All That Matters

35 Capítulo 35


Notas iniciais
O fantasma dos capítulos curtos ataca novamente. Pessoas, Tem sido tempos corridos (aliás, meu aniversário passou, deixem um parabéns!). Escrever é uma das minhas terapias, e postar os capítulos me deixa tão feliz quanto vocês ficam quando os leem. Então, se capítulos curtos é o que temos, capítulos curtos postaremos! Rsrs Preciso comunicar que esta é uma fanfic loooonga. Eu já sei exatamente onde ela vai chegar, então não se preocupem, eu não vou abandonar vocês. Mas se eu tivesse que estimar uma quantidade de capítulos, eu diria que ela ainda está no meiozinho, talvez nuns 65% do total de temas que ainda vão rolar. Então se preparem porque ainda temos, literalmente, muita história pela frente. Também não escrevo fillers: todos os capítulos são relevantes pra continuidade da história. No mais, obrigada por me acompanharem até aqui. Um grande abraço!

Pov Jesse

Entro no quarto equilibrando o prato de sopa, tentando não derrubá-lo com toda a minha “absoluta destreza”.

Rachel está cochilando. Equilibro o prato em sua mesa de cabeceira, e checo sua temperatura colocando minha mão em sua testa. Ela está suando, mas não está quente, deve ser apenas o calor. Ergo seu lençol, a descobrindo.

“Eu não quero transar hoje.” — Ela resmunga, abrindo os olhos.

“Nossa, parece que eu só encosto em você quando quero sexo, hein?” — Digo, e ela sorri — “Tá se sentindo melhor?”

“Uhum…” — ela diz, balançando a cabeça e abraçando o meu pescoço.

Ela me deu um baita susto hoje mais cedo. Fui dar aulas à Santana, e quando voltei, encontrei Rachel sentada no chão do banheiro, pálida, curvada sobre a privada e vomitando violentamente.

“Porque não me ligou?” — pergunto, sentando rapidamente ao lado dela no chão. Ela coloca a cabeça no meu ombro, e está com os lábios e rosto pálidos, parece fraca.

“Você tava trabalhando…” — ela diz.

“Eu ganho 20 dólares por aula, Rachel, não vou ficar mais pobre por faltar uma!” — eu a ergo no colo — “Quer tomar banho?”

“Não, me leva pra cama.” — Ela se pendura no meu pescoço, e eu a levo pro quarto.

Ela quase não comeu nada no almoço hoje, disse que estava enjoada. Somando-se ao fato de que ela claramente vomitou o pouco que lhe restava no estômago, deve estar desidratada e com fome. Eu a coloco na cama, e mesmo que ela diga que não quer comer, eu insisto que ela precisa se alimentar. Lhe trago um pouco de água, e procuro uma receita de sopa pela internet que pareça fácil de preparar.

“Jesse…” — Rachel fala, dando uma colherada na sopa — “Tá horrível!" — Ela ri, mas continua comendo. Eu não sou exatamente um bom cozinheiro, e além disso quase não usei temperos, não sei o que ela está sentindo.

“Tem certeza que não quer ir ao hospital?” — Digo, a incentivando a continuar comendo.

“Uhum. Eu vou melhorar comendo essa sua sopa horrorosa. Ou vou vomitar mais.”

“Ingrata.” — digo, lhe dando língua. Ela se inclina e me dá um selinho.

“Te amo.” — ela diz, e eu sorrio, sentindo meu coração pular uma batida.

—------

“Está nervoso?” — Rachel me pergunta, fazendo carinho no meu rosto. Estamos deitados juntos, tentando dormir. Ela me diz que está se sentindo melhor.

“Acho que não. Eu fiz muitos simulados.” — Meu exame do SAT está chegando, e eu preciso tirar uma boa nota, já que essa é uma das formas que a UCLA oficialmente considera para a seleção dos bolsistas.

“Toda a sua vida vai mudar.” — ela diz.

Eu pego a sua mão, e a beijo.

“Já mudou, você mudou a minha vida. Eu te amo, Rachel Barbara Corcoran Berry.”

“Eu te amo, Jesse St. James Schuester.” — Ela me diz, e nos beijamos mais uma vez.

“Hum, eu ainda não quero transar hoje, hein!” — Ela diz, e nós dois rimos.

Pov Kurt

“Não, você vai matar a gente, cara!” — Blaine grita, enquanto eu continuo tentando apertar o maldito joystick. Sam, ao fundo, grita “DIREITA, DIREITA, DIREITA” histericamente.

“EU ESTOU APERTANDO PRA DIREITA, SAMUEL!” — Grito também. Blaine tenta tomar o joystick da minha mão, e eu lhe dou uma cotovelada — “SAI, EU TENHO QUE APRENDER ESSA MERDA!”

“Uuuuuuh, Kurt Hummel xingando, pessoas!” — Blaine me provoca, e eu lhe dou outra cotovelada.

“CALADO!” — Reclamo com ele.

“Morremos.” — Sam diz, quando meu personagem leva um tiro na cabeça.

“Ah, você jura, Sam?” — Blaine diz, e Sam lhe dá um tapa na cabeça. A mãe de Blaine entra no quarto equilibrando uma bandeja com sanduíches pra nós, e nos manda parar de gritar.

