All Around The World
8 Capítulo 8
Notas iniciais
Não sei o que Ana quis dizer quanto ao Parc des Buttes Chaumont ser um parque natural, acho que ela não deve ter conhecimento sobre ele, mas encontrar com ela era o que importava mesmo tendo que aturar minha irmãzinha e seu namorado. Sei que Mia não é do tipo que sai em trilhas, escaladas e coisas assim, e para esse passeio ela vai amar cozinhar algo novo para nos fazer de cobaia. E uma coisa é certa, nunca fiquei tão feliz de minha irmã ter empurrado uma garota para cima de mim e olha que da última vez sua amiguinha me deu um trabalho.
— Christian? — Mia me chamou atrás da porta e abriu lentamente quando eu disse que ela podia entrar — Está confortável? Precisa de alguma coisa?
— Não, tagarela — Deixei o celular de lado me sentando na cama e abri espaço para ela se juntar a mim — estou ótimo, obrigado, mas eu disse que ficaria no hotel.
— Ah, nem pensar — ela se sentou ao meu lado e ligou a tv passando os canais até chegar em um filme que ela gostava, deve ser comédia romântica, não sou fã de televisão — sabe que você está fazendo isso errado?! Quando Elliot saiu de mochilão, ele dormiu até em uma rede na rua na Índia. Ficar em hotel cinco estrelas na suíte não vale.
— Bom, eu já pedi um quarto emprestado no apartamento da minha irmã e vou descer pra Monte Carlo de carona — dei de ombros — acho que estou pegando o jeito.
— É, está sim — ela me cutucou com o cotovelo de brincadeira — Você está ok de eu ter convidado a Ana para o pique nique no final de semana?
— Sim, pelo menos não ficarei de vela quando seu namorado chegar — ela riu me batendo com um travesseiro — e eu terei companhia.
Quando eu disse a ultima frase Mia pareceu um cachorrinho em alerta porque saltou na cama me encarando com olhos brilhantes e um sorriso cheio de intensões. Revirei os olhos me ajeitando na cama para dormir já que não estava preparado para o furacão de perguntas Mia Grey.
— Boa noite, Mia — virei de lado de costas para ela e ela exclamou indignada tocando em meus braços para me virar de volta. Fiquei rígido mas perto de Mia consigo me controlar, essa bebê nunca me machucaria.
— Boa noite o caramba, Christian Grey — disse ela toda brava e eu só achava graça me segurando para não rir — você não pode falar algo assim, se virar e dormir. Você está interessado em uma garota? Desde quando? — ela pigarreou e eu revirei os olhos. Constrangedor. Eu sei que minha família acha que eu sou gay porque nunca apareci com uma garota em casa mas ninguém nunca disse nada e Mia falar assim em voz alta é mais constrangedor que eu imaginei que seria — Quer dizer, na Ana? Desde quando você conhece a Ana?
Contei para Mia toda a história, desde que nos conhecemos no aeroporto, a fotos de biquínis, as mensagens, omitindo a parte do flerte, e finalmente a viagem para Monte Carlo. A cada momento os olhinhos de Mia brilhavam de empolgação e ela se segurava para não falar nada enquanto eu estava contando sobre Ana e eu, mas quando eu contei sobre a viagem foi como uma bomba prestes a explodir e Mia surtou com um gritinho me abraçando toda empolgada.
— Mon Dieu. Nem acredito. Não é incrível? Elliot com Kate, Ethan comigo e você com Ana? — os olhos dela brilhavam de animação e eu não tinha como contar para minha pequena sonhadora que esse tipo de relação que ela tem com Ethan e Elliot com Kate, eu nunca teria com Ana e nem com ninguém. Ninguém merece ser manchado e muito menos uma mulher como Anastásia Steele.
— E o que vocês planejaram para a viagem de Monde Carlo? — Mia cruzou as pernas me olhando curiosa.
— Nada na verdade — ri — só vamos pegar um carro e ir até lá.
— Deixa comigo — Mia se levantou e andou de um lado para o outro com aquela cabecinha maluca raciocinando mil e uma possibilidades — têm tantos lugares para visitar, praias e cidadezinhas. Eu monto um roteiro que vocês vão amar e quem sabe — ela sorriu de canto — se aproximar.
— Certo, Mia, mas fale com Ana antes, ok?!
— Agora mesmo — ela tirou o celular do bolso do pijama.
— Agora não, Mia. Ela andou muito hoje e está tarde — ela fez um biquinho e soltou muxoxo mas concordou.
— E depois do que ela comeu deve estar com asia — Mia mordeu o lábio inferior pensativa.
— Você sugeriu que ela comece aquelas coisas fortes alemãs no jantar? — perguntei calmo mas por dentro estava fervilhando.
— Melhor que no café da manhã — disse Mia simplesmente e eu bufei.
