All I Need
5 Capítulo 5
Notas iniciais
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Lucy
Por mais incrível e inacreditável que pareça, eu consegui dormir naquela noite. Provavelmente dormi por umas quatro horas, e apenas me lembro de ter rido com Natsu até ambos cairmos no sono.
Eu estava nos braços de Natsu, e tinha as costas encostadas na parede branca de seu quarto, sua cabeça estava deitada na minha, e a minha cabeça estava deitada no ombro dele, seus braços estavam em torno de mim, o que aquecia.
Se eu estava morta, como podia sentir tudo aquilo?
Fantasmas não são frios, assustadores e sem sentimentos? Natsu me dissera que estava com a pele fria, por isso me abraçara por tanto tempo. Será que agora minha temperatura estava normal?
Não queria sair dos braços dele, mas não sentia mais sono – como sempre –, e estava começando a ficar inquieta. O rosado respirava lentamente, e sua face era suave, angelical. Como era quando éramos crianças.
Sorri abobalhadamente, quando foi a ultima vez que estive nos braços de Dragneel?
– Lucy... – Ele murmurou enquanto dormia. Se eu tivesse um coração, tenho certeza que estaria a mil por hora. Minhas bochechas esquentaram. Ele estava sonhando comigo!
Sua boca estava tão próxima... Tão atraente e rosada... Eu queria tocá-la com os meus lábios, mas tinha medo de acordá-lo e cortar o clima que estabelecemos até agora.
Se bem que...
Natsu sempre dormira como uma pedra, e...
Ah pelo amor de Deus, um simples roçar de lábios não irá nos matar! Não, espera... É, não irá o matar.
Eu tomei muito cuidado ao me mover, e quase tive um infarto quando senti sua respiração bater contra mim. Eu fui chegando mais perto, e mais perto, e mais perto, e então...
Não... Não... NÃO!
Eu havia o ultrapassado, eu não consegui tocá-lo de novo, e seus braços caíram no colchão, não estavam mais em mim. Desesperei-me ainda mais quando notei que estava ficando cada vez mais transparente, e podia sentir algo me puxando para longe dele, como se quisesse nos separar.
Eu estava chorando desesperadamente, gritava por seu nome, para que me ajudasse, para que me abraçasse de novo e não me deixasse sair de perto dele, de sair de seu colo. Ele nem se mexia.
Tudo voltara ao normal, Natsu não me ouvia ou me sentia.
Foi quando abri meus olhos, que notei que tudo isso fora um sonho.
Não, um sonho não. Um pesadelo.
Ele ainda estava segurando-me em seus braços, ainda estava dormindo, ainda eram 3h da manhã.
Foi tudo um pesadelo, Lucy. Repeti para mim mesma. Foi tudo um pesadelo, ele ainda está com você.
Pesadelo? E se isto o que aconteceu foi uma premonição? Será que seu tentasse o beijar, eu iria sumir?
Foi então que tudo fez sentido.
Natsu podia me ouvir, me ver e me tocar por que nossos laços ainda estavam ligados. Eu ainda tinha assuntos pendentes com ele. Eu ainda gostava demais dele para simplesmente ir sem... Sem...
Fazê-lo gostar de mim da mesma forma que gostava dele?
Se fosse assim, então por que ele me vira depois de um ano, apenas?
Talvez por que só depois de um ano ele sentira realmente a minha falta, talvez só depois de um ano ele começasse a criar um sentimento forte por mim, mesmo que este fosse no fundo de seu coração. Talvez a culpa o fizesse me notar.
Não entendia, e quanto mais pensava sobre isso, mais confusa ficava. Decidi fechar os olhos novamente, para acalmar minha respiração. Ela estava tão descompassada que dava impressão que meus pulmões imaginários iriam explodir.
Naquela noite, dormi tranquilamente nos braços da pessoa que amo.
Uns dias depois...
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Narradora
Pela manhã, Lucy acordou sozinha na cama. Sentou-se na cama e esfregou os olhos, sentia-se incrivelmente bem. Quando se levantou, esticou os braços e bocejou, logo esfregando os olhos novamente.
