All I Want For Christmas Is You

1 Capítulo 1 - One Shot


Notas iniciais
Um One Shot é uma fic extremamente pequena. Por outra palavras podemos dizer que um One Shot é quase que uma fic de 1 capítulo apenas. Aproveito para dizer que esta é a minha única fic que está em português de Portugal. Todas as outras eu tentei alterar para ficarem mais “brasileiras”.

Eu suspirei. As pessoas estavam a olhar para mim, será que disse aquilo alto? Esta era a primeira aula da manhã e eu estava a sonhar acordada desde o início. Toda a gente estava a rir e a rolar os olhos na minha direcção. Deixei-me afundar um pouco mais na minha cadeira. Isto era embaraçoso. Fixei o meu olhar para fora da janela, no campo de futebol coberto pela neve. Estava outra vez a pensar nele. Gerard. O rapaz que se sentava atrás de mim estava a copiar os meus gestos, tentando imitar uns quantos beijos no ar. Eu respirei fundo.

O professor da nossa primeira aula, História, entrou na sala. O Gerard e eu sempre fomos vizinhos desde que tínhamos onze anos. Ou seja, há cinco anos atrás. Temos dezasseis anos agora e ele mudou-se para a Califórnia no ano passado. Isso significa que passei este último ano sem ele. Não é como se nós os dois fôssemos algo de especial, quer dizer, em conjunto. Nós nunca saímos juntos, nunca namoramos e nem mesmo fomos amigos muito chegados. Mas ele significa muito para mim, falávamos de vez em quando mas de uma maneira que os estranhos falam. A neve lá fora materializou-se num dos meus sonhos… Agora eu via o Outono passado.

\\Flashback/

Saltei para fora da janela do meu quarto e corri para o parque. Estava a chorar, a minha mãe e o meu pai acabaram de discutir e ele, o meu pai, saiu como um relâmpago para fora de casa. A minha mãe chorava incontrolavelmente na sala de estar e eu aproveitei aquele momento para fugir antes de ter de consertar alguma coisa. Corri pela estrada fora até ao parque e sentei-me no chão. A relva estava húmida e estava muito frio. Mas não me importei. Deixei-me cair e encostei a minha cara á relva fria absorvendo aquela sensação e tentando esquecer todo o resto.

“Estás bem?”

Eu congelei e olhei para cima. Era o Gerard. Rapidamente limpei a minha cara. Quando choro os meus olhos ficam vermelhos e inchados, fazendo os meus olhos verdes sobressaírem mais.

“O que é que estás a fazer aqui?” – Perguntei um pouco friamente. Ele levantou os braços na defensiva.

“Whoa, Desculpa. É que eu vi o teu pai sair apressado de casa e depois tu a correres pela rua…” – Voltei a colocar a minha cara na relva. Ele sentou-se ao meu lado.

“Desculpa teres visto aquilo.” – Ele olhou para mim e tocou-me no cabelo.

“Desculpa teres de passar por aquilo.” – Continuava a mexer-me no cabelo. Gerard estava deitado de costa para a relva á minha beira. Estava a olhar o céu escuro e estrelado através do seu próprio cabelo escuro e espesso.

“Liah?” – Ele perguntou.

“Sim Gee?”

“Eu e o Mikey vamos nos mudar.” – Olhei para ele.

“O que? Porque?” – Ele olhou para mim surpreendido. Eu corei. “Quer dizer, hum… Porque te vais embora?” – A minha face estava vermelha e ardia.

“Eu e os meus amigos, em Los Angeles temos mais oportunidades.”

“E então, a escola?” – Eu perguntei, ainda um pouco atordoada. Estava nervosa e não parava de pensar na partida dela e nos argumentos possíveis para o fazer ficar.

“Tem imensas escolas lá e nós vamos pela música de qualquer maneira.” – Já ouvi a ele e aos amigos tocar, eram maravilhosos. Vão ser muito importantes um dia.

“Quando é que vais voltar?” – Eu perguntei. A minha cabeça estava agora contra o seu peito e ele continuava a mexer no meu cabelo castanho. Conseguia ouvir as batidas calmas e regulares do seu coração.

“Eu não sei, é difícil dizer.”

“Oh…” – Eu disse simplesmente. Brinquei com o tecido da t-shirt dele enquanto ele me olhava. Olhei para ele. Os seus olhos brilhavam contra a negra noite. Encostou-me um pouco mais a ele.

“Sempre posso vir fazer uma visita.” – As nossas caras estavam muito próximas uma da outra.

