All That Matters

25 Capítulo 25


Notas iniciais
Com toda a correria do dia a dia, estou percebendo que me é mais simples postar capítulos menores. Então aí vai mais um pra vocês. :)

Pov Jesse

Rachel está sentada ao meu lado, com a cabeça apoiada no meu ombro, se recuperando de mais uma rodada de soluços. Ela recomeçou a chorar alguns minutos atrás, e nem sabe explicar direito o porquê. Eu faço carinho em seu braço, e ela distribui beijos pelo meu pescoço. E eu a amo tanto, tanto, que sinto meu peito irradiando calor e aquecendo todo o meu corpo por dentro.

Rachel se senta no meu colo novamente, está de frente pra mim, e quando seus lábios encontram os meus, é fácil, simples e perfeito. Nosso beijo se estende por minutos, anos e décadas, e eu sinto o seu coração batendo junto ao meu. Deslizo minhas mãos por suas costas e seus cabelos, enquanto Rachel tenta achar um espaço entre o meu abraço para percorrer suas mãos sob o meu colo.

“Dá pra você parar de tentar abrir a minha calça, Rachel?” — Digo, contendo uma risada. Ela para de me beijar, e me olha.

“Vamos suspender o acordo por hoje.” — Ela toma minha mão, e a coloca sobre seu seio — “Eu quero que você saiba como eu me sinto.”

Eu subo minha mão para o seu pescoço, e seguro seu rosto para olhar o meu.

“Eu já sei.” — Digo, e sorrio.

Ela sorri também, um sorriso que é tímido e doce e que me faz inclinar o rosto e lhe roubar um selinho.

“Você só está me deixando com mais vontade de abrir a sua calça, Jesse.”

Nós sorrimos, e ela morde os lábios.

“Tem certeza que quer mesmo fazer? Hoje? Com o nariz entupido?” — Digo, limpando uma lágrima que secou em seu rosto.

“É… Na verdade, acho que não.” — Me diz, descendo do meu colo e voltando a se sentar ao meu lado. Eu a conheço tão bem como a palma da minha mão. E apesar de a desejar constantemente, sei que não é de intimidade física que precisamos agora, não é isso que torna o nosso vínculo tão forte quanto ele é.

Rachel segue com a cabeça apoiada no meu ombro, e estamos prestando atenção à TV quando ouvimos a porta se abrir. Meus pais estão chegando com sacolas do supermercado, e acendem a luz.

“Oi meninos.” — Emma passa por nós, e me dá um beijo na testa.

“Rachel, você estava chorando? O que aconteceu?” — Meu pai pergunta, se aproximando de nós. Rachel está com o rosto e lábios inchados, ela fica assim sempre que chora compulsivamente.

“Nada, tio Will.” — É assim que ela o chama quando estamos em casa — “Eu só estava chorando por causa de um garoto.”

Ele se ajoelha na direção dela, e pega uma de suas mãos.

“Ô, minha princesa. Não fica assim. Você e o Finn terminaram, né?”- Ele diz, e Rachel balança a cabeça.

“Olha, o Finn é um rapaz muito bacana, mas nenhum garoto merece fazer a minha princesinha sofrer.”- Ele diz, e ela dá uma risadinha.

“Exatamente.” — eu digo — “Não importa o quão lindo e talentoso ele seja.” — Rachel me olha, e estamos dando risadas juntos.

“É isso que eu quero ver nessa casa, sorrisos, alegria!” — Ele diz, se levantando — “Vai dormir aqui hoje, né?” — Ele diz, indo em direção à cozinha.

“Uhum.” — Rachel responde, ainda me olhando.

“Já avisou à sua mãe?” — Emma pergunta, da cozinha — “Trouxemos macarrão, e a carne está separada, não se preocupe.”

“Vou mandar uma mensagem pra ela.” — Rachel diz, e nos levantamos para ir comer.

—--------

Estamos no meu quarto, e Rachel me pede para pegar uma roupa minha para que possamos ir dormir. Estamos cansados depois de tudo o que aconteceu hoje, física e emocionalmente. Separo o meu menor pijama para ela, e quando me viro, seu sutiã já está jogado numa das minhas cadeiras. Rachel está parada na minha frente, usando jeans e nada mais.

Não posso evitar olhá-la.

Eu lhe entrego as roupas, e ela as pega e as apoia na cômoda. Tira sua calça jeans, e quando percebo, sua calcinha já está passando pelos seus joelhos e ela está assim, completamente nua na minha frente, e noto que apesar de que suas curvas continuem me hipnotizando e me atraindo, estou começando a me acostumar com isso, gravando cada parte e cada centímetro do seu corpo na minha memória.

