All I Want
16 PARTE III: Realidade
Notas iniciais
P.O.V. Maria
— ...E então ele me beijou.
Gabriel fez uma expressão estranha depois que terminou de falar, um misto de felicidade e decepção.
— Do nada? — perguntei.
— Do nada.
Aquilo não fazia muito sentido, mas logo que bati o olho em André pela primeira vez, já tinha percebido a vibe dele. Ele era uma pessoa complicada.
— Hum... isso é um pouco... confuso.
— Demais. Por que diabos eu tinha que gostar de uma pessoa assim?
— São os mistérios do universo.
Gabriel suspirou, cabisbaixo.
— Só queria gostar de alguém que não fosse tão difícil de entender quanto o André.
— Ele só tá numa fase, acho. E não sabe pra onde ir.
Gabriel deitou na cama, os tênis ainda tocando o chão.
— Ele vai embora pra Curitiba. Eu não sei se... caramba, eu não quero que ele vá.
— Ainda bem, não? Quer dizer que você gosta dele.
— Isso não parece ser algo bom.
Aproximei-me de Gabriel e encarei a janela de seu quarto.
— Eu sei que você está se sentindo péssimo por isso, Gabs. Mas pensa, isso tudo pode ser bom. Ele vai pra um canto e você pra outro. Se fosse pra essa história dar certo, já teria dado. Você já se abriu com ele, já contou tudo o que sente. Chega de correr atrás dele. Deveria deixar ele correr atrás de você um pouco.
— Mas eu sei que ele não vai fazer isso...
— Então não existe motivo pra você fazer também.
Gabriel calou-se por alguns segundos em um silêncio reflexivo.
— Eu me sinto tão bem perto dele, Maria. — disse, por fim. — É um sentimento único e indescritível, e eu tenho medo de não voltar a sentir isso por ninguém.
— Você vai — respondi. — Mas primeiro precisa ouvir o seu cérebro um pouquinho. Nem tudo é romance nessa vida.
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