All That Matters
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Quinn está sentada no meu sofá, olhando para a tv sem de fato a estar vendo. Eu estou sentado ao seu lado, olhando para o seu rosto, sem saber o que dizer. O copo de água com açúcar que eu trouxe para ela continua na mesa de centro, sem que ela tenha tomado um gole sequer. A tv está no mudo, e tudo que eu ouço é o silêncio. Ela não fala, não chora, e está tão inerte que nem parece estar respirando.
Eu ouso quebrar o silêncio.
“Meu?” – eu pergunto, olhando pra ela. Ela se vira para mim, olhando nos meus olhos.
“Não. Puck é o pai.” – ela está me olhando com toda a intensidade que há no mundo – “Você já pode voltar a respirar.”.
É como se um piano tivesse saído das minhas costas. Eu estive com ela uns 2 meses atrás. Nós sempre nos protegemos, mas era natural que meu primeiro pensamento fosse que o bebê que ela está esperando fosse meu. Eu tive que perguntar. E não faço ideia do que faria se ela dissesse que sim.
“Eu não tinha pra quem correr.” – Ela diz. Eu suspiro seu nome, e ela se joga nos meus braços outra vez, chorando compulsivamente. Ela passa uns 3 minutos assim, com a cabeça no meu ombro, até que ergue o rosto, ainda chorando. Eu estico minha mão, e seco uma lágrima que escorre do seu rosto.
“Vai ficar tudo bem, Quinnie.” – digo, embora não tenha certeza do que eu deveria dizer. Ela se estica e me beija nos lábios. Esse beijo é um ato desesperado de alguém que está tão quebrada e precisa de um pouco de carinho. Não há romance algum entre nós, mas ela ainda é extremamente importante pra mim. Eu ainda consigo ler os seus olhos.
“Você é o meu melhor amigo, Jesse.” – ela sorri sem humor algum – “Agora que a gente terminou, eu entendo isso. Santana espalharia pra escola inteira. Britanny não deve nem saber como funciona uma gravidez. E eu definitivamente não posso conversar com a minha mãe sobre nada!” – ela encara o chão novamente. Está confusa, assustada, e eu a trago para meus ombros outra vez. Ela fica ali, encarando o chão, e soluçando cada vez menos. Eu não vou fazer perguntas.
Eu coloquei o som na tv outra vez, e estamos vendo o programa sem o assistir. Ela começa a falar uns dez minutos depois.
“Lembra quando te contei que não era mais virgem?” – ela ergue o rosto, me olhando. Eu balanço a cabeça em afirmação – “Foi com o Noah. Ele começou a dar em cima de mim assim que entrei pras Cheerios, antes mesmo de eu ser capitã. Eu ouvi que ele era um safado, é claro, mas sei lá.” – ela volta a olhar pra frente – “Ele estava na aula de economia doméstica comigo, e ele parecia outro cara, engraçado. Era meu parceiro, e sempre estragava toda comida que tentava fazer, menos bolos. Ele é ótimo com bolos. Acho que estragava a comida de propósito, só pra não o chamarem de maricas. Mas ele cuida da irmã mais nova, tenho certeza que ele sabe cozinhar.” – as palavras estão saindo da boca de Quinn como numa enxurrada – “Ele nunca tinha dado em cima de mim antes de eu ser das Cheerios, mas quando eu virei uma líder de torcida, eu entrei pra lista. Mas ai eu acho que eu já gostava dele.”
Ela para de falar por uns segundos, e recomeça.
“Eu acho que pensei que ia ser diferente, que eu ia ser a garota que ia transformar o bad boy num cara legal. A gente começou a ficar, e ele me levou pra casa dele, eu conheci a irmãzinha dele, a mãe. Ela disse que ele nunca tinha levado uma menina em casa. Dai aconteceu. Foi mais forte do que eu, eu acho. Eu era do clube do celibato. Minha mãe, como eu vou contar isso pra ela, ela nem sabe que eu larguei o clube.”
