Notas iniciais
Voltei rapidinho hein c: Como vocês pediram o tão aguardado capítulo sobre o segredo de Ana. Obrigada pelos comentários do capítulo anterior. Você são incríveis. O capítulo têm traduções aleatórios da música The Heart Wants What It Wants da Selena Gomez. Leiam as notas finais.

O Mariners ganharam do Texas de lavada. Mandamos uma foto nossa para Kate em comemoração a vitória só sara receber, literalmente, uma ligação dela, da minha mãe e da dona Grace. Tipo, ao mesmo tempo. Só porque na foto eu estava só com a camiseta dos Mariners de Christian e ele estava sem camisa.

— Mãe, me escuta – as três estavam lá surtando – são cinco da manhã aqui, estamos exaustos e vamos pra Itália amanhã.

— Itália? – gritou Kate.

— Juntos? – disse Dona Grace animada, o que me fez rir.

— Sim, mãe, vamos juntos – respondeu Christian.

— Vocês estão namorando? – disseram as três ao mesmo tempo. Então os homens começaram a fazer perguntas enquanto Christian e eu nos encarávamos. Ele sorriu e eu dei de ombros. Era incrível como conseguimos nos comunicar até sem palavras.

— É mãe, estamos namorando – foi Christian quem disse e eu sorri.

— Meu deus, meu irmão não é gay. Tenho que ligar pra Mia – Christian revirou os olhos. Todos falavam tão ao mesmo tempo que eu nem conseguia distinguir quem falava o que. Sem falar que eu estava absorta por Christian ter dito a ele que estamos namorando. Mas acho que é isso mesmo que estamos fazendo certo?! Namorando.

Christian e eu precisávamos dormir mas prometemos que conversaríamos com eles logo que chegássemos na Itália.

— Eles estão surtando – comentei coçando os olhos de soninho.

— É, estão sim – Christian tirou sua calça jeans e a cueca branca, que eu achava extremamente sexy. Ele engatinhou na cama se deitando de bruços de um jeito despojado que me fez sorrir – você não vem?

— Eu só preciso trocar o absorvente, é rápido – entrei no banheiro rapidamente com a caixinha de absorvente na mão e sorri boba para o espelho.

Mas então me lembrei que, de certa forma, ele iria perceber que minha menstruação vem regularmente, o que não acontece com uma mulher que toma regularmente injeções. Se vamos fazer isso, para que isso dê certo, preciso contar a ele e então ele decidirá se quer continuar comigo ou não. Só espero que aceite porque eu estou me apaixonando perdidamente por ele.

Quando voltei pro quarto, usando apenas a camisa dele e nada mais, sem roupa intima, ele estava com um belo sorriso na cama virado de barriga para cima esperando por mim. Engatinhei em cima dele beijando sua barriga, não toquei em seu peito, mas beijei seu pescoço antes de me aconchegar em seu corpo.

— Você fica linda sem maquiagem e com carinha de sono – sussurrou antes de apagar a luz do abajour, suas mãos se infiltraram por dentro do meu camisão e ele se aconchegou para dormirmos.

*****

Enquanto eu arrumava as malas, Christian foi pedir para Taylor nos conseguir um hotel para ficarmos. O voo foi fácil de conseguir, mas foi por minha frescura que não queria passar quatro horas dentro de um carro. Quero mais é aproveitar mais meu tempo na bela cidade de Florence.

Brigamos mais uma vez por causa de dinheiro. Ele tinha comprado as passagens e mandado Taylor procurar o hotel para que eu não pagasse. E eu não gosto de depender de homem para pagar as coisas pra mim, não mais. Eu o fiz prometer que o próximo destino eu pagaria e espero que ele cumpra sua promessa.

O problema é que esta época do ano chove demais na Itália, ano passado houve diversas enchentes que desabrigaram muita gente e mataram muitas. E eu não gosto de chuva, nem um pouco.

A despedida de Elena foi a mais formal possível, ela pareceu triste quando dissemos que íamos embora, claro que não por mim. Christian disse que manteria contato e então fomos para o aeroporto.

Infelizmente eram onze e meia da noite quando pousamos depois de um voo turbulento devido ao mau tempo. Segurei na mão de Christian a maior parte da viagem, mas ele pareceu bem tranquilo ou só quis me passar segurança.

