Notas iniciais
oiii tomei coraaagem vou continuar certo? gostei do rewiew pelo menos vcs continuam empurrando esta doida aqui pra escrever

Respiração ofegante, meu coração pulsa, louco de dor. Ela preenche cada espacinho da minha alma, embolorando minha mente e fazendo meus membros latejarem como se estivessem sendo queimados a fogo. Gemidos involuntários arranham minha garganta, estridentes como gritos e frios como uma simples respiração. Eu estava queimando por dentro. Retorci-me na cama devagar, tentando afastar tudo com uma simples troca de posição, como eu estava enganada. Agora se tudo já estava ruim, ficou péssimo. Era como se garras arranhassem cada centímetro da minha pele e ruídos tomavam conta dos meus ouvidos. Mas eu não estava me debatendo por conta deles, as garras agora tinham o efeito pulsante em minha epiderme, causando arrepios de prazer, os ruídos se transformavam em cantos, recitados em uma língua antiga e misteriosa. Parei de me mexer. Do nada, simplesmente não era necessário nenhum movimento mais, eu poderia ficar ali por horas ou quem sabe até dias.

Mas como tudo o que é bom tem que durar até ficar insuportável na minha vida, o prazer foi ficando mais intenso. Intenso até demais para um orgasmo. Meu corpo tremia e eu segurava as bordas da cama, quanto mais eu queria que parasse mais forte ficava. Eu não conseguia respirar mais, todo o meu diafragma estava contraído e eu arfava para poder continuar respirando. Não agüentei, minhas pálpebras ficaram pesadas demais e minha energia estava sumindo, eu não agüentava nem mais tentar viver.

A escuridão marcou minha visão e iniciou meu sonho. Tudo era negro, como um céu sem estrelas, mas eu conseguia sentir tudo se mover ao meu redor, como tinta preta jogada em papel preto. Os mesmos sons agora recitavam algo doce para meus ouvidos, como se quisessem me dizer algo. Olhei para baixo e vi grama, não sei como consegui me assustar com os feitos da minha imaginação, eu simplesmente o fiz e cai sentada, num súbito soluço de espanto. O céu, antes negro, agora se iluminava,revelando nuvens brancas e fofas, como se ainda fosse verão. Apoiei-me de cotovelos e agora conseguia sentir a leve brisa no meu rosto, sussurando-me as mesmas doces palavras que eu não conseguia decifrar. Respirei mais um pouco e o cheiro de terra molhada veio, no começo estranhei mas depois passei a entender. Tinha um riacho ao meu lado. Abri levemente os olhos para encarar-me. Eu deveria estar horrorosa, totalmente manchada de terra e ridícula; ah e meu avental laranja deveria estar bastante amassado e me daria um trabalho desgraçado para limpar. Mas nada disso estava na minha imagem.

O que eu via não era nada parecido com minha realidade, mas de certa forma ainda era eu. Eu sabia da minha descendência Cherokee, no entanto ela nunca foi tão evidente assim. Meus negros cachos agora estavam assentados, como se penteados agora e meu rosto estava sublime, com meu nariz arredondado e maças pronunciadas, davam contraste a minha pele estranhamente branca para uma descendente Cherokee e meus olhos azuis tão gelados quanto a própria neve. Eu nunca lera muito sobre o antigo povo do qual descendo mas sei que eu estava vestida como uma guerreira, com um leve mas forte top de couro, conchas e adornos legais envolvendo toda a minha vestimenta, uma saia feita de um tecido leve e uma igualmente grossa calça que era bastante apertada na cintura, mas totalmente solta de lá para baixo; totalmente perfeita para lutar. Sapatos feitos de algo que eu realmente não conhecia, eram brancos e por fora eram duros como ossos, contanto por dentro eram confortáveis como algodão, dando a impressão de eu estar descalça. Na minha cabeça estava uma tiara linda, como uma perfeita coroa que eu sabia que eram dadas somente as mais fiéis e melhores guerreiras e guerreiros da tribo. Era totalmente incomum uma mulher se tornar guerreira, entretudo diz à tradição que quando a deusa dá o dom da luta para uma mulher, esta será mais forte que qualquer homem ou espírito, na espada e no combate corporal e que feitiços jamais a machucarão nem jamais poderiam ser feitos por ela. O que só pode matar pela luta, só morre pela luta.