“Ai veio o baile. Eu estava tão feliz, que fui contar a ele que já tinha comprado o vestido. Ele estava como Blaine e os outros imbecis. Me tratou como se eu fosse uma idiota, disse que não mantinha relacionamentos, que não era pra eu me iludir. Os amigos o saudaram como um cara genial. Eu fiquei me sentindo uma idiota completa. Ai, na aula, enquanto eu batia a massa de panqueca sem nem olhar pra ele, ele me disse que tinha uma reputação a manter, que a gente podia ficar junto contanto que eu não contasse pra ninguém. Eu perguntei se ele ainda ia continuar ficando com outras garotas. Ele respondeu que não sabia. Ai eu pedi transferência pra aula de marcenaria, pra não ter que ficar perto dele. Decidi que ele não podia fazer com que eu me sentisse tão mal quanto eu me sentia. O meu vestido já estava comprado, mas eu não queria chamar nenhum cara pro baile, são todos uns imbecis. Ai eu vi você sentado na escada, e eu lembrei de como você era quando nós conversávamos, e ai eu pensei ‘que droga, eu sou igualzinha ao Puck’.”.
“É por isso que ele me odeia tanto, né?” – pergunto, e todo o bullying de Puckerman para comigo começa a fazer sentido.
Ela ergue o corpo, e volta a olhar pra mim – “Eu quero que você saiba que eu não trai você, Jesse. Eu gostei de você de verdade. Mas ai, naquele dia que o Finn cantou aquela música, eu fiquei me sentindo idiota de novo, sabe? Eu sei que não é sua culpa, mas eu me senti assim. Ai eu sai correndo da sala, e o Puck foi atrás de mim, e disse que ia quebrar a sua cara” – ela ri – “e eu mandei ele ir à merda. Daí fui falar com você, e quando saí do seu trabalho, ele estava me esperando do lado de fora. Disse que tinha me seguido pra saber se eu estava bem. Disse que me amava, mas que eu não merecia um cara como ele, que eu merecia um cara como você. A gente fez no carro dele, sabe? Ele me pediu pra namorar com ele, que seria sério dessa vez. Eu disse que não.”
Ela passa uns 5 minutos encarando o chão.
“Você acha que eu sou uma pessoa ruim, Jesse?”
“Não. Você vai ser uma mãe incrível.” – ela olha pra mim, e eu estou sorrindo.
“Como sabe que eu vou ficar com o bebê?”
“Eu ainda te conheço. Você não faria nada diferente disso.”. Ela se deita no meu ombro outra vez, e não está mais chorando.
“Você podia falar com o meu pai, se você quiser.” – ela olha pra mim, confusa – “Eu nasci quando ele tinha 16 anos, lembra?” – ela balança a cabeça, e parece estar concordando. Eu entendo que ela não tenha coragem de contar para a mãe agora, mas precisará fazer isso. Não foi nada fácil para o meu pai contar à minha avó que tinha acidentalmente engravidado a namorada, muito menos que essa garota queria dar o bebê para adoção, e que por isso ele tinha decidido cria-lo sozinho. Meu pai e minha avó, que já faleceu, são os amores da minha vida, porque cuidaram de mim quando ninguém mais quis fazer isso. Tenho certeza que ele pode ajudar Quinn a decidir como deve agir nesse momento.
Estou fazendo carinho no cabelo dela, quando meu pai e Emma chegam. Ele olha para a cena no sofá, e faz cara de quem está confuso, ele sabe que Quinn e eu terminamos. Antes que eu possa dizer qualquer coisa, Quinn se levanta.
“Sr. Schuster, eu preciso conversar com o Senhor e com a Sra. Schuster. Acho que podem me ajudar.”
**************
Meu pai e Emma chamaram a mãe de Quinn para conversar no colégio. Ela reagiu bem, segundo ele me contou. Decepcionada, ela chorou muito, mas depois de alguns copos de águaa, se levantou e abraçou Quinn. Disse que elas iam resolver isso juntas. Perguntou se o pai era eu, e Quinn disse que não. Quinn me contou depois que a mãe dela quer que ela arrume um emprego, e ela vai ter que largar as Cheerios por conta disso. Ela é uma garota bonita e educada, e já arrumou algo pra fazer: vai trabalhar como atendente de uma lanchonete. Não paga muito, mas ela tem um bebê a caminho. Ela acha que é um menino. Ela quer chama-lo de Jacob.