— O hotel é muito longe? – perguntei com receio enquanto estávamos na locadora de veículos.

— Uns quarenta e cinco minutos daqui – disse passando o braço na minha cintura – não se preocupe, eu sei dirigir bem na chuva e pegaremos um carro bem seguro.

Assenti mesmo com muito medo. Eu confiava em Christian como motorista mas não em outras pessoas. Em dias chuvosos assim, principalmente tão tarde, é muito perigoso cair na estrada. E não era o que Ana queria.

As coisas estavam se repetindo, como naquele dia, a chuva não parava, era difícil de enxergar e, psicologicamente, uma pontada ao pé da minha barriga se fez incomoda. Sussurrei mentalmente que tudo iria ficar bem.

— Prometo que não vamos demorar a chegar – Christian estava me olhando cauteloso e entrelaçou sua mão a minha rapidamente e voltou ao volante. Ele acelerou.

Minha respiração parou por alguns segundos quando vi um caminhão vindo na outra direção. Fechei meus olhos com força segurando na porta com medo.

— Ana, você está bem? — perguntou preocupado tentando me tocar mas eu me encolhi ainda mais contra a porta.

— Para, por favor, por favor – implorei

— Nós já estamos no meio do caminho, pequena. Já já chegaremos – ele acariciou meu cabelo tentando me acalmar mas eu balancei minha cabeça.

— Olha, tem um hotel ali – apontei para a placa – É na próxima saída.

— Ana – riu em deboche – nós estamos próximos do melhor e mais romântico hotel de Florença, você quer ficar em um hotelzinho a beira de estrada?

— É, Christian, eu quero ficar na porra de um hotelzinho a beira de estranha – gritei – agora se você não quiser me deixa aqui que eu fico sozinha.

Ele me olhou com aquele olhar furioso dominador, outro clarão na janela e eu me encolhi no banco sentindo o desconforto na barriga e nas costas. Chorei baixinho, pedindo para que ele parasse no hotel e parece que ele se tocou.

— Merda – disse virando bruscamente – o acidente de carro.

*****

O quarto do hotel era simples, tinha apenas uma cama de casal, cozinha integrada e banheiro, mas pra mim, um lugar nunca pareceu tão bom. Christian se desculpou diversas vezes por ter sido um idiota, palavras dele, não minhas, se tornou o maior protetor do mundo e não me deixou nem tomar banho sozinha, mas não me tocou. Agradeci por isso.

— Desculpe ter gritado com você – sussurrei enquanto escovava o cabelo – eu só... Não conseguiria ficar na estrada por muito tempo com essa chuva.

— Está tudo bem – ele me trouxe para seu colo, de frente para ele – eu que fui um idiota. Eu queria tanto que ficássemos juntos naquele hotel que... – ele respirou fundo.

— Christian – beijei seus lábios – está tudo bem – abaixei o olhar olhando para minhas mãos – você estava pensando em nós certo? Para termos um momento no hotel e eu vou adorar ir para lá amanhã e ficar na cama com você o dia inteiro. Mas eu preciso te contar uma coisa antes...

Ele me olhou atentamente com uma pitada de curiosidade no olhar. Então comecei a conta-lo sobre o que me lembro e o que me contaram da noite em que perdi meu bebê.

Pov. Narrador

Este é um conto de fadas moderno

Sem finais felizes

Anastásia estava mais que feliz naquela noite. A sala de jantar estava na penumbra, a iluminação era provida das velas da mesa que ela tinha preparado com muito carinho e dedicação. Eram sete e trinta da noite, hora que seu noivo costuma chegar da empresa, e como era aniversário de namoro, Ana tinha preparado algo especial. Com ajuda da sua governanta, trouxeram o colchão de casal para a sala, em cima do tapete fofo e de frente para a lareira. A morena arrumou tudo, como era um dia chuvoso daqueles que temos vontade de ficar na cama agarrado com quem amamos, Ana pegou um edredom gostoso na cor vermelha, travesseiros e deixou tudo pronto para a chegada dele. A tarde saiu com Kate, até o shopping, onde comprou uma linda e delicada camisola longa de tecido meio transparente que acomodaria bem ela e ao bebê. Sua bebê. Apesar da pressão alta, risco de deslocamento de placenta e repouso absoluto, ela não poderia estar mais feliz. Jack trabalhava na editora enquanto ela trabalhava de casa, ele pediu para Sra. Morena, governanta da casa dos Steele, cuidar dela durante esses meses já que ele precisa cuidar da empresa e Ana aceitou. Ela sempre aceita. Tudo que seu noivo diz pelo bem da família.