Ainda havia um pequeno detalhe que eu não havia reparado. Uma lua cheia preenchida com pequenos laços adornados de traços e runas estavam sob toda a minha face, como se eu fosse finalmente uma vampira adulta guerreira, o que nunca aconteceu antes. Oh Deusa o que fiz para não merecer tal presente? Sei que não sou a mais importante das seguidoras, ou a mais poderosa, nem a mais sábia; no entanto se você me desse uma chance, eu estaria disposta a tudo para me tornar uma vampira adulta. Absolutamente tudo.

Tem certeza Meredith?Quer isso com todo o seu coração?

O choque foi absoluto, eu não esperava uma resposta, mas gritei em direção ao vento, que ainda brincava levemente com meus cabelos, trazendo os sussurros que quase me impediram de escutar a voz( que sei lá como) eu identifiquei sendo da deusa Nyx, a qual sigo com todo meu coração e venho pedido todos esse anos à fio que me transforme.

- Sim Deusa, eu venho pedido isso por anos e é o que quero.

Diante de mim o ar reluziu, dando espaço a imagem de uma mulher, que parecia feita apenas de luz, mas que me era tão real quanto o simples fato de eu viver.Lágrimas agora estavam a borda dos meus olhos, descendo levemente por minhas bochechas e morrendo em minha boca, que eu não conseguia abrir para nada. Finalmente a Deusa Nyx havia me escutado, oh que os elementos me ajudem a convencê-la.

-Se assim quer, assim será minha filha. Terás minha benção e a dos antigos espíritos do seu sábio povo. Mas eu gostaria de pedir-lhe um favor. — Ela tocou meu rosto.

-O que quiser. Eu faço Deusa.

-Serás diferente de todos Meredith, e a farei uma guerreira. Você sabe o que isso quer dizer certo?- Acenei com a cabeça afirmando. – Lhe mandarei uma protegida, ela se chama Zoey e ela será marcada daqui a dois dias, ajude-a e a guarde minha filha. Perigos virão e temo que grande parte deles envolva você, não lhe peço para renegar sua origem, mas gostaria que não desse ouvidos aos sussurros da noite por mais agradáveis que pareçam. Daqui a alguns meses coisas estranha acontecerão, mas as respostas estão nos seus sonhos Meredith, eles são presságios muito poderosos. E não se esqueça, quando eu dou um dom, eu nunca o retiro.

Um arrepio passou pela minha espinha e ela me beijou a testa. Caí na grama inconsciente.

Acordei estranhamente ainda sonhando. Eu ainda estava naquele mesmo gramado, só que ele estava mais sombrio, já não era mais dia e as estrelas faiscavam emitindo minha única iluminação. Estranhamente eu conseguia enxergar tão perfeitamente como se fosse dia, e eu pude ver as sombras ao meu redor. Agora o que elas sussurravam era audível e da mesma forma doce demais, como mel e açúcar juntos numa mesma mistura, muito bom, mas enjoativo. Eu ainda não havia enjoado de escutar esses versos.

Doce dama

À noite te chama

Não negues quem te trouxe a vida

Junte-se a nos e serás querida

Reine na escuridão

Voando sob seus súditos

Cantos de corvos ecoam pelo ar

Uma Reaven Mocker para sempre será

Se trair nunca mais esquecerá.

Oh Meredith ouça nossos apelos

Rainha, asas ganhará

Para a glória voará

Sem seu apoio para o outro lado, nunca cairá.

