ninguém realmente se importava com você, que era apenas um passatempo.
- Bruh, eu não sei. Eu ainda não tinha pensado sobre isso. — ele veio até mim, me abraçando. Mas não era isso que eu queria naquele momento. De alguma forma, o que eu mais queria era que ele dissesse que queria ficar comigo. Cancelar o casamento e sermos somente nós dois.
E então, tinha a minha irmã nessa história toda. Eu não podia exigir nada. Eu havia assumido o lugar da outra, sem ninguém me obrigar.
Ela não tinha culpa por nada disso.

Não toquei mais no assunto ao longo do dia, mas tampouco conseguia me desligar totalmente desses pensamentos. Eu iria organizar um casamento que, mesmo não sendo de conhecimento público, eu havia contribuído para desrespeitá-lo. Além de tudo, era o casamento da minha irmã.
Valia isso tudo? Dougie valia a ponto de trair uma das pessoas que eu mais me importava nessa vida? Eu estava confusa.

- Dougie — chamei. — Eu não quero mais fazer isso. — Ele me encarou sem entender. Estávamos sentados na sala, no sofá, assistindo um filme qualquer, mas nenhum dos dois parecia realmente prestar atenção.
- O que você quer dizer? — ele perguntou, tentando seguir a mesma linha de raciocínio que eu. — Eu não quero mais trair a Allison. Eu não quero mais essa felicidade clandestina. Eu não quero mais ser a outra. — soltei tudo de uma vez. — Mas Bruh... — ele começou, mas novamente eu voltei a falar.
— Desculpa, mas isso não vale a pena. Eu realmente não sei se você mudou. Aliás, olha só para nós! Estamos fazendo com ela exatamente o que você fazia comigo! Eu não quero isso pra mim, pra minha vida. Não quero agir da mesma forma. Só eu sei o quanto tudo me machucou e não desejo isso para ninguém, muito menos para a minha irmã. — levantei do sofá, mas ainda sim, encarando-o.
- Você tem certeza disso? — ele perguntou visivelmente magoado. — Eu achei que estávamos bem, Bruna.

Eu fechei meus olhos. Precisava mandá-lo embora ou caso contrário, se eu ouvisse mais uma vez ele chamar o meu nome, eu correria novamente para o seus braços, dizendo que o amava e a minha tentativa de fazer a coisa certa iria por água abaixo.
- Achou errado, Dougie. Isso não é o certo. Eu estou tentando acertar.
Sem dizer mais nada, Dougie se levantou, pegando todas as suas coisas espalhadas pelo apartamento e partiu. Partiu sem olhar para trás. Sem um último beijo, um último adeus.

Senti meus joelhos fraquejarem, deixando eu desabar no chão, ali mesmo na sala. Todas as lágrimas que eu segurava desde aquela manhã agora escorriam pelo meu rosto sem nem ao menos terem permissão. Eu sabia que tinha feito o certo, mesmo que o meu coração tentasse provar ao contrário. Não era justo eu fazer isso com a Ally. Logo eu que recriminei todas as outras mulheres com quem Dougie havia se deitado enquanto estávamos juntos.
Eu permaneci ali, sentindo toda a dor que eu poderia suportar. Vendo o homem que eu mais amava sair novamente da minha vida. Um mal necessário.