A mãe dela teve que viajar novamente, devido ao seu trabalho de corretora, mas exigiu conhecer o pai da criança quando voltar. E é por isso que eu estou na casa de Quinn agora, porque ela quer a minha ajuda pra contar a Puckerman que eles vão ter um bebê. E como eu também descobri depois de tudo isso que, depois de Rachel, ela é a minha melhor amiga, eu estou aqui por ela.
Ela está no banheiro quando a campainha toca.
Noah Puckerman está pronto para me bater assim que me vê, quando abro a porta. Ele me empurra com tanta violência para dentro da casa que nem tenho tempo de dizer-lhe que pode entrar.
“O que é que você está fazendo aqui” – ele me segura pela camisa.
“Solta ele, Noah!” – Quinn está mais uma vez me defendendo do valentão que, agora eu sei, tem ciúmes dela. Não posso evitar rir, o que aumenta a cara de raiva que Puckerman dirige para mim.
“Isso é algum tipo de palhaçada?” – ele pergunta, e nenhum de nós tem tempo de responder, já que Quinn volta pro banheiro, correndo. Vamos atrás dela, e ela está sentada no chão, inclinada sobre a privada, vomitando muito mais do que o que comemos no almoço da escola. Puckerman se senta no chão ao lado dela, e pergunta se ela está bem. Ela só consegue erguer a cabeça da privada e olhar pra ele, antes de ter que voltar e vomitar mais um pouco. Ele segura seu cabelo, e eu vou pegar um copo de água pra ela. Quando eu volto, eles estão de pé na pia, ela está lavando a boca, e ele está segurando o cabelo dela pra trás. Quando ela acaba, ele gentilmente solta o cabelo dela, arrumando uma mecha que escapole por baixo da tiara, e alisando as partes arrepiadas. Há um pouco de vomito preso numa mecha, e ele molha as mãos e passa a água nessa mecha, limpando-a. A está olhando da mesma forma que eu olho para Rachel, e eu vejo que sim, eu não sei se Quinn tem noção disso, mas esse valentão imbecil está completamente apaixonado por ela. Ela o olha da mesma forma, de uma forma que nunca olhou pra mim, e apesar de todo o tempo que namoramos, eu não me importo. Quinn e eu fomos feitos para ser grandes amigos, e embora tenhamos confundido tudo por um tempo, as coisas estão finalmente se encaixando agora.
Ela pega a água que eu trouxe, e a toma lentamente.
“Você tá grávida, né?” – Ele a está olhando com ternura, e a voz sai calma e tranquila.
“Tô.” – ela fala. E a reação de Puck pega a nós dois de surpresa.
Ele se ajoelha no chão, levanta a blusa dela para expor a barriga, e começa a beijá-la ali.
Ela está sorrindo, e passa uma mão no moicano que está na cabeça dele como um rato morto.
“Eu vou arrumar um emprego.” – ele diz, levantando e beijando-a nos lábios – “Eu vou largar o futebol e vou arrumar um emprego. Vou alugar uma casa e a gente pode morar juntos. Eu vou ser o melhor pai que ela vai ter. Ela vai ser igualzinha a você, Quinnie, nada parecida comigo, porque eu sou um babaca. Mas eu amo você, e eu amo a nossa menininha, eu sei que vai ser uma garotinha. E eu vou quebrar a cara do primeiro namorado dela, tá legal? Eu vou arrumar uma arma desde já e vou capar o desgraçado que se aproximar dela.”
Puckerman tem certeza que o filho é dele, apesar de todo o tempo em que Quinn e eu estivemos juntos. É como se ele sentisse, e em momento nenhum ele levanta a questão da paternidade. É interessante ver esse lado paternal e apaixonado dele, que eu nem sabia que existia, mas é aquela questão de não se poder julgar um livro pela capa. Estou sobrando nesse cômodo, e estou saindo lentamente, quando Quinn, com Puck enterrado em seu ombro, sussurra um “obrigada” pra mim, ostentando o maior sorriso que eu já a vi ter.
