All I ever wanted
17 It's a love story, baby...
Notas iniciais
O casal estava sentado no sofá da sala da presidência, trocando carinhos e juras de amor.
— Sabia que você fica lindo nesse terno azul? Um verdadeiro príncipe — admitiu ela, com a cabeça recostada sobre o ombro do empresário.
— Ah é? Esse príncipe só espera não ter que correr atrás da Cinderela outra vez. Ou vou ter que te trancar na minha torre, digo, cobertura — disse o Rei do Café, com um sorriso zombeteiro.
— Que eu saiba, a torre é da história da Rapunzel. Mas tudo bem, não vou fugir. Prometo que juro — prometeu a morena, fazendo o famoso gesto da filha de Gustavo.
— E falando em Dulce Maria, acho que devemos ir vê-la. Quero que ela seja a primeira a saber que nós estamos juntos — continuou o empresário, roubando-lhe um beijo.
O olhar de Cecília se iluminou ainda mais.
— Jura? É o que eu mais quero! Não aguento mais de tanta saudade da nossa menina! — exclamou a ex-noviça, com um largo sorriso — O que foi? Por quê está me olhando assim?
— É tão gostoso te admirar... e ainda por cima, ver você dizer nossa menina— ele respondeu, radiante.
— Sempre vi a Dulce como uma filha, mesmo sendo uma noviça. E como se não bastasse, acabei me apaixonando pelo pai dela. Graças a Deus, agora vamos poder viver nosso amor em paz.
Depois de um beijo demorado, a morena se afastou lentamente e os trouxe de volta à realidade.
— Bom, eu adoraria ficar aqui com você o resto do dia. Mas nós temos que almoçar!
— E onde vamos, minha princesa? — questionou Gustavo, segurando as mãos da amada.
A morena ficou pensativa.
— Bom, eu não conheço muitos lugares por aqui. Confio no seu bom gosto.
— Perfeito, porque eu acabo de ter uma excelente ideia. Vamos? — ele convidou e ambos saíram da sala da presidência de mãos dadas, para espanto de Silvana.
— Cecília... é você? — indagou a secretária, incrédula.
— Bom dia, Silvana. É bom te ver — respondeu a ex-noviça cordialmente, tentando desviar do olhar fixo e atento da funcionária da Rey Café.
Percebendo o mal-estar de sua namorada, o empresário foi direto.
— Silvana, avise o Cristóvão que não volto hoje para a empresa. Qualquer coisa, estarei no celular — finalizou o Rei do Café indo em direção ao elevador, envolvendo seus braços sobre a cintura de Cecília.
Ante o espanto, a subordinada apenas conseguiu assentir e dizer a si mesma assim que o elevador fechou as portas:
— Alguém me explica quando que eles se apaixonaram?
[...]
Rapidamente, o casal chegou ao estacionamento da empresa. Cavalheiro,
Gustavo abriu a porta para a amada, que não conseguia parar de sorrir.
— Se continuar sorrindo assim, vou me apaixonar ainda mais. Está feliz?
— Ainda pergunta? Me sinto num sonho e nunca mais quero acordar! — exclamou a jovem.
— Bem-vinda a sua nova vida, meu amor — disse ele, entrelaçando sua mão na da namorada.
Eles sorriram e em seguida o homem arrancou em direção a um restaurante próximo.
— Não vai me contar onde vamos? — indagou Cecília, ansiosa.
— Quero que adivinhe — respondeu, num tom maroto.
— Gustavo! Já disse que não conheço praticamente nada daqui! Isso não vale — continuou ela, fingindo estar emburrada.
— Pense um pouquinho. Esse lugar você conhece — garantiu.
—Já sei! O LePF? — arriscou ela, ainda em dúvida.
— Errou. Vamos lá, senhorita sabe-tudo — ele caçoou.
— Ah, não sei então! — rendeu-se a professora.
— Sabe sim. Esse trajeto não é familiar?
A ex-noviça finalmente deu atenção para onde estavam. Em seguida, sorriu abertamente.
— Agora eu sei! Se não é o LePF, é o restaurante onde fomos com a Dulce, o Vitor e a Estefânia! — deduziu, animada.
— Certa resposta — disse, imitando o famoso bordão do "Homem do Baú".
Ao adentrar nas dependências daquele lugar, Cecília lembrou instantaneamente da última vez que estivera ali e se surpreendeu mais uma vez como tudo havia mudado desde então.
— Só pra constar, eu ainda estou aqui — zombou Gustavo, percebendo os devaneios de sua amada.
— Me desculpe. Mas é impossível não lembrar de quando estivemos aqui pela última vez — admitiu, sem graça.
