All Monsters Deserves a Chance
2 Capítulo 2 - Dr. Keven
Notas iniciais
DIAS ATUAIS
Mare estava inclinada sobre a mureta, amarrando seu salto, quando ouviu passos se aproximando e soube que era dele. Sentindo o vento frio da noite mostrar mais do que deveria de seu vestido com uma fenda que ia ate a cintura (luxo de Hans, é claro), Mare se virou para o homem que havia parado para observá-la.
Sorriu doce.
— Como posso ajuda-la, senhorita? – Dr. Keven sorriu de forma educada, mas seus olhos passeavam pelo corpo dela.
— Doutor, não sei se lembra de mim... – sua voz saiu fina, e Mare fazia esforço para não fazer careta. Que tipo de monstro eu sou?
— Você faz parte de alguma turma minha? Realmente, não me lembro.
— Eu... Mais ou menos isso. – Um deslize. Ela sempre esquecia essas partes.
— Bom, se fazer, meu escritório fica aberto de segunda as sextas na parte da manhã. – ele lança outro olhar pra ela e começa a subir as escadas do dito escritório.
Mare estende a mão, segurando a dele pela ponta dos dedos. Dr. Keven não era um homem tão velho, tinha por volta de seus 30 e poucos anos. Ele possuía cabelos pretos e olhos de um tom castanho esverdeado, barba rala e podia-se perceber pelo terno apertado que ele era musculoso. O fato de ele ser bonito, não era o que incomodava Mare, na verdade ele era uma das pessoas mais cobiçadas de seu país. O que a incomodava era, que, ele era bem mais velho que ela, e ela era obrigada a fazer aquilo. Se não conseguisse, havia uma maca e instrumentos de tortura esperando por ela em casa.
Graças a Deus você ter um rosto angelical, menina. Não sabe o quanto isso nos favorece. Hans havia dito isso para ela uma vez. Respirou fundo quando percebeu que o Doutor a encarava.
— Eu realmente preciso de ajuda. – lançou um olhar suplicante e ele cedeu.
— Entre, querida. – sorri e ela o acompanha até a sala dele na cobertura do prédio.
Ela tinha que confessar que o escritório era agradável. Tinha aquele ar de livros misturado com barulho de máquinas eletrônicas. O jeito que o mundo de antigamente se misturava com o atual fazia Mare sentir uma certa satisfação. Afastou seus pensamentos, lembrando-se de seu dever, e correu os olhos por cada objeto daquela sala. Sabia que em algum lugar estava o cofre. Sentiu quando alguém tocou seu ombro, e se virou para Keven.
— No que posso ajudar? – diz ele enquanto se afasta e tira o blazer, pendurando-o.
— Eu... Sabe, doutor... – diz passando a mão numa mexa no cabelo e sorrindo. – eu não faço parte de nenhuma de suas turmas.
Dr. Keven sorriu, como se já esperasse isso.
— Eu desconfiava. Não me esqueceria de um rosto tão bonito.
Mare segurou com todas as suas forças o desejo de fazer uma careta. Ao contrário, sorriu “santa”. Ele a encarou por alguns minutos, então se aproximou e colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
— Você é tão nova... – se aproximou mais dela. – Eu seria um cafajeste se me aproveitasse de você, mas...
— Eu quero isso. – ela disse e o puxou, beijando ele de forma leve e tímida. Então Keven envolveu sua cintura e colou o corpo dos dois.
Ah, pensou ela quando sentiu as partes dele pressionadas contra as dela. Sabia que era errado, mas se deixou levar, agora o beijando com veracidade. Keven desceu uma das mãos por sua coxa desnuda, arrepiando Mare. Ela subiu as mãos para sua nuca, então ela a segurou forte com as mãos e a levantou. Mare entendeu o recado, então envolveu a cintura dele com as pernas.
Keven caminhou com ela no colo ate um sofá, onde a soltou, deixando-a cair no mesmo. Mare arfou surpresa, então observou quando ele tirava a camisa e ficava por cima dela, beijando todo o seu corpo. Suspirou, ele até que levava jeito.
.
Acordou no mesmo sofá, com Keven ao seu lado, respirando descompassado enquanto dormia. Mare olhou em volta, e ainda estava de noite. Tirou a mão de Keven de cima de seus seios, reprimindo a sensação de como era quando ele os apertava e gemia ao seu ouvido. Tremeu, mas logo fechou os olhos e respirou fundo. Ele não é Hans, se acalme. É só alguém que você foi obrigada a transar.
Olhou no relógio ao seu lado, e viu ser 2 da manhã. Levantou em silêncio, colocando seu vestido devagar e começando a procurar pelo escritório. Enfim achou o cofre, escondido atrás de alguns livros nas prateleiras. Colou seu ouvido no mesmo e em alguns minutos já o tinha destravado. Pegando o máximo de dinheiro que conseguiu, andou sem fazer barulho ate a enorme sacada e desceu as escadas de serviço. Agachou e pegou a mochila que tinha ali, guardando o dinheiro. Colocou a mochila nas costas e andou tranquila até a praça ali perto.
