Notas iniciais
Presente de natal escrito de ultima hora para a RenataBlack, amada, perdoe-me pela história boba, sei que você merecia muito mais, mas é de coração ♥ Perdoem-me pelos possíveis erros de português, não tenho beta e escrevi agora há pouco, dei uma revisada, mas com certeza deixei escapar algo.

O melhor feriado do ano é o natal. Adoro acordar, olhar para a janela e ver os pequenos flocos cristalinos caindo sobre o jardim coberto pela alva neve. Adoro ficar embaixo de grossas cobertas, enquanto tomo uma xícara de chocolate quente e como biscoitos em uma tentativa de me aquecer, adoro a família reunida e adoro trocar presentes; entretanto o mais importante é que essa é a única época do ano em que ele está o meu lado.

— Você parece nervoso. — Jéssica minha melhor amiga comentou, tirando-me de meus pensamentos, enquanto ajeitava o meu cachecol em volta do meu pescoço.

— E estou. — admiti e sorri de lado. — Mal vejo a hora de vê-lo de novo.

Nervoso é pouco para definir o que estou sentindo. Eu e Jess estamos no aeroporto esperando Lucc, meu namorado. Mal posso acreditar que depois de um ano inteiro ele estará novamente em meus braços.

A morena sorriu enormemente e bagunçou meus cabelos castanhos, fitando-me com seus grandes olhos verdes. Conhecemo-nos quando que éramos crianças, desde aquela época cultivamos um grande carinho um pelo outro, o que fazia algumas pessoas pensarem que nos tornaríamos namorados no futuro, mas com o passar do tempo esse carinho só foi aumentando, transformando-se em um grande amor fraternal por ambas as partes. Éramos mais do que simples amigos, nos considerávamos irmãos.

— Eu também estou com saudade dele, mas não exatamente da mesma forma que você. — Ela sorriu e fez uma leve careta. — Mas fico triste com uma coisa, Nicholas.

— Com o quê? — Perguntei confuso, encarando-a e arqueando as sobrancelhas.

— Quando Lucc chegar não terei mais sua atenção.— Disse emburrada com um pequeno bico em seus lábios rosados.

Dei risada e revirei os olhos. Abracei sua cintura com um dos meus braços e aproximei meu rosto, deixando um leve beijo em sua bochecha macia.

— Idiota, não precisa ter ciúmes. Eu sou seu também, somos melhores amigos, esqueceu?

Jess nunca pareceu se incomodar com o fato de eu namorar um garoto, quando comecei a me envolver com Lucc fiquei com receio de contar a ela, fiquei com medo de não ser aceito e perder sua amizade, mas ao contrário do que pensei, quando contei, ela não ficou espantada ou com repulsa, ela apenas sorriu enormemente como sempre fazia e me abraçou forte, dizendo que fui um idiota por esconder isso.

— Não sei como você aguenta ficar sem vê-lo por um ano inteiro, não sei se conseguiria ficar tanto tempo longe de James. — Ela sorriu inconscientemente ao mencionar o nome de seu namorado.

— Eu também não sei como aguento. — comentei e ri baixo. — Mas vale a pena esperar.

Lucc e eu nos conhecemos há cinco anos, éramos vizinhos, sua casa ficava ao lado da minha. Lucc era um garotinho pequeno e retraído, viera recentemente da França, e tinha dificuldades com nosso idioma, mas como tínhamos a mesma idade e frequentávamos o mesmo colégio logo nos tornamos amigos, época em que também lhe apresentei Jéssica. Com o tempo percebi que a grande afeição que eu sentia por ele ia muito além da amizade, mas por um tempo preferi ocultar esse sentimento, afinal, ambos somos garotos, tinha medo de afastá-lo revelando o que sentia, não estava disposto a perder sua amizade, entretanto, quando estávamos com dezesseis anos tudo mudou.

Era natal, e como sempre, desde que nos conhecemos, passaríamos juntos. Nesse ano, comemoraríamos em minha casa, meus pais preparavam a ceia alegremente junto com alguns familiares, e eu esperava Lucc, enquanto conversava com Jess pelo telefone. Esse ano ela não passaria o natal conosco porque sua família resolvera viajar para a casa de parentes distantes, mas ela me ligara para desejar feliz natal. Lembro-me que pouco de encerramos nossa conversa a campainha soou, anunciando que alguém estava à porta. Fui ver quem era, e ao abrir a porta sorri enormemente ao ver que era Lucc, mas no instante seguinte franzi a testa, em um claro sinal de preocupação. Ele estava estranho, parecia desanimado, e seus olhos castanhos estavam ligeiramente avermelhados e inchados, revelavam que havia chorado há pouco tempo.

— O que aconteceu? — Perguntei no mesmo instante.