Você está bem? Mia disse que você comeu coisa forte no jantar. Precisa de um remédio?
— CG
— Relaxa, Christian. Ela está bem. Eu vou dormir, ok?! Amanhã tenho curso cedo — ela se aproximou dando um beijinho no meu cabelo.
— Boa noite, pequena..
Voltei a deitar na cama esperando a resposta de Anastásia, talvez ela tenha dormido ou está passando mal no banheiro. Merda!
Estou bem, Christian. Tomei um remédio que me fará capotar daqui a pouco. E você está a milhares de quilômetros de distância, como traria o remédio?
— AS
Ah, baby... Você se surpreenderia com o que posso fazer mesmo a milhares de quilômetros de distância — pensei.
Poderia dar um jeito. Durma agora. Boa noite, Anastásia.
— CG
A resposta não veio mas eu já estava satisfeito porque ela estava bem e que em poucos dias finalmente nos veríamos.
*****
POV. Ana
Minha viagem para Paris seria tranquila e confortável, já estava cansada de pegar avião, é muito mais exaustivo e trem me pareceu uma ótima opção. São seis horas, sim, mas o assento é mais espaçoso e confortável, posso usar meu notebook além de ler belos romances nessas paisagens maravilhosas. Que, alias, é algo que eu pretendo fazer em Paris.
Peguei o trem do meio dia e chegaria na estação em Paris seis da tarde, Mia sabia que eu estava chegando e chegou até a oferecer que eu ficasse em seu apartamento, mas recusei. Paris é um dos lugares que mais desejei conhecer e faria as coisas do meu jeito, se eu posso ficar em um pitoresco hotel parisiense com uma bela vista da Torre Eiffel, então eu ficarei.
Christian e ela iriam passar a tarde juntos segundo a programação que fica fez para o irmão mais velho e não segurei a gargalhada quando recebi uma foto de uma Mia sorridente e um Christian muito sério com o fundo do castelo da princesa Cinderela, provavelmente eles estavam na Euro Disney, mas Christian não parecia tão animado assim ou ele não gostava de fotos. Bom, eu amo fotos, se ele não quiser sair nelas enquanto eu estiver com ele vai tirar todas.
Tenho uma máquina Polaroid, daquela que saem fotos instantâneas, e nessa viagem combinei que tiraria fotos nos lugares que mais me marcarem, já tirei em Londres e Berlim, chegando em casa montarei um lindo mural com todas elas porque, caso algo me deixe para baixo, será só olhar para ele e lembrar que a vida é linda ao redor do mundo.
O que me surpreendeu foi o delicioso restaurante que tinha no trem e tudo era preparado na hora. Imagino como deveria ser a cozinha e como todos preparam os pratos tão impecavelmente mesmo em movimento.
Acho que vou voltar gorda para casa ao final dessa viagem.
******
Chegar em Paris no final do dia foi uma das melhores escolhas que já fiz. De longe, é possível ver as luzes da cidade e ao longe a magnifica Torre Eiffel começando a ser iluminada. É uma imagem eu nunca vou esquecer, chega até a emocionar. Bato uma foto da primeira visão que tive de Paris e guardo com carinho.
A estação Gare du Nord é tão original como toda Paris com seu semblante de cidade antiga com grandes monumentos. Ao contrario do que pensei, não estou nem um pouco cansada e por mim exploraria Paris essa noite mesmo.
O hotel que meu pai escolheu para eu ficar foi melhor que eu imaginei que seria. Por mim ficaria em um hotel pequeno, aconchegante que me fizesse sentir em Paris, mas ele foi longe, Sr. Ray Steele reservou uma suíte no Lafaytte pra mim, simplesmente no coração de Paris. É um dos hotéis mais conhecidos da França e um dos edifícios mais altos com mais de cento e trinta e sete metros de altura. Quando parei em frente e desci do taxi estava deslumbrada com tamanha beleza e me senti como uma formiguinha ao olhar tudo aquilo. A rua era iluminada e movimentada e, se não me engano, fica a menos de um quilômetro dos maiores pontos históricos de Paris. Ok, esta está sendo a melhor parte da viagem até agora.
O quarto é tão luxuoso como o restante do hotel, tem uma banheira que com certeza caberia mais de duas pessoas e janelas do chão até o teto dando uma vista panorâmica de toda a cidade e a Torre Eiffel em seu maior esplendor. Tomei um banho rápido porque queria aproveitar mais dessa cidade maravilhosa. Subi até o ultimo andar do hotel onde tinha Paris aos meus pés e a Torre bem ao meu lado. Sorri emocionada e o garçom me olhou com um sorriso galanteador e por sorte ele falava inglês e eu pude pedir uma mesa próxima a janela e um champanhe. É um luxo que sabe-se quando poderei desfrutar novamente então quero aproveitar cada instante.
