All That Matters
35 Capítulo 35
Notas iniciais
Pov Jesse
Entro no quarto equilibrando o prato de sopa, tentando não derrubá-lo com toda a minha “absoluta destreza”.
Rachel está cochilando. Equilibro o prato em sua mesa de cabeceira, e checo sua temperatura colocando minha mão em sua testa. Ela está suando, mas não está quente, deve ser apenas o calor. Ergo seu lençol, a descobrindo.
“Eu não quero transar hoje.” — Ela resmunga, abrindo os olhos.
“Nossa, parece que eu só encosto em você quando quero sexo, hein?” — Digo, e ela sorri — “Tá se sentindo melhor?”
“Uhum…” — ela diz, balançando a cabeça e abraçando o meu pescoço.
Ela me deu um baita susto hoje mais cedo. Fui dar aulas à Santana, e quando voltei, encontrei Rachel sentada no chão do banheiro, pálida, curvada sobre a privada e vomitando violentamente.
“Porque não me ligou?” — pergunto, sentando rapidamente ao lado dela no chão. Ela coloca a cabeça no meu ombro, e está com os lábios e rosto pálidos, parece fraca.
“Você tava trabalhando…” — ela diz.
“Eu ganho 20 dólares por aula, Rachel, não vou ficar mais pobre por faltar uma!” — eu a ergo no colo — “Quer tomar banho?”
“Não, me leva pra cama.” — Ela se pendura no meu pescoço, e eu a levo pro quarto.
Ela quase não comeu nada no almoço hoje, disse que estava enjoada. Somando-se ao fato de que ela claramente vomitou o pouco que lhe restava no estômago, deve estar desidratada e com fome. Eu a coloco na cama, e mesmo que ela diga que não quer comer, eu insisto que ela precisa se alimentar. Lhe trago um pouco de água, e procuro uma receita de sopa pela internet que pareça fácil de preparar.
“Jesse…” — Rachel fala, dando uma colherada na sopa — “Tá horrível!" — Ela ri, mas continua comendo. Eu não sou exatamente um bom cozinheiro, e além disso quase não usei temperos, não sei o que ela está sentindo.
“Tem certeza que não quer ir ao hospital?” — Digo, a incentivando a continuar comendo.
“Uhum. Eu vou melhorar comendo essa sua sopa horrorosa. Ou vou vomitar mais.”
“Ingrata.” — digo, lhe dando língua. Ela se inclina e me dá um selinho.
“Te amo.” — ela diz, e eu sorrio, sentindo meu coração pular uma batida.
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“Está nervoso?” — Rachel me pergunta, fazendo carinho no meu rosto. Estamos deitados juntos, tentando dormir. Ela me diz que está se sentindo melhor.
“Acho que não. Eu fiz muitos simulados.” — Meu exame do SAT está chegando, e eu preciso tirar uma boa nota, já que essa é uma das formas que a UCLA oficialmente considera para a seleção dos bolsistas.
“Toda a sua vida vai mudar.” — ela diz.
Eu pego a sua mão, e a beijo.
“Já mudou, você mudou a minha vida. Eu te amo, Rachel Barbara Corcoran Berry.”
“Eu te amo, Jesse St. James Schuester.” — Ela me diz, e nos beijamos mais uma vez.
“Hum, eu ainda não quero transar hoje, hein!” — Ela diz, e nós dois rimos.
Pov Kurt
“Não, você vai matar a gente, cara!” — Blaine grita, enquanto eu continuo tentando apertar o maldito joystick. Sam, ao fundo, grita “DIREITA, DIREITA, DIREITA” histericamente.
“EU ESTOU APERTANDO PRA DIREITA, SAMUEL!” — Grito também. Blaine tenta tomar o joystick da minha mão, e eu lhe dou uma cotovelada — “SAI, EU TENHO QUE APRENDER ESSA MERDA!”
“Uuuuuuh, Kurt Hummel xingando, pessoas!” — Blaine me provoca, e eu lhe dou outra cotovelada.
“CALADO!” — Reclamo com ele.
“Morremos.” — Sam diz, quando meu personagem leva um tiro na cabeça.
“Ah, você jura, Sam?” — Blaine diz, e Sam lhe dá um tapa na cabeça. A mãe de Blaine entra no quarto equilibrando uma bandeja com sanduíches pra nós, e nos manda parar de gritar.
“Já perdemos, podemos fazer alguma coisa legal agora?” — Digo, e a Sra. Anderson concorda comigo. É nosso terceiro “sábado dos meninos” juntos, e Sam e Blaine insistiram que eu deveria aprender a jogar essa porcaria de jogo deles. A mãe de Blaine, Pam, é uma mulher jovem e muito carinhosa, e fizemos uma dupla no banco imobiliário na semana passada, arrasando completamente com a dupla dinâmica do videogame. Dessa vez, ela pega um velho tapete de dança de um videogame antigo de Blaine que ainda funciona, e nós intercalamos entre esse jogo e o moderno jogo de dança de captura de movimentos. Ela dança super bem, e se joga na brincadeira conosco.