“Eu iria gostar disso.” – Ele sorriu e deu uma gargalhada.

“Eu sei que sim.” – Os nossos lábios tocaram-se. O segundo em que teria feito daquilo um beijo, ele afastou-se.

“Tenho de ir…” – Ele disse agitado. Levantou-se e ajudou-me a fazer o mesmo. Segurou-se nos seus braços por uns instantes antes de me deixar e me caminhar até casa. No dia seguinte acenei-lhe pela janela enquanto a família Way entrava no carro e guiava para longe…

Fim do Flashback/

Tinha quinze anos e apaixonava-me com muita felicidade. Agora tenho dezasseis e sonho com um rapaz que se foi embora há um ano atrás. Um rapaz com quem eu nem sequer namorava. O rapaz que quase me beijou antes de partir. Falamos um pouco depois de ele ir mas após três meses perdemos contacto.

A campainha tocou e eu estava de pé e fora da sala antes de toda a gente. Corri pelas escada que levavam até à saída da escola. Fiquei ali parada na entrada, estava muito frio e a neve batia fortemente contra mim e à parede.

“Gerard…” – Suspirei outra vez. Desta vez uma certa nostalgia saia da minha garganta o que me abalava imenso. Lágrimas ameaçavam cair dos meus olhos e reparei que o rímel ‘à prova de água’ não era bem como dizia na embalagem. Eu não podia chorar. Mas o que é que se passa comigo? Deixei-me escorregar pela parede, agachando-me e pressionando os joelhos contra o meu corpo enquanto me encostava, deixando a neve bater contra o meu corpo embrulhado no meu lindo casaco vermelho de Inverno. Puxei o meu gorro para perto dos olhos e olhei para o céu através de olhos semicerrados. Eu sabia que sentia falta do Gee, mas nunca imaginei que fosse assim tanto. Levantei-me e caminhei até ao meu carro. Guiei-o até ao parque e saltei para fora dele quando lá cheguei. Caminhei passando os baloiços até ao sítio onde me sentei à um ano atrás com ele.

Tirei alguma neve da frente para poder sentir a relva. Uma outra lágrima escapou dos meus olhos. Como é que o Gerard pode ter este efeito em mim se ele nem sequer está aqui? Fechei os meus olhos e tentei imagina-lo aqui comigo.

“Uhm, o que é que estás a fazer aqui?” – Respirei fundo sentindo a neve. Agora estava a ouvi-lo.

“Hey, estás bem?” – Uma sombra caiu sobre o meu corpo. Abri os olhos. Quem quer que seja o autor da sombra tinha agora uma das suas mãos nas minhas ancas e rodou-me para que eu ficasse de costas, os meus olhos tão abertos que quase me saiam da cara. O rapaz sorriu para mim, um sorriso que lhe iluminava os olhos.

“Fazes isto muitas vezes Liah?” – Gerard perguntou. Engoli em seco e com muita força.

“Uh…” – Ele não esperou que eu respondesse. Levantou-me do chão muito depressa, rodando-me no ar e abraçando-me.

“Voltas-te!” – Soltei um grito estridente e suprimi o ‘para mim’ no final da frase. Ele parecia diferente. Cortou o cabelo, já não era pela largura dos ombros, e ainda parecia ter adquirido um bronzeado na Califórnia. O meu cabelo tinha crescido até ao meio das minhas costas desde a última vez que o vi e eu tinha feito um piercing no nariz.

“Sim, eu voltei… É quase Natal e tu pediste para que te visitasse…” – Eu sorri, ele estava a começar a mover-se muito lentamente. Peguei na mão dele que estava ocupada a retirar pedaços de neve do meu cabelo.

“Então tu voltas-te porque é Natal? Perdes-te o último Natal, ou esqueceste-te?” – Olhou para mim muito calmamente e depois beijou-me. Segurou-me muito fortemente contra o seu corpo.

“Sabes, podias ter feito isto há quase um ano atrás.” – Disse, numa voz zangada mas fingida. Ele riu e ‘atirando-me’ ligeiramente para o chão movendo as suas mão pelo meu corpo fazendo-me rir. Baixou a cabeça e beijou-me de novo. Agarrei-o e segurei-o contra mim para que não se levanta-se. Não o queria perder outra vez. Então ficamos ali, deitados na relva no meio da neve.

“Sabes porque é que isto é quase perfeito?” – Eu perguntei, brincando com a gola do casaco de cabedal preta dele.

“Por quê?”

“É quase Natal.” – E pensei para mim — “All I Want For Christmas Is You”

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