Notas iniciais
E aí?! Voltei rapidinho de novo né ;) Obrigada a todos que comentaram o capítulo anterior, mesmo que poucos, mas já me deixaram feliz a ponto de escrever o capítulo rápido. Espero que gostem...

— Nós podemos fazer trilha – sugeriu Ethan quando passávamos por uma ponte de madeira mas eu estava mais preocupada em não olhar para baixo que na conversa de Ethan sobre fazermos trilha.

— Podemos fazer trilha em um dia em que eu não estiver usando vestido, Ethan – disse Mia impaciente, ela bateu o pé como uma garota birrenta contra nós subirmos para o rochedo pela ponte de alvenaria mas seu namorado e o irmão insistiram em ir pela ponte de madeira.

— Eu disse que para não usar vestido, gatinha, deveríamos vir amanhã, bem cedinho, prontos para uma trilha – mordi o lábio inferior fechando os olhos quando outras pessoas entraram atrás de nós na ponte e me segurei na corda com força tentando fazer passar essa aflição – Você não acha Christian!?

— Claro, Ethan – respondeu ele com desdém e o senti bem atrás de mim – você está bem?

— Estou – respirei fundo sem olhar para trás – É a altura e aqui não sinto proteção alguma.

— Está tudo bem, baby, eu nunca te deixaria cair — ele segurou forte em minha cintura com uma mão e eu sorri sem deixar vê-lo.

— Obrigada, me segura por favor – pedi já sentindo sua outra mão do outro lado da minha cintura — quero tirar o blazer, estou morrendo de calor.

— Se a gente cair do lago não passa – ri pelo nariz tirando o blazer.

— Você é péssimo em fazer piadas, sabia?! – ele riu também mais contido, guardei o blazer na mochila voltando a pendurá-la nas costas e prendi meu cabelo em um coque frouxo – preciso cortar o cabelo.

— Não precisa – disse ele rapidamente – você fica ainda mais linda com esse cabelo comprido.

— Obrigada – virei rapidamente mas senti a vertigem pela altura principalmente porque os caras que vinham atrás da gente estavam se mexendo mais que deveriam de propósito – E você fica – o olhei de cima a baixo – diferente com roupas normais.

— Roupas normais? – voltamos a caminhar mais rapidamente para alcançar Mia e Ethan – Terno não é normal?

— Não ao meu ver – ri, eu deveria soar ridícula agora – terno deveria ser para algo muito formal. Tipo, ser o CEO de uma grande companhia.

— É, e eu estou diferente bom ou diferente ruim? – pela sua voz parecia... tenso.

— Diferente bom – sorri o olhando por cima do ombro.

— Estamos aqui para agradar, Srta. Steele – ele sorriu de canto.

Graças a Deus faltava pouco para chegar ao outro lado e mais uma caminhada por uma trilha cimentada e chegaremos ao topo onde Mia diz ser um excelente lugar para um pique nique além de ter uma vista incrível de toda Paris. Assim que a ponte terminou eu suspirei aliviada quando meus pés tocaram o chão. Eu sei que tinha a volta, mas... Posso pensar na volta depois. Tinha a opção de voltarmos de barco, mas a escadaria que tínhamos que descer dava canseira só de olhar.

— Mia – a chamei dando uma corridinha até ela – como está seu namoro com Ethan?

— Ah – ela deu de ombros – estamos bem. Quando ele pode, ele vem pra cá e como eu sempre estou lá fica mais fácil. Claro que bate aquela saudade, mas a gente vai levando.

— E as brigas? – nós duas rimos.

— Se não brigássemos não seríamos nós. Eu amadureci e ele também. Sem falar que meu curso está acabando e eu estou prestes a voltar para Seattle montar meu restaurante e ele vai se mudar pra lá também. Então, teremos um namoro mais estável – Sorri, Mia é uma garota doce que enxerga bondade nas pessoas e merece ser feliz.

