All We Are - Dramione
2 Capítulo II - Angel
Notas iniciais
Foi ai que ouvi, o mesmo som que tenho feito meses a fio, desde o fim da guerra. E o que mais me chocou, não havia sido eu a produzir o som.
Malfoy havia suspirado.
Encarei aquele par de orbes cinzas na minha frente, minha expressão que antes deveria estar triste, quase desolada agora se encontrava intrigada. Não teria sido eu a única a ficar remoendo aquelas lembranças, ele e aquele dia? O dia onde tudo havia mudado pra mim...
– Merda, Granger! Não me olhe assim, ok? Eu não sei o que estou fazendo aqui, não sei que raios deu em você ao querer me defender. — Ele me olhava transtornado, como se tivesse travando e perdendo uma briga interna. — EU NÃO MUDEI! Você viu como eles me olharam, como todos me olham, nada do que eu fizer vai mudar isso. Continuo sendo o velho e estupido Malfoy e você a sabe-tudo sangue ruim.
O vi enterrar a cabeça nos joelhos, os abraçando com força, como se quisesse acreditar naquilo que havia acabado de falar. E, do mesmo jeito que não pude evitar as lagrimas que insistiam em cair dos meus olhos, as próximas palavras saíram da minha boca como se tivessem vida própria...
– Eu não te olho dessa maneira, Draco... — Senti todo o corpo do Malfoy se contrair ao escutar seu nome sendo pronunciado por mim.
– Então é só mais uma prova de que você tem algum tipo de problema mental, Granger. — Ele levantou a cabeça exibindo um sorriso sarcástico e sem humor. — Não que isso seja novidade pra alguém...
– Ora seu... — Quem essa doninha maldita pensa que é?! Eu o havia ajudado e é isso que eu ganho em troca??
Me levantei preparada para dar-lhe um soco que faria o de Parker parecer carinho, mas ele foi mais rápido, segurando minhas mãos na metade do caminho e me puxando para si.
Senti braços ao meu redor. Malfoy me abraçou.
Merlin, o que os elfos colocaram na minha comida, aquilo só poderia ser uma alucinação... Pisquei algumas vezes esperando tudo sumir e eu acordar linda e bela no meu quarto, mas não foi o que aconteceu, a presença dos braços ainda se fazia presente. É real.
E foi ai que, com um pequeno delay, o abracei de volta. Outro suspiro, dessa vez não soube dizer se meu ou dele, talvez dos dois...
– Obrigada, Granger... — Saiu quase como um sussurro mas só isso já era mais do que eu poderia esperar de um Malfoy. Ele se afastou, me deixando olhando para o nada mais uma vez, até que segundos antes de sair da sala, escuto novamente sua voz, com o típico som sarcástico e o sorriso de lado.
– Espero que esteja preparada pra acabar com metade da escola, Srtª defensora dos fracos e oprimidos.
Draco piscou pra mim antes de sair de vista. Eu ri. Sinto que esse ano me trará grandes problemas...
Escutei o barulho das badaladas. Meia noite. Parece que os problemas já estavam pra começar, havia passado ha tempos do horário de recolher.
Suspirei mais uma vez antes de seguir pelo mesmo caminho que o loiro, torcendo pra não ser pega pela maldita gata.
~~~
– HERMIONE JEAN GRANGER!
E assim que meu dia começou, caindo da cama com uma ruiva histérica rindo da minha cara.
– QUAL É O SEU PROBLEMA GAROTA?!
– Hermione querida, não sei se você já reparou... — Começou Gina de maneira doce — MAS FALTAM 10 MINUTOS PRAS AULAS COMEÇAREM!!
Quase cai pra trás. Gina não precisou falar mais nada, eu já saia igual foguete pra tentar me arrumar em tempo (missão impossível).
Cheguei na sala 15 minutos atrasada e com a barriga conversando comigo. Socorro, que fome. De quem tinha sido a ideia de colocar essa aula do outro lado do castelo? Nem tive como pegar comida no salão.
– Está atrasada. — Jura?! Me controlei para não revirar os olhos
– Desculpe, professora. Não acontecerá de novo.
– Assim espero Srtª Granger, sente-se ao lado do Sr. Malfoy. E menos 15 pontos para Grifinória pelo atraso.
Revirei os olhos, to vendo que o dia promete...
Não troquei nenhuma palavra com Dra...Malfoy durante a aula, porém devo dizer que o que faltaram de palavras, compensamos nos olhares. Era o primeiro dia de aulas e eu não conseguia prestar atenção em uma palavra que a mulher falava, arrgh, tudo culpa do Malfoy. Queria gritar pra ele parar de me olhar daquele jeito, que inferno!
Assim que a louca nos liberou, juntei minhas coisas e sai correndo pro salão principal, me convenci que o motivo da pressa era minha fome a lá Ronald Weasley e não uma desculpa pra fugir da doninha loira.
Estava começando a colocar comida no meu prato quando sinto um pedaço de pergaminho pousando no meu colo. Gina olhou estranha, só dei de ombros dizendo que também não sabia do que se tratava.
“Hey angel,
Sentindo falta de algo? Da próxima vez, não saia com tanta pressa, eu não mordo (a menos que você goste).
00h, mesmo lugar.”