Minha primeira namorada e o cara que me perturbou durante anos no colégio serão uma família em breve. Vê-los assim não me incomoda nem um pouco, e estou feliz que as coisas estejam se acertando pra ela. Eu bato a porta quando saio, sorrindo também.
POV Rachel
Kurt está eufórico com a música que cantará hoje no Glee Club, ainda na temática que Finn sugeriu sobre cantarmos algo que nos representa. Esteve ensaindo há dias. Estamos passando pelo corredor indo para a sala do Coral de braços dados, quando vemos uma cena que jamais esperávamos ver.
Blaine Anderson está apoiado em uma muleta, o lado direito do seu corpo continua machucado por conta do jogo de semana passada. Ele deslocou o joelho e está com o braço quebrado, e parece que está com a cintura imobilizada também, ao menos é isso que se diz na rádio corredor. Ele teve sorte de não ter danificado a coluna com o impacto da queda no chão e do peso do outro jogador sob o seu corpo. Ele usa roupas comuns, ao invés da sempre presente jaqueta do time, que está nas mãos de um dos idiotas do time que costumam andar com ele. O cara sacode a jaqueta em cima da cabeça dele, enquanto ele a tenta pegar com a única mão boa. Como não tem apoio na perna machucada, ele se desequilibra e está prestes a cair no chão. Kurt sai correndo e o ampara antes que isso aconteça.
“Qual o problema de vocês? Ele está machucado!” – Kurt ergue Blaine, e o ajuda a se apoiar na parede.
“Não se mete, frutinha!” – O moreno mais alto berra com meu amigo, e eu me jogo na frente dele. Não chego nem na metade do seu peito.
“Sai da frente, anãnzinha.” – ele não ousa encostar em mim, e continuo ali com a maior cara de brava que consigo fazer.
“O que foi que eu fiz pra vocês?” – Blaine pergunta, sem entender porque os amigos o estão perturbando.
“Você nos fez perder o jogo, com essa sua mania de fome de bola! Além disso, está todo ferrado, e prejudicou o time para os próximos jogos.” – o grandão dá a justificativa que, na cabeça dele, explica tudo.
“Será que vocês se quer se escutam?” – Kurt, que deixou Blaine na parede e veio para o meu lado, grita mais alto que o cara, que se enfeza ainda mais. É nessa hora que Sam e Finn aparecem para impedir que Kurt leve um soco no nariz. Eles dispersam os idiotas, que antes de irem, jogam a jaqueta de Blaine no chão, e pisam em cima dela. Finn ajuda Blaine a caminhar para longe dessa cena. Kurt pega a jaqueta de Blaine do chão, e vamos todos para a sala do coral.
Somos os últimos a entrar. Blaine está sentado nas primeiras fileiras, seu olhar demonstra nervosismo e ate um pouco de medo. Kurt entrega a jaqueta para Blaine, que a pega com um olhar de vergonha no rosto. Parece que algumas pessoas só entendem as coisas quando as sofrem na própria pele, e o imbecil praticante de bullying precisou sofrer com isso pra entender como é que se sente.
Sr. Schuster inicia as atividades perguntando se alguém trouxe a música que representa a si mesmo. Kurt se levanta, e Artie vai até perto dele com um violão.
“Eu sempre fui o tipo de cara que tinha certeza de quem era e do que queria sobre tudo na minha vida,” – Kurt começa a falar – “e por alguma razão isso sempre despertou a raiva de algumas pessoas em qualquer lugar pra onde eu vou. Pra evitar que mais situações desagradáveis acontecessem comigo, eu passei a me calar não sobre quem eu era, mas sobre como eu me sentia. Recentemente eu conheci algumas pessoas que me fizeram entender que eu preciso continuar gritando ainda mais alto do que as multidões se eu quiser ser ouvido.” – ele olha na direção onde Sam, Tina e eu estamos sentados, e nós sorrimos – “Essa música significa muito sobre quem eu fui até agora, e quem eu quero ser, e eu gostaria de compartilhá-la com vocês.