Desde que engravidou Jack anda distante, sexualmente falando, mas aquela noite Ana mudaria isso. E ela tinha se arrumado muito bem. A maquiagem leve, os cremes pelo corpo, a camisola... Ela estava linda.

20:00h — Ana tirou a comida da mesa porque já estava esfriando e Jack odeia comida requentada. Ela levou tudo para forno e colocou em modo aquecimento para que quando ele chegasse teria tudo perfeito.

21:00h — Ana sentou-se no sofá de frente para a porta e pegou o ultrassom que dizia o sexo do bebê. Menina! Jack iria ficar tão feliz. Ana ergueu sua camisola revelando a barriga e começou a acariciar pensando no tão feliz será quando a bebê nascer. Será a princesinha da família.

22:00h — Ana olhou para seu celular pela décima vez. Nenhuma ligação ou mensagem de Jack. Começou a se preocupar, ultimamente ele tem avisado quando precisa chegar tarde. E da ultima vez que ele não avisou, Ana teve a maior decepção de sua vida. Ela ligou para ele, mas sem resposta.

22:15h — Ana resolve usar o aplicativo de rastreamento que usamos quando perdemos um celular e, para sua surpresa, ele estava em um barzinho. Próximo ao motel que ela conhecia bem. Pensou em rastrear o celular da assistente pessoal de Jack também, mas não seria forte o suficiente. Não agora.

22:30 — As velas da mesa já estão derretidas, o jantar está frio, a lareira apagada e uma lagrima solitária escorre pela bochecha de Ana ao olhar a foto dela e do noivo tirada a três meses, ela estava com um sorriso lindo, de extrema felicidade de quando a doutora disse que sua bebê era muito manhosa, preguiçosa e reservada que não permitiu que olhassem o sexo dela e ela nem se mexeu durante o ultrassom.

23:00h — Ana estava vestida pronta para sair atrás de seu noivo. A cena que aconteceu dois meses atrás estava se repetindo. Ana entendeu, não contou a ninguém, entendeu que ela teve um começo difícil de gravidez, que não deu atenção ao noivo, e que ele precisou disso. Ele a fez entender que era normal um homem trair a esposa grávida, que a gravidez não era o conto de fadas que ela sonhava e ela aceitou. Aceitou porque sabia o tão difícil foi ficar viajando de lugares em lugares, vendo sua mãe trabalhar como podia até encontrar Ray, seu pai adotivo, e os três começarem uma família.

Anastásia queria que sua bebê tivesse uma família, uma casa, um quarto, roupinhas e brinquedos. Queria do bom e do melhor para ela. Queria que Jack fosse um pai tão bom e presente como Ray foi e ainda é pra ela. Mas como dizem, algumas pessoas não nasceram para ter filhos.

23:15h formou-se uma tempestade em Seattle, o que era comum nessa época do ano, Ana não gostava de dirigir em tempestades, principalmente tão nervosa como estava. Sentiu aquela dorzinha incomoda ao pé da barriga, acontecia quando ela ficava nervosa ou com pressão alta, Ana acariciou a barriga em uma tentativa de se acalmar e acalmar ao bebê. Vai ficar tudo bem, ela sussurrava baixinho, com lágrimas nos olhos, mas não tinha certeza.

23:25 — Ela chegou ao bar.

23:30 — Molhada, ela entrou no bar sob olhares confusos dos homens ali presentes. Avistou seu noivo sorridente perto da mesa de bilhar com um taco a mão vendo ela jogar. A mesma garota. A assiste pessoal dele.

Ele encarava a bunda dela, que estava curvada a mesa pensando em uma tacada. Os olhos azuis da garota arregalaram quando encontraram os tristes olhos de Anastásia, mas ela sorriu de canto, sorriu vitoriosa.