“Já perdemos, podemos fazer alguma coisa legal agora?” — Digo, e a Sra. Anderson concorda comigo. É nosso terceiro “sábado dos meninos” juntos, e Sam e Blaine insistiram que eu deveria aprender a jogar essa porcaria de jogo deles. A mãe de Blaine, Pam, é uma mulher jovem e muito carinhosa, e fizemos uma dupla no banco imobiliário na semana passada, arrasando completamente com a dupla dinâmica do videogame. Dessa vez, ela pega um velho tapete de dança de um videogame antigo de Blaine que ainda funciona, e nós intercalamos entre esse jogo e o moderno jogo de dança de captura de movimentos. Ela dança super bem, e se joga na brincadeira conosco.

Quando terminamos de jogar, ela nos sugere irmos lanchar em um restaurante. Não trouxemos roupas, e como Sam e eu estamos ensopados de suor, ela nos obriga a tomar um banho. Terminamos o dia socados no carro vestindo as roupas de Blaine, que ainda tem o cheiro do seu perfume.

“Costela pra todo mundo, então?” — Pam sugere quando chegamos no restaurante. Adoramos a sugestão, e temos uma noite agradável conversando e comendo. Ela nos diz que está muito feliz com a nossa amizade com Blaine, já que os outros amigos dele são completos idiotas.

“Eu secretamente fiquei feliz quando ele quebrou a perna no futebol. Pelo menos serviu pra abrir os olhos dele com relação às amizades.” — Pam diz, enquanto comemos a sobremesa.

“Mãe, eu sou gay.” — Blaine fala, de repente. Sam engasga com o sorvete.

Ficamos em silêncio alguns segundos, Sam tossindo sozinho enquanto todos o ignoramos. Blaine encara seu sorvete, e eu estou em choque, olhando fixamente pra ele. Ela franze os lábios, e o olha.

“E pela reação, imagino que o namorado seja este rapazinho aqui, certo?” — ela aponta pra Sam, que começa a tossir mais violentamente ainda.

“Ah, ele adoraria, mas não, eu sou hétero desde a última vez que eu chequei. Mas estou lisonjeado, senhora Anderson.”

Como assim “ele adoraria”, Samuel?

“Não mãe, nós somos só amigos, todos nós.” — Blaine diz, erguendo o rosto do sorvete.

“Bom, eu também sou gay.” — eu digo — “Mas somos só amigos mesmo.” — completo, quando Pam me olha.

“Você sabe a muito tempo, filho?” — ela pergunta pra ele, que volta a encarar o sorvete.

“Tem uns anos já.” — ele diz.

“E porque não me contou antes?”

“Não sei…” — ele mexe a colher no sorvete. Sam e eu seguimos mudos, congelados no lugar.

Pam respira fundo, e pega a mão de Blaine.

“Filho, tá tudo bem.” — ele respira fundo, e a encara — “Quer dizer, lá em casa, tá tudo bem. Eu tenho medo é pelo mundo, pela forma como as pessoas vão te tratar, pelos riscos que você vai correr. O mundo é mal, meu filho, muito muito mal. Mas não é culpa sua.”

“Bom, ele também era um completo idiota até uns meses atrás…” — Sam diz, e eu dou um tapa em sua cabeça.

“É, nisso ele tem razão, eu era só um babaca homofóbico escondido no armário.” — Blaine diz, e sua mãe acaricia sua mão.

“A mamãe vai estar sempre aqui, tá? E você tem bons amigos, fico feliz por isso, sei que estará protegido.”

“Com certeza, mexeu com um de nós, leva porrada na cara. Foi assim que eu quebrei o nariz dele no dia do baile aliás, tia, acho que preciso contar pra senhora de uma vez.”

“Ah, foi você?” — Pam age naturalmente ao ouvir Sam explicando sobre como agrediu o filho dela.

“Yeap.” — ele responde, dando uma colherada no sorvete pago pela mãe do cara que agrediu.

“Ele mereceu?” — Ela pergunta.

“Pra caramba. Mas já passou.” — Sam continua comendo.

“Nossa, obrigada, vocês dois.” — Blaine diz, e ri.

A mãe de Blaine beija sua mão, e eles se abraçam.

“Como acha que o papai reagiria?”

“Bem, ou eu me divorciaria dele. Ele não tem nada que se meter na sexualidade do meu filho, hunf!” — Pam fala como se o pai de Blaine ainda estivesse vivo. Eles parecem ser uma família muito unida, e apesar de conviver pouco com eles, parece natural estar participando deste momento familiar.

“Eu só não quero contar pro Cooper ainda, tá?” — Blaine fala com sua mãe.

“Claro, tudo no seu tempo. Mas se eu precisar de ajuda pra bater num universitário, posso contar com você, Samuel?” — ela diz, e Sam emite um “pode crer”.

Terminamos de comer, e o clima volta a ficar leve e divertido. A mãe de Blaine nos dá carona pra casa, e eu sinto meu celular vibrando. É uma mensagem de Blaine.

“Obrigado.” — É tudo o que está escrito. Eu sorrio.

“E você Kurt, está solteiro?” — Pam me pergunta, e consigo ver sua risadinha provocativa pelo retrovisor.