All The Things She Said
1 Único
Notas iniciais
Se você está lendo essa fanfic e não sabe da onde vem as personagens eu explico: elas vem da minha outra fanfic, The Forgotten, mas você pode ler de boas porque não atrapalha nada.
A UsaChan acertou uma enquete na TF e por isso ganhou essa fanfic com o casala que preferiu.
Boa leitura
ps: se quiser, leia ouvindo All the things she said da banda tATu pra dar mais emoção já que é a música citada no capítulo kkk
Melody Yang nunca foi boa em gravar as coisas e por isso ensinar para Alice Knight, a nova garota da escola, como chegar em cada uma das salas foi um desafio dos grandes. Infelizmente ela não teve escolha já que sua melhor amiga, conhecida popularmente como Pudim, resolveu que a nova garota era perigosa e devia ser tratada como um paciente com varíola demoníaca.
Melody suspirou cansada e em seguida murmurou um “oi” quase inaudível para a governanta do dormitório onde mora.
- Aconteceu algo errado, senhorita Yang?
Cada célula do corpo da garota de cabelos coloridos se arrepiou ao ouvir a voz da governanta. Não importa quantas vezes ela ouça sempre vai se assustar com a voz metálica do esqueleto que vive usando vestidos floridos.
- Não. Estou perfeitamente bem, Flor – ela forçou um sorriso no rosto e sentiu seus dentes afiados contra o lábio inferior.
Dentes para arrancar carne.
Melody Yang é um lobisomem. Ou seria lobismulher? De qualquer forma, ela é uma sobrenatural e deve viver longe dos olhos humanos em cidades sobrenaturais escondidas pelo mundo. Foi criada em uma cidade no Japão e é claro que os governantes do país não fazem ideia que tal lugar existe. Há pouco mais de seis anos ela foi obrigada pela sua família a vir estudar no Instituto, uma escola sobrenatural que fica na Europa.
Ela adora ser uma sobrenatural por motivos óbvios como: assustar criaturas que possam ameaça-la, ser especial, ter uma visão, olfato e audição evoluídos e a força dela é incrível. Ela se orgulha muito de ter usado sua força e velocidade nas liquidações de shoppings centers ao redor do mundo para conseguir as melhores peças. Ao mesmo tempo em que ela ama ser sobrenatural, ela também odeia.
Odeia ter que gastar sua mesada quase inteira em cera quente para depilar os pelos das pernas que crescem diariamente. Odeia ter que acordar duas horas antes dos outros alunos da escola para fazer suas sobrancelhas. Odeia a TPM que vem antes da lua cheia. E, acima de tudo, Melody Yang odeia profundamente o preconceito que existe entre a maioria dos sobrenaturais.
Ela suspirou enquanto colocava sua chave cheia de chaveiros de ursinhos coloridos na fechadura e a girava lentamente.
O quarto era decorado com posters de artistas famosos, fotos de maquiagens e looks diferentes e ursinhos de pelúcia. Ela ama ursinhos de pelúcia.
Jogou-se na cama cheia de roupas espalhadas e fechou os olhos deixando seu corpo relaxar por alguns segundos antes de três batidas irritantes na porta atrapalharem.
- Pode entrar – ela disse. Melody não precisava nem abrir os olhos para saber quem estava lá, o perfume da pessoa a denunciou.
Os cabelos castanhos num tom claro cheiravam a flor de lua, fragrância que ela usava especialmente para Melody. Os olhos verdes estavam preocupados e marcados pelo lápis de olho bem fraquinho. Ela não precisa se esforçar para ser bonita, pensou Melody.
A garota não usava mais a roupa de mais cedo, agora vestia a calça com desenho de patinhos do seu pijama favorito e uma camiseta bem folgada branca. Melody achou que ela estava linda, mas não diria isso em voz alta.
- Oi – disse tímida com um sorriso amarelo que fez os olhos verdes brilharem.
- Oi – Melody estava cansada demais para sorrir.
Pudim trocou o peso do corpo nos pés, como se fosse uma brincadeira na qual só ela participava enquanto Melody se perguntava porquê ela estava ali aquela hora da noite.
Assim como Melody, Pudim é uma sobrenatural. Ela é uma bruxa, mas viveu a vida toda no mundo humano e só no ano passado veio estudar no Instituto. Melody logo ficou amiga da garota.
As conversas de madrugada, noites estudando para as provas, comendo doces e confessando seus maiores segredos, tudo passou pela cabeça de Melody esses são momentos que ela ama reviver mentalmente.
As duas ficaram em silêncio pelo que pareceram horas e isso estava irritando profundamente a lobisomem que não conseguia ouvir nada além dos batimentos cardíacos da bruxa. Irritada, ela se sentou na cama, jogou um monte de saias coloridas no chão e fez um sinal para que a outra se sentasse.
- Pode desabafar – disse procurando por alguma ponta dupla nas mechas magenta de seu cabelo.
- Eu senti sua falta .
Pronto. Essas palavras fizeram a armadura de indiferença de Melody desmoronar. A bruxinha não gosta de se abrir para ninguém, mas se tem alguém para quem ela mostra seu lado frágil esse alguém é a garota de cabelos magenta e verde.
- Então por que se afastou tanto hoje? – as palavras foram quase um sussurro, ela não conseguia encarar a bruxa.
- Eu fiquei com ciúmes daquela garota nova – admitiu – Hoje foi a primeira vez que você a viu e já estava a chamando de Ali e Ali-chan. Isso foi demais pro meu autocontrole.