Jack também viu Ana mas não se abalou. Nem um pouco. Pareceu apenas cansado e frustrado. Ele apertou a mandíbula e Ana soube que ele estava bravo, mas ele não tinha o direito de estar. Ele estava com outra mulher.

— Vamos embora — disse simplesmente pegando Ana pelo cotovelo e a arrastando para fora do bar — foi imprudência da sua parte ter vindo aqui.

— Eu vim atrás de você — disse com voz embargada pelo choro — você não apareceu no nosso jantar de aniversário — olhou mais uma vez para a garota — Você disse que tinha sido só uma vez, Jack.

— Foi só uma vez. Essa seria a segunda — disse como se fosse algo normal — Qual é, Anastásia?! Você está grávida e ainda é de risco. Quando o bebê nascer você vai me prender a você, como sempre quis, então me deixa — ela não aguentou tamanha humilhação e deu um tapa no rosto dele, só não pensou que ele revidaria com outro tapa.

Ana colocou a mão no local que ficou quente na hora, olhou para o homem a sua frente e teve certeza que aquele não era o mesmo homem que ela tinha se apaixonado. Não, o homem que ela tinha se apaixonado queria crescer na vida junto com ela, queria uma família e uma casa. Isso foi antes do dinheiro. O dinheiro mudou Jack de uma forma que saiu do controle.

Há um milhão de motivos para eu te deixar

Mas o coração quer o que ele quer

As coisas com Anastásia tinham sido rápidas demais, para Jack. O namoro foi bom, muito bom, mas ele nunca pensou que se casaria e seria pai tão rápido. A editora estava no auge, o dinheiro entrava mais que ele imaginou e ele queria mais era aproveitar, não ficar em casa com esposa, fraudas, vômitos e choro. Ele não estava pronto para ser pai, não mesmo.

— Vamos embora – sussurrou sem encará-la. Apesar de tudo, Anastásia é e sempre foi especial para ele. Era uma mulher para casar, mas ele não estava pronto para isso agora. Ele queria festas, outras mulheres, carros caros e diversão. Ele jurou que seria alguém na vida depois da difícil infância que teve, jurou que teria tudo que sempre quis e agora que podia estava preso a ela e ao bebê.

23:50 – A dor no peito de Ana era a maior que já tinha sentido, nem quando descobriu a primeira vez ela se sentiu assim. A incomoda pontada ao pé da barriga a fazia respirar com dificuldade mas ela dizia mentalmente que tudo iria ficar bem enquanto acariciava sua barriga.

— Você pode voltar pra casa – sussurrou quando entraram no carro dela. O dele era um carro esporte, cabiam apenas duas pessoas, e era apertado, sua barriga ficava pressionada contra o painel. Ele era egoísta... Mas Ana não suportaria perdê-lo. Ela não seria tão forte... – Posso esquecer isso, mais uma vez, nós vamos ser uma família Jack. Você, eu e nossa filha.

— É uma menina? – perguntou ele surpreso do quanto aquilo tinha lhe alegrado. Olhou a barriga com receio antes de acariciar com carinho.

— É, você não pôde ir comigo – sussurrou Ana triste – estava trabalhando – disse com uma pontada de tristeza.

— Me desculpe – disse mas não aprecia sincero – você não entende, Anastásia. Sabe que tive uma infância difícil. Agora que tenho dinheiro, quero ser aquilo que sempre quis, mostrar para aqueles que pisaram um dia em mim quem eu sou agora.

— Esse não é o Jack que eu me apaixonei – disse olhando para a estrada.

00:00 – A chuva não dava trégua. A estrada era perigosa e a bebê estava se mexendo muito acabando com as costas de Ana. Era como se ela pressentisse o que iria acontecer.

00:05 – Ana sugeriu que eles ficassem na casa de seus pais, que não era muito longe dali, estava com medo depois que Jack derrapou com o carro em uma curva, mas não, ele era covarde demais para encarar os pais de Anastásia. Afinal, que explicação daria? Os dois estavam molhados, Ana estava com olhos vermelhos pelo choro e uma das bochechas levemente coradas devido ao seu tapa. Ele era covarde demais para isso. Disse a noiva que chegariam logo em casa, então acelerou.