— Fico feliz por vocês, Mia, de verdade – Ela me olhou toda carinhosa e me abraçou.

— Agora, você e o Christian — sussurrou ela com um sorriso de canto que me fez rir.

— Não existe Christian e eu – ela arqueou a sobrancelhas – ainda – dei de ombros caminhando para os degraus da construção rochosa mais rápido deixando uma Mia Grey boquiaberta para trás.

— Mia, esse lugar é incrível – disse Christian olhando para toda construção rústica estilo romana que, por sorte, estava vazia onde faríamos nosso pique nique.

— É sim – ela sorriu orgulhosa pegando a cesta da mão de Ethan que estava deslumbrado com a vista de Paris. Podíamos ver a cidade inteira daqui.

— E o que você trouxe de bom, gatinha? – quando se trata de comida, Elliot e Ethan empatam de gulosos.

— Eu trouxe comidas típicas parisienses com um toque Mia Grey – disse orgulhosa – espero que vocês gostem.

Mia estendeu uma toalha no chão onde todos nós sentamos, Ethan ao seu lado de frente para mim com Christian ao meu lado de frente para Mia. Era engraçado ver um brutamontes como Ethan sentado no chão em cima de uma toalha quadriculada vermelha ajudando a delicada e sofisticada namorada com a comida. Sorri. E também tinha Christian perdido em pensamentos olhando para o horizonte, ele parecia tão jovem assim de calça jeans e camisa com as mangas dobradas até o cotovelo e o cabelo totalmente despenteado o deixando com semblante jovial e despojado totalmente diferente do CEO da Grey Enterprise Holding que costumo ver nas colunas sociais.

— O que? – pisquei os olhos e notei que ele me encarada. Eu devo estar parecendo uma idiota o olhando pensativa.

— Pega no flagra – sorri provavelmente com a bochecha corada – Desculpe.

— Um doce pelos seus pensamentos – sussurrou ele próximo de mim para que o casal entretido em arrumar a comida não notasse.

— Estava pensando o tão estranho você está com essas roupas – seu sorriso morreu – brincadeira – ri e ele pareceu soltar o ar aliviado – mas eu estava realmente pensando o tão jovial você fica com roupas normais.

— Você não superou o fato de que eu uso roupas normais? – Perguntou surpreso.

— Não, na verdade – ri da minha idiotice – sempre te vi nas colunas sociais ou ouço falar o tão sério você é. Não imaginei que você fosse o tipo de cara que senta no chão para comer sanduiche com a irmã e amigos.

— Eu não sou esse tipo de cara – ele abaixou o olhar e eu mordi o lábio inferior confusa – mas minha irmã espera que eu seja.

— Então que tipo de cara você é, Christian Grey?

— Jante comigo hoje a noite, passo te pegar umas oito horas e aí conversamos, sozinhos. Você não tem como fugir dessa, Srta. Steele – ele tombou a cabeça para o lado divertido como se esperasse uma desculpa minha para poder argumentar.

— Não quero fugir. Eu vou jantar com você hoje a noite – ele arqueou as sobrancelhas e sorriu de canto.

Christian Grey é mais complexo que imaginei, principalmente com toda essa mudança de humor. Uma hora ele estava preocupado, depois sedutor, depois sério e misterioso e depois sorrindo. Quero entender o que se passa na cabeça desse homem, seu jeito, seus gostos... Todos conhecem a história de Christian Grey o garotinha adotado, mas e a história de Christian antes de ele ser adotado? O que ele esconde? Eu quero saber porque só assim o entenderei. Elliot disse que ele teve a mesma oportunidade que ele e Mia, seus pais pagaram sua faculdade e o ajudaram a montar sua empresa de Construção Ecológica assim como Mia que teve os estudos custeados em Paris assim como uma ajuda para começar seu negócio e Christian teve a faculdade paga pelos pais mas abandonou logo no primeiro ano, começou seu negocio sem ajuda deles mas uma empresa do porte de Christian, mesmo no começo, deve ter ajuda de alguém principalmente com um jovem garoto que largou a faculdade. Há mais em Christian que poucos sabem, acho que nem sua família sabe, mas eu quero saber.