–Podemos dar uma volta? Quero conversar com você, a sós. –disse-me, ele tentava parecer firme, mas seu tom de voz era choroso.

— Claro, só avisarei aos meus pais.

— Certo, eu espero aqui fora.

Entrei em casa e avisei aos meus pais que sairia com Lucc, eles não se importaram. Sai de casa e ao me avistar ele começou a andar, eu o segui e caminhamos por um tempo em um silêncio incomodo. Ele só parou quando chegamos à margem de um rio que ficava perto de minha casa, o local estava completamente deserto. Quando paramos de andar percebi que seu corpo esguio tremia, foi quando notei que ele estava exposto ao frio, pois não vestia um casaco.

— Por que saiu sem casaco? — perguntei.

— Esqueci-me de colocar um. — respondeu.

— Você é realmente um cabeça de vento! – Disse em tom de desaprovação.

Aproximei-me dele e abri os botões de meu casaco, retirei-o e coloquei-o sobre os seus ombros. Eu era dez centímetros mais alto que lucc, fato que ele detestava com todas as forças por eu fazer questão de lembrá-lo e de chama-lo de ‘’baixinho’’ e coisas do tipo sempre que tinha oportunidade.

— O-o que está fazendo? — balbuciou.

— Salvando sua vida, não quero que morra por conta do frio.

— O-obrigado. — o menor agradeceu visivelmente sem graça e enfiou os braços nas mangas do casaco, colocando-o da maneira correta.

Sorri satisfeito e levei minhas mãos até os botões, abotoando-os com cuidado para não pular nenhum. Ao terminar o que fazia fui surpreendido ao sentir um par de braços finos envolverem meu corpo em um abraço protetor. Olhei para o francês, suas bochechas adquiriram um forte tom carmim ao perceber que eu o observava, mas seus braços permaneceram firmes ao meu redor.

— Estou te protegendo do frio — explicou-me — Não quero que morra por minha causa.

Sorri brevemente e passei uma de minhas mãos por suas madeixas douradas, bagunçando-as carinhosamente.

— Agora explique-me o que aconteceu. Por que estava chorando? — perguntei e fitei seus olhos marrons, ele retribuiu o olhar, levantando o queixo para conseguir me enxergar.

— E-eu... — ele hesitou, parecia não saber como dizer. -Lembra-se que eu e minha família viemos morar nesse país porque a empresa em que meu pai trabalha abriu uma filial por aqui?

Assenti com um movimento de cabeça

— Bem... O meu pai recebeu uma nova proposta de trabalho em nosso país, a França... E ele aceitou. — revelou-me por fim.

Olhei-o por alguns segundo sem esboçar uma reação. Não conseguia acreditar no que ouvira. Por mais que odiasse admitir eu me tornara totalmente dependente de sua amizade. Não conseguia imaginar os meus dias sem vislumbrar o seu sorriso acanhado, eu adorava vê-lo sorrir, principalmente quando eu era a razão desse ato. Adorava o modo como ele ajeitava seu cabelo loiro de forma nervosa e desviava seus olhos dos meus quando eu fazia algum comentário impróprio, deixando-o constrangido ou irritado, o que sempre resultava em reclamações de como eu era estúpido e infantil por sua voz melodiosa carregada do forte sotaque francês. E acima de tudo, eu o amava, admirava-o como pessoa, sua companhia me fazia bem como ninguém mais fazia. A ideia de tê-lo longe de mim machucava-me muito.

— Quando vocês vão? — consegui questionar em um fio de voz.

— Partimos amanhã.

— Como? Mas tão cedo? E a escola? E onde vocês pretendem morar? — E eu? Completei mentalmente.

— A empresa já providenciou tudo. Sinto muito. — ele parecia realmente triste.

— Eu não quero que você vá. — revelei depois de um tempo.

— E eu não quero ir, Nick. — ele me chamou por meu apelido, e isso me deixou feliz, adorava ser chamado daquela forma por ele. Soava bonito em sua voz suave e seu sotaque.

Eu tomara uma decisão. Estava farto de engolir palavras e esconder meus sentimentos, amava Lucc como nunca amara ninguém, e ele precisava saber. O medo de ter o meu amor recusado ainda estava presente com toda intensidade, entretanto, aquela podia ser a última oportunidade que eu teria de revelar o que sentia a ele, não a perderia pelo temor de sua reação. Naquele momento começara a nevar. Os pequenos flocos de neve caiam sobre nossos corpos, fazendo o frio aumentar. Passei os braços pela cintura de Lucc e apertei-o nos meus braços, fazendo-o arrepiar-se de leve. Fiquei feliz com sua reação pelo contato, isso significada que ele não era imune a meus toques.