*****
De todos os dias que passei em Paris foram revigorantes para mim emocionalmente e fisicamente, meu pai até me ligou para saber se eu realmente usei meu cartão de crédito ou está com um tipo de fraude. Eu nunca acreditei em Kate quando disse que quando viesse para Paris eu iria me acabar em compras, já que uma coisa que não sou fã é de comprar roupas e experimentar muito menos, mas assim que entrei na rua da moda... Perdi a cabeça. É uma rua com as lojas das maiores marcas mundiais por preços acessíveis, alguns não, mas ainda sim é para deixar qualquer um maluco. Ontem eu fui, inclusive, na parada do orgulho gay e foi uma das experiências mais inusitadas que já tive mas que eu amei cada segundo.
Mas hoje é sábado, faltam duas horas para o horário marcado e estou com todas as roupas da minha mala jogadas pela cama e pelo chão fora as novas que eu comprei sem ter a mínima ideia do que vestir para esse encontro. Quer dizer, não sei se é um encontro, encontro duplo, ou só um encontro de amigos, não sei. Só sei que encontrei Christian em duas horas e nem sei o que falar. Tipo o que se fala pessoalmente quando você só fala com a pessoa por mensagem?! No máximo por uma ligação?! Eu não sei mas estou louca para descobrir.
Resolvi ir bem local com um shorts pano azul escuro de cintura alta, uma blusinha de linho com listras azuis e meia manga, um blazer e um sapato.
O parque que combinamos de ir é um ponto histórico, não é um parque natural realmente porque nasceu do cimento. É diferente de qualquer coisa vista em Paris com um toque mais romano, é bem alto e possui até cascata. Muito antigamente, quando as ruinas eram uma grande construção temida por todos, aconteciam o julgamento de inimigos do estado e era ali onde eles eram enformados e deixados. Após o fechamento do julgamento, tornou -se um local onde eram depositados os dejetos das casas parisienses e cavalos velhos e doentes. Dizia, antigamente, que era possível prever o tempo só com pa odores do local. É um começo nada agradável para o belo parque que se tornou agora. Houve inclusive escavações de gipsita no local o que, devido ao relevo, tornou-se perigoso e então fechado. Então tinham que fazer algo com o lugar e resolveram então criar um parque com belas trilhas, pontes, riachos artificiais e uma cascata de mais de trinta metros. Estou mais que curiosa para conhecer tudo.
Quando o taxi parou na entrada no parque, os três já me aguardavam no local. Ethan e Mia estavam abraçados e Christian ao celular e pela sua expressão resolvendo algo de extrema importância. Alguém precisa falar para ele relaxar um pouco.
Ajeitei a mochila nas costas e caminhei ao encontro deles e isso pareceu chamar a atenção dele. Tão másculo, imponente e misterioso que minhas bochechas corarem com aquele olhar avaliador de cima a baixo. Mordi o lábio inferior quando estava mais próximas deles sem saber o que dizer, foi até bom ter Mia para falar por todos e agradeci mentalmente quando ela se soltou de Ethan correndo na minha direção. Ela tinha traços mais femininos e menos infantis que da última vez que me lembro. Ela era linda, assim como todos os Grey.
— Ana, que saudades — ela me abraçou forte e eu retribui.
— Também senti — seguramos as mãos nos olhando e ela riu.
— Você está parecendo uma parisiense — ri alto dando de ombros.
— Me senti em casa aqui — confessei.
— Ah, sim — disse Mia como se fosse obvio — essa cidade é tão perfeita, tão dos sonhos que você quer se sentir em casa.
— Aninha — disse Ethan e eu corri para seus braços recebendo um abraço de urso. Juro que vi um olhar surpreso e repreendedor de Christian, mas deve ter sido impressão — você continua baixinha.
— E você continua crescendo — ri o abraçando mais forte ainda — como senti saudades, Ethan. Nunca mais suma, tá me ouvindo?!
— Tá certo, baixinha braba — zombou ele o que me fez rir.
— Deveria te apresentar, Christian, mas vocês ja se conhecem — disse Mia nos olhando magoada. Ops, ela deve ter descoberto.
— É, nos conhecemos — disse Christian — finalmente, Anastásia — ele sorriu quando me aproximei dele mas não sabia ao certo se deveria dar um abraço nele — como está?
— Aproveitando meus dias aqui, é tudo perfeito — ele se aproximou lentamente e eu também fui ao seu encontro. O abraço foi rápido mas suficiente para eu senti o aroma masculino de Christian misturado com uma fragrância cara fazendo uma combinação perfeitamente deliciosa — é bom ver você — sussurrei e lhe dei um beijo na bochecha.
Ele ficou sem reação por alguns instantes mas depois sorriu e lógico que Mia Grey soltou um gritinho de animação e me puxou para ela tagarelando para que eu contasse tudo a ela sobre minha viagem enquanto íamos para dentro do parque deixando os meninos para trás..
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