— E você está me devendo um doce – sorri voltando a atenção ao que Mia estava fazendo porque estava cheirando muito bom. Christian balançou a cabeça de um lado para o outro e riu, um gesto que eu achei adorável e que me fez sorrir para ele.

— Bom, primeiro de tudo — Mia bateu as mãos uma na outra como uma palma analisando seu feitos com dúvida sobre qual deveríamos experimentar primeiro. Eu comeria qualquer um porque todos estão cheirando deliciosamente bem — ah, lenços umedecidos para as mãos — Ethan revirou os olhos e eu ri – eu fiz crepes. Doce e salgado. Qual vocês querem primeiro?

— Salgado – dissemos nós três em uníssono.

— Ok, tem de presunto e queijo e de quatro queijos. Um clássico. E não pensem que é qualquer queijo não, é queijo parasiense – ela nos serviu de acordo com nosso pedido, eu quis de presunto e queijo assim como Christian e Ethan quis de quatro queijos.

— Mia, isso está divino — comentei de boca cheia mesmo porque um negócio delicioso desses merece elogio imediato. Nunca imaginei que um lanche de presunto e queijo seria tão delicioso, e não é só pela fome que eu estava não.

— Concordo com Anastásia – disse Christian, educado, depois de ter engolido – Que tempero você usou?

— Isso é segredinho de Chef – brincou Mia comendo o de quatro queijos – Eu trouxe uma cidra, que o Christian escolheu, porque o mestre de vinhos aqui é ele.

— Cidra fica uma delícia com vinho – explicou ele bebendo um gole da taça de plástico que Mia nos trouxe.

— Ana, você têm falado com Kate? – Mia me serviu um pouco de vinho e eu peguei o crepe de quatro queijos porque definitivamente era delicioso.

— Sim, sim, nos falamos pelo menos uma vez por dia. Por quê?

— Porque eu falei com Elliot ontem e pedi para ele ver se dava para vir me visitar qualquer dia desses e ele disse que dependia do trabalho de Kate e eu queria aproveitar um final de semana com todos nós juntos.

— Infelizmente eu já tenho reserva no hotel em Monte Carlo já para quarta-feira se não me engano, mas seria bom ver os dois, estou morrendo de saudades.

— E também a Liga de Beisebol começa no próximo sábado e papai e Elliot com certeza vão no estádio – disse Christian – eu já liguei no hotel para deixar reservado o per-pe-view pronto para que eu possa assistir.

— Ah, beisebol – Mia revirou os olhos, mas eu era fã dos Mariners e estava louca para assistir ao jogo.

— Vocês vão ficar no mesmo hotel em Monte Carlo? – perguntou Ethan revezando o olhar entre Christian e eu.

— Sim – respondeu Christian antes que eu pudesse responder. Não sei como ele sabia que hotel eu ficaria porque nunca conversamos sobre isso. Seria uma viagem de carro até Monte Carlo e só, não perguntei se haveria um mais. Mas pelo jeito haveria sim.

— E vocês vão daqui até Monte Carlo? – esperei Christian responder novamente mas ele me olhou e eu mastiguei rapidamente para poder responder.

— Não, vamos até Nice de avião e de lá para Monte Carlo de carro – respondi como eu havia planejado, agora se haveria mudanças na rota eu não sei.

— Bom – começou Mia com sua voz fina que indicava culpada – eu preparei um roteiro incrível para vocês descerem até Monte Carlo, vocês vão ter pelo menos duas noites na estrada antes de chegar no destino final. Tem praias incríveis pelo caminho que DEVEM ser vistas, espero que não se importe, Ana.