Meu queixo estava no subsolo. Como assim angel??? Esse garoto tem sérios problemas, e se ele acha que vou me encontrar com ele, está muito enganado. Sonserino babaca, vontade de jogar todos os meus livros naquele idiota.
Pera... Cadê meu livro de DCAT?! Merlin, devo ter tacado pedra na cruz...
Rabisquei um “Estarei lá.” E o encarei com a maior das carrancas, recebendo um de seus sorrisos tortos de volta.
Gina seguiu meu olhar, isso não é bom...
– O Malfoy, Mione?! OMG, não creio que vocês estão realmente se encontrando! Quer dizer, todo aquele escândalo de ontem OK, também não acho que ele merecia aquilo tudo mas pelo amor de Merlin, como você esconde da sua melhor amiga que está saindo com seu inimigo?
– Shiiu, cala a boca Gina. Não tem nada acontecendo entre a gente, credo... Eu só esqueci meu livro com ele e preciso buscar. Aquieta essa ilusão ai...
– Agora tudo faz sentido! Era por ele que você suspirava durante as férias, você está apaixonada por ninguém menos que Draco Malfoy! Awn, que romântico... Vocês vão ao baile juntos?
Ela não escutou nada do que eu falei, sério isso?! Não sou obrigada...
– Honestamente Gina, me poupe.
Levantei e sai do salão e graças a Deus, Merlin e todos os santos, nada demais aconteceu no resto do dia. Quer dizer, definitivamente o ponto alto foi o convite bizarro do Théo pra Gina! Foi tão hilário, socorro.
Ta, mas por que mesmo eu estou lembrando disso? Ah sim, tentando não surtar por estar indo encontrar com a doninha loira, vulgo Malfoy.
~~Flashback~~
Estava conversando com Gina e Luna depois das aulas quando do nada um garoto entra no corredor like a flecha, quase nos matando de susto. E o garoto era ninguém menos que o lindo e maravilhoso do Nott (que fique claro que eu jamais irei admitir isso em voz alta), me deixando mais assustada ainda, sair correndo é meio que contra ao seu papel de sonserino do mal...
– WEASLEY, FINALMENTE! GINA, ESPERA.
What?! Ele estava atrás da Gina, alguém me explica, por favor. Nós três paramos (e acho que o resto de Hogwarts também) e esperamos o garoto recuperar o folego.
– Você quer ir ao baile comigo? Por favor! – E é nessa hora, senhoras e senhores, que mais uma vez meu queixo vai no chão, seguido pelo das minhas duas amigas. Coitada da Gina, estava da cor dos cabelos. — Er... Quer dizer, eu sei que você está com o Potter e tudo mais e bem, isso deve ter soado bem estranho. Merlin, eu não estou dando em cima de você!
A cena estava completamente hilária. Eu estava me segurando pra não rir, ele parecia um garoto do 4º ano de tão nervoso hahaha
– Nott, relaxa! Eu aceito ir com você... – Disse Gina rindo.
– Sério?! Obrigada, obrigada! Minha namorada não vai me matar, até mais meninas!
E saiu correndo.
– Devo contar pra ele que eu e Harry não estamos oficialmente juntos?
– Não mesmo! – Eu e Luna falamos, caindo na gargalhada depois.
~~ Fim do flashback ~~
Nott parece uma pessoa legal, já to imaginando a reação do Harry ao saber da notícia...
– Está atrasada.
É nessa horas que agradeço por ter um coração saudável, sos.
– Cacete, Malfoy! Quer me matar? Atrasada está a vó, ainda nem escutei as badaladas.
– Nunca se deixa um Malfoy esperando, Granger...
Bufei, que garoto petulante.
– Devolve logo meu livro e vamos acabar logo com isso.
– Por que está tão estressada, angel? Temos a noite toda... – E lá está aquele sorriso torto de novo, que ódio.
– Mais que raios... Não me chame disso. O livro, Malfoy!!
– Pensei que fosse meu novo anjo da guarda, querida Granger... E o livro, vem pegar. – Disse sacudindo o livro na minha frente.
Ridículo, maldito, doninha albina, sonserino babaca, gostoso e metido a última bolacha do pacote. Opa... que mané gostoso, to falando que esses elfos estão drogando minha comida.
Malfoy balançou novamente o livro, me convidando a ir busca-lo.
Foi ai que tudo deu errado, ou certo, depende do ponto de vista...
Pulei em cima do garoto e acho que ele não esperava por isso, já que o resultado foi nós dois rolando no chão, parando com ele em cima de mim.
Não sei o que deu em mim, mas ao invés de xinga-lo até a 10ª encarnação, comecei a rir, sendo seguida por ele. E que sorriso e risadas maravilhosas são essas... Deveria existir um decreto obrigando Draco Malfoy a rir pra sempre.
Quando dei por mim, Draco não estava mais rindo, pelo contrário, encarava um ponto fixo no meu rosto. Aos poucos senti a distância que nos separava ficar cada vez menor, até que ela já não existia mais e eu estava beijando meu inimigo/aquele que me salvou/o atual dono dos meus pensamentos.
Suspirei, de novo, entre o beijo. Começamos a nos separar, lembrando que ainda precisávamos de ar para sobreviver porém, antes que meu lado racional tomasse conta, o beijei, de novo. E sem dúvidas, esses foram os melhores beijos da minha vida.
Fale com o autor