All Around The World
17 Capítulo 17
Notas iniciais
— Você está quieta — disse Christian sério entrando no quarto com seu terno cinza escuro e a gravata cinza em suas mãos. Sua habitual vestimenta que combina com ele, mas que para mim, preferia que ele não estivesse usando — desde que conheceu Elena — ri em deboche.
— Christian, quantos anos tinha quando começou? — perguntei sem hesitar cruzando os braços no meu peito.
— Quinze anos – respondeu.
— Quinze anos? Tão jovem… — arregalei os olhos — E foi com ela?
— Ela era minha professora de piano, antes de ser empresária, eu a conheci quando tinha dez anos e ela foi boa pra mim — Não sei se estava preparada para ouvir isso, mas aproveitaria que ele estava falando. Precisava saber — eu era briguento, troquei de escola três vezes e minha mãe, Grace, não sabia mais o que fazer comigo então me mandou trabalhar na casa de Elena que estava em reforma. Eu tinha minha aula de piano e depois limpava o entulho. Mas o que ajudou mesmo a controlar minhas emoções foi a liberdade que senti quando ela começou a decidir as coisas pra mim, por mim, quando...
— Quando se tornou submisso dela — completei a frase e ele assentiu. Eu estava em choque por uma mulher que tem idade para ser sua mãe ter feito o que fez a uma criança e por tamanha era a ingenuidade infantil e normalidade que Christian explicava as ações desse monstro.
— Ela me ensinou sobre controle, sobre negócios, me ensinou a falar francês, alemão e espanhol. Me apoiou quando todos deram as costas quando quis sair da faculdade e começar meu negócio e me deu o dinheiro para isso. Fiquei seis anos com ela até o marido dela descobrir.
— Marido? – praticamente gritei em surpresa. Essa mulher é pior que pensei.
— Sim, quando ela se separou eu já tinha montado a empresa e estava ficando famoso no ramo. Meu lado dominador falava mais alto e eu não sentia mais prazer em ser submisso. Então ela virou minha primeira submissa. Tudo que sou hoje, eu devo a ela.
— Não diz isso, Christian, isso é o que aquela manipuladora te fez acreditar — explodi ficando de frente para ele.
— Anastásia — me repreendeu.
— Não, você não vê?! Acha que seu passado é fodido mas é porque ela o tornou fodido. Você nem deu a chance de Grace tentar do jeito dela — Christian me deu as costas caminhando para o banheiro como se não quisesse ouvir a verdade, mas fui atrás dele — você negou o carinho dela não é? Você acha mesmo que seus pais te deixariam a deriva? Ela te fez acreditar que sim? Eles queriam o melhor pra você! É isso que pais querem. Você seria bem sucedido com ou sem o dinheiro de Elena porque é todo seu mérito. Você ergueu a empresa com sua inteligência e capacidade. A diferença é que do jeito da Grace você não teria que descontar sua raiva ou buscar controle com BDSM. E sim querendo carinho da sua esposa quando chegasse de um dia cansativo de trabalho ou em um jantar gostoso preparado por sua mãe.
— Você não entende, Anastásia — ele parecia cansado quando massageou a própria nuca. Eu estava ofegante quando terminei de falar porque minha voz estava alterada — Grace, pra mim, era um anjo. Ainda é. Ela me tirou do lugar que eu estava. Onde um garotinho pequeno viu sua mãe ser violentada, usar crack e morrer de overdose. Também que era usado como cinzeiro humano onde o cara que fazia tudo com sua mãe apagava cigarros em seu corpo. Eu não conseguia, não consigo, que ninguém chegue perto de me tocar. Não era o filho que Grace queria, Elliot e Mia eram, são. As brigas na escola eram uma forma de me manter vivo, de sentir alguma coisa, assim como a submissão e Elena fizeram por um bom tempo e eu consegui ser bom suficiente para meus pais.
— Garanto que se tivesse te conhecido quando tinha quinze anos, te mostraria que o carinho iria te ajudar a ser uma pessoa melhor. Porque era o que precisava: Aceitar o amor e carinho que sua família tinha a oferecer.
