All I Need

7 Capítulo 6


Elena PV

Muita coisa aconteceu nas duas semanas que se passaram. Para começar a familia de Bonnie não estava nada bem com o que aconteceu, já que o pai dela não podia andar, grande parte da renda da familia se fora, por isso eles estavam passando por grande problema financeiro. Por o salario de caminhoneiro ser um pouco maior, Bonnie nunca precisou trabalhar, seu pai sempre preferiu que ela se decicasse totalmente aos estudos, mas agora ela não tinha escolha.

Por essa razão, consegui converser meu chefe a dar um emprego de garçonete a ela um trabalho de garçonete no Mystic Grill. Como ele ficou comovido com a historia dela, a deixou trabalhar lá.

Por outro lado, Bonnie era de longe a mais revoltada com a situação, não por ela ter que trabalhar, é claro, mas por alguem ter feito uma coisa assim com seu pai. Tudo piorava o fato do causador não ter se oferecido para ajudar, ou sequer ter aparecido para pedir desculpas. Eu não podia culpá-la, o odiava também.

A escola ficou bem mais suportável depois que Caroline e eu começamos uma amizade, a criação que o pai dela a deu com certeza fez dela a melhor rica do mundo, e nós nos davamos muito bem. Já no quezito preconceito, tudo piorou, ao contrário do que eu pensava (que todos iam esquecer de mim depois de um tempo), agora até os pais dos alunos iam fazer protesto na frente da escola, exigindo a minha saida.

Bando de desocupados!

Ainda bem que a escola era particular, e o diretor não estava disposto a obedecer ninguém. O aprendizado lá valia muito a pena.

Hoje, desde que começou a escola, é a primeira vez que o causador do acidente do meu segundo pai vai para a escola, o nome dele é Damon Salvatore, o mesquinho do bar. Ele ficou em coma desde o acidente, e Meredith Fell, a garota que estava com ele, foi a que morreu. Eu sentia que podia pular no pescoço dele caso o visse.

Quando cheguei, tudo estava como sempre, pais fazendo protesto, pessoas olhando torto, e o grupinho de Rose, que eu nem fiz questão de olhar.

Caroline estava me esperando na entrada.

__ Ficou sabendo da novidade?__ Ela perguntou ansiosa. Eu ri.

__ Quantas novidades se tem por aqui?

Ela continuou, me ignorando.

__ Damon Salvatore voltou. __ Fiquei tensa imediatamente. Não gostava nem de oubi o nome desse garoto.

__ Eu fiquei sabendo que voltaria. __ Respondi séria.

__ Mas o que você não ficou sabendo, é que Alaric Saltzman, melhor amigo dele e namorado da garota que morreu, não só o ignorou na frente de todo mundo, como também odeia ele agora.

__ Mesmo?__ Perguntei interessada.

__ Mesmo, ele nem se quer foi visitar o Damon no hospital, e olha que eles são amigos desde a infância. Ele o culpa pelo que aconteceu.

Ri amargurada.

__ Ele tem culpa de muita coisa. __ Comentei.

Apesar de achar errado o desprezo desse tal Alaric, já que ele não só estava com o Damon como também fazia as mesmas coisas, não pude deixar de ficar satisfeita por ele estar sendo ignorado por alguém importante para ele.

É o mínimo que ele merece!

O sinal tocou, indicando que a aula já estava para começar. Infelizmente, Caroline não tinha essa aula comigo. Eu tinha que enfrentar esses idiotas sozinha.

Andei até minha sala e sentei na primeira carteira, como sempre fazia. Não demorou muito para a sala encher.

Eu fiquei chocada quando Damon Salvatore entrou na sala também, com todo seu ar superior. Eu identificaria esse babaca em qualquer lugar.

Ele estava com uma jaqueta de couro preta e uma camisa da mesma cor embaixo, vestia jeans escuros e botinas também pretas. Não sabia se estava de luto pela amiga ou andava assim normalmente. Tudo bem, ele até tinha um rosto bonito e bonitos olhos azuis, mas toda essa beleza era apagada pelo ar superior, a irresponsabilidade, e é claro, o fato dele ter aleijado o pai da minha melhor amiga e não ter se preocupado em prestar socorro.