- Eu só queria ser simpática com ela. Eu sei como é difícil ser a aluna nova nessa escola, não é fácil se você não tiver alguém para te guiar.
- Eu sei – Pudim não tentava esconder seu arrependimento pelo que havia feito mais cedo, ao notar isso, Melody resolveu não comentar sobre o ataque de facas voadoras contra a nova aluna.
- Sinceramente – ela massageou as têmporas – Pudim, você é a única pessoa do mundo que fica com ciúmes e realmente tenta matar quem causou o ciúmes.
Pudim sorriu orgulhosa.
- Não tenho culpa que os outros ciumentos do mundo não tem coragem de botar o plano em prática.
- “Botar em prática”? — Melody ergueu uma de suas sobrancelhas, ato que ela sabe que Pudim odeia por não conseguir fazer – Quando foi que você virou uma estrategista de vinganças causadas por ciúmes?
- Quando me apaixonei por você – Pudim abaixou a cabeça e murmurou tão baixo que a audição evoluída da loba quase não captou suas palavras.
- Pudim..
Melody levantou o queixo da bruxinha que parecia perdida agora que admitiu em voz alta seus sentimentos. Lentamente a loba foi diminuindo a distancia entre as duas deixando seus rostos tão próximos que as respirações se misturavam.
- Não me chame assim – a voz da bruxinha estão tão doce e sedutora que a loba se perguntou se era proposital – Você sabe meu nome...
“Eu estou seriamente encrencada, eu me sinto totalmente perdida
Se estou pedindo ajuda é apenas porque
Estar com você abriu meus olhos
Como eu poderia acreditar em uma surpresa tão perfeita?”
- Não quero desperdiçar seu nome no quarto mofado do Instituto – Melody fechou os olhos.
- Não me importo em desperdiça-lo se for você quem está me chamando.
Melody sorriu se aproximando um pouco mais. Pudim fechou os olhos e acabou com os poucos milímetros que as separavam.
Era sempre tão novo e incrível beijar Melody, pensou Pudim.
Ela sentia como se algo dentro dela estivesse ligado pela primeira vez na vida após anos esquecido. Seu coração batia com mais força, suas mãos passeavam pelos cabelos coloridos da outra brincando, vez ou outra, com algumas mechas coloridas. As mãos da loba adoravam passear pelas costas da bruxa.
Para Melody, beijar Pudim era como ganhar na loteria dez vezes no mesmo dia: a felicidade era única.
Melody ainda se lembrava do primeira dia da bruxa no Instituto, ela estava perdida e sendo excluída por todos os outros sobrenaturais que a julgavam como uma pessoa má. Melody viu algo diferente na garota, se aproximou e se tornou amiga dela para descobrir o que a tornava tão especial. A resposta a surpreendeu.
O primeiro beijo delas foi tímido, uma tinha medo que a outra fosse se arrepender no dia de seguinte por fazer tal coisa. Duas garotas se beijando no dormitório da escola, deve existir alguma lei contra isso!, pensou a loba no dia.
Nenhum das duas se arrependeu daquele beijo e desde então vivem um relacionamento secreto.
“Eu continuo me perguntando, imaginando como
Continuo fechando meus olhos, mas não consigo te tirar da cabeça
Quero voar para um lugar onde haja somente eu e você
Ninguém mais, assim podemos ser livres”
Melody não sabe dizer em que momento jogou Pudim na cama bagunçada e ficou por cima da garota, assim que percebeu separou o beijo e encarou o rosto da outra.
Ambas estavam ofegantes e ambas não queriam ter parado com o beijo.
- Eu queria... – Melody mordeu o lábio inferior, sem saber como continuar a frase.
- Eu sei, eu também queria continuar – a loba fez o possível para esconder sua surpresa ao ouvir as palavras da namorada. Pudim colocou uma das mãos na bochecha da loba e começou a desenhar pequenos círculos imaginários ali – Mas o dormitório da escola não é o lugar mais adequado para isso.
Melody assentiu, contragosto. É tão difícil se controlar quando está perto da lua cheia.
Ela deitou ao lado de Pudim na cama dura do dormitório e ficou encarando aqueles olhos que se assemelham a esmeraldas verdes pelo que pareceram horas sem dizer nenhuma palavra.
- Eu te amo, Melody Yang– sussurrou.
- Eu também te amo – Melody sussurrou o nome da outra no ouvido dela baixo o suficiente para que só ela ouvisse – Minha namorada – Como é bom dizer isso em voz alta, pensou Melody.
- Meu nome fica tão lindo quando dito por você – Pudim estava sorrindo de olhos fechados enquanto Melody brincava com o cabelo castanho dela.
- Vamos ser sinceras – ela sorriu brincalhona – Qualquer coisa fica linda quando sou eu quem diz.
Pudim abriu os olhos e se jogou sobre a loba, recomeçando outra sessão de beijos, dessa vez mais rápidos e possessivos.
- Amanhã temos aula – Melody disse, ofegante.
- A noite é uma criança – ouvir isso vindo da bruxa fez um arrepio percorrer todo corpo da loba que a puxou novamente para mais um beijo.
A noite é uma criança para os sobrenaturais e, sinceramente, quem se importa com escola quando se tem o amor da sua vida deitado ao seu lado?
Notas finais
Esse foi meu primeiro yuri, espero não ter decepcionado kkkk
Beijos pessoas
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