Ficamos em silencio, um encarando o outro, perdidos em seus próprios pensamentos e reflexões. Somos mais diferentes que pensei que seríamos.
— Eu vou indo — ele fez o nó na própria gravata, eu queria fazer mas ele estava distante. Era melhor assim — eu te disse para não fantasiar algo que eu não sou ou iria se decepcionar — sussurrou antes de bater a porta com mais força que deveria.
Deitei na cama com os olhos marejados e me permiti chorar depois de muito tempo. Choro pelo garotinho de olhos cinza, cabelo acobreado e sujo ter passado pelo que passou, choro pelo adolescente bonito que precisava de orientação e não de mais abuso e choro por esse belo homem ser tão atormentado por seu passado que não consegue admitir o tão bom é seu coração, o quanto precisa e gosta de carinho e tão ingênuo é em relação a essa senhora que chama de amiga.
Pego meu celular precisando de uma palavra amiga, conselhos. Ligo para Kate.
— Ana – quem atende é Elliot e parece bem animado – Kate esqueceu o celular comigo. Como está?
— Bem – não consegui disfarçar a voz de choro.
— Bem, mesmo? – perguntou preocupado. Fico imaginando o que os Grey achariam de tudo que Christian acabou de me contar, o quanto Grace sofreria. Eles nem devem imaginar tamanha barbaridade.
— É, saudade de casa. De vocês – era uma meia verdade, abracei meu travesseiro – queria muito um abraço de vocês agora.
— Foi o Christian que te magoou, Ana? – ouvi um barulho como se ele estivesse levantando da cadeira – Ele me contou que vocês ficaram e não me importo que ele é meu irmão, quebro a cara dele. Já quebrei a cara de um e mais um não faria diferença.
— Não – ri, esse era o Elliot, sempre protetor comigo, como um irmão mais velho – Não foi ele. Elliot, você conhece Elena?
— Elena? Elena Lincoln? – confirmei, mas não fazia ideia do sobrenome dela – É amiga da minha mãe. Ela está com vocês, certo? Minha mãe ficou animada que ela finalmente conseguiu realizar seu sonho de montar um salão em Monte Carlo.
— Ela e Christian são bem próximos né!? – perguntei com desdém.
— Eles são, acho que é algo maternal, mais de tia – ri internamente – . Eles são sócios, um ajudou muito o outro. Principalmente quando Sr. Linconl a deixou a deriva. Vai me dizer que você está com ciúmes de uma mulher que tem a idade da Dona Grace?
Ah, Elliot, se você soubesse...
— Não, não estou – fiz uma pausa. Elliot pode ter razão, mas não é ciúmes, é mais uma revolta por saber o tão mal ela fez ao emocional do Christian por tantos anos. Ele parece não querer realmente nada com ela mas eu vi o brilho no olhos dela quando olhou para ele. Ela o quer, mas não o terá. Querida, Christian Grey é meu — Vão ao jogo?
— Daqui a três dias, mal posso esperar. Só faltou minha companheira de cachorro quente – ri alto.
— Quem sabe na próxima temporada – fiz uma pausa – eu vou indo, vou ao shopping.
— Ok, a gente se fala – ele fez uma pausa – se cuida...
— Pode deixar... Beijinhos – sorri.
Me levantei, procurei por um vestido longo porém de tecido leve com uma generosa fenda na perna, azul escuro e coloquei uma sandália de salto. Ajeitei o cabelo, coloquei uma maquiagem leve e sai para o elevador determinada a mostrar para Christian que ele está comigo e que estou ao lado dele para o que der e vier e apoia-lo. Mostrar que Elena não é nada daquilo que ele pensa que é.
Felizmente, havia um folheto do hotel em inglês e eu poderia me localizar facilmente até o salão de jantar. Só espero não passar vergonha e me deixem entrar vestida assim. Nunca lugar com praias maravilhosas não permitir o uso de roupas curtas em certos lugares, mas, fazer o quê, gente rica é estranha.
