Notas iniciais
Fic nova...a primeira vez que escrevo uma fic desse gênero, porque tenho medo -q
Enfim, espero que gostem...

Me senti ser jogada contra a parede e meu rosto começando a arder com o tapa que ele havia me dado.

– Eu já te disse bilhões de vezes que não tem ninguém nessa casa. – Ele disse apertando meu pulso.

– Pai, tá doendo. – Eu disse, soluçando.

– É pra doer, pra ver se você larga de ser louca. – Ele me jogou no chão.

– Querido, para, já não é suficiente? – Minha mãe o segurou pelo braço. Ele deu um tapa em seu rosto.

– Cala a boca. – Ele cerrou os punhos.

– Pai, para! – Eu chorava, implorando, sem conseguir me levantar.

– Não venha me dar ordens. – Ele chutou minha barriga.

Eu sentia meu estômago embrulhando e a sala girando.

– Não tá vendo que ela tá louca? – Meu pai gritava pra minha mãe. – Ela precisa ser internada. Ela é doente, fica falando que tem pessoas nessa casa além de nós, que eles a seguem! Ou ela vai ser internada ou eu vou embora dessa casa, porque eu não vou viver com uma garota doente!

– Mas, querido... – Minha mãe abaixou o olhar.

– Vai ser melhor para ela e para nós. – Ele me fitou, os olhos cheios de puro ódio. Subiu as escadas sem dizer mais nada.

Minha mãe me ajudou a levantar e me colocou no sofá, se sentando ao meu lado e me fazendo deitar em seu colo.

– Por que ele me odeia tanto? – Eu não continha minhas lágrimas.

– Bianca – Ela começou a fazer carinho nos meus cabelos. – Seu pai não te odeia.

– Odeia sim. – Fechei meus olhos, tentando me acalmar. – Ele sempre diz que seria melhor se eu nem tivesse nascido.

– Bem, se isso te faz se sentir melhor, eu não penso assim. – Ela sorriu e se inclinou, me dando um beijo na testa. – Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Consegui dar um sorriso fraco. Me acomodei mais em seu colo e fui me perdendo em pensamentos, sentindo seus dedos brincarem com meus cabelos.

– Tá doendo, mãe? – Eu olhei pro seu rosto. – O tapa que o pai te deu.

– Não muito. – Ela dizia sem tirar o sorriso do rosto, nem por um instante. – Só ardendo um pouco.

– Será que se eu for internada, papai para de te agredir? – A fitei, já sentindo meus olhos se encherem de lágrimas só de pensar em me separar da pessoa mais importante do mundo pra mim.

Eu nunca tive muitos amigos. As crianças sempre me chamavam de esquisita, porque eu sempre dizia que tinha alguém a mais no lugar.

Parei de ir à escola aos 12 anos, de tanto que eles implicavam comigo. Me batiam, me chamavam de coisas terríveis. E a única pessoa que se importou comigo foi minha mãe. Eu não aguentaria ficar longe dela, mas não queria vê-la triste.

– Não vou te internar. – Ela disse, séria agora. – Sei que não é necessário.

– Mas mãe... – Eu me levantei de seu colo, com um gemido de dor.

– Fica deitada. – Ela me colocou de novo em seu colo.

– Mãe, é sério. Papai fica te batendo por minha causa. – Comecei a soluçar. – Não quero mais isso.

Senti um calafrio correndo pelo meu corpo. Meu coração estava acelerado.

– Bianca? – Minha mãe me sacudia.

– T-tem alguém aqui. – Sussurrei, suando frio.

Minha mãe olhou em volta, assustada. Lá estava, sentada na escada, uma criança com um vestido branco bordado, segurando uma bola de praia.

Ela sorriu para mim, me paralisando. Seus cabelos tapavam seus olhos, mas eu via sangue, sangue escorrendo por todo o rosto. Ela continuava sorrindo, como se não tivesse sangue nenhum ali.

– Bianca! Bianca! – Minha mãe gritava, me chamando enquanto me sacudia. – Jared, pelo amor de Deus, desça aqui!

Ouvi passos rápidos, vindos do andar de cima, seguindo para a escada.

– O que foi? – Ela passou por frente da garotinha. Ela deu um último sorriso e sumiu.

– A Bianca, ela... – Minha mãe me olhou tristemente. Meu corpo ainda estava paralisado, eu não conseguia fazer nada.

– Viu outra pessoa? – Ele revirou os olhos e apontou para mim. – Tem certeza de que não quer interná-la?

– Jared, ela é sua filha também!

– Não sou pai de uma maluca. – Ele me olhava com desgosto. – Não vê que se ela for internada vai melhorar e vamos poder ser uma família normal?

– Eu vou. – Consegui dizer, mas ainda não conseguia parar de encarar o lugar na escada em que a garotinha esteve.

– Ótimo. Está decidido então. – Se virou e subiu as escadas. O silêncio tomou a sala.

“Vai ser melhor para todo mundo, eu sei disso”.Pensei comigo mesma. Agora, era só esperar o amanhã.

Notas finais
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