Ele faz um sinal para Artie, que começa a tocar.
Música: Blackbird
Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=l-cZ_ElJ1oA
Pássaro preto cantando na calada da noite
Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar
Durante sua vida toda
Você só estava esperando este momento para decolar
Pássaro preto cantando na calada da noite
Pegue estes olhos fundos e aprenda a enxergar
Durante sua vida toda
Você só estava esperando este momento para ser livre
Pássaro preto, voe, pássaro preto, voe
Para o clarão da escura noite
Pássaro preto, voe, pássaro preto, voe
Para o clarão da escura noite
Pássaro preto que canta no morrer da noite
Pegue essas asas quebradas e aprenda a voar
Durante sua vida toda
Você só estava esperando este momento chegar
Você só estava esperando este momento chegar
Você só estava esperando este momento chegar
Todos batemos palmas para Kurt, que parece um pouco tímido, e volta para seu lugar.
“Incrível, Kurt, incrível!” – Sr. Schuster o elogia – “Muito bem, as Seletivas são daqui há duas semanas, e eu vou precisar de toda a dedicação de vocês. “
Nós começamos a ensaiar “Light Up The World”, música que foi escrita por Finn, e que é a única que já decidimos como oficial para as Seletivas. Essa será a nossa música de grupo, que segundo as regras da competição, para ser classificada assim deve ser cantada por no mínimo 5 integrantes do grupo, sem contar o coro. Santana, Artie, Brittany, Finn e eu apresentaremos essa canção. Ainda precisamos de uma música para um solista e de um dueto, o Sr. Schuster disse que ainda a está procurando, pois quer que seja realmente especial e que impacte os juízes.
“Bem, antes de terminarmos, Quinn e Puck precisam dividir algumas palavras com vocês.” – Sr. Schuster diz, e os citados Quinn e Puck vão à frente. Reparo que Quinn não está usando sua roupa de líder de torcida. E que ela e Puck estão de mãos dadas.
“Obrigada, Sr. Schuster.” – Quinn começa a dizer – “Bem, eu só queria anunciar que não estarei presente a partir dos próximos ensaios, porque Puck e eu estamos saindo do Glee Club.”.
Ouvem-se respirações de surpresa. Quinn está no Glee Club há muito tempo, e todos contavam que o solo fosse ser dela.
“Acreditem, eu não estou fazendo isso porque quero. Eu já conversei com o Sr. Schuster” – ela olha para ele, que acena com a cabeça – “Puck e eu vamos passar a trabalhar após o colégio.” – eles se olham novamente, e ela parece um pouco assustada. Ele a incentiva a prosseguir – “Nós estamos esperando um bebê. E eu gostaria de contar com o apoio de vocês.”
O silêncio se estabelece na sala. Ninguém sabe o que pensar, ou como agir. Até que Mercedes Jones se levanta, vai até a direção de Quinn e a abraça.
“É claro que vamos estar com você, garota. Somos uma família.”
Um a um, os membros começam a se levantar e abraçar Puck e ela, que chora.
“Eu vou ser pai, cara!” – Puck diz, enquanto é abraçado por Finn.
Sou a última a levantar. Na verdade, eu sobro sentada nas cadeiras por alguns segundos, antes de me levantar e abraçar Quinn, um pouco descontente. Ela não nos diz de quanto tempo está grávida, não parece ser muito, já que a barriga ainda não está visível. Mas enquanto todos celebram esse belo fato, tudo o que consigo pensar é que essa garota vai ter um bebê com outro cara, ela mal terminou com o Jesse e já está grávida.
De repente tudo faz sentido. Quinn e Jesse ficaram juntos por quase 1 ano, e de repente terminaram, do nada. Ele não quis me dizer o motivo do término, disse apenas que não importava, mas ele parecia realmente perturbado naquele dia, o mesmo em que coincidentemente Finn e eu começamos a namorar. Ele provavelmente descobriu sobre a traição, e não disse nada para não expo-la. E agora o meu melhor amigo fará papel de idiota traído perante a escola, e não há nada que eu possa fazer para protegê-lo das fofoquinhas e olhares tortos.
