All Too Well
2 Everything Has Changed
Notas iniciais
Eu mal consegui dormir aquela noite, geralmente eu não consigo dormir direito na casa dos outros, então no dia seguinte eu ainda estava muito cansada.
James e Sophia me disseram que o King dormia até tarde, então eu não tinha grandes esperanças de vê-lo de novo naquele dia, pois eu ia embora umas 15:00. Mas quando era 1 da tarde ele acordou! Eu fiquei realmente surpresa e feliz. Eu não sei se era loucura minha ou se fazia sentido, mas eu achei que ele havia realmente se arrumado naquele dia, colocando uma touca estilosa e usando perfume.
Todos ainda estavam bem cansados por termos ficado acordados até muito tarde, então não fizemos muito mais do que ir almoçar e conversar um pouco nas horas restantes.
Eu me lembro de em algum momento King pegar o violão que estava lá na sala e tocar um pouco, e depois ir para o quarto dele pra continuar tocando enquanto eu e Sophia conversávamos na sala. Dava para ouvir perfeitamente que ele tocava Dust in the Wind, e eu achei que ele tinha uma voz linda.
Quando a hora de ir embora se aproximava eu fiquei pensando no que James havia me dito, que talvez eu nem veria Michael, que ele passava o dia todo no quarto dormindo, mas ele havia passado o dia anterior inteiro conosco e acordado “cedo” de novo para ir almoçar com a gente no outro dia. Tive esperança que talvez ele tivesse gostado um pouco de mim e quisesse passar um tempo comigo.
Estávamos todos na sala de novo quando James anuncia que é hora de ir para a rodoviária.
– Quer ir junto King? Sei lá, pra passear um pouco na rodoviária? – James pergunta.
Meu coração se encheu de esperanças. Se ele dissesse que sim significava definitivamente que ele tinha gostado da minha companhia.
– Aahhh. Acho que não, estou meio cansado. – ele responde meio sem graça.
Eu fiquei um pouco decepcionada, mas eu entendia. Eu nem era visita dele, não fazia muito sentido ele ir também me acompanhar até a rodoviária e se eu fosse ele faria a mesma coisa. Então eu penso em algum plano em que eu possa adiciona-lo no facebook sem dizer isso diretamente. Eu havia realmente gostado de conversar com ele, com todos eles na verdade, tínhamos muito em comum, mas não conseguia imaginar um cenário em que ele dissesse algo do tipo para mim.
Quando me levanto para ir embora, decido ir até ele dar um abraço e um beijo na bochecha, apesar de ele não ter me cumprimentado assim quando me conheceu. E confesso que geralmente não me sinto muito confortável em tocar pessoas que mal conheço, mas achei que esse era o único jeito mais sutil de demonstrar o quanto havia gostado dele. Eu vou até ele e ele se levanta do sofá para se despedir.
– Tchau. Prazer te conhecer. – eu digo dando um beijo na bochecha.
– Prazer. – ele responde.
Eu queria ter dito mais alguma coisa, ou que ele tivesse feito alguma coisa, mas eu me viro e vou embora.
–
Passei uma semana planejando o que eu poderia fazer ou dizer para adiciona-lo no facebook. Sophia não havia ficado online nem uma vez nesse tempo, então não tinha nada que eu pudesse pedir para ela. Então vi James online e fui falar com ele:
– Oi James. A Sophia não entra mais??
– Oi Sam. Não sei, quer que eu peça pra ela entrar?
– Não precisa, só queria agradecer todos vocês por me receberem.
– Imagina! Foi divertido.
– Eu me senti em The Big Bang Theory! – eu deixei escapar antes de pensar duas vezes.
– Hahahaha por que? – ele perguntou.
– Todos são muito inteligentes. – respondi já arrependida de ter feito a comparação.
– Nossa, obrigada!
Não havia outro jeito.
Geralmente eu não corro atrás de garotos. Muito pelo o contrario, qualquer sinal de interesse e eu costumo correr o mais rápido o possível na direção oposta. Mas não sei o que era diferente, se era ele ou se a terapia realmente estava me ajudando, mas o que aconteceu foi que eu estava enfrentando meus maiores medos.
Então eu o adicionei e escrevi:
– Hey King. Desculpe ter meio que invadido seu apartamento semana passada. Bjos.
– Heya! – ele respondeu aceitando. – Que nada! Pode invadir sempre que precisar. Bjo.
Eu planejei tudo. Eu sabia todas as coisas que tínhamos em comum que ele ainda não sabia, então eu iria arrumar um jeito de contar a ele sobre isso, fazer ele me conhecer, fazer ele querer conversar comigo cada vez mais, esperando que na próxima vez que James e Sophia me convidassem para visita-los ele também ficasse feliz por me receber.
Não é sempre que os meus planos dão certo, mas de alguma forma eles deram. Começamos a conversar timidamente, em um intervalo de muitos dias, e descobrimos que tínhamos muito mais em comum. Eu já sabia que nós dois desenhávamos e nos interessávamos por fazer música, mas descobri que ele também gostava de escrever histórias. Ele me pediu para mandar alguma história minha, e ele me mandou algumas dele. Ler a história de outra pessoa é um convite para as partes mais secretas de sua mente. Ele se identificou com os meus personagens e eu realmente gostei das histórias dele. Éramos bem parecidos, um pouco depressivos e desajeitados socialmente, mas com idéias muito profundas sobre o mundo em geral.
Um dia, falando sobre música, acabei mandando uma gravação minha cantando. Ele achou minha voz bonita e sugeriu que um dia gravássemos algo juntos, me mandou uma das gravações dele e a voz dele era ainda mais bonita do que eu me lembrava.
Nossas mensagens ficaram enormes! Falávamos de mil assuntos ao mesmo tempo. Eu sentia que o conhecia muito bem agora, e esperava que ele sentisse o mesmo, mas não esperava que ele tomasse nenhuma atitude. Até que um dia ele disse:
– Você pretende vir pra cá de novo quando a Sophia vier ver o James? A gente podia marcar alguma coisa.
E nós marcamos. Eu já havia falado para a Sophia que estava conversando com ele, mas sem explicar nada. Quando ela voltou para lá, em janeiro, ele foi falar com ela que havia me convidado. Ela ficou animada que iríamos nos ver de novo e então na próxima semana eu estava indo para lá pela segunda vez.
Fale com o autor