— Naquela época, eu já estava completamente apaixonado. Só não queria admitir — ele segurou a mão dela carinhosamente.
— E eu então... — recordou ela, sonhadora — depois desse dia, eu tive certeza de que meu coração não estava mais no noviciado e sim em formar uma família ao seu lado — completou a ex-professora de Dulce Maria, sorrindo abertamente.
— Nós já éramos uma família, Cecília. Um pouco diferente, mas éramos — foi a vez dele sorrir — Mas agora, nada nem ninguém irá nos impedir de ficarmos juntos — ele segurou a mão dela com mais força, num gesto de confiança.
Ambos sorriram e em seguida o garçom chegou para anotar o pedido.
Minutos depois, o casal se dirigiu ao estacionamento, momento em que a jovem percebeu que havia esquecido um de seus pertences no restaurante.
— Eu e essa minha cabeça! Espera eu ir buscar meu blazer?
— Você não era assim... Parece até que está apaixonada — brincou Gustavo.
— Seu bobo — disse ela, mostrando a língua, zombeteira — Eu já volto.
Ao vê-la se afastar, Gustavo se deu conta do quanto estava feliz. Há anos não sentia tamanha sensação de paz e plenitude, algo que somente alguém tão iluminado como sua Cecília poderia trazer a sua vida e de sua família.
Subitamente, o Rei do Café tivera uma ideia, talvez a mais ousada de toda a vida, porém, já haviam perdido tempo demais. Pegou o celular do bolso e enviou uma mensagem para Vitor e outra com remetente à Estefânia.
Rapidamente, a prima retornou a ligação, eufórica:
— Como assim, primo? A Cecília voltou? Vocês se acertaram? E já vão...
— Calma, Stef! Pergunta pro seu noivo se ele consegue me ajudar nessa loucura!
Instantaneamente, a voz do chef ecoou do outro lado da linha, igualmente animado:
— E desde quando eu te deixei na mão, Gustavo Lários? Mas é claro que a gente está na Operação Noivado!
Estefânia gargalhou.
— E a Dulce, primo? Já sabe da melhor notícia do século?
— Ainda não. Mas pra ela eu conto — respondeu o empresário, imaginando a reação da filha com as surpresas que estavam por vir — Peçam a colaboração da Fran e do Silvestre para auxiliar a Solange. E muito obrigado, de verdade.
— Deixa com a gente — garantiu o casal em uníssono.
— Pra você Stef, eu tenho a super missão de avisar a Clarissa e as irmãs do Colégio. Mas não se esqueçam: Sigilo total! — advertiu ele, ansioso — Preciso desligar — sussurrou Gustavo ao ver Cecília retornar em direção ao Chrysler.
— É pra já! Um beijo, primo! — se despediu a estilista.
O Rei do Café tentou se manter sereno, a fim de evitar que a namorada desconfiasse de algo.
— Achou seu blazer, senhorita esquecida? — ele zombou.
— Achei sim. E como você mesmo disse, é culpa do amor — derreteu-se ela, o beijando docemente.
— Ok, chega de beijos. Vamos ver a Dulce! — exclamou a morena, ansiosa para rever sua amada garotinha.
— Só vou aceitar porque também estou ansioso pra ver a carinha da minha princesa — ponderou ele, tentando provocá-la.
— Nossa, Senhor Lários — corrigiu — Nunca mais se esqueça disso.
[...]
Meia-hora depois, o 300c de Gustavo estacionava próximo ao portão de entrada do Colégio Doce Horizonte. Como era de se esperar, Cecília desceu do veículo nitidamente emocionada.
— Meu Deus, quantas lembranças... — disse, num sussurro quase inaudível.
Companheiro, o empresário desceu do veículo e passou um de seus braços em volta dos ombros da amada, na tentativa de confortá-la.
— Sei que apesar de tudo, você foi muito feliz aqui. Mas, daqui em diante, terá novas recordações tão especiais quanto essas. Eu garanto — prometeu ele, dando-lhe um beijo tenro na testa.
Ela suspirou e novamente deu a mão ao namorado.
— Vamos?
— Sempre — assentiu o moreno com um olhar tenro.
Não levou muito tempo para que eles encontrassem o amável jardineiro do colégio, que não escondeu a felicidade ao rever a amiga.
— Não acredito! Quantas saudades, Cecília! — disse ele, beijando-lhe ambas as mãos.
— Pascoal, quanto tempo! Tudo bem por aqui?