“É só porque eu quero dormir confortável, tá?” — Ela me diz, e parece um pouco envergonhada. Eu pego minhas roupas na cômoda, me sento na cama e faço sinal para que ela se aproxime de mim. A ajudo a passar suas pernas pelos meus shorts, e visto minha blusa nela. Ela é linda, graciosamente linda, mas eu sei que não se despiu na minha frente agora porque quer me seduzir ou provocar. Todas as vezes em que vi Quinn nua, estávamos prestes a começar algo, apressados, com uma sensação de culpa. Com Rachel, estou descobrindo o que significa estar tão intimamente ligado à alguém que a nudez já não importa mais.

Ela se deita em minha cama, e também me olha enquanto eu tiro minhas roupas: calça, camisa e cueca, as coloco na minha cadeira, organizadas próximo às roupas de Rachel, e visto meus shorts do pijama. Nos deitamos lado a lado, e nos olhamos nos olhos até adormecer, presos em nosso abraço.

—---

Estou sentado na cafeteria, em nossa mesa habitual, enquanto ele me observa atentamente.

Kurt. O irmão de criação de Finn, e melhor amigo de Rachel.

Não sei o que ele pensa sobre mim.

Enquanto Kurt continua me observando com uma cara indecifrável, Rachel chega por trás de mim, abraça meu pescoço e me dá um beijo na bochecha. Esse tipo de proximidade sempre foi comum entre nós, e nenhum dos nossos amigos parece estranhar nosso comportamento. Kurt, no entanto, reveza seu olhar entre Rachel e eu.

"Kurt vai embora conosco, hoje." — Rachel diz, se sentando ao meu lado.

"Vou pra casa dela." — Kurt diz — "Precisamos conversar." — Ele enfatiza a última frase, franzindo os olhos na direção dela. Nesse momento, Blaine chega equilibrando sua bandeja, e se senta ao lado de Kurt, que parece surpreso. Sam chega logo em seguida, sentando ao lado de Blaine e roubando um punhado de batatas fritas diretamente do seu prato.

"Precisamos, não precisamos, Kurt?" — Rachel também franze os olhos enquanto o observa.

Definitivamente será uma volta pra casa bem interessante.

Pov Rachel

"E então?" — Kurt me pergunta. Estamos deitados em minha cama, cabeça com cabeça, nossos corpos em direções opostas enquanto observamos o teto. Ainda estou tentando processar tudo o que ele me contou sobre Blaine, e os beijos que eles trocaram. Apesar de estar um pouco chateada por Sam saber disso tudo antes de mim, entendo que foi um acidente, e é claro que não vou comentar nada disso com ninguém.

"E então…" — digo, desconversando. Kurt ergue a cabeça, e apoia o cotovelo no colchão.

"Não enrola! Vocês estão juntos?" — pergunta, me encarando.

"É complicado." — respondo, escondendo meu rosto com as mãos.

"Como 'é complicado', Rachel? O Jesse claramente gosta de você a muito tempo, tá estampado na cara dele. E você me disse que estava se apaixonando por ele. Vocês estão juntos ou não estão?"

"Oficialmente, não." — tento explicar à Kurt a confusão na qual nos metemos. Explico a ele sobre nossos pais, a amizade que eles carregam a anos, o fato de sermos ambos filhos de pais adolescentes e termos sido criados praticamente juntos. Conto a ele sobre minha amizade com Jesse, sobre a união que sempre tivemos, e sobre o meu medo de que as coisas simplesmente mudem e se quebrem no processo.

"Isso faz algum sentido?" — pergunto, voltando a observar o teto.

"Não, nem um pouco." — Kurt diz — "Vocês claramente se amam, as famílias se amam, me parece o relacionamento perfeito. Apesar de que...eu preferia te ter como minha cunhada." — ele brinca comigo.

"O seu irmão é um cara muito especial, Kurt. Eu nunca quis magoá-lo. Por favor não me odeie." — Digo, enquanto me sufoco com um travesseiro e me preparo psicologicamente para contar o restante da história.

"É claro que eu não te odeio, garota. Te acho meio desmiolada, mas não te…"

"A gente transou." — interrompo Kurt de uma só vez.

Quando ergo minha cabeça do travesseiro, Kurt está me olhando com a boca aberta.

"Ai meu Deus!" — ele diz, se sentando, e coloca a mão na boca, em choque. Me sento ao seu lado, e enterro minha cabeça no travesseiro outra vez, morrendo de vergonha.

"Como foi?" — ele me pergunta — "Quer dizer, eu nunca fiz nada, né. E nem tô perto de fazer." — ele diz. Tiro a cabeça do travesseiro.

"Doeu. Pra caramba." — digo, começando a me sentir confortável em conversar com Kurt sobre isso. Ele é meu melhor amigo depois de Jesse, afinal — "Quer dizer, tudo antes dele… antes dele entrar em mim, foi tudo muito bom, muito especial. Mas na hora, nossa, foi bem desconfortável. E pra ele parecia estar tudo muito gostoso, o que me deu vontade de estrangulá-lo!"— eu digo, apertando o travesseiro — "Mas…" — sinto meu rosto ruborizando.

"Mas…" — Kurt me incentiva a continuar.