Ao sair do elevador, meu salto ficou preso na parte de trás do vestido e eu, desastrada, quase fui ao chão sendo amparada por fortes braços com um perfume delicioso.
— Por favor, me desculpe – pedi rapidamente me ajeitando e encontrei um par de olhos amêndoas, sorriso impecável e cabelo caído na testa.
— Não se preocupe, querida – disse um inglês com sotaque francês – Esse tipo de coisa acontece.
Percebi que ao meu lado se puseram dois homens de preto me analisando assim como os dois atrás dele também. O cara é alguém importante aqui e eu não sei?!
— Eu sou desastrada – coloquei o cabelo atrás da orelha – me desculpa mesmo.
Um homem com uniforme do hotel veio correndo em sua direção falando um francês perfeito porém desesperado, o segurança o impediu de se aproximar muito e ele fez reverência ao jovem a minha frente o tratando como um soberano. Conforme falava, o jovem sorriu em agradecimento e o funcionário saiu ainda fazendo reverência.
— Estava indo jantar, Srta...?
— Steele, sim, estava a caminho – olhei para a porta e em seguida para o mapa meio perdida.
— Posso te acompanhar até lá se assim desejar, me disseram que conseguiram uma mesa para mim – ele ofereceu seu braço e eu até pensei em recusar mas os seguranças me olharam feio, as moças ao nosso redor só faltavam se jogar em cima dele e ele estava com aquele sorriso que eu achei irresistível.
— Claro, por favor, estou meio perdida mesmo e não sei falar francês – ri pegando seu braço – eles vão jantar com você? – perguntei me referindo aos seguranças.
— É, não por minha escolha – disse com um sorriso triste – é uma das coisas que tenho que aturar devido ao meu cargo.
— Você é famoso ou algo assim? – o segurança pigarreou ele balançou a cabeça me olhando descrente.
— É, eu sou famoso, Srta. Steele – ele riu — você não faz ideia de quem eu sou?
— Não – fiquei com vergonha – desculpe.
— É bom assim. Você é a primeira que se aproximou de mim não por eu ser quem sou mas porque simpatizou comigo – chegamos a porta do salão de jantar onde a host não tirava os olhos do rapaz, colocou o cabelo para trás sorrindo de orelha a orelha.
— É, eu simpatizo com as pessoas que me impedem de cair – eu ri e ele me acompanhou em uma risada gostosa.
Ele começou a falar com a host em francês e eu não tentei entender porque não conseguiria de qualquer maneira. Olhei ao redor procurando por Christian, mas me arrependi de ter feito, estavam apenas Elena e ele, no canto afastado do salão, conversando com naturalidade, bebendo vinho e rindo. Sem porra de acionista algum.
— Está tudo bem? – perguntou o jovem com a mão em meu cotovelo, acho que minha cara de decepção era visível pra quem quisesse ver.
— Está – dei de ombros – mas perdi a vontade de comer, vou voltar pro quarto, foi um prazer conhece-lo...?
— Albert – ele se apresentou – por que não janta comigo? É meu último dia antes de tudo começar, estou meio que a beira da loucura e seria bom ter companhia para jantar fora os seguranças.
— Eu não sei se é uma boa ideia – comentei ainda olhando para Christian e Elena, e todos ao meu redor ficaram boquiabertos – Me diga, Albert – acho que foi a morte para a menina quando o chamei pelo nome porque ela ficou tão chocada e empalideceu – o que você faz? Estou curiosa, todos aqui estão me olhando estranho.
— Se eu te contar, promete que não vai me tratar de forma diferente? – assenti, muito curiosa – sou príncipe de Mônaco e amanhã é minha coroação para me tornar chefe da casa Grimaldi e noivo de alguém que conhecerei só amanhã.
— Você está falando sério? – perguntei embasbacada – Sério, sério?
— Muito sério – disse com certa diversão.
— Um príncipe de verdade? – ele assentiu – Meu deus...
Eu sempre quis conhecer um príncipe e bem quando conheço um, ele me chama para jantar e ainda sou um fora dele. Ponto pra mim.
