All Around The World
13 Capítulo 13
Notas iniciais
— Ana — ouvi de longe mas muito longe alguém me chamando — Anastásia, acorda.
Me espreguicei na cama virando de frente e forcei os olhos a abrirem porque havia muita claridade no quarto. Christian estava com moletom, camisa e tenis de corrida e, julgando pelo suor, deveria estar correndo. Mas esse homem não dorme nunca?!
— Que horas são? — perguntei coçando os olhos.
— Quase meio dia — respondeu sentando-se na cama ao meu lado — Você não tomou café da manhã e não vai perder o almoço.
— Argh — tampei meu rosto com o travesseiro — você quer me engordar?
— Não, Anastásia, não quero te engordar. Só não quero que você fique sem comer — ele puxou o travesseiro para baixo e curvou-se em cima de mim — Vamos, o dia está lindo e mal posso esperar para te ver de biquíni.
— Christian — gargalhei. Não sei como ele consegue falar essas tão normalmente.
— O que?! Eu fiquei curioso sobre a sua tatuagem — ele deu de ombros e eu ri balançando a cabeça.
— Só sobre a tatuagem? — perguntei mordendo o lábio inferior em seguida.
— Não me provoque, Anastásia — tirei o lençol de cima de mim e me levantei para ir ao banheiro.
— Não é minha intenção te provocar — me fingi de inocente e o peguei encarando descaradamente minhas pernas. Eu usava pijama curto azul devido ao calor, meu quarto estava fresquinho do ar condicionado e porque eu não consigo dormir descoberta — Christian, você poderia ser um pouco mais discreto.
— Poderia — ele deu de ombros — mas não quero.
Balancei a cabeça descrente me virando para ir ao banheiro.
— Eu sei pra onde você esta olhando agora — o olhei sobre o ombro e ele estava rindo.
*****
Christian e eu passamos o dia passeando por aquela cidade tão gostosa, deve ser maravilhoso e tranquilo de se viver aqui. As pessoas estão sempre sorrindo, sempre são tão gentis e amáveis que me deu vontade de nunca mais ir embora. São diversos bairros com casarões luxuosos, maravilhosas e gigantescas fontes e feiras artesanais que passamos a tarde toda andando por lá só olhando as belas obras pinturas e esculturas dos artistas. Christian acabou comorando algumas peças, não sei se por ter realmente gostado ou para ajudar, pediu para seu fiel escudeiro, Taylor, providenciar a entrega.
Nos despedimos daquele hotel maravilhoso no final da tarde onde viajaremos uma hora e meia até a famosa Saint Tropez.
Ainda não mostrei a Christian minha tatuagem, não por birra, mas por estar me preparando psicologicamente para contar o significado dela para mim. Aprendi a confiar em Christian assim como ele aprendeu a confiar em mim, mas sinto que ele ainda esconde as coisas de mim assim como eu ainda escondo muita coisa dele.
— Um doce pelos seus pensamentos — disse tocando em minha coxa nua devido ao shorts que eu usava.
— Estava pensando no tão boa foi nossa tarde — menti descaradamente e acho que fui convincente porque ele sorri de orelha a orelha.
— Eu também gostei. Aqui é tão diferente de Seattle que moraria numa boa — ele me olhou rapidamente para não se distrair já que estávamos por uma estrada um tanto perigosa.
— Você se acostumaria? — perguntei o olhando para analisar suas expressões. Ele tenta ser fechado mas em seu olhar consigo ver muita coisa. Os cinza as vezes são tão frios que me faz pensar o que o faz sofrer tanto. O que ele guarda para si. Do que ele tem tanto medo.
— Sim, acho que sim. Você não?
— Não sei na verdade — confessei olhando para o sol se por no horizonte infinito do mar pela janela do carro — a vida aqui parece perfeita demais para ser verdade. Não parece real.
— Mas você não quer algo assim? Sem dor, sem problemas? — Christian sussurrou encarando a estrada.
— Parece falso. Não quero uma falsa felicidade. Não quer ser de aparências — peguei sua mão e entrelacei a minha apoiando na minha coxa — vim nessa viagem para descobrir mais do mundo e o mundo real não é assim. Quero ir para África, Iraque, poder ajudar e entender mais da vida. Tem crianças que são realmente felizes e nem sabem se terão um prato de comida na hora do almoço.
— Eu não sei se estou preparado para ver essas coisas — confessou ele e eu entendi que apesar de tudo, Christian Grey não é feliz.
— Eu vou estar ao seu lado, ok, você não precisa fazer isso sozinho. Garanto que você ajudou demais essas instituições e muitas pessoas tem melhores condições graças a sua ajuda. Você é um homem incrível — beijei a costa da sua mão e ele sorriu. Adoro quando eu o faço sorrir.
— Obrigado, Ana — ele apertou minha mão seguro — então, preparada para Saint Tropez?
— Estou sim — respondi animada.
— Estava pensando em ousarmos um pouco — disse ele naquele tom safado que todo homem tem mas nele se torna o dobro — Mia alugou um chalé de dois quartos para ficarmos mas o que acha de alugarmos um barco?
— Um barco? Tipo, iate? — ri — isso não é ousar, é locura.
— E? — ele deu de ombros — não importa se é loucura ou não. O que importa é a diversão e a adrenalina. O que acha?
— Ok, eu topo
O sorriso de Christian alargou quando eu disse que topava sua ideia. Nunca pensei que passaria a noite em um iate e, pensando bem, até que sua idéia não é ruim.
*****
Saint Tropez é uma cidade pequena praiana queridinha das celebridades de todo mundo devido ao seu charme europeu misturado com características de uma cidade de praia. Christian ligou mais uma vez para que Taylor providenciasse a ele um iate para podermos passar a noite, eu estava super ansiosa para amanhã irmos para Monte Carlo e segundo, ele chegaríamos a noite para pegar a cidade em todo seu esplendor.
