Notas iniciais
One shot antiga, mas que só agora estou postando, espero que gostem.

Estávamos vendo um filme de terror. Não sei exatamente qual. Na realidade, não era o filme que prendia a minha atenção, então pouco me importava o nome ou o assunto. O importante era que ela estava ali.

Eu estava sozinha em casa, lia um dos meus livros sobre Sherlock Holmes, quando meu celular trocou. Pensei que fosse minha mãe, pela milésima vez desde que cheguei em casa, mas, assim que escutei a dor e o choro na voz do outro lado, senti meu coração apertar contra meu peito.

E foi assim que ela veio parar aqui, aos prantos, diga-se de passagem, por causa do término de seu namoro com Peter. Devo confessar que uma parte minha, a minha parte egoísta, mesmo que fosse mínima, chegou a ficar contente com a situação, contudo, ao ver a expressão no rosto da menina, eu senti a dor dela e a alegria logo se esvaiu por completo.

Demorou um pouco, mas consegui acalma-la. Agora ela estava encolhida ao meu lado, agarrada à uma almofada. Era impossível esconder um sorriso com a cena, principalmente quando ela se assustava.

Suspirei, olhando a televisão pela primeira vez desde que o filme começara. Menos que um minuto depois, mais um susto lhe foi dado. Ouvi o grito abafado dela e, logo em seguida, seus braços apertaram minha cintura e seu rosto era pressionado contra meu pescoço.

Passei meus braços pelas suas constas, soltando uma risada abafada enquanto lhe dou um beijo no topo da cabeça.

__Não tem graça. –Sua voz era abafada pelo meu pescoço, mas eu sabia que ela estava fazendo bico. Desliguei a televisão e a afastei um pouco, de modo que nos encarávamos.

Perdi os sentidos por alguns momentos, perdida na imensidão azul que eram os olhos dela, ainda que molhados e avermelhados por causa do choro. Prendi uma mecha do seu cabelo castanho, que teimosamente lhe caia sobre o rosto. Deixei minha mão pairar em sua bochecha, tocando-lhe de leve, sentindo a quentura que o contato de nossas pelas me proporciona. Ela fechou os olhos, pressionando seu rosto contra a palma de minha mão.

Não sei bem de onde a coragem veio, mas ela veio. Uma onda de coragem tomou conta de meu corpo. Eu não sabia por que me sentia assim, mas eu sabia que era muito forte para ser impedido ou ignorado.

Levantei-me do sofá, ligando o som e voltando em seguida. Parei em pé, de frente para ela, que me olhava confusa. A música tocava baixo ao fundo. Respirei fundo, sorria nervosamente, talvez mais parecesse uma careta, e lhe estendi uma mão. Ela corou de leve.

__Eu não danço. –Seus olhos eram presos aos meus.

__Eu ensino. –Não sei se ela notou a suplica que minha voz era, mas ela tocou minha mão com a sua. Novamente uma onda de eletricidade percorreu todo nosso corpo.

Ela era mais baixa do que eu. Ficamos de pé, nos encarando, até que eu a puxei pela cintura, a levantando um pouco, de modo que ela colocasse seus pés sobre os meus. Ela passou os braços pelos meus ombros, deitando sua cabeça contra meu pescoço. Tinha que me concentrar para manter-me atenta, mas era quase impossível com a respiração quente dela contra meu pescoço.

Ela mexia a cabeça no ritmo da musica, de modo que a ponta de seu nariz roçava de leve meu pescoço, fazendo meu corpo todo se arrepiar. Abracei-a ainda mais forte, fazendo com que nossos corpos ficassem ainda mais juntos. Escutei o gemido baixo da menina, que arranhou de leve minha nuca, enquanto depositava um beijo demorado em meu pescoço.

Fechei os olhos, minha respiração pesada, meu coração acelerado, assim como o dela também estava. Ela se afastou, descendo dos meus pés, mas mantendo suas mãos em minha nuca, ainda traçando formas irregulares contra minha pele. Ela tinha o olhar terno, um sorriso carinhoso nos lábios.

__Por que você demorou tanto tempo para isso? –Sua voz era rouca, um sussurro quase. Eu queria responder, mas não sabia como achar minha voz. Seus olhos brilhavam maliciosos e seu sorriso o acompanhava.

Engoli em seco, meus olhos presos aos lábios da menina. Ela passou a língua por eles, os deixando molhados e ainda mais convidativos. Foi nesse momento que meu autocontrole sumiu.

Assim que nossos lábios se tocaram, nossos corpos tremeram, e ambas soltaram um suspiro baixo, como se ambas ansiávamos por aquilo. Eu apertava sua cintura e ela brincava com meus cabelos, nos puxávamos ainda mais para perto uma da outra. Nossas respirações ofegantes se fundiam, assim como nossos corações batiam no mesmo ritmo.

A musica fora a muito esquecida, o ambiente estava em total silencio, exceto pelo som dos nossos gemidos. Aquele era nosso momento, éramos só nós duas e mais ninguém. Não importava mais nada, pelo menos por hora.

E eu farei de tudo para que momentos como aquele se repetissem. Farei de tudo para sermos só nós para sempre. Para sermos uma. Naquele momento, e espero que em muitos outros, era tudo, absolutamente tudo, sobre a gente, e só a gente.

Notas finais
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