— Quer dizer, depende do que você considera um príncipe de verdade. Eu não uso aquelas roupas coladas, com uma capa e nem tenho uma espada real da lealdade – ri – e ah, não saio pelas ruas ou florestas galopando para salvar uma donzela mas eu sei jogar polo e gostaria muito que viesse jantar comigo.
— Olha... – olhei mais uma vez para Christian bem na hora em que Elena tocava em seu ombro e ele permitiu – Ok, janto com você.
Eu queria experiências de um lugar, aprender coisas novas e culturas diferentes. E porque não aprender logo com o príncipe sobre Mônaco. Christian ficaria irritado e muito mas muito bravo, mas sinceramente não estou nem ligando porque eu também estou irritada e muito mas muito brava.
*****
POV. Christian
— Você continua distante, Christian — Elena me despertou dos meus devaneios e pela primeira vez a olhei nesse jantar – Não pode estar bravo comigo.
— Se você queria minha companhia deveria ter pedido, Elena – bebi o vinho – não precisava ter mentido.
— Você certamente traria a garota com você — trinquei os dentes.
— Anastásia, Elena, o nome dela é Anastásia – Elena riu como se debochasse.
— Eu queria um tempo sozinha com você, só isso, você sabe que o salão é uma realização pra mim e eu queria comemorar com você — ela sorriu e eu vi sinceridade em seu olhar. Sim, ela sonha com este salão a anos, deveria dar uma trégua as paranoias dela.
— Parabéns, Elena – ri – Você sempre consegue o que quer.
— Sempre, Christian – ela riu também e nós brindamos.
As coisas com Elena sempre fluíram muito bem, desde que eu era criança, e eu pude esquecer por pequenos instantes a minha preocupação de voltar para o quarto e não encontrar Anastásia me esperando depois do que contei sobre meu passado. Ela deveria ter saído correndo.
— Não se preocupe, Christian – Elena tocou em meu ombro como se entendesse minha batalha interior – essa vida não é pra você. Não sei como conseguiu manter o baunilha até agora sem ter outra garota. Sabe que amor, relacionamentos é para os fracos. Você foi muito bem sucedido sem essas coisas, continue assim, sem sofrimentos.
— É... – respondi simplesmente mas pela primeira vez duvidando de algo que Elena me disse. Ontem, enquanto estava na cama com Anastásia, eu tive uma ideia genial que solucionou os problemas de custo envolvendo a embalagem especial do novo tablete na empresa, e tive essa ideia quando ela estava lá, meio por cima de mim, fazendo carinho nos meus pés com os seus quando eu estava mais relaxado que nunca estive antes, nem mesmo depois de uma cena.
— Como eu já disse antes, todas são oportunistas – Elena comeu sua ostra com uma sofisticação que só ela têm mas encarava um ponto no salão e quando segui seu olhar, meu rosto esquentou de raiva. Anastásia estava de braços dados com um homem, ela estava maravilhosa, com um vestido do estilo que eu gostava que mostrava sua perna, mas era pra ela estar maravilhosa pra mim e não para outro cara – Vocês usaram camisinha, né?! – a fuzilei com o olhar – ou você acreditou quando ela disse que se cuidava – Elena tomou eu coquetel me olhando repreensiva – Você não era assim, Christian.
— Cala a boca, Elena – disse me levantando com fúria quase derrubando a cadeira.
*****
Pedi o whisky mais forte que eles tinham no menu depois de ouvir que meu nome não tem poder algum contra o Príncipe de Mônaco. Eu tentei entrar lá na sala privada do salão de jantar e tirar Ana, mas não pude nem chegar perto da porta, os seguranças do príncipe não deixaram.
— Príncipe – disse com nojo tomando mais um gole de whisky.
Mas quem eu estou querendo enganar, eu sou o cara do passado fodido que está querendo a mocinha que está nesse exato momento jantando com o príncipe.
