Notas iniciais
Oiii gente! Tudo bem? Vcs devem ter percebido que não postei nos 2 últimos dias, e peço desculpas por isso. Preciso fazer alguns comunicados (de novo hauha): — Este escritor aqui estava de férias da facul qnd começou essa história. E as férias acabam amanhã :'( Ou seja, não será mais possível postar um cap novo todo dia por vários motivos. Primeiro: meu curso é integral (o que significava que eu vou estar ocupado de manhã e a tarde e usarei o q restar da noite pra descansar). — Preciso estabelecer um novo ritmo para a história, mas para isso vou precisar de um tempinho pra me adaptar. Ainda não sei se vai ser de Sábado em Sábado, Domingo em Domingo, ou qualquer outra coisa. Assim, pode ser que o próximo cap demore um pouquinho pra sair. — Espero q vcs entendam e n me matem por isso huahau amo vcs ♥ Obg pelos coments e tudo mais! Bjssss :* Espero que gosteeem :) (como é de praxe vou deixar os links das playlists logo abaixo)

Quando cheguei em casa minha mãe já estava saindo.

— Nossa, filho! — ela parecia preocupada. Segurava a bolsa e as chaves, já pronta para o trabalho. — Onde você estava? Eu te liguei um monte de vezes, já ia chamar a Célia pra cuidar da Olívia.

Célia era nossa vizinha de sessenta e oito anos que era amiga da minha mãe. Às vezes, quando eu não podia ficar em casa para cuidar da minha irmãzinha, minha mãe a chamava em meu lugar.

— Eu estava no parque — falei, tentando não transparecer muito o que eu estava sentindo.

— Que cara é essa? — ela franziu o cenho. — Você tá bem?

— Eu... tô sim.

Talvez eu estivesse com os olhos um pouco molhados ainda. Forcei um pequeno sorriso no rosto.

Ela olhou o relógio de pulso e fez uma cara de urgência.

— Tenho que ir agora. Tem frango na geladeira e um restinho de arroz com brócolis. — e correu em direção à minha irmã, que estava sentada no tapete assistindo a Bob Esponja, dando um beijo de despedida em sua bochecha. Em seguida, deu um beijo em mim também, e saiu apressada.

— Oi, Olly — cumprimentei Olívia, indo até a sala e passando a mão em suas marias chiquinhas.

Andé — ela devolveu, mostrando a boca banguela.

Sentei-me ao seu lado, no chão mesmo.

— Seu dentinho caiu?

Fsim —e bateu palmas. — Mamãe dissfe que tô quecendo.

— Já é quase adulta — brinquei. — Tô orgulhoso de você.

Mas a verdade era que eu estava desmoronando. Não tinha fome alguma, e ainda sentia o grande peso na minha garganta. Por sorte, Olívia se distraiu com os desenhos de novo e não ficou reparando muito na minha expressão de desânimo.

Puxei o celular de dentro do bolso e chequei o Whatsapp. Minha mãe tinha me ligado seis vezes, com uma diferença de mais ou menos três minutos entre uma chamada e outra. A última conversa tinha sido com Gabriel, como sempre fora. Tive vontade de jogar o celular na parede ou qualquer coisa do tipo. Eu sentia um misto de confusão, tristeza e raiva que me fazia pensar somente em uma coisa.

Que eu tinha perdido meu melhor amigo.

*

Olívia acabou dormindo perto das nove e meia. Ela já tinha comido e tomado banho, e por isso carreguei-a até a cama. Beijei-a na testa e coloquei o cachorrinho de pelúcia ao seu lado. Fechei a porta do quarto com cuidado e voltei à sala.

Após um tempo olhando para a televisão, mudando de canal automaticamente — sem prestar muita atenção em nada — decidi que precisava comer alguma coisa, mesmo que meu estômago me dissesse o contrário. Fui até a cozinha e esquentei o arroz que minha mãe tinha deixado, e logo em seguida, preparei o frango da geladeira. Joguei tudo em um prato, acrescentei a salada e me sentei à mesa, sozinho.

Deixei o celular imóvel ao lado do prato. Não estava com a mínima vontade de mexer nele. Apenas comi rapidamente e lavei a louça, tentando não pensar em nada. Quando terminei, voltei à sala e desliguei a televisão depois de resolver que eu não estava a fim de assistir nada também. Apaguei as luzes, peguei meu celular e fui para o meu quarto, fechando a porta.

Suspirei, ainda parado, olhando para a porta. Passei as mãos pelo rosto, e depois encarei o chão, para os meus pés, com a sensação de que não sabia muito bem qual era a minha função no planeta. Tirei os tênis e joguei-os em qualquer canto. Liguei a minha caixinha de som em Bitter Sweet Symphony, em um volume não muito alto para não perturbar o sono de Olívia, e depois disso, desabei em cima da cama.

Os violinos da canção encheram uma parte vazia de mim, por um instante. Eu fechei os olhos, permitindo que meu cérebro fosse para onde ele bem quisesse. E ele foi para o parque. Foi para as tardes de sol. Foi para Gabriel.

E o fato de que ele estava apaixonado por mim.

E o fato de que meu coração não entendia a realidade disso.

E o fato de que eu começava a ficar com raiva de mim mesmo por não ter ideia do que fazer.

Richard Ashcroft estava cantando o primeiro verso da música quando eu percebi que meus olhos estavam molhados de novo.

No refrão, algumas lágrimas escorreram sem a minha permissão.

Na segunda parte dos versos, eu já estava permitindo que escorressem.

No segundo refrão, eu estava soluçando como não fazia há muito tempo.

Todas as memórias fluíram junto com as lágrimas numa torrente. Era como se uma pequena parte do peso da garganta estivesse saindo de mim. Mas apenas uma parte. Eu realmente queria que aquilo fosse apenas um sonho ruim, um mal entendido. Queria meu amigo de volta.

Coloquei meu travesseiro em cima da minha cara, tentando parar. Mas eu não conseguia. Porra. Eu tinha perdido o meu melhor amigo. Essa frase começava a fazer sentido agora, o que alimentava minha tristeza cada vez mais.

Eu estava tão confuso a respeito de tantas coisas. Sentia como se o mundo estivesse indo em um ritmo que eu não podia acompanhar. Era horrível. Precisava de uma resposta, precisava de alguma coisa. Qualquer coisa. A música acabou, e eu não tinha paciência para mais uma. Levantei-me e desliguei a caixinha de som. Resolvi apagar a luz.

Quando voltei para a cama, respirei fundo e enxuguei as lágrimas. Com o tempo, o choro foi passando, mas não queria dizer que eu estivesse me sentindo melhor. Fiquei olhando para o teto, com as mãos cruzadas na barriga. Foi então que ouvi um barulho.

O toque do meu celular.

Fiquei paralisado por um segundo. E se fosse minha mãe? Eu não queria parecer triste perto dela, mesmo que por telefone. Limpei a garganta rapidamente e já estava me preparando para ouvir sua voz quando percebi que, no visor, o número era desconhecido.

— Alô? — falei, hesitante.

A voz do outro lado também pareceu hesitar um pouco ao falar.

— Oi, André.

Era a voz de Maria.

Notas finais
Playlist do Gabriel: https://open.spotify.com/user/laurent123373/playlist/5jeQl18nsJ8q6bzt68ummb Playlist do André: https://open.spotify.com/user/laurent123373/playlist/7egp4Rp3P3qfssGqlXGRwR Playlist da Maria: https://open.spotify.com/user/laurent123373/playlist/3Ifa72tfUJZzIWkf7FZ2ao