Levantou os olhos quando viu Luke parado encostado no poste, e todo o sentimento de culpa se foi quando ele sorriu pra ela. Mare correu, se jogando em seus braços. Ele a envolveu facilmente, por ser maior e mais alto.
— Você conseguiu? – falou depois de alguns minutos, afastando ela pelos ombros.
— Sim. – ela diz e para de sorrir, passando a mão pelo seu corpo, sentindo sua parte intima doendo.
— O que foi? – Luke perguntou, quando viu a expressão dela.
— Ele foi duro. Meio bruto. Ta doendo. – ela suspirou.
Varias expressões passaram pelo rosto de Luke: ódio, pena, dor e compaixão. Ele a puxou para outro abraço, e Mare imaginava o que ele poderia estar pensando. Não. Ela não queria imaginar. Luke era como um irmão, o único “amigo” que ela tinha. E o pior: ele era totalmente leal a Hans. Sentiu seu peito doer e soltou um soluço involuntário.
— Ah, Mare... – ele deixou escapar como um suspiro.
Luke a sentou num banco, sem nunca separar o abraço. Nos braços de Luke, era sempre fácil para ela esquecer seus problemas. Esquecer o modo como sua vida era um lixo. Desde que nasceu, seu pai, Hans, a havia feito de escrava. Quando criança, ela era distração para roubarem as pessoas. Quando adolescente, ela roubava as pessoas. Agora, com seus 17 anos, Mare transava para depois roubar. Ou era oferecida por seu pai há alguém muito rico que o pagavam para tê-la por uma noite.
Mare sempre tivera uma aparência angelical. Seus cabelos eram negros e ondulados, seus olhos azuis frios como gelo, mas seu rosto tinha rubor natural nas bochechas, com as maças do rosto bem destacadas. Era baixinha, mas seu corpo possuía curvas e seus seios eram medianos. Tinha dia que Mare se achava horrível, por todas as coisas que fazia. Tinha inveja das garotas gordas ou com espinhas no rosto, porque daria de tudo para ser como elas. Ela se esforçava, comia um monte de chocolate e tudo o que lia na internet que causava espinhas. Mas nem uma sequer dava sinal de existência. Ela se machucava, sem medo, pulava de alturas absurdas só para sentir o impacto do chão e imaginar a cicatriz que aquilo deixaria.
Ela também tinha dias que ficava tão linda que se sentia péssima. Nunca ninguém parecia a enxergar realmente. Só viam uma menina gostosa com a palavra “VADIA” rabiscada na testa. Não, ninguém sorria para ela com amor, ninguém a tratava com delicadeza ou era gentil.
Ninguém além de Luke. Ele fazia de tudo por ela, desde que não prejudicasse seu trabalho com Hans. Ela o conheceu a alguns anos, até então Luke apenas contrabandeava coisas. Então ele a viu em uma das festas de Hans, e desde então não desgrudava dela (quer dizer, menos nas horas ocupadas dos dois). Mare sentia que dependia de Luke, se estava mal, ele também ficava, se ele ficava com raiva ela também ficava. Então, ano passado, Hans deu a Luke o titulo de Protetor. Ele vivia para Mare, e se algo acontecesse a ela, ele seria punido. Também Hans deixou expressamente proibido que ele tocasse nela de qualquer forma senão amiga.
Mas cá estava ela, pensando que não havia lugar melhor no mundo do que nos braços dele. Que não havia melhor cheiro do que o dele, com sua mistura exótica de rosas e pasta de dente sabor menta.
Uma sirene soou ao longe e Mare se afastou abruptamente dele, se recompondo e levantando.
— Precisamos fugir tipo agora. – disse enquanto pegava os tênis que Luke havia trazido e os colocava sem meia.
Ele a observava quieto, então assentiu e se levantou, segurando sua mão.
— Sim, claro.
Os dois correram pelas ruas escuras, seus jamais fazendo barulho no chão. Pararam perto da rodovia, e então pularam a cerca e desceram o barranco, Mare já vendo o jeep de Luke estacionado na beirada da rodovia. Um caminhão passou por eles, deixando o vento agitado e Mare arrepiada.
— Vamos. – Luke disse e a conduziu ate a porta do carona.
Mare entrou e ele deu a volta, sentando no banco do motorista. Deu partida e dirigiu por algum tempo, a casa atual de Hans ficava num campo afastado da cidade. Ele estacionou na garagem, depois dando a volta e abrindo a porta para ela. Mare, praticamente dormindo em pé, desceu do carro e foi apoiada nele ate a porta, onde dois seguranças abriram passagem para eles. Observou quieta quando Luke deu a mochila dela para um cara que guardaria, e depois não reclamou quando Luke a pegou no colo e subiu as escadas com ela, indo até seu quarto e a deitando gentilmente na cama.
Ele sentou ao lado dela, enquanto Mare se enrolava na coberta.
— Mare, eu... – começou enquanto a encarava.
— O que foi? – diz ela com voz de sono.
— Nada, princesa. Dorme, está bem? Você precisa descansar...
Ela não discutiu, apenas assentiu e dormiu. Mas ficou se perguntando o que ele queria.
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