– Natsu? – Chamou roucamente. Porém estava tudo quieto. Que dia era hoje? Segunda? Domingo?
Foi até o banheiro para procurá-lo e depois para fora do seu quarto. Estava tudo quieto. Estranhamente quieto.
Só Deus sabe o tamanho do pulo de susto que a loira deu quando ouviu o barulho do liquidificador. Na cozinha, Natsu estava preparando algo que despertou a curiosidade da garota, que desceu as escadas correndo. Quando chegou na cozinha, bradou:
– Mas o que você está batendo a essa hora da manhã?!
Natsu desligou o aparelho e sorriu para ela.
(♫)
– Massa de panqueca, ué.
Lucy virou a cabeça.
– Você sabe cozinhar? – Falou se aproximando dele. – Mas não era você quem queimava tudo que tocava?
– Quando eu era criança! – Disse levemente irritado. Depois suspirou e riu – Porém escolhi o grupo de culinária por dois meses. Aprendi a não queimar tudo. – ou quase tudo. – O rosado murmurou.
– Quer ajuda? – Perguntou a loira meio receosa, e se ultrapassasse os utensílios? – Erm... Acho que consigo fazer algo!
– Não. – Natsu falou enquanto pegava uma frigideira em um armário que ficava dentro da bancada onde batera a massa. – Eu vou te mostrar que eu consigo fazer algo sozinho! – Disse determinado. Lucy sorriu e apoiou os cotovelos no mármore preto da bancada, de frente para Natsu.
– Certo. Só não vai estragar as panquecas.
– Eu consigo. Você vai quebrar sua cara, loirinha! – Bradou após acender o fogo e colocar a frigideira sobre o mesmo. Pegou o óleo que estava por ali e despejou um pouco. Depois, foi para a pia e abriu a primeira gaveta, tirando uma concha de lá. Lucy retirou a jarra do liquidificador e entregou para o rosado.
– Onde seu pai está? E que dia é hoje?
– Meu pai foi viajar, e hoje é terça-feira, mas é feriado. – Respondeu sem olhar para ela, estava concentrado demais na concha que estava carregada de massa. Natsu despejou cuidadosamente a massa na frigideira e ouviu o barulho de fritura.
– Ah... – Lucy olhou para os cantos, a procura de um assunto. – Nee, Natsu... Acho que sei por que estou aqui.
Lucy direcionou seu olhar para a janela mais próxima. E Natsu colocou a concha dentro do jarro.
– É? Por quê?
– Acho que eu ainda tinha uns assuntos pendentes por aqui... – A garota de olhos castanhos sorriu apaixonadamente. – Algo tão importante que minha alma não pôde partir em paz deste mundo.
– Talvez... Porque você não teve uma adolescência que sempre quis? Ou... Por que morreu antes do que pretendia? – Perguntou baixo com a voz embargada de culpa.
– Acho que não fiz tudo o que desejava. Preciso realizar meus três desejos para poder ir embora!
– Você sabe quais são seus três desejos? – Questionou seriamente o rapaz donos dos olhos ônix.
Lucy fez que sim com a cabeça.
– Meu primeiro desejo é ver Gajeel e Levy juntos. Levy sempre gostou dele, mas nunca teve coragem de admitir. Acho que eles ficariam muito bem como casal!
– Sério? – Natsu riu. – Gajeel sempre falava de Levy. Mas nunca teve coragem de chegar até ela e chamá-la para sair. Ele é durão demais para admitir que gosta de alguém e que quer ajuda. Porém também quero ver os dois juntos. E também quero te ver em paz! Pode contar comigo para ajudá-la a realizar seus desejos, loira.
– Arigato, Natsu. – Lucy sorriu corada, e desfez assim que olhou para a frigideira. Só agora notara o cheiro de queimado. – Mas acho que você deveria tirar a panqueca tostada da frigideira... – Falou segurando riso. Em um pulo, Natsu berrou um palavrão e tirou a frigideira do fogo.
– Droga! – Bradou novamente enquanto raspava o que grudou ali.
Lucy riu alto, mas depois foi o ajudar, e depois de meia hora, um café da manhã muito anormal estava pronto para ser devorado.
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