00:10 – Um caminhão, com faróis apagados, vinha na contramão. Depois de dose horas trabalhadas, aquele pobre caminhoneiro estava exausto, com fome, só queria chegar em casa então não parou para descanso apropriado. Estava morrendo de saudades da sua esposa de seus dois filhos. E não imaginou que, de sua imprudência, acabaria dormindo ao volante e acertaria um carro em cheio.

00:13 – Jack tinha ultrapassado o limite de velocidade. Em uma tempestade dessa o freio fez o carro derrapar. Em meio ao desespero ele tentou desviar e virou o volante, mas só fez com que o carro capotasse e o caminhão acertou-os em cheio.

1:01 – Jack acordou com barulhos de sirene e uma estridente dor nas pernas e na cabeça. Estava perdido, desnorteado e ainda de ponta cabeça. Lembrou-se então do acidente e virou para ver Anastásia, preferiu não te—lo feio, estava toda ensanguentada, mas o que o fez ficar desesperado foi um pedaço de metal, das ferragens, estar passado ao pé de sua barriga. Ele gritou, chorando, desesperado por ajuda. Não queria morrer. Agora que sua vida estava entrando nos eixos, do jeito que ele sempre sonhou – dinheiro, carro, fama... — ele implorou pela vida.

*****

O trabalho da polícia e dos bombeiros foi difícil e trabalhoso. A equipe de resgate foi chamada e estavam alarmados sem poder fazer o seu trabalho para salvar aquela mulher grávida que estava presa nas ferragens porque tirá-la de lá estava sendo o maior desafio de suas vidas.

— Ela tem um pedaço de metal atravessado na barriga – disse o policial desesperado – precisamos removê-la imediatamente.

— Não podemos cortar o metal, não sabemos onde foi perfurado. Qualquer milímetro de movimento pode afetar útero e o bebê – o médico se aproximou com o aparelho auditivo e colocou na barriga de Anastásia na esperança de ouvir o bebê, mas nada.

— Ela precisa da injeção antitetânica – disse outro médico. Os bombeiros comemoraram a retirada de Jack que foi rapidamente levado para ambulância e encaminhado para o hospital.

— Não podemos – o primeiro médico ainda tentava ouvir qualquer sinal do bebê – temos que esperar.

— Não podemos, é a vida dela ou do bebê.

Graças a retirada de Jack as pernas de Ana ficaram livres, os médicos liberaram o corte do metal da barriga dela que foi feito com tanto cuidado e calma que o bombeiro, até hoje, diz que foi Deus quem guiou sua mão para fazer esse trabalho.

Com as mãos no coração, eu oro

Para que possa sair dessa viva!

*****

3:53

Ana foi levada as pressas ao hospital e encaminhada direto para a sala de cirurgia. Grace Travelyn Grey era a médica plantonista que reconheceu Anastásia e ligou imediatamente para seus pais que nem acreditaram o que estava acontecendo.

Os médicos tentariam uma cesariana emergência. São raros os casos de bebês prematuros de seis meses mas era possível, ele poderia sobreviver. Eles só tinham que fazer o trabalho rápido ou perderiam ambos.

4:30

A bebê nasceu sem vida e não havia como tentar reanima-la.

5:30

Ana entrou em estado de coma profundo, respirava com ajuda de aparelhos mas, felizmente, por um milagre, seu estado era estável.

6:00

A família Steele juntamente com Kate e Elliot lamentavam a morte do bebê de Anastásia e Jack. Pediram para que o hospital cuidasse do corpinho do feto porque ninguém ali estava em condições de preparar um enterro, não era algo que Ana iria querer também. Ter uma lápide fria para lhe lembrar de que seu bebê nasceu sem vida e também eles não faziam ideia do nome que ela iria escolher.

Uma semana depois Jack foi liberado para o hospital. Não quis ver Anastásia e quando soube que o bebê tinha morrido saiu correndo dali o mais rápido que pôde. Elliot mandou rastreá-lo e souberam que ele tinha viajado para Las Vegas e, segundo o detetive, estava em um Strip Club.

