All About Us

1 Performance?


A tarde já estava quase no fim, o que de fato era um certo alívio. Todos os membros do clube já estavam exaustos, pois o dia havia sido realmente tumultuado. O número de clientes vem aumentando conforme os dias se passam, logo o trabalho dos garotos é mais puxado. Enquanto isso, os gêmeos divertiam-se com outras duas garotas, fazendo o que faziam de melhor: brincadeiras.

Diversas vezes, não eram apenas as clientes que se distraiam com a animação dos ruivos. Os hosts às vezes se flagravam observando os rapazes, mesmo que com o canto dos olhos. Era divertido ver como eles traziam alegria para as mulheres sem muitos esforços, realizando apenas o que gostam.

De todo modo, não era novidade para ninguém que aqueles dois eram muito próximos e nunca se separariam por nada. E até perceberam que, talvez, os Hitachiin estavam agindo de um modo um pouco mais íntimo no decorrer dos tempos. Quando Haruhi se uniu ao Clube dos Anfitriões, eles se abriram mais para o mundo, e consequentemente para si mesmos. Agora, pareciam se conhecer muito mais do que antes. Honey-senpai já havia cogitado a hipótese de que eles estavam mesmo praticando o incesto, mas tal ideia foi descartada logo em seguida pelos outros.

- Eles são próximos, mas acho que não chega a tanto. Não é como se tivéssemos algo contra, mas pelo menos podemos afirmar que eles não se amam nesse ponto. — Concluiu Kyouya, ajeitando os óculos na altura dos olhos. O tom permanecia sendo o mesmo; frio e áspero, sem transparecer emoções. Mas foi o suficiente para que eles entendessem e não duvidassem mais nada.

Mas provavelmente, estavam bem enganados. Hikaru e Kaoru não se afastavam fazia muito tempo. Conversavam bem mais sobre coisas desnecessárias e, ao mesmo tempo, pareciam mais felizes. Então mesmo se a hipótese do pequeno fosse verídica, eles realmente não se importariam. Desde que os gêmeos estivessem felizes, os seus amigos também estariam.

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Quando o trabalho dos hosts acabou, todos seguiram o caminho para suas legítimas casas. Com os Hitachiin, não havia sido diferente; tinha uma limusine aguardando os dois na frente do colégio já fazia um tempo. Ambos entraram ao mesmo tempo, fechando as portas e abandonando o Ouran em questão de minutos.

Os ruivos trocavam olhares rápidos e falavam sobre o dia. Foi divertido, afinal, e merecia ser comentado pelo menos um pouco. O assunto continuou por todo o caminho, tirando deles diversos sorrisos e risadas. Estavam mais alegres do que nunca... E não negariam que, no fundo, amavam um ao outro acima das expectativas. Mas era algo tão estranho de se pensar que eles mantinham aquele sentimento escondido na presença dos outros.

Logo, o carro parou, mostrando que eles já haviam chegado em casa. Abriram as portas e desceram, correndo por toda a mansão até chegarem no quarto. As empregadas ofereceram algo para eles comerem, mas ambos negaram e elas saíram sem mais delongas. Sentaram-se na ponta da cama com as mãos dadas, ainda sem ousar desviar o olhar para outro lugar.

- Eu estou exausto... — Comentou o mais novo, deitando sua cabeça no ombro do outro. Os cabelos ruivos de Kaoru foram afagados no mesmo momento por Hikaru. — Obrigado. — Agradeceu em um tom baixo.

- Também estou. — Sorriu levemente, sem parar o que estava fazendo. Virou um pouco o rosto para poder fitar o irmão diretamente. Porém, agora estavam numa proximidade um tanto perigosa. Tentaram não se importar, pois costumavam fazer isso no clube... Apenas no clube. Em casa, era a primeira vez. E Hikaru estava realmente gostando de imaginar que poderia fazer aquelas coisas com seu irmão de um modo que não fosse apenas uma mera farsa. Amava-o mais do que qualquer coisa, pois ele era o único em sua vida... Não,ele era sua vida. A única coisa que deveria proteger e amar acima de tudo.

- Então, o que faremos agora? — Kaoru questionou, tentando afastar aquele clima um pouco tenso entre os dois. Tirou sua cabeça do ombro do mais velho e pousou sua mão acima da dele. Hikaru segurou a mesma, puxando-a levemente para aproximar-se do outro, que corou no mesmo momento. — H-Hika-chan? O que você está fazendo? Estamos em casa...

- Eu sei. — Cortou, encaixando-o em seu colo. Então, levou a mão livre até a nuca do mesmo, puxando-o para ainda mais perto. Nem ele sabia o que estava fazendo, afinal. Talvez só desejasse o irmão por todo esse tempo e ainda não sabia.

Kaoru engoliu seco, sentindo seu corpo tremer. Também queria, mas... Céus, foi tão inesperado! Ele deveria saber que Hikaru era meio inusitado e fazia algumas coisas sem nenhum motivo aparente, mas dessa vez, havia sido de surpresa. Nunca havia parado para pensar que aquele sentimento podia ser mais que um simples amor fraternal, então estava espantado com o rumo que o momento estava adquirindo.

Seus pensamentos foram interrompidos quando os lábios macios do irmão gêmeo capturaram os seus. De início, aquilo havia sido apenas um gentil roçar de lábios. Porém, conforme percebiam que precisavam ainda mais daquele carinho, decidiram intensificar o ato. Os movimentos agora eram mais acelerados, mas não deixavam de ser delicados. A língua de Hikaru invadiu calmamente a boca de Kaoru, entrando em contato com a do outro e iniciando uma batalha. E assim permaneceram por um tempo, unidos, concentrando-se apenas no que faziam.

Depois de alguns minutos, separaram-se com os rostos ruborizados. Havia sido maravilhoso, mas nenhum dos dois conseguia falar nada. O que era engraçado, pois eram eles quem não costumavam calar a boca em nenhuma hora do dia. Hikaru sorriu novamente com tal pensamento, passando a mão na bochecha direita do mais novo. O outro retribuiu o sorriso, dando-lhe um selinho tímido logo em seguida. E se alguém perguntassem o motivo de terem feito aquilo, eles não saberiam responder, pois talvez não fossem o amor que esperavam sentir. Afinal, existem tantas formas de amar alguém, como saberiam qual é a certa? Era tão confuso que preferiam nem pensar.

Kaoru abandonou o colo do mais velho, engatinhando até o lado esquerdo da cama e deitando-se. Hikaru o seguiu, como sempre fazia. Não importava a situação, eles sempre ficavam juntos e próximos um do outro, e nada em sua volta era interessante quando isso acontecia. Deram as mãos e, em um sussurro, o mais velho disse:

- Eu te amo.

Mais um sorriso da parte de Kaoru. Ele era correspondido.

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