— Ah, tudo bem, como sempre. O problema é a nossa pequena — a voz dele ficou mais triste ao lembrar de Dulce Maria — Desde que você foi embora, ela não é mais a mesma.
— Mas essa desânimo acaba hoje, Pascoal — garantiu o Rei do Café, sorridente.
Ao ver a cumplicidade no olhar de Gustavo e Cecília, Pascoal percebeu que finalmente eles haviam se entendido.
— Eu faço votos de que sejam muito felizes. Mal posso esperar pra ver a Dulce correndo serelepe por esses jardins outra vez, aprontando como antes!
Os três gargalharam, momento em que foram interrompidos pelo chamado alguém muito especial para a ex-professora de português.
— Pascoal, a Madre está te chamando lá na diretoria e...
Pela primeira vez em muito tempo, Fabiana ficou sem voz.
— Não vai cumprimentar a Cecília? — cutucou Pascoal.
— Ah, me belisca! Não é possível! — Exclamou — Você é a Ceci, minha eterna BFF? — indagou a regente do coral, boquiaberta.
— Ontem, hoje e sempre — completou a morena, indo em direção à melhor amiga e lhe deu um abraço apertado, cheio de saudade.
— Meu Deus, mulher! Estás maravilhosa! — elogiou a professora de música — Então, quer dizer que você e o Papai Galã se acertaram? — questionou a noviça num tom suficiente para que Gustavo e Pascoal caíssem na gargalhada.
— Quieta, Fabiana! — foi a vez de Cecília cutucá-la — Sim, nós estamos juntos! — as duas deram gritinhos de felicidade feito duas adolescentes.
— Eu não queria interromper a conversa — pigarreou Pascoal — mas acho que você precisa trazer a Dulce de uma vez! Vamos tirar a menina dessa tristeza!
— É pra já!
— Espera aí, Fabiana — pediu Cecília — Antes disso, eu queria ir até a sala da Madre, conversar com ela e pedir autorização pra ver a Dulce.
A religiosa meneou a cabeça.
— Certas coisas nunca mudam, não é mesmo? — zombou a religiosa.
— Inclusive essa sua mania de aprontar mais do que as alunas! — repreendeu a morena, enquanto os quatro se dirigiam à diretoria.
Ao adentrar no prédio, a professora sentiu o coração acelerar ainda mais. Para seu alívio, as alunas estavam em horário de aula. Muito embora estivesse com saudade de suas meninas, a ex-noviça não estava preparada para a avalanche de questionamentos das pequenas, sobretudo sobre seu recente relacionamento com o pai de Dulce Maria.
Fabiana entrou na diretoria de súbito para surpresa da Reverenda, que acabou flagrada tirando um cochilo após o almoço.
— Desculpe, Madre. A senhora está muito ocupada?
A religiosa bufou.
— Estava, mas pode falar. Encontrou o Pascoal?
— Sim, mas é que a senhora tem visita — explicou a noviça.
— Mas por quê não pediu pra entrar? — questionou curiosa, ajeitando-se em sua cadeira.
— Tudo bem. Podem entrar — anunciou a noviça.
Ao rever as feições delicadas de Cecília, a Reverenda bem que tentou manter a compostura e a seriedade tão características, porém não conseguiu e foi ao encontro de sua ex-pupila, dando-lhe um abraço apertado.
— Madre, quantas saudades eu senti da senhora — disse a jovem, emocionada.
— Como está, filha? Sente-se, por favor. Fique à vontade, Senhor Lários — completou, indicando o assento para que ele também se acomodasse.
— Agora estou melhor, Reverenda. Passei por alguns momentos turbulentos, mas finalmente encontrei meu caminho — admitiu, olhando par o pai de Dulce Maria de forma cúmplice.
— Isso eu pude perceber assim que entrou por aquela porta — suspirou — Eu não vou negar que você faz muita falta, Cecília. Porém, muito me alegra perceber que você está em paz com seu coração e com suas escolhas. Eu desejo do fundo do coração que sejam muito felizes e construam a família que a Dulce Maria tanto sonha e merece ter — finalizou a senhora, abrindo um sorriso.
— Nós agradecemos, Madre — respondeu Gustavo — Prometo que a Cecília será muito feliz ao nosso lado.
— O mais bonito de tudo isso é perceber que realmente Deus os uniu — refletiu a mais velha, deixando o casal confuso.
— Quando o senhor esteve aqui, eu sabia perfeitamente onde a Cecília estava — continuou — Mas, respeitei a vontade dela e não lhe contei nada, embora tenha sido muito difícil me manter em silêncio, sobretudo porque a felicidade de sua filha estava em jogo — explicou a diretora — Mas, graças a Deus, os caminhos novamente se cruzaram e vejo o amor estampado no olhar de cada um. Ainda assim, me sinto na obrigação de pedir perdão -insistiu a anciã.