Quando Jack retornou, três semana depois, foi recepcionado por um belo soco na cara de Elliot e um chute na costela de Raymond. Sem falar nos xingamentos que foram de covarde para cima. Também nunca o permitiram visitar Ana, a surpresa foi maior quando ele disse que não pretendia visita-la de qualquer maneira.

Anastásia acordou dias depois desnorteada e confusa. Sua mão foi direto para sua barriga, não havia nada ali, e ela também não sentia seu bebê. A dor que sentiu quando sua mãe deu a notícia que o bebê não tinha conseguido foi maior que qualquer outra que já sentiu, a perda e o vazio pelo filho que ela nunca conheceu e nem segurou em seus braços. A dor foi insuportável, mas sua mãe sempre esteve ao seu lado, a apoiando, as duas faziam orações para a bebê que agora era seu anjo da guarda e então Ana encontrou paz em seu coração. Ela questionou sobre Jack diversas vezes mas sempre ouvia a mesma resposta de sua mãe: Ele está bem, só precisa de um tempo para si.

— Anastásia – Dr. Greene entrou no quarto aproveitando que ela estava sozinha – Preciso te dar uma notícia, algo que eu preferi não contar a sua mãe por ser muito particular e não cabia a mim dizer a ela e sim a você.

— O que é, doutora? Estou ficando preocupada – Ana sentou-se na cama. A enfeira passou para retirar os potinhos de leite materno que Ana estava doando para o hospital já que ela tinha muito e ficou feliz em ajudar tantos bebês que precisavam.

— Ana – assim que a enfermeira saiu, Dr. Greene sentou-se na cama – Você se lembra do acidente?

— Me lembro do carro capotando, apenas, e depois de acordar aqui.

— Você ficou presa nas ferragens. Uma barra de metal atravessou bem aqui – pontou para a barriga de Ana que entendeu porque dessa cicatriz ser bem maior que as outras – E atingiu seu útero.

— Por isso minha bebê morreu – concluiu a morena com lágrimas nos olhos mas Greene sorriu fraco.

— Do outro lado, uma fina cicatriz é da cesariana de emergência quando tentaram salvar seu bebê mas não é sobre isso que vim falar – uma das piores partes de ser médico é ter que dar noticias como morte e como esta que ela estava prestes a dizer – a barra perfurou seu útero Anastásia, tentamos, mas infelizmente, você se tornou estéril. Não poderá engravidar novamente.

— O quê? – disse ela num fio de voz. Greene também tinha lágrimas nos olhos.

— Seu útero se tornou frágil, a barra causou uma contusão feia. Suas chances de engravidar são praticamente nulas e, caso aconteça, o útero não conseguiria manter a gravidez e o feto seria eliminado naturalmente, como uma menstruação. O que seria um risco maior para você. Sinto muito, Ana.

Ana entrou em estado de choque por uma semana. Não falava, não comia e não saia da cama. Seus pais estranharam essa mudança dela, mas foi explicado como choque traumático devido ao acidente, porque Ana fez Greene jurar que não contaria sobre não poder ter filhos para seus pais. Depois do choque, veio a raiava, que a fez questionar sobre Deus, do porquê disse estar acontecendo com ela e, principalmente, culpou Jack por tudo. E então veio a dor tão grande quanto a da perda.

Eu sabia, estou esperando

Que depois dessa febre, eu sobreviva

*****

POV. Ana

— Ana, eu... Eu nem o que dizer – Christian me puxou para seus braços, seu carinho e aconchego e era tudo que eu precisava naquele momento – Sinto muito — ele me abraçou forte me trazendo segurança e proteção.