Então ela chegou, uma hora depois, com as bochechas rosadas e um sorriso discreto em seus lábios que sumiu assim que me viu sentado na poltrona do quarto, mas ela não deixou se abalar por isso. Não assumiu postura submissa e nem nada do que estou acostumado. Ela estava me enfrentando o que me deixava mais irado que já estava.
— Aparentemente você soube onde eu estava – ela fechou a porta e tirou a sandália ficando na sua altura normal. Ela estava linda, mas não estava linda pra mim, era pra outro – Pois eu te vi lá, com Elena e com muitos acionistas, muitos mesmo – disse com ironia e eu ri em deboche tomando mais um gole da bebida – Pois eu estava indo para lá ficar com você quando te vi com ela. Você mentiu pra mim.
— Você se arrumou para ir jantar comigo? – perguntei me levantando. Deixei o copo na mesa e me aproximei dela.
— Claro que sim, achou mesmo que eu estava esperando uma oportunidade de você sair pra ir atrás de outro? É isso que pensa de mim? Ou é o que ela te disse? – os olhos dela estavam cheios de lagrimas mas eu não conseguia me aproximar. Algo me bloqueava. Ana me desarmou novamente, como sempre faz, ela consegue me transformar em um moleque de dezesseis anos com poucas palavras. Ela não ia embora como pensei que iria, ela ficou e iria atrás de mim se eu não tivesse jantando com Elena.
— Eu não menti pra você – me expliquei – ela disse que se me convidasse eu iria te levar comigo e ela queria um tempo sozinha comigo.
— Pra encher sua cabeça de merda — Ana se sentou na cama escondendo o rosto entre suas mãos. Balançou a cabeça olhando para a varanda e voltou a falar mais calma – Ela ainda te deseja, Christian, é visível no olhar dela. Ela ainda te quer.
— Isso é besteira, Anastásia – revirei os olhos – o que eu tive com ela é passado, foi a muito tempo em uma época diferente. E também, não muda o fato que você saiu com outro homem.
— É isso que importa pra você? – ela se levantou me encarando novamente – eu ter ido jantar com outro homem? É a única coisa que você se importa?
— É, Anastásia – gritei a encarando também – você é minha e não tem que sair jantando com outro homem seja ele rei, príncipe ou qualquer merda.
— Pois o que eu senti é exatamente o que você está sentindo agora – segurei seu braço com certa força. Ela deveria parar de falar antes que eu me descontrole, o que faltava muito pouco.
— Eu fui achando que era um jantar com acionistas a empresa e não por livre e espontânea vontade.
— Por que você faz tudo que Elena quer! – ela gritou se soltando do meu aperto.
— Eu não faço o que ela quer. Caralho, Ana, já chega! – passei a mão no cabelo nervoso — você deveria ter ido comigo e não ter jantado com outro.
— Eu não iria lá ficar recebendo olhar de desprezo daquela dona e nem ficar vendo ela te comer com o olhar — havia magoa em seus olhos e isso me quebrou por dentro. Eu não quero esse olhar dela, eu quero o olhar ingênuo e inocente da minha Ana de volta.
— Anastásia — me aproximei lentamente para ver suas reações e agradeci por ela permitir. Não sei o que faria se não permitisse — você é minha. É minha garota. Seus lábios são meus — passei o polegar pelo lábio inferior dela — seu corpo é meu, seus beijos são meus, seu carinho é só pra mim.. Tudo em você é meu.
— Pois se eu sou sua, Christian, você também é meu e eu não compartilho!
Ana lançou-se contra mim mas, por reflexo, segurei seus pulsos antes que ela pudesse me tocar. Desculpe, baby, mas sem toques hoje!
*****
POV. Ana
Havia um brilho de malícia nos olhos de Christian, um ar dominador que me dava certo receio. As muralhas do toque eu tinha derrubado durante esses dias estavam em pé novamente. Eu não estaria irritada se ele não defendesse tanto essa pedófila e entenderia que não foi sua culpa. Eu sabia que ele iria ficar puto comigo jantando com outro homem, e no fundo eu até o queria assim, pra ele entender o que eu estava sentindo em relação a ele e Elena. Só que nossos níveis de possessão são totalmente diferentes e com certeza ele queria me castigar.
