Notas iniciais
Queridos, boa tarde. Aqui vai mais um capitulo. Queria pedir que voces deixem um recadinho pra mim no final do capitulo, com a opniao de voces. Os comentarios de voces sao meu combustivel. bjinhos

"Jesse St.James!” – Rachel grita, com o celular na mão. Pisco duas vezes, sem acreditar no que vejo. Rachel Barbra Corcoran Berry está aqui, no meu quarto, em carne e osso.

Quando percebo que é ela, saio correndo e a abraço.

Giramos no quarto umas três vezes, ela em meus braços, como fazíamos quando crianças. Estou tão feliz em vê-la que não me importo em perguntar como, o que está fazendo aqui. Quero apenas abraçá-la.

“Eu juro, eu juro que disse para que ele não ficasse de cueca!” – Meu pai diz, parado na porta do meu quarto.

“Como se eu não tivesse o visto só de cueca antes.” – Ouço uma voz que não é a de Emma. Solto Rachel e, quando olho para a porta, Shelby está lá.

“Shelby!” – Corro em sua direção. Ela foi como uma mãe para mim até Emma chegar. Ela costumava me levantar no colo quando pequeno, mas agora, sou eu quem faz isso.

“Acalme-se, garotão.” – Ela diz, e eu a ponho no chão.

“Ual, como ele cresceu, Will!” – Ela diz, para meu pai.

“Rachel também está enorme, Shelby.” – Meu pai diz.

“Creio que não posso concordar com esse fato, pai.” – digo, e Rachel está me dando língua. Retribuo, e começamos a fazer careta um para o outro. Nossos pais riem.

“Will, não tenho nem coragem de ver o estado do nosso apartamento.” – Shelby diz. Elas duas moravam aqui, no mesmo prédio que nós, mais precisamente ao nosso lado. Espero sinceramente que voltem a morar.

“Não se preocupem. Emma está lá nesse exato momento ajeitando tudo, e eu fiquei aqui encarregado de não deixar o Jesse destruir a casa.”

“Claro, por que quanto à cara dele o senhor não pode fazer mais nada!” – Rachel diz, e eu volto a lhe dar língua. Parecemos duas crianças de 10 anos novamente. A sensação que flui pelo meu corpo é indescritivelmente aconchegante.

“Sente-se um pouco, Shelby, me conte sobre a viagem. Vou ligar para Emma e pedir para que ela venha para cá. Vocês duas chegaram mais cedo do que o esperado.” – Meu pai diz, enquanto ele e Shelby saem, indo para a sala. Não consigo acreditar no que vejo, minha melhor amiga escandalosa está aqui, na minha frente. Sinto-me do mesmo jeito que me sentia 5 anos atrás, quando ela foi para o Canadá. Como se o tempo não tivesse passado, e ela nunca tivesse ido.

“Raaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaach!” – Digo, girando-a no ar outra vez.

“Ok, senhor Cueca samba canção, dá pra me por no chão?”

“Nem é samba canção.” – digo, embora seja mesmo uma cueca samba canção. Não é muito agradável de se usar, mas foi a única que eu achei na bagunça do meu armário hoje de manhã. Ainda bem, pois esse tipo de cueca se parece com um short, então não estou tão ridículo assim.

Isso é o que eu penso. Até Rachel começar a rir.

“Você está ridículo, St.James!” – ela me chama assim desde antes do incidente na escola. E eu a chamo de “Barbra Corcoran”.

“Engraçadinha.” – digo, indo até o armário procurar uma bermuda. Ao ver a bagunça, desisto, e me sento ao lado dela na cama. Rachel e eu já nos vimos em roupas íntimas um zilhão de vezes, não é agora que vou começar a ter vergonha dela.

“Gostou da surpresa?” – Ela pergunta — “Eu quem tive a ideia, e minha mãe e o senhor Schue aprovaram.”

“Quase me matou do coração!” – digo – “Mas o que faz por aqui?”