Ele passou os olhos pela sala até pousar em mim, e ser ar ficar de deboche. Me irritei.

Esse garoto com certeza não ia querer mexer comigo.

Ele se sentou bem atrás de mim, e eu soube imediatamente que eu iríamos os dois ser expulsos da sala, porque eu de forma alguma agüentaria uma provocação.

Ele se inclinou.

__ Se ratos dão doenças, pobres dão o que?__ Perguntou em meu ouvido.

__ Revanche.

Respondi sem tirar os olhos da frente, ele deu uma risadinha e se endireitou, bem na hora que o professor entrou.

__ Tudo bem crianças, abram seus livros da página cento e trinta e oito. Escravidão.

Respirei fundo, parece que tudo hoje vai me encaminhar a diretoria. O Salvatore deu uma risada atrás de mim.

O professor falou sobre como os escravos trabalhavam demais para um simples prato de comida e falou também como levavam uma surra após fazerem algo “errado”. Salvatore o interrompeu essa hora.

__ Pra mim, as coisas ainda deviam ser assim. Quem não tem dinheiro deve obedecer sim a alguém que tem, e ainda agradecer por estar tendo a honra de trabalhar pra alguém como nós.__ Ele falou com uma certeza que me deixou chocada. Como alguém pode acreditar em uma coisa assim?

__ Por que? Por que devia ser uma “honra” trabalhar pra vocês? Não passam de mesquinhos idiotas que não conseguem nem ter independência. __ Falei me virando para ele. Não estava conseguindo agüentar minha raiva. Não com ele.

Ele riu com escárnio.

__ Pra que eu tenho que conseguir independência, se eu posso comprar? __ Perguntou debochado. Fiquei chocada.

__ Você consegue se ouvir? Sabe o significado das palavras que está falando pelo menos? Não se pode comprar tudo. Não se pode comprar caráter, confiança ou qualquer tipo de sentimento. O que você pode levar de importante nessa sua vida, além de qualquer dinheiro? Algum amor, pelo menos?

Ele me encarou furioso, não aceitando as minhas palavras.

__ Você não pode me dar lição de moral, sua pobre, nem sequer merecia estar aqui, convivendo com a gente, que é tão superior a você.

Foi a minha vez de rir com escárnio.

__ Eu posso ser pobre, mas valho muito mais que qualquer um de vocês.

Dos nossos olhos saiam faíscas de raiva, parecia que poderíamos pular no pescoço um do outro a qualquer momento. Eu estava pronta pra isso.

__ Tudo bem crianças, já chega. Mais uma e vocês vão sair.__ Alertou o professor, me fazendo virar pra frente.

__ É, não queremos sair, a pobretona tem medo de perder a única coisa de valor que tem na vida, essa bolsa.

Bufei, mas continuei virada pra frente, decidida a ter de volta meu autocontrole.

Graças aos céus, o sinal bateu rápido depois daquilo, e eu tive mais uma aula antes da educação física (que é toda segunda), onde eu podia descontar toda a minha raiva no esporte.

Troquei de roupa para a aula, pegando uma que a escola mesmo dava para os esportes. Como sempre, meu time e o de Caroline ganhou a disputa, mas eu fiquei muito desconfiada quando a expressão vitoriosa de Rose não mudou. E Damon também parecia bem contente pra quem tinha sido humilhado em publico.

Passei o rápido banho pensando no que será que ela e o amiguinho tinham aprontado, já que eu notei que eles ate tinham um caso, e me apressei para meu armário logo em seguida, notando imediatamente que ele estava arrombado.

Não, eles não fariam isso!

Corri até ele, e fiquei chocada, pra não dizer furiosa, quando vi todas as minhas roupas cortadas em tiras. As únicas roupas que eu tinha no momento.

Num surto de raiva, segurei firme as roupas em minha mão, e firmei ainda mais a toalha em outra, e me dirigi bufando na quadra. Entrei bem no momento que aquela gangue de nojentos estavam aos risos.

Pirando, só gritei um nome.

__ DAMON!

Então me olhou e eu soube na hora que seria feio.