— Me perdoa — ele sussurrou sem me olhar e também sem me soltar — mas te ver com outro...
— Eu sei — me aproximei dele procurando seu olhar — faça o que for preciso..
— O que quer dizer? — perguntou me olhando.
— Que eu te desobedeci, senhor. Faça o que for preciso para me punir.
Depois da minha frase a postura dele mudou completamente e um Christian dominador surgiu. Eu confiava nele, que ele não iria me machucar e nem fazer nada que eu não queira. Ele tentou do meu jeito e foi incrível e quem sabe do jeito dele não seja bom também.
— Quero que se lembre de duas palavras. Amarelo e vermelho. A primeira é para alertar e a segunda para parar. Entendeu? — ele caminhou comigo ate que eu caísse de costas para a cama.
— Sim, Sr. Grey — sussurrei com o olhar preso ao seu.
— Mãos para cima — obedeci na mesma hora o que ele pediu e o senti montar em cima de mim. Tirou o paletó o jogando no chão e a gravata cinza ele desfrouxou e passou em seu pescoço — una os pulsos — ele passou a gravata em meus pulsos unidos e fechou o nó levando ao redor da grade da cabeceira da cama me deixando imobilizada — Você não tem permissão para mexer os pés.
— Sim, senhor — não deveria mas essa submissão estava começando a me excitar. Sentia meu clitoris inchado e pulsante querendo um toque que demoraria a chegar.
— Boa garota. Volto já.
E então ele saiu do quarto.
— Você não pode me amarrar e sair do quarto, Christian Grey — disse para as paredes, ele fez para que eu não conseguisse me tocar, sabia que eu me excitaria e fez de proposito.
Ele minutos depois com um pequeno balde em mãos, daqueles que pegamos gelo em hoteis. O que ele tem em mente?!!! Christian se despiu na minha frente e que membro pulou ereto para fora da sua cueca box preta totalmente sexy. Passei a língua em meus lábios o que o fez sorrir de canto.
— Gosta do que vê, Anastásia? — ele pegou no próprio mesmo se masturbando lentamente.
— Sim, senhor — ele se aproximou lentamente da lateral da cama trazendo a garrafa cara de whisky e um copo junto com o balde de gelo.
— Chupa — ele montou logo abaixo dos meus seios onde a cabecinha do seu pau ficava próximo a minha boca e seu pau entre meus seios. E eu obedeci novamente. Entreabri os lábios e ele começou a se movimentar enquanto eu trabalhava com a língua o chupando até onde conseguia. Gemi. Dar prazer a ele me da muito prazer. É uma delícia.
Christian puxou meu vestido para cima ate expor meu conjunto de lingerie que tinha colocado especialmente para ele. A calcinha era preta e transparente com uma abertura em v na frente que expunha meus pelinhos pubianos e também era foi dental porque ele tinha gostado muito quando usei no outro dia.
— Colocou essa calcinha pra mim, Srta. Steele? — ele saiu de cima de mim me deixando ofegante. E céus, como ele estava duro.
— Sim, senhor. Coloquei uma lingerie para agradar ao meu senhor — ele sorriu satisfeito.
— Boa garota — ele se abaixou me dando um beijo delicioso que retribui na mesma intensidade. Queria poder toca-lo mas acho que fazia parte do meu castigo — Mas ainda não muda o fato que saiu com outro homem. E isso não é certo com seu homem.
— Não, senhor. Peço desculpas — queria falar sobre Elena e então começaríamos as discussões novamente e eu estava gostando da cena. Christian Grey em seu modo Dominador Supremo dá um tesão que posso até sentir minha calcinha molhada.
— Desculpas aceita, mas ainda sim te darei seis palmadas, por falta de um bom chicote – mordi o lábio inferior pensando como deveria ser uma batida de chicote em minha pele, não sei se seria bom ou ruim, mas queria experimentar – não se preocupe baby – sussurrou ele plantando beijos pelo meu pescoço e então senti-lo dar um chupão. Claro que ele daria um chupão, para me marcar como dele – eu só quero te dar prazer – sussurrou minha costumeira frase em meu ouvido fazendo até os cabelos da minha nuca eriçarem.
