All God's Creatures.

1 When I'm Gone.


Notas iniciais
Boa leitura!

Queridos Sam e Dean,

Várias horas haviam se passado e Sam Winchester ainda não conseguia acreditar; durante todo esse tempo ficou em silêncio. Seus olhos estavam cheios de água e embaçados. Ele queria despejar água sanitária em sua própria cabeça e deixar que derretesse o seu cérebro. Sam aceitaria o dano cerebral se pudesse se livrar daquilo.

Ela o chamou.

Ela gritou por socorro.

Ela gritava de dor.

E Sam não podia fazer nada; e outra, outra e mais outra vez, aquilo ecoava em sua mente.

Escrevo para dizer que amo vocês. Por favor, não lamentem. Apesar de toda a dor que suportei, fiz a serviço de todos que eu amo. Meu único arrependimento é estar longe de vocês e de Castiel.

Ela tinha sorrido tanto naquele dia. Tinha os feito sorrir também. Agora, Sam sabia que nunca mais iria vê-la sorrir. Como ele poderia viver sabendo que ela seria atormentada para todo o sempre?

Ela era sua irmãzinha, sua melhor amiga.

Sam deveria tê-la protegido.

Fiquem sempre juntos. Encontro conforto sabendo que protegeram uns aos outros.

“Lembra-se de como nós éramos antes? Eu sei que você se lembra, é quase impossível de se esquecer. Eu pelo menos, não esqueci, Dean”. Ele se lembrava e, de vez em quando, sentia saudade. Uma saudade leve, leve o suficiente pra fazê-lo chorar.

Ela não era uma criança mais.

Aquilo doía, e não é um eufemismo. Doía como uma surra.

Sei que vocês não vão desistir. Até lá, meu sacrifício permitirá que vocês derrotem Amara e que Castiel se torne o grande líder que agora posso apenas imaginar.

Dean Winchester estava em pedaços.

Suas mãos tremiam.

“- Família em primeiro lugar” era o que John dizia.

John Winchester tinha colocado muitas expectativas em todos os seus filhos. Mas, especialmente, em Dean.

“-Cuide do seu irmão e irmã. Mantê-los seguros, certifique-se que eles estão bem.” As palavras de John não paravam de repetir em sua mente e Dean odiava a si mesmo completamente por todas as coisas que tinha feito e não fez, disse e não disse. Ele tinha mil coisas que queria dizer-lhe, e ele se desesperou porque agora não havia mais tempo.

Dean queria destruir alguma coisa, jogar alguma coisa. Sua mão e pai estavam mortos e, agora, ela se foi.

Davina era um Doppelganger. Seu destino estava selado. Ele tentou, tentou e Deus, ele tentou, mas não podia reverter.

E Dean, por alguma razão, abruptamente se lembrou de todas as coisas que passaram juntos. Coisas ruins, como quando ele tinha insistido em tratar sua irmã como se ela ainda fosse uma criança, ele insistiu em tentar controlar a sua vida para os seus padrões como seu pai tinha feito com todos eles.

“- Eu não sou uma criança. Eu não sou sua responsabilidade, Dean”.

Mas ele também se lembrou dos bons momentos, como quando no ano-novo eles se sentaram no capo do Impala para ver os fogos de artificio. Eles não disseram nada, mas não precisavam. Davina estava feliz. Ela tinha aquele sorriso que eles viam nos comerciais de creme dental, em que dá para ver quase todos os dentas da pessoa. Ela deveria sorrir daquele jeito o tempo inteiro.

Davina merecia algo melhor: uma história feliz, uma vida longa e aquele sorriso em todos os seus dias e não está tragédia, não este fim trágico.

Não era justo.

Afinal, esse é o negocio da família.

— Dean... — Sam chamou, a voz baixa. Seus olhos se encheram de lágrimas e ele se aproximou, abraçou Dean com força. – Ela se foi, Dean. Precisamos falar com Castiel.

Como? Davina era sua amiga. Não. Dean sabia que para Castiel, Davina era muito mais do que isso. Dean não sabia uma maneira de descrever com precisão o que ela significava para Castiel, o que ela era.

Não demorou muito e ele ouviu os sons de suas asas. Castiel estava em pé, parado á poucos centímetros de onde eles estavam. Castiel soube, em um instante, que algo estava errado. Muito errado. Ele olhou ao redor e Davina não estava lá. Seu coração apertou, temendo pelo pior.

— Davina? — Ele chamou, mas não obteve resposta. Castiel recuou dois passos. — Davina?

Sam sentia suas pernas entorpecidas, mas ele sabia que a sensação estava toda em sua cabeça. Obrigou-se a não se refrear.

— Eu sinto muito. – Sam não conseguia o olha-lo. Ele estava um caos por dentro.

Davina Winchester estava morta.

Com amor,

Davina.

Notas finais
E então, o que acharam? Espero que tenham gostado! Deixem seus comentários, por favor. Agradeço desde já a cada um que ler ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!