All I Need
2 Capítulo 2
Notas iniciais
~Yuuko
Foi como se o tempo tivesse parado, Natsu mal conseguia respirar.
Ver o delicado corpo de Lucy voando, fez seu coração parar por alguns minutos. Ele correu em direção da amiga, que estava caída de bruços no meio da rua. Ele estava tremendo, pálido e assustado. Ajoelhou-se do lado da garota ensanguentada e então a analisou
- Oh não Lucy... Por favor... – Falou de forma trêmula, e seus olhos ardiam. Não via Lucy se mexer, e sua apavorou ele. Ele colocou as mãos nos braços da loira, e a chacoalhou, a esperança dela se mexer, porém, nada aconteceu...
Horas depois...
O rosado estava sentado aflito no sofá estofado numa pequena sala próxima ao quarto de Lucy bem iluminada. Podia ouvir muito bem os soluços de Layla Heartfillia e as palavras de consolo de Jude.
Ele não tinha coragem de levantar o olhar e encarar os pais de Lucy diretamente nos olhos, já que se sentia culpado por isso. Natsu havia insistido para ir com Lucy dentro da ambulância, e agora, assim como os pais da loira, o garoto aguardava por noticias.
- Minha filha… minha amada filha… – Layla chorava muito, e Jude apenas mantinha um olhar triste enquanto acariciava as costas de sua mulher.
A porta do quarto se abriu, e um homem alto de jaleco branco saiu de lá carregando uma prancheta e um olhar triste.
- Senhor e senhora Heartfillia? – Falou incerto. Jude se levantou e Layla olhou para o doutor.
- Como vai nossa filha? – Perguntou Layla apreensiva, sentindo a mão de seu marido envolver a sua.
O doutor olhou-os seriamente e deu seus pêsames. E então foi como se o mundo tivesse ficado em silêncio para Natsu.
Ele viu Layla cair de joelhos aos prantos, mas não ouviu seu choro, com Jude a abraçando forte.
Parecia que o mundo a sua volta havia se silenciado. Nada fazia mais som.
Viu o doutor ir até ele, e mover os lábios querendo dizer algo, mas não conseguiu lhe dar a devia atenção.Não o ouvia mesmo. Não ouvia nada.
Apenas a voz da Lucy.
Sim, a voz da Lucy.
Por que não, não ouvir a voz da Lucy? Por que não, não prestar a atenção em cada detalhe da voz de Lucy?
Ela está lhe chamando correto?
Ele podia ouvir:
- Natsu… Natsu… aqui.
E quando deu por si entrou em um quarto branco, com alguém coberto por um lençol da cabeça aos pés.
Ouviu os múrmuros desse alguém. Eram os de Lucy.
E foi quando, sorrindo, puxou o lençol e deu um berro em desespero.
Berrou ao se deparar com sua Lucy pálida, com os olhos arregalados como se estivessem confusos e chocados demais para se fecharem. Estavam inchados, ela estava toda enxada e ensanguentada. Com graves ferimentos.
Aquele era o osso de sua perna? Por que ele conseguia ver boa parte dele? Como se braço estava retorcido de maneira tão horrenda?
O que fizeram com sua Lucy.
Enfermeiros vieram correndo ao ouvirem os berros de pânico do rosado, e tiveram que o tirara a força do quarto, enquanto ele se debatia negando a si mesmo que aquele era sua Lucy. Apenas a gritar. Perdendo completamente a razão.
Tiveram que ceda-lo.
. . .
A pequena garotinha com seus sete anos corria pelos arbustos e arvores, com lágrimas nos olhos, usando um rodado vestido rosa e o cabelo preso em marias-chiquinhas. Com seus sapatinhos brancos, que já estavam a ficar arranhados e sujos de tanto correr, mas ela prosseguiu fugindo. Do que fugia?
Não sabia direito.
Estava tão confusa.
Tinha aula de piano, aula de balé, aula de inglês e italiano, aulas de esgrima, aulas de canto, aulas de etiqueta, aulas de caligrafia e… as aulas habituais da escola.