Christian ergueu meu vestido o embolando até a altura do meu pescoço. Afastou minhas pernas com as mãos, puxou minha calcinha lentamente para baixo e a cheirou. Foi o gesto mais erótico que já vi na minha vida. Ele jogou a calcinha em um canto e voltou para cima de mim abaixando meu sutiã tomara que caia liberando meus seios. Tocou-os com gosto, os dois, e beliscou o mamilo entre o polegar e o indicador analisando minhas expressões. Gemi baixinho.
— Isso doeu? – fiz que não com a cabeça – viu? A dor está na mente das pessoas. Vou te mostrar, Anastásia, que do meu jeito, as coisas podem ser bem prazerosas também... Já experimentou whisky? Gostaria de um pouco?
Christian tomou um gole do Whisky e se abaixou para me beijar derramando um pouco do liquido amargo na minha boca. Preferia muito mais vinho, mas seu beijo me fazia esquecer aquele gosto, principalmente quando ele tocou na minha feminilidade. O balde de gelo, ele pegou uma pedrinha colocando metade em sua boca e deixou metade para fora. Passou no me lábio inferior, que estava entreaberto, desceu para o queixo, a garganta e por fim o vale entre meus seios me fazendo arrepiar por completo. Ele soltou a pedrinha ali e eu já senti começar derreter, meu corpo estava quente, fervendo de tesão e excitação por aquele momento.
Christian, com sua boca gelada, começou a beijar e chupar meus seios. Arqueei a coluna sentindo aquele arrepio passar por todo meu corpo, quando o quente e frio entrem em choque. Ele pegou outra pedrinha e passou ao redor dos meus biquinhos que ficaram enrugados na hora. Acho que ele gostou do que viu porque sorriu ante de voltar a chupar meu seio novamente enquanto massageava o outro.
— Agora, Srta. Steele – ele pegou o balde e colocou no chão próximo ao lado da cama, pegou mais uma pedra de gelo e me olhou com uma cara de quem estava prestes a aprontar alguma coisa – Você terá uma sensação única. E não goze!
Ele fala como se fosse fácil não gozar, principalmente com essa voz tão rouca, penetrante e máscula. Eu sinto meu sexo pulsar cada vez que ele fala alguma sacanagem. Eu estou sentindo meu sexo pulsar tanto nesse momento que acho que se ele respirar ali perto sou capaz de gozar.
Christian colocou outra pedra na boca a chupando, se abaixou entre minhas pernas e passou rapidamente a pedrinha desde minha entrada até o clitóris deixando-a no meu umbigo em seguida. Foi uma sensação inexplicável de frio e calor. Sentir o frio no meu clitóris quase me fez gozar, o frio me acendeu ainda mais. Ele se abaixou novamente com seu olhar preso ao meu e um sorriso malicioso preso ao rosto. Esperei pela carícia da sua língua mas ela não veio, o que eu não daria por um sexo oral dele agora...
— Senhor – sussurrei ofegante – posso pedir, gentilmente, por um sexo oral?
— Você quer que eu te chupe, Srta. Steele? – fiz que sim com a cabeça e ele roçou apenas os lábios ali sem realmente tocar. Essa esperava estava me matando.
Movi meu quadril a seu encontro, mas acabei desobedecendo sua ordem, eu não podia mexer meus pés. Christian, em um gesto rápido, me virou na cama me ajeitando e quatro e deu um forte tapa na minha bunda, diferente daqueles que deu quando transávamos. Mais forte, porém não menos prazeroso.
— Me desobedeceu novamente, Anastásia – segurou meu quadril, desceu suas mãos para minha bunda acariciando ali – O que eu faço com uma garota tão desobediente?
E então mais um tapa, só que dessa vez em apenas uma nádega.