— Ah, claro que não. Um improviso faz parte quando se está viajando pelo mundo, certo?! – ela assentiu sorrindo – você reservou hotéis?

— É são chalés, mini casinhas, com dois quartos. Vocês vão amar.

Cerrei os olhos a encarando o olhar cheio de segundas intenções de Mia. Essa garota nem disfarça! E nem adianta argumentar com ela porque é em vão, quando Mia coloca uma coisa na cabeça não tira por nada.

Comemos o crepe doce, alguns macarrons e o tão sonhado creme brule. Eu sempre quis comer um autêntico francês, que por sinal é bem diferente dos que encontramos em restaurantes nos Estados unidos, e é delicioso. Para a descida, decidirmos ir pela ponde de alvenaria porque passaríamos pela cascata que estava movimentava. Aparentemente estava um dia quente em Paris, mas ao meu ver estava meio friozinho, talvez seja questão de costume. Mia foi logo arrancando a sapatilha que usava e correu para beira da água seguida de Ethan. Christian ficou muito tenso de repente olhando ao redor, talvez ele não goste de locais muito movimentados mas eu sorri e isso pareceu reconforta-lo porque vi seus ombros relaxarem e ele se aproximou mais de mim.

— Eu também não gosto muito de gente – sussurrei em seu ouvido como se fosse um segredo de Estado – por isso sou apaixonada por livros.

Apoiei em seu ombro para tirar as sapatilhas, mas desejei não o fazer porque Christian ficou tenso novamente e se afastou me fazendo perder o equilíbrio. Só não caí porque ele segurou minha cintura a tempo.

— Desculpe – sussurrou simplesmente parecendo envergonhado.

— Sem problemas – sorri segurando as duas sapatinhas nas mãos – não deveria ter te tocado.

— Não, não é isso – ele suspirou e passou a mão no cabelo parecendo nervoso – é só que... Seria bem mais fácil se pudéssemos conversar sozinhos. Não é que eu não queira seu toque, você irá entender hoje no jantar.

— Você me deixa confusa, Christian – confessei me aproximando da beira da água. Ele me ofereceu sua mão e eu aceitei para me apoiar e não escorregar nas pedras lisas. Ele só sorriu de canto.

— Você nem imagina o que está por vir.

— Se você está querendo me deixar curiosa para me instigar a ir a esse jantar, já conseguiu – brinquei.

— É só que... É meio novo tudo isso pra mim – ele fez um gesto com a mão indicando a nós dois – E é algo que eu quero tentar, mas primeiro quero conversar com você, te propor algo. Confia em mim?

— Confio – respondi automaticamente mesmo com a cabeça trabalhando mil possibilidades para o que ele iria falar essa noite – Onde vamos jantar?

— Em um restaurante – olhei para ele sem expressão, que era em um restaurante eu já imaginava né!? – eu poderia te levar para jantar em meu quarto de hotel, oras – arqueei as sobrancelhas e ele sorriu – É em um restaurante no topo da Torre Eiffel.

— O que?! – praticamente gritei chamando atenção de algumas pessoas ao redor – eu tentei reservar antes mas só tinha lugar para tipo... daqui dois meses.

— Vantagens de ser Christian Grey, baby. Tenho contatos.

— Meu deus, eu nem sei o que vestir – ainda estava em choque pela notícia. Esse restaurante é o mais concorrido, o mais caro e o mais belo do mundo e eu iria nele. Mesmo pra quem nunca se importou com vestuário, é algo para se preocupar.

— Só seja você mesma. Porque foi seu jeitinho que me encantou desde o início...

Notas finais
Seguindo a sugestão da Carlinha Targino de um passeio na torre Eiffel, eles terão a conversa no próximo capítulo. E o que vocês acham que o Christian vai propor? Dica: não é, necessariamente, relacionado a BDSM. Por favor comentem que o capítulo vem rapidinho.