All Star de Cristal
5 Aplicativo de Cristal
Notas iniciais

Sexta-feira, dia 12 de junho de 2020.
— Finalmente! – exclamei ao me jogar em minha maravilhosa cama. – Lar, doce lar!
— É, — Piper comentou se sentando na ponta da cama. – falando assim nem parece que você gosta do trabalho que tem! – Brincou. – Deveria era agradecer a Zeus por não ter que sair por missões suicidas todo santo dia!
— Não sabia que era inclinada a dramas Beauty Queen. –Utilizei o apelido carinhosamente dado por meu irmãozinho. – E digo mais, — me levantei da cama, começando a caçar uma roupa limpa em meio a parafusos e martelos (uma missão quase impossível) – não é você que tem que aturar uma deusa purpurinada, vulgo sua mãe, no seu cangote todo santo dia. – repeti suas ultimas palavras.
Ela riu.
— Mas tenho que aturar um chalé inteiro com os filhos dessa deusa purpurinada, vulgo meus irmãos, então podemos considerar que isso é quase a mesma coisa. – rebateu, enquanto piscava pra mim.
Eu bufei.
— Quer trocar de lugar?
— Ah não, muito obrigada, pode até ser falta de respeito o que eu vou falar mais... – ela fingiu sussurrar. – prefiro enfrentar Gaia novamente a ter que conviver com a minha mãe mais do que o necessário.
Foi a minha vez de dar risada.
— Você ainda não a perdoou? – Sua primeira fogueira no acampamento foi tão chocante (por falta de palavra melhor) que na época até as caçadoras de Ártemis ficaram sabendo da cena. (Se você ainda não percebeu, a fofoca rola solta por aqui).
— Por ter roubado sua própria filha? – brincou. — Nunca!
Poderia parecer esquisito, mas eu e Piper depois de um longo tempo de convivência e amizade começamos a simplesmente ignorar todas as merdas que a sua mãe fazia sobre mim. Chegar em casa todo dia com uma marca diferente no corpo ou não muito animada pelo modo como eu era tratada no trabalho já era desgastante o suficiente para ter que aguentar logo em seguida o olhar desconfortável e envergonhado de Piper, ao saber que sua própria mãe que havia causado aqueles hematomas em mim. Ela até tentou falar sobre isso comigo (mais de uma vez, devo ressaltar), mas eu simplesmente não estava pronta e acho que nunca vou estar. Me entenda, não sou do tipo de garota que se abre e fala de seus sonhos e perspectivas para a primeira pessoa que aparecer. Apesar de me considerar alguém alegre e bonita, sou muito tímida em relação aos meus próprios sentimentos e aos outros, respectivamente. Ás vezes penso que isso é só uma características dos filhos de Hefesto (ser tímido, não lidar muito bem com sentimentos, preferir máquinas as pessoas), mas então me lembro de Leo (meu meio-irmão gnomo de jardim) e percebo que essa minha insegurança é só um modo de autodefesa que meu corpo criou; Então, ao perceber que a minha recente amizade com Piper não duraria muito tempo se as coisas continuassem como estavam, fiz a única coisa plausível no momento: aprendi a esconder meus machucados com maquiagem e minha tristeza com uma falsa cara de felicidade, até que passei a não me importar mais com Afrodite e seus xingamentos.
Hoje em dia, muito raramente me sinto afetada por ela, e quando ela consegue essa maravilhosa proeza, só é preciso eu me lembrar de quem eu sou e o meu porque de estar lá para me reerguer mais firme e forte. Já Piper, por não saber mais o que sua mãe faz comigo não carrega mais um olhar constrangido sempre que me vê, muito pelo contrário, todo dia ao chegar no acampamento ela vem me visitar e encher meu saco com um sorriso alegre em seu rosto.
Depois de deixar minha amiga praticamente falando sozinha e entrar no banheiro, ligo a ducha e começo a tomar meu banho. Passo o shampoo, esfrego minha cabeça e volto-a para a mira da ducha, repetindo esse processo mais uma vez. Nesse momento, já estou cantando a plenos pulmões havana ooh na na, e é possível escutar alguns risos do lado de fora (provavelmente dos meus irmãos). Dou de ombros, continuando a cantar como se nada mais importasse, agora passando o condicionador me ensaboando. Quando finalmente saio do banheiro com uma toalha enrolada na cabeça vestindo uma blusa de basquete maior que eu sou recebida por aplausos.
Entrando na brincadeira, faço uma reverencia.
— Obrigada meus maravilhosos fãs, se hoje eu estou aqui, saibam que a causa disso é vocês! – mando beijinhos enquanto caminho em direção a minha cama. Meus irmãos, obviamente, já estão morrendo de rir. – Para shows e entrevistas, por favor, agendar horários com a minha assessora pessoal, Piper McLean.
*♫ *
O jantar (finalmente) foi servido.
Devido a minhas gracinhas e as de Piper, não conseguimos escutar a concha de primeira, o que nos rendeu uma boa corrida do chalé 7 ao refeitório quando olhamos as horas no relógio. Ao chegarmos lá, já completamente sem fôlegos e suadas, percebi que meu banho não havia rendido em nada. É, eu sou uma sedentária de primeira.
Me despeço de Piper e vou em direção a minha própria mesa, já ouvindo as piadinhas cotidianas de Leo.
— Mas o que é aquilo? É um pássaro? É um avião? Não... – reviro os olhos com um sorriso no rosto, enquanto Leo e Ed se afastam me dando um espaço para me sentar. – É só a minha ídola favorita se sentando bem ao meu lado! Elsa, rainha do meu coração, razão do meu viver, poderia me dar um autografo? – me entrega uma caneta (que surgiu não sei de onde) subindo sua camiseta em seguida.
Eca.
— Primeiro: Esconde essa visão do próprio tártaro antes que eu realmente fique traumatizada. – encosto meio relutante a caneta no seu peito malhado, fazendo o resto da mesa rir. Ninguém merece. – Segundo: Acho incrível essa sua habilidade de tirar objetos não-sei-de-onde, mas pelo amor de Zeus, para. E terceiro: Do que diabos você está falando?
— Não ficou sabendo Let It Go? – Ah sim, como se não bastasse aturar só o Leo, ainda tinha o maravilhoso apelido que ele resolveu me dar. Valeu Disney. – O seu show está no DeusesBook pra todo mundo ver.
— O que?
— Não sabia? — Tirou o pequeno aparelho do bolso, mexendo por alguns segundos. – Aqui, olha!
Leo me entregou um pequeno objeto retangular, muito parecido com um espelho. Clicando em um aplicativo intitulado "DeusesBook" (algo como um facebook destinado aos deuses e seus descendentes), entrou no perfil de um de nossos irmãos e logo clicou no play do vídeo que apareceu na tela, aumentando-a também.
Ainda desconfiada, fixei meu olhar naquele aparelho, notando a tela escura começando a se abrir para dar espaço a um local com paredes meio amarronzadas, juntamente com camas meio desorganizadas e materiais em geral jogados desorganizadamente pelo recinto. Logo reconhecido o lugar como sendo o meu chalé. Repentinamente, a câmera passou a focar em uma porta (a porta do banheiro!) onde uma voz começava a se sobressair a das conversas no chalé. Alguns segundos depois a porta se abriu, sendo possível ver uma garota alta e magra saindo dali, com poucas mechas loiras saindo da toalha felpuda.
Ainda incrédula, a única coisa que pudesse fazer foi entregar o objeto ao Leo, me retirando da mesa logo depois.
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