— Antes de você ir quero te revelar uma coisa. — disse em tom firme.

— O quê? — perguntou curioso.

Soltei meu braço esquerdo de sua cintura e levei minha mão até sua face, fiz um breve carinho e repousei-a ali. O loiro me fitava em uma mescla de constrangimento e confusão.

— Sei que esse não é o momento propício para te dizer isso, mas não aguento mais esperar. Há certo tempo você se tornou indispensável em minha vida, sinto uma necessidade fora do comum de ficar ao seu lado e de te proteger, percebi que o que sinto por você vai muito além da amizade. Escondi isso de você por medo de te perder, mas não posso mais suportar manter isso sufocado em meu coração... Eu o amo, Lucc, e espero que possa aceitar meus sentimentos. — disse por fim.

Lucc Arregalou os seus olhos e percebi que eles estavam marejados. Ele abriu a boca algumas vezes, entretanto não emitiu som algum, era como se tivesse perdido a voz.

Apertei o braço que estava em sua cintura com delicadeza e Acarinhei o seu rosto suavemente. Aproximei meu rosto lentamente do seu, dando a oportunidade de recusa, ao ver que ele não recuava fechei os meus olhos e pousei meus lábios sobre os seus em um casto selar. O francês estremeceu levemente e passou ambos os braços por meu pescoço em um suave enlaçar. Senti felicidade ao ser correspondido e atrevi-me a roçar minha língua entre os lábios do garoto, clamando por mais contanto, pedido que foi prontamente atendido quando o loiro cedeu passagem. Um misto de excitação e ansiedade me envolveu conforme entrelaçava-nos suas línguas timidamente, dando inicio a um calmo e carinhoso beijo. Separamos-nos depois de um tempo, a contragosto, apenas quando a necessidade por ar tornou-se absurdamente insuportável. Lucc escondeu seu rosto na curva do meu pescoço, enquanto eu acariciava seu rosto devagar. Permanecermos daquela forma por um longo tempo em um silêncio agradável, quebrado apenas pelo leve som de nossas respirações ainda descontroladas.

— Ei. — chamei-o depois que consegui normalizar minha respiração. — Olhe para mim. — pedi.

Ele desencostou a cabeça de meu peito e ergue a cabeça, levantando o olhar e cravando belos olhos cor de chocolate nos meus. Ele me olhava intensamente, então eu finalmente pude entender. Eu era correspondido, Lucc também me amava.

— E-eu... — ele iniciou nervoso.

— Não precisa dizer se não quiser. — fui compreensível.

— Eu quero. Vo-você sabe que eu não sou muito bom com palavras e que gaguejo quando fico nervoso...

— Eu te deixo nervoso? — interrompi e sorri sacana.

Seu rosto ficou extremamente vermelho.

— Ora, cale a boca e deixe-me terminar, ou não falo mais nada. — ameaçou-me e torceu os lábios em um bico adorável.

— Pode falar, meu amor. — provoquei–o e sorri com uma falsa inocência.

Ele ficou ainda mais constrangido pela formal pela qual eu o chamara, mas tentou, em vão, esconder e prosseguiu com suas palavras:

— E-eu... — ele hesitou mais uma vez, antes de respirar fundo e prosseguir. — Devo confessar que já faz um tempo que meus sentimentos por você também ultrapassaram as barreiras de uma simples amizade, mas assim como você eu também tinha medo de me confessar e ser rejeitado... Fico feliz que você tenha o feito, você é realmente importante para mim, Nick. Eu aceito os seus sentimentos, porque eles são totalmente correspondidos. . Eu amo você.

Senti meu coração disparar e sorri enormemente ao ouvir suas palavras.

— Eu estou tão feliz. — o soltei, para em seguida segurar o seu rosto com ambas as mãos e juntar nossos lábios em um breve selar.

— Posso te fazer uma pergunta?

— Claro que pode.

— Sei que estou indo para longe, e que provavelmente será bem difícil de nos vermos... Ma-mas... — ele mordeu o lábio inferior, mostrando nervosismo. — Agora nós estamos namorando, certo?

— É claro que estamos! Agora você pertence a mim. –Afirmei possesivo. — E nem pense em me trocar por um francesinho de nariz empinado. — Meu tom era brincalhão, mas realmente temia vê-lo em outros braços.

— Seu idiota, já faz um tempo que eu pertenço a você... E não diga como se você fosse substituível, eu o amo e isso nunca irá mudar.

— Para quem tem dificuldades com palavras você está se saindo muito bem. — provoquei-o e sorri travesso.

— Você é insuportável, sabia? Eu realmente não sei o que vi em você. — disse irritado, o que deixava seu charmoso sotaque ainda mais carregado.