Ao todo foram sete tapas em apenas uma nádega. Pinicou e provavelmente está em tom vermelho agora mas não é que importa realmente. Eu preciso desesperadamente gozar. Minha boceta está pulsando de tesão, sento estar a beira do orgasmo mas ele não faz nada. Minhas mãos estão presas então eu não posso fazer nada.
De surpresa, ele me penetrou. Fundo, forte e duro. Gritei seu nome recebendo mais um tapa na bunda.
— Preparada como sempre, Srta. Steele – disse entre dentes – Você não tem permissão de gozar essa noite.
— Não, senhor. Por favor, eu preciso gozar – o olhei sobre meus ombros, e meu deus, como a visão dele ofegante, gemendo por mim, era excitante.
— É seu castigo, Anastásia – ele beijou minha nuca, meu pescoço e chegou ao ouvido – quem é seu homem, Anastásia?
— Você, senhor, você é meu homem e somente você – sussurrei deitando o corpo na cama procurando algum contato com o lençol no clitóris mas ele me ergueu de quatro novamente. Puxei a gravata tentando me soltar mas ele tinha feito um belo trabalho no nós. Rebolei contra seu membro procurando um contato mas recebi um tapa na coxa em resposta.
— Isso, mesmo, Anastásia – ele beijou meu pescoço começando outro chupão – você é minha – ele acelerou os movimentos, senti seu membro inchar dentro de mim e sua respiração ficou mais acelerada. Ele iria gozar – Minha e de mais ninguém.
Dizendo isso ele tirou seu membro de dentro de mim, se masturbou rapidamente até que senti o liquido quente e espesso escorrendo na minha bunda. Eu estava acesa ainda, ofegante, desesperada por um contato, para gozar. Não acredito que ele não deixou que eu gozasse.
Christian caiu cansado ao meu lado, ofegante com um sorriso em seus lábios. Ele estava relaxado, meu Christian estava de volta. Ele desamarrou o nó da gravata e beijou meus pulsos que estava levemente vermelhos. Limpou seu esperma com sua cueca e me puxou para seu corpo.
— Acabou a cena? – perguntei o olhando e ele assentiu – então pode me fazer gozar agora?
— Ana – ele riu – eu não vou te fazer gozar. E você também não pode se masturbar – ele segurou minha mão que estava a caminho da minha boceta – só eu posso te dar prazer – sussurrou em meu ouvido – isso inclui que você não pode se masturbar.
— Nem pra você ver? – perguntei fazendo um biquinho.
— Vai por mim, Anastásia, eu quero ver você se masturbar, quero mesmo, mas não vai acontecer hoje.
— E se eu disser que amanhã vamos ao sex shop, juntos, e você me mostra tudo que você gosta de usar e, talvez, a gente compre alguma coisa pra usarmos – ofereci e ele cerrou os olhos pra mim. Era uma proposta irrecusável.
— Você é uma bela negociadora, Steele – ele se deu por vencido – Ok, pode se masturbar.
Sorri vitoriosa.
Sai da cama, terminei de tirar o vestido e o sutiã. Peguei do canto do quarto uma confortável poltrona e a arrastei até rente ao pé da cama. Christian acompanhava meus movimentos em um misto de curiosidade e malicia.
— É algo que eu sempre quis fazer mas nunca tive oportunidade – expliquei voltando para a cama – você, senta ali na poltrona, por favor.
Ele fez o que pedi, sentou na poltrona de um jeito bem desleixado e confortável com as pernas esticadas na cama. Arqueou a sobrancelha confuso, eu sei que ele não gosta de ficar confuso, então sentei a sua frente e puxei dois travesseiros para, quando me deitasse, pudesse vê-lo. Coloquei cada perna por cima das suas, me fazendo ficar exposta para ele e bem próxima. Flexionei levemente os joelhos para me acomodar e então eu deitei.
— Ana – ele estava olhando diretamente para minha bocetinha – O que é isso?
— Eu me masturbando pra você – sussurrei antes de descer os dedos para lá e gemer longamente seu nome...
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