— Eu procurei por Jack e descobri que o seu luto foi ele comendo muitas mulheres, gastando dinheiro com carros, roupas e festas. Eu estava tão mal que eu disse que o queria de volta, depois de tudo, das traições, por ter me deixado sozinha no hotel, eu estava com medo e achava que ele era meu porto seguro – ri em deboche – eu não queria aquele olhar de pena por isso não contei a ninguém sobre as traições e nem sobre eu ser estéril – lembrar de tudo me causava ainda muita dor. Não por Jack, não mais. É por mim e por minha bebê — Sabe o que ele disse quando disse que eu o queria de volta? – Christian fez que não com a cabeça – ele disse que a única coisa que nos prendia era o bebê e agora ele não existia mais então nada mais nos prendia. Ele disse que viu a morte de perto e isso o fez acordar que ele precisava se divertir e fazer tudo que sempre quis e não se amarrar tão cedo porque a vida é muito curta e quanto menos se esperar ela pode acabar. Ele disse que me amava mas que não queria casar agora e a perda do bebê mostrou que nem eu e nem ele estávamos prontos realmente. Que eu fantasiei um conto fadas e que a vida não era bem assim. E eu entendi, de certa forma, o que ele queria dizer, eu tive meu jeito de aceitar tudo e ele o dele. Eu disse que o esperaria. Eu fui muito trouxa, Christian. Eu pensei que seria só uma fase e então o homem que eu me apaixonei viria me consolar, ficar comigo e passar o luto comigo mas a cada dia que passava menos ele se lembrava do bebê ou do nosso noivado e mais se tornava a pessoal fútil e mesquinha, que na verdade ele sempre foi, mas que eu preferi nunca enxergar. Eu me tranquei em casa e fiquei até o dia em que Kate e minha mãe me convenceram a viajar e então eu conheci você e eu pude ver coisas novas, lugares novos... eu pude ser eu mesma, não a garota perfeita que eu era perante a sociedade. E você – ri abaixando o olhar — você me faz feliz, de verdade, a cada dia que estamos juntos.

— Você também me faz feliz, Anastásia, não imagina o quanto – ele colou sua testa a minha em um gesto cúmplice – com você, eu pude ser feliz pela primeira vez na minha vida.

— Eu amadureci e muito com tudo que aconteceu. Não espero mais o príncipe encantado e olha que ele foi atrás de mim em Monte Carlo – Christian revirou os olhos e eu ri – Mas também não posso condenar um cara a ficar ao meu lado sabendo que eu nunca poderia dar a ele um herdeiro. Imagina só, uma princesa estéril. Daria uma ótima história – ri comigo mesma.

— Anastásia, você é minha princesa – ele colocou meu cabelo para trás – mas mentiu pra mim quanto as injeções.

— Eu não estava preparada para contar ainda. Estávamos em um bom momento e eu não queria estragar, não queria te perder – entrelacei sua mão a minha – ainda não quero. Eu visitei grupos de apoio e sei como é difícil uma mulher como eu ter relacionamentos.

— Ana, eu nunca quis ter um filho para falar a verdade — foi a vez dele de encarar o horizonte perdido em lembranças – o mundo é fodido demais, existem tantas crianças implorando por um lar, amor e carinho de pais. Porque eu colocaria uma criança em um mundo onde gastar dinheiro com guerra e violência é melhor que dar esse dinheiro a quem realmente precisa. Estamos em meio a tanta corrupção, tanta injustiça e desigualdade... – Christian sorriu nervoso – eu era uma dessas crianças pedindo por um lar, um prato de comida, assim como Mia e Elliot, nós tivemos a sorte de encontrar a Sra. Grace e o Sr. Carrick que nos adotaram – fiz carinho no seu cabelo e beijei sua bochecha, aquilo parecia doer tanto nele – ela é estéril também. E eu sei Ana, em um futuro, a criança for seu filho será a mais sortuda do mundo porque terá uma mãe como você.

— Ah, Christian – ele limpou as lágrimas que eu nem tinha percebi que tinha derramado. Tirei o pingente da chave do segredo da pulseira e coloquei em sua mão a fechando – É seu agora.

— Vou guardar com carinho — ele beijou minha mão e colocou o pingente em cima do criado mudo ao lado da cama onde colocou também minha pulseira com o pingente do Iate, não sei se propositalmente, ao lado da chave.

— Christian — comecei com receio, com tantas coisas para dizer. Eu queria dizer a ele a verdade, mas depois do que ele me disse dias atrás sobre não se apaixonar. Como dizer para ele que eu estou gostando dele. De verdade.

— Eu sei, Ana — sussurrou com um sorriso de orelha a orelha, como se tivesse entendido o que eu disse — Eu também...

Notas finais
E aí? O que vocês acharam do passado da Ana? Mereço muitos comentários e recomendação? Eu faço faculdade de engenharia, sim louca, e minhas aulas começaram. Vou tentar ao máximo continuar com o ritmo das postagem ok?