E finalmente ascenderás ao trono.

Ouvi tudo balançando meu corpo devagar como se eu escutasse uma música. Com meus olhos fechados eu senti esse poema com a alma, e da mesma forma como consegui identificar a voz da deusa, soube que eles cantavam para mim. Eram corvos, agora

me olhavam com seus olhos vermelhos e incisivos repetindo a mesma canção devagar, eles eram de fato assustadores, mas não tive medo deles, ou vontade de sair correndo por aí que nem uma pirada; eles sempre estivem lá, me observando e protegendo e tive um pressentimento, aquela era minha família, eu fazia parte daquilo tudo e eu encarava ali, meus irmãos. Eu sou Meredith, uma Reaven Mocker de sangue Cherokee, eu estava destinada a glória.

Então honre seu sangue.

Aquele não era a voz da deusa, e também não era dos corvos. Era de certo algo mais antigo, mais belo e sedutor, como se apenas estivesse a tanto tempo vivo que aprendera a conquistar todos apenas com o tom de sua voz. Senti uma instantânea atração pela voz, como se fizesse parte de mim. Olhei para o céu, que ainda faiscava cheio de estrelas e pensei, dizendo em voz alta:

- Como eu posso fazer isso?

Não houve resposta, como no meu sonho com Nyx, apenas um flash de luz que veio do céu e fez surgir a minha frente uma espada flutuante, muito bonita e reluzente, como se fosse feita das próprias estrelas. A peguei e ela reluziu mais forte ainda, fazendo meus irmão voarem para longe e me cegando por um tempo. Eu sabia que quando acordasse eu já não estaria mais no mundo dos sonhos, antes que eu acordasse para a realidade uma última frase pairou sobre minha mente.

Ouça seus sonhos.

E de novo por uma intuição que vinha do meu coração e que pulsava em minhas veias, eu sabia que aquela era a resposta para todas as minhas perguntas. Meus sonhos, antes tão insignificantes, agora guardavam o sentido de todos os caminhos que eu trilharia.

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Prólogo do Cap.3

Minha vida nunca mais será a mesma, pensei enquanto arrumava a pequena mala de couro com todas as minhas roupas. Realmente não havia muito que se levar na mala para meu novo quarto; só três mudas de camiseta, duas calças, uma saia e minha escova de cabelo e de dentes. Tudo o que eu tinha de realmente meu, agora não era mais nada em comparação ao que eu havia recebido somente em um sonho. Realmente quando despertei havia uma lua traçada na minha testa, ela era estranhamente violeta, mas não era nada que fosse tão estranho assim certo? Então só a cobri com a franja e voltei ao meu quarto. Mas lá também haviam acontecido coisas, um espírito heaven Mocker me aguardava e me entregou aquela espada, a dos meus sonhos e me recitou novamente aquele poema. E aqui estou eu, me arrumando o máximo que posso, afinal serei apresentada a minha classe hoje certo? Tenho de caprichar. Fiquei feliz de saber que não terei uma colega de quarto antiga, e que ainda teria de esperar um pouco até uma novata chegar. Quem sabe eu não tenho a sorte de conseguir que minha protegida seja minha colega?

Fiz certo esforço pra espada caber na minha mala, o que resultou com que ela ficasse com uns 3cm de ponta para fora mas tudo bem, eu podia lidar com isso.

- Vamos novata?-Um vamp guerreiro me esperava na porta do casebre dos empregados.

- Claro- Falei fechando a chave a porta do meu antigo quarto- Quando vou poder ver minha mentora?

- Logo depois das aulas senhorita.- Ele respondeu cordialmente.

- Otimo- Falei um pouco mais baixo e pude sentir os olhos vermelhos faiscantes me seguindo. Eles estavam lá, eles sempre estariam lá, não importa o rumo que minha vida estivesse tomando eu nunca negaria minha origem, nunca renegaria minha família.