— Posso te mostrar o que tenho de melhor e você terá ainda mais motivos para me amar. — falei em tom malicioso e juntei nossos lábios novamente.

Na manhã seguinte Lucc realmente foi embora, mas antes conversou com seus pais e eles fecharam um acordo. Ele poderia vir visitar os amigos –o que obviamente me incluía- ao final do ano.

— Nicolas, acho melhor você se controlar. — Jéssica disse alegremente, tirando-me de meus pensamentos e lembranças. — Ele chegou.

Olhei para a direção que os olhos claros de minha melhor amiga fitavam e senti meu coração bater acelerado ao vê-lo. Ele carregava uma grande mala e vestia a jaqueta que eu o emprestara naquele dia. Seu cabelo dourado estava mais comprido, e ele parecia ter crescido alguns centímetros desde a ultima vez que eu o vira, no natal passado, mas ele continuava o mesmo. Seus olhos cor de chocolate me fitaram com grande carinho ao me avistarem e seus lábios se curvaram em um pequeno, mas verdadeiro sorriso.

Dirigi-me até sua direção e o envolvi fortemente em meus braços, abraçando-o com força e carinho. Afundei meu rosto em seu cabelo liso e aspirei o cheiro doce que eles exalavam. Inicialmente, ele se assustou, mas em seguida correspondeu ao contato abraçando-me apertado.

— Eu senti sua falta. — admiti depois de um tempo, apenas para que ele escutasse, próximo a seu ouvido.

— Eu também senti a sua. — ele sussurrou constrangido e sorriu docemente.

— O que acha de irmos para a casa agora? Meus pais estão viajando, então a casa é toda nossa. — sorri malicioso.

— Não diga essas coisas normalmente, seu pervertido! — ralhou, seu sotaque mais carregado do que nunca, tornando suas palavras quase incompreensíveis, enquanto suas bochechas ficavam extremamente coradas. Ele continuava adorável...

— Ei, nada de agarramento em público! — a voz de Jess soou próxima, nos desvencilhamos um do outro e ela abraçou Lucc. –Ainda bem que você chegou, não aguentava mais a cara de bobo do Nicholas enquanto pensava em você! Eu deveria ter tirado foto!

— Deveria mesmo! Eu adoraria vê-lo dessa forma. — Lucc comentou e sorriu divertido, parecendo feliz por ver que eu estava constrangido.

A morena riu baixinho e olhou para mim.

— Agora acho que você deve me levar para a casa de James, como me prometeu e ir curtir o seu namorado, já que fiquei sabendo que seus pais estão viajando. — ela sorriu maliciosa.

— Vocês só sabem falar disso? — o loiro fez uma careta de desgosto, arrancando risadas.

— Vamos, pare de ser tão carrancudo. — segurei sua mão, entrelaçando nossos dedos e levando-o até a saída do aeroporto, seguido por Jéssica. — Nosso fim de ano juntos está apenas começando.

Agora que o tinha novamente por perto só queria saber de aproveitar ao máximo o pouco tempo que tínhamos juntos, e sabia que ele queria o mesmo. Apesar da saudade, e do longo tempo em que ficamos separados eu o amava cada vez mais e sabia que o sentimento era reciproco, e vê-lo apenas 25 de dezembro fazia com que eu amasse o natal ainda mais.



Notas finais
Bem, é isso. Não acredito que consegui escrever essa história, eu já havia a começado há um tempo atrás, tive até ajuda de uma amiga, mas acabei perdendo o que escrevi e desisti de reescrever, mas prometi uma história de presente e estava desesperada porque o dia 25 chegou e eu não havia conseguido escrever nada, então acabei lembrando-me dessa ideia hoje e consegui escrevê-la, mudando muita coisa da original. Essa fanfic é um presente de Natal para uma minha amada Bunny-chan, FELIZ NATAL QUERIDA ♥ Eu sei que a história não ficou grande coisa, confesso que pretendia te presentear com uma história completamente diferente, até comecei a escrevê-la, mas percebi que não daria certo e desisti. Eu realmente sinto muito, mas espero que você goste mesmo assim, como já disse antes, é simples, mas é de coração. Eu realmente não sei direito como expressar meus sentimentos, mas tentarei: Sabe o quão grande é meu amor por você, não sabe? Você é essencial em minha vida, você não faz ideia de como é difícil viver longe de você, mas não importa, porque eu jamais deixarei de ser sua, passe o tempo que passar, eu preciso de você comigo, em todo esse tempo, você nunca me decepcionou, e sei que nunca vai me decepcionar, e é por isso que vale a pena estar do teu lado. Obrigado por tudo, amada, obrigada por ter aparecido na minha vida, espero que todo o sentimento que existe em mim seja recíproco ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!