Quando terminamos de jogar, ela nos sugere irmos lanchar em um restaurante. Não trouxemos roupas, e como Sam e eu estamos ensopados de suor, ela nos obriga a tomar um banho. Terminamos o dia socados no carro vestindo as roupas de Blaine, que ainda tem o cheiro do seu perfume.
“Costela pra todo mundo, então?” — Pam sugere quando chegamos no restaurante. Adoramos a sugestão, e temos uma noite agradável conversando e comendo. Ela nos diz que está muito feliz com a nossa amizade com Blaine, já que os outros amigos dele são completos idiotas.
“Eu secretamente fiquei feliz quando ele quebrou a perna no futebol. Pelo menos serviu pra abrir os olhos dele com relação às amizades.” — Pam diz, enquanto comemos a sobremesa.
“Mãe, eu sou gay.” — Blaine fala, de repente. Sam engasga com o sorvete.
Ficamos em silêncio alguns segundos, Sam tossindo sozinho enquanto todos o ignoramos. Blaine encara seu sorvete, e eu estou em choque, olhando fixamente pra ele. Ela franze os lábios, e o olha.
“E pela reação, imagino que o namorado seja este rapazinho aqui, certo?” — ela aponta pra Sam, que começa a tossir mais violentamente ainda.
“Ah, ele adoraria, mas não, eu sou hétero desde a última vez que eu chequei. Mas estou lisonjeado, senhora Anderson.”
Como assim “ele adoraria”, Samuel?
“Não mãe, nós somos só amigos, todos nós.” — Blaine diz, erguendo o rosto do sorvete.
“Bom, eu também sou gay.” — eu digo — “Mas somos só amigos mesmo.” — completo, quando Pam me olha.
“Você sabe a muito tempo, filho?” — ela pergunta pra ele, que volta a encarar o sorvete.
“Tem uns anos já.” — ele diz.
“E porque não me contou antes?”
“Não sei…” — ele mexe a colher no sorvete. Sam e eu seguimos mudos, congelados no lugar.
Pam respira fundo, e pega a mão de Blaine.
“Filho, tá tudo bem.” — ele respira fundo, e a encara — “Quer dizer, lá em casa, tá tudo bem. Eu tenho medo é pelo mundo, pela forma como as pessoas vão te tratar, pelos riscos que você vai correr. O mundo é mal, meu filho, muito muito mal. Mas não é culpa sua.”
“Bom, ele também era um completo idiota até uns meses atrás…” — Sam diz, e eu dou um tapa em sua cabeça.
“É, nisso ele tem razão, eu era só um babaca homofóbico escondido no armário.” — Blaine diz, e sua mãe acaricia sua mão.
“A mamãe vai estar sempre aqui, tá? E você tem bons amigos, fico feliz por isso, sei que estará protegido.”
“Com certeza, mexeu com um de nós, leva porrada na cara. Foi assim que eu quebrei o nariz dele no dia do baile aliás, tia, acho que preciso contar pra senhora de uma vez.”
“Ah, foi você?” — Pam age naturalmente ao ouvir Sam explicando sobre como agrediu o filho dela.
“Yeap.” — ele responde, dando uma colherada no sorvete pago pela mãe do cara que agrediu.
“Ele mereceu?” — Ela pergunta.
“Pra caramba. Mas já passou.” — Sam continua comendo.
“Nossa, obrigada, vocês dois.” — Blaine diz, e ri.
A mãe de Blaine beija sua mão, e eles se abraçam.
“Como acha que o papai reagiria?”
“Bem, ou eu me divorciaria dele. Ele não tem nada que se meter na sexualidade do meu filho, hunf!” — Pam fala como se o pai de Blaine ainda estivesse vivo. Eles parecem ser uma família muito unida, e apesar de conviver pouco com eles, parece natural estar participando deste momento familiar.
“Eu só não quero contar pro Cooper ainda, tá?” — Blaine fala com sua mãe.
“Claro, tudo no seu tempo. Mas se eu precisar de ajuda pra bater num universitário, posso contar com você, Samuel?” — ela diz, e Sam emite um “pode crer”.
Terminamos de comer, e o clima volta a ficar leve e divertido. A mãe de Blaine nos dá carona pra casa, e eu sinto meu celular vibrando. É uma mensagem de Blaine.
“Obrigado.” — É tudo o que está escrito. Eu sorrio.
“E você Kurt, está solteiro?” — Pam me pergunta, e consigo ver sua risadinha provocativa pelo retrovisor.
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