"Mas… era o Jesse. E ele conhece tudo sobre a minha vida, e eu sentia que… que ele era o único, sabe? Que podia me ver daquela forma. E daí eu fui relaxando, e ele foi entrando mais em mim, e… aí foi ficando melhor. E ele beija muito, muito, muito bem." — eu pego as mãos de Kurt, que continua me olhando com os olhos bem abertos — "E Kurt, nem ele sabe explicar, mas ele adora colocar a boca nos meus peitos. E é… é bem bom, quando ele faz isso." — abaixo a cabeça, prendendo um risinho.

"Ual." — Kurt diz, e segue com sua cara espantada — "Enquanto isso eu devo ter visto, sei lá, só uns 2 filmes adultos na minha vida inteira." — ele diz, voltando a se deitar na cama.

"Eu também!!!! E achei horroroso, não é nada daquele jeito na vida real!" — digo, e me deito ao seu lado.

"Ele foi… carinhoso com você?" — Kurt me pergunta.

"Fooooi." — digo. Percebo que enfatizei muito a parte da dor, e Kurt pode ter entendido errado sobre a forma como Jesse agiu comigo — "Eu acho que doeu porque doeria mesmo, sabe? O Jesse foi… perfeito comigo. Ele sempre é, a gente sempre vai só até onde eu quero."

"Sempre?" — Kurt ergue as sobrancelhas — "Teve mais de uma vez?"

"Kurt…" — digo. Ele me espera prosseguir.

"Sete vezes completas."- confesso, envergonhada. — "E mais algumas… outras coisas."

"E continuou doendo? Nas outras vezes?" — Ele me pergunta.

"Nada, depois das primeiras ficou muito muito muito muuuuuito bom. Kurt, nossa, não consigo nem te explicar, quando ele está dentro de mim, eu me sinto tão…" — Me sento na cama novamente — "Eu tive 4 orgasmos, já. Às vezes ele chega primeiro, mas a gente compensa de outras formas…".

"Ainda estou tentando processar tudo isso." — Kurt se senta novamente, e abraça um dos meus travesseiros.

"Nem eu consigo acreditar direito. E é tão bom, tão bom, que eu tenho medo de isso estar interferindo nos meus sentimentos, sabe?"

"Sei mais ou menos. Eu sou ace, né." — Kurt já me explicou que se identifica como Demisexual, o que significa que ele só se interessa sexualmente por pessoas com quem tem algum tipo de vínculo emocional.

"Ah, eu também nunca tinha sentido nada disso antes, sabe? Não antes do Jesse. Mas quando ele me toca, eu só quero que ele continue, e nunca pare."

"E o…" — Kurt me pergunta, um pouco tímido — "dele. É muito…?"

O encaro, em silêncio.

"O que? Eu sou ace mas sou curioso, né."

"Médio." — eu digo, finalmente — "Mas minhas referências são dos filmes adultos, né. Acho que é meio distorcido. Vida real, assim, eu só vi o dele mesmo. E é meio estranho." — damos risadinhas.

"Isso eu não posso negar. A anatomia humana é bem esquisita, se você parar pra pensar."

"É mesmo." — concordo — "Mas é bem…"

"Bem…"

"É bem gostoso."

"Isso eu já não sei. Ou não sei ainda, né." — ele diz, e eu taco uma almofada nele. Estamos dando risada de toda a situação, quando minha mãe abre a porta do meu quarto. Ela está de folga hoje, e ficou bem feliz de conhecer Kurt.

"Crianças, vou pedir uns hambúrgueres pra gente. Você come carne, Kurt? Peço sempre numa lanchonete que tem opções veganas pra Rach, mas o restante todo da família é carnívoro."

"Ainda tenho esperanças de mudar isso." — Rachel diz, e nos levantamos para ajudar a mãe dela a arrumar a mesa.

"Chama o Jesse pra lanchar com a gente, filha. Ele não saiu do emprego? Deve estar a toa em casa."

Kurt me olha de relance. Eu expliquei a ele que ainda não me sinto preparada pra contar pra minha mãe.

Mando uma mensagem para Jesse, que toca a minha campainha alguns minutos depois do lanche chegar. Eu abro a porta pra ele, e nos abraçamos como sempre, apesar de eu estar louca para beijar seus lábios.

Kurt pode até achar que escondeu muito bem, mas eu tenho certeza que Jesse percebeu quando ele olhou bem discretamente para … aquela parte dele.

Aproveito que minha mãe está na cozinha para sussurrar no ouvido de Jesse sobre o que Kurt e eu conversamos. E ele fica absurdamente vermelho.

"Ele é meu melhor amigo depois de você. E se eu não posso conversar sobre isso com você…"

"Daí sobrou pra mim." — Kurt diz, se sentando no sofá.

"Vocês querem refrigerante ou suco?" — Minha mãe grita, da cozinha. Jesse se senta no sofá tentando disfarçar sua timidez, e Kurt faz um sinal de zíper com a boca.

"Suco!" — respondo para minha mãe, entrelaçando os dedos de Jesse entre os meus.