— Fique tranquila, Madre. Entendo sua posição e, apesar de ter sido mais difícil, valeu a pena não ter desistido de encontrar a Cecília — respondeu Gustavo, beijando a mão da Reverenda em sinal de gratidão.
— Bem, eu creio que vocês estão aqui porque querem ver a Dulce Maria, não é mesmo?
— Sim, Reverenda. Sei que ela está em aula, mas...
— É claro que vou abrir uma exceção, filha — interrompeu a Superiora — Fabiana, sei que você está aí atrás da porta. Vá buscar a Dulce e a leve até o jardim onde ela costumava ficar com a Cecília, antes que eu deixe você sem sobremesa por um mês — ameaçou.
— Sim senhora — ouviu-se a voz assustada da noviça ecoar pelo corredor, levando os três às risadas.
Momentos depois, a ex-religiosa aguardava a chegada da menina com ansiedade.
— Mas que demora delas, amor! Vou roer todas as unhas — reclamou a morena.
— Calma, minha vida. A Fabiana deve estar distraindo a Dulce para surpreendê-la — ele deduziu.
Em seguida, as vozes de Fabiana e de Dulce Maria se aproximavam dos jardins.
— Irmãzinha, por quê você me salvou da aula da Irmã Rita? Adivinhou que eu queria fugir? — questionou a pequena, desanimada.
— Não adivinhei nada, Dulce. Mas garanto que você vai amar a surpresa que eu tenho no jardim — prometeu a professora ao chegarem no local combinado.
— Olá, princesa! — saudou Gustavo, pegando a filha nos braços.
— Papi, que bom te ver — falou a garotinha, um pouco mais alegre — mas o que veio fazer aqui? hoje não é sexta e juro que me comportei! — exclamou a infante, olhando assustada para a professora de música.
— Eu sei, meu amor. Só que desta vez, eu tenho um presente especial e eu não podia esperar até o fim de semana. Quer saber o que é? — indagou ele, animado.
— Quero sim, mas nada seria mais importante do que ganhar um abraço de urso da Ceci — disse a carinha de anjo em um tom triste.
— Ah é? — o Rei do Café colocou a filha no chão — e se eu te disser que seu desejo pode virar realidade?
O olhar da menina voltou a se iluminar.
— É mesmo, papi? A gente vai visitar a Ceci na casa da irmã dela?
Cecília saiu de trás de uma árvore e com a voz embargada, completou:
— Não, minha pequena. Eu estou aqui!
Dulce Maria ficou boquiaberta e saiu gritando em direção aos braços de sua amada professora:
— Ceci, você voltou!
As duas se abraçaram emocionadas, levando Gustavo e Fabiana igualmente às lágrimas.
— Meu Deus, como você cresceu! Está tão linda, meu amor — recomeçou a morena, acariciando os fios loiros da menina.
— Eu sabia que você iria voltar. Você prometeu na segunda carta — lembrou — E eu sonhava todas as noites com o dia que você ia me abraçar assim de novo — disse a garota, chorando de felicidade — Jura juradinho que nunca mais vai embora?
— Eu juro, meu amor. Agora, nós estaremos sempre juntas — prometeu, beijando os dedos e a abraçando mais uma vez.
— Não esqueceram de ninguém? — indagou Gustavo, fingindo estar com ciúmes e olhando docemente para a namorada.
Dulce Maria fitou o pai e em seguida Cecília. Em segundos, a infante concluiu:
— Papi, agora que a Ceci não é mais freirinha, ela pode ser sua namorada, né?
A morena enrubesceu e o empresário sorriu abertamente.
— Garota esperta — completou Fabiana segurando o riso.
— Então quer dizer que você deixa a Ceci ser minha namorada? — indagou o empresário, tomando a filha nos braços mais uma vez.
— Mas que pergunta, papi. A Ceci é a única mulher feminina que pode ser minha mamãe. Eu divido ela com você, pode deixar — garantiu Dulce, os unindo em um abraço.
Diante do sorriso de ambos, a garota não teve mais dúvidas:
— Quer dizer que vocês estão namorando? Iuuuuuuuupi! — comemorou Dulce Maria, ganhando um beijo em cada bochecha.
Os olhares de Cecília e Gustavo se encontraram mais uma vez. Tomado de plena felicidade, ele anunciou:
— Fique tranquila, meu amor. A partir de agora, nós três estaremos sempre juntos. Por toda a vida.
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