Christian disse que Taylor tinha conseguido e eu fiquei impressionado com o poder que o nome de Christian tem até em uma pequena cidade francesa. Christian dirigiu rapidamente pelo cais de iates, um mais bonito que o outro e um maior que o outro, seguindo as orientações de Taylor e eu não podia ficar mais impressionada com o Iate que Taylor tinha conseguido e pelo sorriso de Christian, ele tinha aprovado. A cada dia que passa tenho mais certeza que tudo com Christian é grandioso.
— Não é incrível? — Christian admirava o belo iate branco de dois andares a nossa frente com certo sorriso infantil e começou a falar palavras técnicas que eu apenas acenava sem entender alguma palavra do que ele dizia mas não iria estragar seu momento de felicidade. Homens e seus brinquedos.
— Então você também gosta de Iates... — afirmei entrando no cais com sua ajuda.
— É uma das minhas paixões — Christian entrelaçou sua mão a minha para podermos conhecer juntos aquele Iate maravilhoso. Nunca entrei em um e não sabia o tão espaçoso podia ser. Tinha sala, sala de jantar, quarto... Parecia realmente um apartamento impecável.
— Podemos andar de jet ski? — perguntei animada ao ver as motos aquáticas presas ao barco.
— Amanhã, claro que sim. Pensei em comprarmos jantar e sair em alto mar. O que acha? — Christian ne guiou novamente para a saída e caminhamos para as ruas iluminadas lotadas de pessoas conversando em barzinhos.
— E quem vai pilotar? — as mulheres daqui são realmente muito bonitas, imagina em Monte Carlo como deve ser e eu estava simples de rasteirinha, shorts curto jeans e uma blusinha básica listrada eu deixava a mostra pouco da minha barriga.
— Eu mesmo — Christian me olhou e eu o encarei.
— Tem algo que você não saiba fazer? — perguntei séria o que o fez rir.
— Sexo baunilha — sussurrou no pé do meu ouvido me arrepiando inteira.
Arqueei a sobrancelha sem saber o que responder, na verdade não tinha o que responder. Foi nosso acordo: Tentaríamos algo e eu ensinaria o baunilha e ele o BDSM. Talvez ele esteja esperando que eu dê a deixa para começar o acordo e pra falar bem a verdade eu estava muito curiosa para saber mais sobre sexo entre Dominador e submissa, mesmo que eu mãos seja tão submissa assim.
Saint Tropez estava muito atrás de nós, compramos um risoto funghi, comemos na mesa do iati e fomos para a frente do barco porque eu quis ver a lua que estava particularmente bonita aquela noite com suas luzes refletindo no oceano quando uma ideia maluca passou pela minha cabeça.
— Chris, vamos nadar? — perguntei subindo na grade do navio tentando medir o tão fundo seria o mar daquela distancia da praia.
— Agora? — perguntou ele segurando em minha cintura para que eu não caísse — você vai colocar um colete então.
— Você me segura — sorri me jogando em seu colo para descer — por favor.
— Ok — ele me colocou no chão e eu pareci uma criança feliz quando ele concordou comigo. Faz muito tempo que não entro no mar e senti saudade de sentir as ondas batendo em meu corpo. Tirei a camiseta revelando o sutiã azul que minha mãe comprou para mim e abaixei o shorts jogando o chinelinho para longe.
— Vamos? — perguntei olhando para fora novamente — o tão gelado deve estar a água?
— Não muito visto que bateu sol o dia todo. Mas certeza que quer entrar no mar a noite? — me virei para Christian e engoli seco com a imagem daquele homem apenas de shorts caído na cintura com o elástico da cueca de marca aparecendo, seu abdomen tinham poucos pelos mas o suficiente para deixa-lo sexy na medida certa e ele exalava masculinidade. Não costumo reparar mas até pés bonitos esse homem tem — É uma rosa — Afirmou ele olhando para minha tatuagem depois de encarar todo meu corpo com desejo. Deveria me sentir constrangida mas a muito tempo um homem não me olhava assim e a sensação de ser desejada é muito boa — é muito bonita — ele se aproximou tocando-a com a ponta dos dedos — ficou sexy em você. O que significa?
Sorri me livrando de seus braços e pulei na água mas antes ouvi-lo gritar meu nome e pular atrás de mim. Se seus hobbies são iates e vinhos, os meus são livros e irritar Christian Grey.
— O que você faria comigo se eu fosse sua submissa? Acabei de te desobedecer? — disse antes que ele me desse uma bronca me mantendo na superfície pelas mãos e pés.
— Pra começar te daria umas palmadas — ri alto mas ele não desmonstrou nenhum traço que estava de brincadeira, o que me fez parar de rir na hora.
— Desculpa — sussurrei envergonhada, não imaginava que em uma relação entre adultos envolvia dar palmadas por desobediência, mas tem gosto para tudo.
— O que a tatuagem significa? — perguntou sério passando os braços pelo meu quadril para me trazer para mais perto. Enlacei sua cintura com minhas pernas, arfei ao sentir seu membro tão perto da minha feminilidade e pelo contato dos nossos corpos.
— Uma roseira com espinhos significa que o amor é bonito mas exige muitos sacrifícios. Toda maravilha do amor não existe sem o sofrimento.
Christian ficou me analisando por um bom tempo, acho que tentando entender o que significava na minha vida apesar de ser óbvio. Não queria estragar o momento e nem o clima que se instalou entre nós porque pela primeira vez em muito tempo eu me sentia bem, comigo mesma, feliz e pronta para seguir em frente.
— Quero você, Christian — sussurrei antes de começar o beijo que mudaria completamente minha vida.
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