Eu saio marchando da sala na primeira oportunidade que tenho.
****
“NÃO MINTA PRA MIM, JESSE ST. JAMES SCHUSTER!” – estou gritando com ele, sentada em sua cama. Ele ignora meus protestos, e permanece sentado na mesa do seu computador, com a cara enfiada na tela. Ele já disse umas 4 vezes que ela não o traiu, mas não acredito nisso.
“Tudo bem, ainda que ela não tenha te traído, você não se incomoda nem um pouco com o fato de que ela JÁ ESTÁ com outro cara? Assim tão cedo? Vocês ficaram juntos por tanto tempo!”
“Nem todo mundo passa 8 anos gostando do mesmo cara, Rachel.” – ele diz, se referindo à minha situação com Finn. Não ligo, toda a minha espera valeu a pena, Finn é um ótimo namorado, e estamos destinados a ficar juntos pra sempre.
“E logo o Noah Puckerman?” – falo para mim mesma, mas alto demais. Ele gira a cadeira do computador, e me encara
“A gente não escolhe por quem se apaixona, Rachel.” – ele diz, e se vira novamente para a tela.
A forma como ele está sério indica que não está gostando do tom que estou usando para falar de Quinn. Está na cara que ainda gosta dela, mas não quer admitir, e eu provavelmente o estou magoando. Fico quieta, pois também não estou gostando do jeito como ele está falando comigo.
Ele respira fundo, se levanta e senta ao meu lado.
“Desculpe.” – diz, pegando na minha mão.
“Desculpe, também.” – eu digo – “Eu não sabia que você ainda gostava dela.”
“Eu não gosto.” – ele insiste em negar. Mas ele ainda tem aquele olhar bobo nos olhos que se tem quando se está apaixonado por alguém.
“Gosta sim, você fica a defendendo.” – estou um pouco enciumada por ele valorizar mais os sentimentos pela ex do que nossa amizade, na hora de falar comigo.
“Rachel, Quinn ainda é muito importante para mim, é só isso. Ela é uma grande amiga, assim como você e Kurt são.”
“É diferente.” – protesto.
“Porque?” – ele está se sentando na mesa do computador outra vez.
“Porque Kurt não foi meu ex namorado, por isso!” – cruzo os braços, emburrada. Não sei se minha explicação fez sentido nem pra mim mesma.
Ele se vira pra me encarar novamente.
“E porque isso faz diferença, Rach? Porque ela ter sido minha namorada faz diferença pra você?” – ele está me olhando do jeito que ele faz quando quer ler aquilo que eu não digo.
“Sei lá.” – não sei o que responder. Acho que ainda tenho ciúme do fato de que ela estava aqui para vê-lo crescer, para abraçá-lo todos os dias e ir ao cinema com ele, enquanto que por anos eu tive que me contentar com e-mails e conversas por skype. Acho que tenho medo de que ele a considere sua melhor amiga agora, ao invés de mim. Faz sentido.
Decido ir embora.
“Deixa pra lá, Jesse.” – levanto da cama dele.
“Espera.” – ele me chama, quando estou saindo do seu quarto.
“Você ainda precisa levar uma música original pro Glee Club?” – ele pergunta, e eu confirmo com a cabeça. Essa é mais uma das tarefas que Sr. Schue nos passou, para exercitarmos nossa criatividade e nossas formas de expressão. Até agora só Finn entregou a sua. Não sou muito boa escrevendo, e Jesse sabe disso.
“Toma,” – ele abre a gaveta, e me entrega um papel que estava lá –“pode levar essa, se quiser.”.
Eu leio a letra rapidamente, e abro um sorriso, a música é ótima. Meus olhos esbarram na assinatura no final da página: J. J. Schuster.
Jesse St. James Schuster. Ele compôs essa canção.
E ela é simplesmente perfeita.
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