“Ficamos sabendo que viríamos para cá há 1 mês. Arrumamos tudo muito rápido mesmo, nós duas quase não agüentávamos de ansiedade. Quase te contei tudo por e-mail mas não queria estragar a surpresa.”

“E que surpresa!” – Digo – “Mas você não respondeu minha pergunta.”

Rachel encara os próprios pés. Está sentada sob eles, como uma índia.

“Jesse...”

Espero pela resposta. Temo que sua mãe tenha vindo para cá apenas para fazer alguma reportagem, que esteja apenas de férias, e que elas tenham que voltar para lá em pouco tempo. Não quero que isso aconteça. Ou que, ao menos, demore muito tempo.

Shelby trabalhava como repórter no jornal local, até que recebeu uma proposta para ser correspondente no Canadá. Obviamente, era uma proposta irrecusável, e todos nós a apoiamos.

Rachel recomeça a falar, e vejo um sorrisinho aparecendo em seu rosto.

“Minha mãe vai ser âncora no jornal local! Ela assinou um contrato de pelo menos 2 anos. Vamos ficar por aqui, Jesse!” – ela diz, e eu me jogo em cima dela, a abraçando. Ela cai na cama, e eu fico sobre ela, fazendo cócegas em sua barriga. É tão bom, tão incrível ter minha Rachel, minha melhor amiga de volta, que não consigo me controlar. Tudo que eu consigo pensar é que ela está aqui, e que ela vai continuar por aqui.

“Para!” – ela diz, rindo, e eu a deixo levantar. Ficamos os dois sentados na minha cama, rindo.

“Quer dizer, não é oficial, do tipo, todos os dias. Ela vai trabalhar mais nos feriados e finais de semana, e também vai ficar fixa no jornal da madrugada, mas isso é tão legal!”

“É, é maravilhoso , na verdade.” – eu digo, e eu sei que é uma oportunidade extraordinária. Shelby é uma profissional fantástica, e eu sei que ela merece tudo isso que está acontecendo. E é ainda melhor poder ter minha melhor amiga de volta aqui comigo.

“E ela ainda precisa gravar umas matérias menores, sabe, em outros estados, coisas desse tipo. Mas, ual, a minha mãe vai ser famosa!” – Ela diz.

“E isso antes de você?” – digo, e ela me taca um travesseiro na cara.

“Rachel, Jesse, tem pizza na sala.” – Meu pai aparece na porta do meu quarto. Emma está logo atrás dele.

“Ah meu Deus, Rachel!” – Ela diz, e dá um enorme abraço em Rachel, que sorri – “Jesse, por que você está só de cueca?” – Ela diz, colocando Rachel no chão. Tento disfarçar olhando para o teto, mas ela está me encarando do jeito dela, que sempre me faz confessar.

“Bagunça no guarda-roupas.” – digo, e ela suspira.

“De novo? Eu o arrumei deve ter uns 3 dias.” – ela diz, e meu pai ri.

“Ok. Rachel, pizza, e Jesse, guarda-roupas. Agora.” – meu pai diz, gesticulando. Eles saem do quarto, e eu só consigo observar tudo, abobalhado. Essa cena familiar, ocorrendo de uma forma tão simples. É como se o tempo tivesse congelado, ou retrocedido. Como se eu tivesse 13 anos outra vez.

“Vai ficar ai parado com essa cara de idiota ou vai me ajudar?” – Rachel diz, dobrando uma das minhas camisas. Enquanto eu estava “parado com essa cara de idiota”, ela desceu da minha cama, foi até o guarda-roupas e começou a dobrar as roupas em pilhas, sobre a cama. Vou até o lado dela, a começamos a dobrar as roupas. Pego uma bermuda e uma camisa e as visto, me apoiando no ombro de Rachel para vestir a bermuda.

“A pizza vai esfriar.” – meu pai grita, da sala.