Chegou ao ponto alto de extremo estresse e se pôs a correr, ignorando os gritos de Layla – sua mãe preocupada – que a incentivava a larga um daqueles cursos, porém a garotinha loira se recusava. Recusava-se, pois ver o rosto feliz de seu pai quando mostrava cada coisa que aprendia fazia tudo valer à pena. Mas ela já estava enlouquecendo assim.
Se sentou contra um tronco de uma macieira, e prosseguiu a chorar e a resmungar. Até que levou um grande susto com um garoto se pendurando em um galho de arvore, de cabeça pra baixo, com o rosto bem próximo do dela.
Aparentava possuir a mesma idade.
Tinha olhos da cor de ônix, e o cabelo espetado e rosado. Usando uma bermuda preta, blusa de mangas compridas vermelha e um cachecol branco – mesmo estando calor.
Ele ficou a olhando confuso, enquanto ela continuava a encara-lo toda encolhida e assustada.
- Por que está chorando menina?
Ela baixou o olhar.
- Por que… eu sou uma idiota – e ficou emburrada.
E o ouviu o garoto começa um riso curto que foi aumentado o timbre até se torna uma gargalhada.
- É o que sempre dizem de mim. Sempre me chamam de idiota, mas eu não estou chorando, não é? – Ela maneou a cabeça, mesmo sabendo que a pergunta retorica. – Então não chore também menina fofinha.
E ela ruborizou intensamente.
Ele pulou da arvore agilmente e estendeu a mão a ela.
- Venha comigo, vou te apresentar aos meus amigos pra você sorrir como idiota. – ela soltou uma curta risada. – Quase isso.
. . .
Lentamente foi abrindo os olhos após aquelas lembranças passarem por sua mente em seu sonho. Sentido seu corpo se levantou aos poucos e se espreguiçou.
Meio dormente ergueu-se com a visão turva. Se pôs a caminhar, pensando em ir à cozinha para tomar café, pois ainda não havia se dado conta de onde estava. Enquanto ia se acostumando com as luzes fortes, foi se dando conta que aquela não era mais sua casa. Na verdade nunca tinha sido. Era um hospital.
Médicos, enfermeiros passavam as presas. E foi vendo no final do corredor seus pais.
Deu alguns passos para ir até eles, mas parou ao olhar de relance para o lado e se deparando com o quarto onde havia ali alguém que conhecia.
Lucy abriu a porta, se deparando com o garoto que conhecera na infância que agora se tornara rapaz. Estava dormindo em uma maca hospitalar, o que a deixou preocupada e confusa, pois não fazia ideia do que ocorria ali.
Na verdade… por que ela estava ali mesmo?
E por que ele estava ali também?
- Natsu... — Falou incerta, na tentativa de acordar o rapaz, sentia-se envergonhada, e com medo de falar com ele de novo.
Natsu se mexeu, mas não abriu os olhos.
- Natsu... – Chamou de novo, desta vez se aproximando. O rosado mexeu o nariz, e Lucy cutucara seu ombro.
Mas espera ai... Por que ela não conseguia?
Sua mão passou reto no ombro de Natsu, como se tivesse o atravessado. Ela a retirou rapidamente e a analisou, será que estava louca?!
Não... Definitivamente não estava louca. Na sua cabeça, as coisas foram se esclarecendo e as memórias voltando.
- Não... – Murmurou saindo do quarto onde Natsu estava. Ela foi até seus pais já com vontade de chorar – Mamãe, papai... Olhem pra mim!
Nada, sua mãe sequer olhou para frente, ela continuava chorando no colo de seu marido repetindo: “Minha filha... Minha Lucy...”
Lágrimas caíram. E a ficha também.
Ela percebeu que morrera, e o pior de tudo, é que ainda continuava naquele mundo...
De uma forma que ninguém podia vê-la ou ouvi-la.
Ela se tornou um espírito.
Fale com o autor