All About You
1 Capítulo 1 - New Directions
Notas iniciais
Fanatismo, do francês "fanatisme", é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema. Enfim, acho que isso pode ser considerada uma breve explicação dos gritos histéricos e aloprados que quase me ensurdeciam neste exato momento. Mesmo depois de quatro anos, não conseguia me acostumar com esse assédio todo. Era fora do normal, incomum e chegava a dar medo, ás vezes. Mas espera, não sou eu o motivo o qual adolescentes agitadas se descabelavam, ainda não. Os motivos? Puck Berry, Sam Evans, Artie Abrams e Finn Hudson. Os queridinhos da América, os ídolos teens das menininhas e nada mais e nada menos que meus melhores amigos de infância. Menos a peste do Puck, que tenho a felicidade (ou infelicidade) de chamar de irmão. Era acostumadaa ser a Rachel Berry, a garota comum da sociedade americana, e hoje conhecida como Rachel, a irmã do Puck Berry. É, isso às vezes é uma chatice. A história começou quando quatro moleques resolveram seguir o sonho do mundo musical e quase enlouquecer seus pais com suas ideias e vontades. Ainda lembro minha mãe deixando Noah (leia-se Puck) de castigo no auge dos seus 16 anos quando o mesmo fugiu para tocar em um pub da cidade. Ninguém nunca imaginou que existia um talento a ser descoberto, tratavam como uma brincadeira. E onde entro nessa historia? Posso afirmar com toda certeza que sou a fã numero um do New Directions, aliás, fui a primeira. Foram horas e horas enfurnada dentro de uma garagem ouvindo, julgando e até me arriscando em algumas composições. E chegou o grande dia, o dia em que tudo mudou. Will Schuester, famoso empresário do ramo musical, pareceu gostar dos garotos e a tão esperada chance estava ali. Dois meses e eles estouraram no país, eram álbuns, revistas, turnê, fãs e ufa...uma correria sem fim. Às vezes queria que fosse tudo como antes, as brincadeiras, as risadas, a nossa turminha. O tempo se tornou curto e ausência deles se tornou constante. O que poderia esperar também, eles já são adultos, no auge dos seus 24 anos.. Eu e o pessoal não passamos de adolescentes em crise, é claro que a idade pesaria algum dia. Ou não? Enfim, hoje era a gravação do quarto DVD dos garotos, então da pra imaginar a bagunça toda. É família, fãs, amigos e...namoradas. Respirei fundo lembrando do ultimo item citado, que droga. Ela estaria aqui, abraçando, beijando e torcendo por ele. Quinn é uma garota legal, meiga, muito bonita e namorada do cara que eu sou apaixonada desde que me entendo por gente. Seria cômico se não fosse trágico. Era difícil olhar para os dois e fingir que adorava essa ideia. Acho que o curso de teatro foi de bom uso, porque no fundo meu coração doía, mas o sorriso estava firme e forte. Finn e eu tivemos uma história, mas isso eu deixo pra contar em outro momento ou nunca, whatever. Não é por não ser importante, só não me faz bem ter certas recordações, principalmente quando os pombinhos resolvem externar romance na minha frente.
“Que horas vai começar essa bagaceira? Quero ir para after party logo!” – esbravejou Santana, minha melhor amiga, confidente e quase irmã. Louca é pouco.
“Obrigado Santana, por nos prestigiar nesse dia tão importante pra nós!” – ironizou Sam.
“Sou sincera mesmo, e daí?” – respondeu com desdém. E assim mais alguns minutos se passaram. Sam e Santana debatendo como sempre, Puck fazendo seus mil e um rituais antes do show. Artie conversava comigo, porém eu só sorria e concordava, enquanto observava Finn e Quinn aos chamegos, isso era tortura. Acho que devo ser aspirante a masoquista.
“Cinco minutos meninos, já é bom irem se preparando!” – informou o assistente de Will aos garotos pela fresta da porta – “Olá Rachel, você está linda hoje!” – disse nada discreto e logo foi embora. Não era a primeira vez que Brody mostrava interesse, mas não faz meu tipo, ele não é o....ah, esquece.
“Qual é a desse cara, perdeu a noção do perigo? Onde se viu xavecar minha irmã na minha frente? Se eu pego esse jumento com graça de novo, faço estrago naquela cara de “mamãe sou viado!” – disse Puck furioso. Sim, tenho um irmão ciumento nível hard.
“Super apoio dude, cara mais idiota!” – completou Finn trocando um high-five com Puck em seguida. Ciúmes Hudson? Não, não, lógico que não. Será? Não, óbvio que não. Ele tá com a namorada dele, só deve ser um apoio moral ao melhor amigo, apenas.
“Hora do sonho virar realidade mais uma vez, caras. Bora fazer a festa!” – disse Sam animado. Como de costume abracei meu irmão desejando boa sorte, apesar de ser todo marrento, dizia que eu era seu amuleto de boas energias. Artie aproveitou e tirou uma casquinha deste “boa sorte”, assim como Sam e...Finn.
“Boa sorte Finny!” – desejei sorridente, com o coração em mil pedacinhos. Ele apenas sorriu e me abraçou, fui pega de surpresa.
“Obrigado pequena!” – respondeu sincero. Será que ele não se tocou do que disse?
“Acho que todo casal tem um apelido mais intimo, Rach” – disse Finn, após minhas inúmeras duvidas sobre o casal do filme que víamos.
“E porque nós não temos? Ou não somos um casal?” – perguntei confusa. Ele riu da minha afobação e emburrei na hora.
“Hey bicuda, claro que nós somos! E..eu realmente não sei porque não temos. Mas eu te chamo de Rach, acho isso bonitinho!” – respondeu.
“Não, todo mundo me chama de Rach! Tem que ser um apelido exclusivo, só nosso!” – debati e comecei a pensar em inúmeros apelidos.
“Você é minha pequena e eu o seu gordinho, não é assim que a gente se chama? – perguntou e eu apenas concordei – “Então, acho que temos nosso ‘apelido exclusivo’” – afirmei sorrindo, aprovando a ideia – “Agora vem cá me dar um beijo que eu tô louco de saudade de você!” – sugeriu e não hesitei – “Minha pequena linda, te amo”.
“RACHEL?” – ouvi os gritos estridentes de Santana – “Você tá surda cacete?” – esbravejou.
“Tava só pensando na música que vamos tocar nas Regionais” – menti.
“Depois você vê isso Hobbit, vamos logo que esse show vai começar. E quanto mais rápido começar, mais rápido tem after party”. – disse sincera. Minha amiga é tão direta.
“Não fala assim Sant, até parece que você não gosta de ver Sam cantando a música de vocês!" — provoquei-a. Lógico que ela gostava, tentava disfarçar, mas quando aquele bocudo cantava Hey Soul Sister, minha amiga latina se acabava de chorar.
"Não gosto, odeio! E falando nisso, da proxima vez disfarce melhor o ciumes pelo bonecão de posto, só um cego pra não perceber" — disso jogando o assunto pra mim. Santana Lopez sabia ser má, às vezes. Na verdade, quase sempre.
"Não existe ciumes nenhum! E você não tava toda com pressa? Vamos logo!" — desconversei pra evitar o assunto, ela percebeu.
"Sei bem! Vamonos chiiiiiiica!!" — disse já animada.
Saimos do camarim com Tina, Blaine e Kurt, todos falantes e não paravam de ir. Efeito dos vinhos que tomaram no camarim, certeza. E porque não estava na mesma vibe que eles? Será porque acabei de ver Finn e Quinn se beijando? É, hoje a noite seria ótima, só que de jeito nenhum.
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