Rachel e eu colocamos as roupas dobradas dentro do guarda-roupas. Demoraria horas para arrumar toda a bagunça, então nós só melhoramos um pouco o estado, fazendo com que eu pelo menos conseguisse achar as minhas roupas. Nos jogamos na minha cama exatamente na mesma hora.

“Senti sua falta.” – eu digo.

“Também senti a sua. Muito.” – ela me diz. Estamos deitados um de frente para o outro.

“Isso me lembra de quando éramos menores. Era assim que a gente ficava até adormecer.”

“Acha que sua mãe vai te deixar dormir aqui hoje?” – pergunto.

“Não sei. Ela está muito cansada, deve querer dormir lá em casa. Estamos há tanto tempo fora. E minha mãe gosta bastante daquele apartamento.”

Essa era uma coisa que nós fazíamos sempre, dormir um na casa do outro, pelo menos uma vez por semana. Assistíamos a algum filme, conversávamos, comíamos brigadeiro de colher. Uma vez, quando Shelby saiu para ir á padaria, nós tentamos fazer pipoca, e acabamos colocando fogo em um pano de prato. Para nos livrarmos da “prova do crime”, jogamos o pano de prato na privada, que entupiu. Meu pai teve que resolver o problema, e nós levamos uma sonora bronca.

“Lembra da vez do brigadeiro de colher?” – Rachel me pergunta. Estamos encarando o teto agora.

“E dá pra esquecer?” – eu digo, rindo.

Eu devia ter uns 12 anos na época, e Rachel, 10 anos. Estávamos aqui em casa, e tínhamos comido bolo de chocolate com chocolate quente. Meu pai estava na escola, e Emma tinha saído para ir ao mercado. Aproveitamos a oportunidade para pegar uma lata de leite condensado e fazer brigadeiro, embora soubéssemos que já tínhamos comido chocolate demais. Guardei a lata no meu armário, para jogar fora na escola no dia seguinte.

“Quanto tempo aquela lata ficou no seu guarda-roupas mesmo?” – Rachel me pergunta.

“Umas 3 semanas.” – eu digo. Quando Emma achou a lata, cheia de formigas, ficamos de castigo por um mês. Obviamente, todos os nossos castigos eram em conjunto, já que um nunca aprontava nada sem pelo menos o consentimento do outro.

“Foi engraçado ver a Emma te passando um sermão sobre...”

“A importância da assepsia e da higiene!” – dizemos juntos, e caímos na risada.

“Hey, vocês dois não vão comer a pizza não?” – Shelby diz, aparecendo na minha porta – “Ou a nossa conversa adulta é chata demais pros dois jovens?”

“Nós já vamos, mãe.” – Rachel diz, e quando Shelby sai do quarto, nós continuamos no mesmo lugar.

“Queria dormir aqui hoje.” – Rachel diz. E é ai que eu tenho uma idéia. Corro até o guarda-roupas, e jogo algumas peças pra ela.

“Veste isso.” – digo. Ela entende o meu plano, então eu saio do quarto para pegar as pizzas.

Passo pela sala disfarçadamente, indo até a cozinha. A pizza já está fria, obviamente. Sirvo dois copos de refrigerante e saio equilibrando-os encima da caixa da pizza (uma só para nós dois, já que eu vou comer mais da metade sozinho).

“Põe no microondas, Jesse.” – Emma diz, e eu nego com a cabeça.

“Ele está com cara de quem vai aprontar.” – meu pai diz para Shelby. Eu apenas sorrio, e saio para o meu quarto.

Quando chego, Rachel está examinando a minha pilha de DVDs. Escolhe um que nós dois gostamos, e coloca no DVD player. Enquanto isso, pego meu edredom no armário. Nos sentamos na cama, meus travesseiros servindo de apoio para as costas, e nos cobrimos com o edredom. Comemos a pizza desse jeito.

Ficamos assistindo o filme e comendo pizza. Quando ouvimos o barulho da porta do meu quarto sendo aberta, nosso habitual plano tem início.